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A concorrente gasolina se... Atrapalha
Marcos Fava Neves

Economista

Marcos

Fava Neves

professor titular de planejamento e estratégia na FEA/USP Campus Ribeirão Preto e coordenador científico do Markestrat.

revistacanavieiros@revistacanavieiros.com.br

A concorrente gasolina se... Atrapalha

 
08/12/2015

O que acontece com nosso agro?
 A mais recente estimativa da FAO (Organização das Nações Unidas) mostra que o mundo vai produzir 2,53 bilhões de toneladas de grãos na safra 2015/16. A FAO esperava quase 5 milhões de toneladas a mais na projeção do mês passado. Esta produção será 28,8 milhões de toneladas (2%) mais baixa que 2014/15, mostrando um novo quadro com inversão no acúmulo de estoques. O consumo de grãos será de 2,528 bilhões de toneladas (50% para ração animal), sendo 29 milhões de toneladas (1,2%) acima do consumo de 2014/15. Os estoques são de 638 milhões de toneladas (25% do consumo anual). A perspectiva então seria no mínimo de manter os preços atuais, que, quando convertidos a real, estão bem razoáveis. O índice de preços da FAO subiu no período.
 CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) estima a safra brasileira de 2015/16 entre 208,6 a 212,9 milhões de toneladas. É esperado um crescimento de 2% em relação a 2014/15, quando produzimos 208,53 milhões. Soja deve crescer quase 7%, chegando a 103 milhões de toneladas, e o milho cair 2,3%, para perto de 82 milhões de toneladas. Nossa capacidade de armazenagem é de 160 milhões de toneladas. Vem coisa boa por aí!
 As exportações do agro em outubro (US$ 7,78 bilhões), se comparadas com o mesmo período de 2014 (US$ 7,95 bi), tiveram ligeira queda (2,1%), trazendo um saldo agro na balança de US$ 6,73 bi (3,4% maior, graças à grande queda nas importações do agro). O valor exportado acumulado no ano (US$ 74,7 bilhões) apresentou queda de 10,9% quando comparado com o mesmo período de 2014 (US$ 83,9 bilhões). O saldo continua robusto neste período (US$ 63,6 bi), porém, com queda de 8,9%. Neste mês, o agro se beneficiou das retomadas nas exportações de soja e milho, e também no crescimento das importações da China. Por outro lado, tivemos perdas importantes em produtos como açúcares, carnes e couros. A perda de volumes de exportação, mesmo com um câmbio bem mais favorável, é algo que tem me intrigado ao longo dos últimos meses.
O que acontece com nossa cana?
 Na mais recente previsão, a Datagro coloca 605,9 milhões de toneladas no Centro-Sul, 4% a mais que a safra 14/15. O Nordeste deve produzir 52 milhões de toneladas, bem menos que as 59 milhões de 14/15. Já a FCStone (Consultoria em futuros e commodities) estima o Nordeste perdendo 6 milhões de toneladas com a seca, caindo para 53,5 m.t.
 Segundo a UNICA (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), até 31 de outubro processamos 518,82 milhões de toneladas, contra 515,32 m.t. na safra anterior.
 Czarnikow lança uma plataforma de sustentabilidade chamada de Thrive. A trading comercializa 10% do açúcar mundial e esta plataforma, em conjunto com a certificadora AB Sustain, vai considerar todos os elos da cadeia produtiva, produtores, indústrias, transportadores e varejo. Está aí uma oportunidade de inserir o Consecana na plataforma.
 A Biosev apresentou os resultados do trimestre, e estes corroboram a análise que tenho feito neste ano. Operacionalmente, a empresa deu lucro de R$ 344 milhões. E apenas de pagamentos de juros, empréstimos e financiamentos, desembolsou R$ 233 milhões. Ou seja, é o endividamento corroendo os ganhos operacionais, que envolvem 10% de redução de despesas fixas e também 14,3% de crescimento na produtividade do canavial e ATR de 137,5 (recorde de 4 safras). 
 Na mesma linha, a São Martinho viu seu endividamento crescer 28% (R$ 663 milhões) desde março, fruto da valorização do dólar. Apresentou resultado pior neste trimestre em relação a 2014, pois teve a estratégia de reter produtos esperando os melhores preços, que a meu ver é acertada, portanto espera-se resultado muito bom no período que se inicia. 
O que acontece com nosso açúcar?
 A OIA (Organização Internacional do Açúcar), em sua mais recente estimativa, coloca um deficit de 3,5 milhões de toneladas no mercado mundial de açúcar em 2015/16. Interessante é que em agosto a previsão de deficit era de pouco menos de 2,5 milhões de toneladas.
 Com o maior uso da cana para etanol, a produção de açúcar, segundo a UNICA, no Centro-Sul (até 31/10) está em 27,5 milhões de toneladas, cerca de 2 milhões abaixo de 2014. Estima-se que o Brasil retirou com isto alguns milhões de toneladas de açúcar do mercado mundial. 
 As chuvas no Centro-Sul, o maior consumo de etanol e o provável déficit de açúcar estão jogando os preços do açúcar para cima. O açúcar cristal atingiu o valor de R$ 75/saca de 50 kg em outubro e telas futuras podem chegar a 15 cents por libra/peso. 
 Estima-se que as usinas brasileiras tenham vendido já quase 30% do açúcar que será exportado em 2016/17. A média neste momento do ano seria de 10%.  
O que acontece com nosso etanol?
 Em setembro consumimos 1,6 bilhão de litros (48,3% acima de 2014). As vendas de gasolina em setembro caíram 12% e de diesel, 8%.
 Em outubro, segundo a UNICA, as vendas de etanol das usinas para as distribuidoras chegaram a incrível 1,7 bilhão de litros, 37% acima de 2014. Preços mais altos não frearam a demanda em outubro.
 Ainda pela UNICA, esta safra (até 31 de outubro) já teve vendas de 17,77 bilhões de litros (16,54 para o mercado interno e 1,23 b.l. para exportação), 25,3% acima de 2014. O aumento no consumo, na ponta final, de acordo com a Datagro, está ao redor de 40%. 
 O hidratado chegou perto de R$ 1,80/l. na usina e trata-se do maior preço nominal já registrado pelo CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - ESALQ/USP) em mais de 12 anos. O anidro atingiu R$ 1,90/l.
 A Dupont inaugurou em Iowa a maior fábrica de etanol celulósico do mundo, e estima que este produto é competitivo apenas com o petróleo custando ao redor de US$ 70 a 80 o barril. 
 A subida de preços do etanol aqui no Brasil já começou a prejudicar as exportações aos EUA.
 Pensando no futuro da gasolina, que é a principal concorrente do etanol, temos fatos interessantes para pensar. A Petrobras vem seguidamente anunciando redução de investimentos futuros, a capacidade de refino no Brasil é limitada, a venda de novos carros, mesmo com a situação de crise, continua abrindo mais mercado o elevado endividamento da empresa impede com que esta pratique preços não remuneradores na gasolina e temos uma situação cambial que dificulta a importação de gasolina... Fora as questões ambientais.
Quem é o homenageado do mês? 
 Todo mês homenageamos um lutador da causa da cana, da causa do agro. Nesta edição, minha homenagem vai ao dr. Cícero Junqueira Franco, um dos pais do nosso pró-álcool, desejando a este grande homem rápida recuperação para voltar a nos alegrar com suas histórias. 
 Participei neste mês de um interessante evento em Washington (EUA) no WWF - World Wildlife Fund. cinquenta pessoas, entre cientistas, agentes públicos e privados de mais de 10 países que foram selecionadas para discutir, em formato de um interessante jogo, as possíveis reações do agronegócio a futuras crises mundiais, num modelo de simulação de crises e ações. Os resultados estão no site foodchainreaction.org para os que tiverem interesse. Mas o fato é que teremos um mundo absolutamente mais complexo vindo pela frente, sendo nosso papel acompanhar e tentar prever para auxiliar na tomada de decisão.  Na foto, com os craques Xico Graziano e Geraldo Martha, da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
Haja Limão: o limão do mês vai para a cara de pau de uma parte dos nossos políticos. São desculpas completamente esfarrapadas para tentar justificar depósitos que aparecem em contas e inúmeras outras falcatruas. Afloram acordos às escuras visando à proteção de ações de corrupção que cada vez mais rebaixam a nossa moral. Até quando aguentaremos, é uma boa pergunta. Nunca vi um lodaçal destes.
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires. 
O que acontece com nosso agro?
 A mais recente estimativa da FAO (Organização das Nações Unidas) mostra que o mundo vai produzir 2,53 bilhões de toneladas de grãos na safra 2015/16. A FAO esperava quase 5 milhões de toneladas a mais na projeção do mês passado. Esta produção será 28,8 milhões de toneladas (2%) mais baixa que 2014/15, mostrando um novo quadro com inversão no acúmulo de estoques. O consumo de grãos será de 2,528 bilhões de toneladas (50% para ração animal), sendo 29 milhões de toneladas (1,2%) acima do consumo de 2014/15. Os estoques são de 638 milhões de toneladas (25% do consumo anual). A perspectiva então seria no mínimo de manter os preços atuais, que, quando convertidos a real, estão bem razoáveis. O índice de preços da FAO subiu no período.
 CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) estima a safra brasileira de 2015/16 entre 208,6 a 212,9 milhões de toneladas. É esperado um crescimento de 2% em relação a 2014/15, quando produzimos 208,53 milhões. Soja deve crescer quase 7%, chegando a 103 milhões de toneladas, e o milho cair 2,3%, para perto de 82 milhões de toneladas. Nossa capacidade de armazenagem é de 160 milhões de toneladas. Vem coisa boa por aí!
 As exportações do agro em outubro (US$ 7,78 bilhões), se comparadas com o mesmo período de 2014 (US$ 7,95 bi), tiveram ligeira queda (2,1%), trazendo um saldo agro na balança de US$ 6,73 bi (3,4% maior, graças à grande queda nas importações do agro). O valor exportado acumulado no ano (US$ 74,7 bilhões) apresentou queda de 10,9% quando comparado com o mesmo período de 2014 (US$ 83,9 bilhões). O saldo continua robusto neste período (US$ 63,6 bi), porém, com queda de 8,9%. Neste mês, o agro se beneficiou das retomadas nas exportações de soja e milho, e também no crescimento das importações da China. Por outro lado, tivemos perdas importantes em produtos como açúcares, carnes e couros. A perda de volumes de exportação, mesmo com um câmbio bem mais favorável, é algo que tem me intrigado ao longo dos últimos meses.
O que acontece com nossa cana?
 Na mais recente previsão, a Datagro coloca 605,9 milhões de toneladas no Centro-Sul, 4% a mais que a safra 14/15. O Nordeste deve produzir 52 milhões de toneladas, bem menos que as 59 milhões de 14/15. Já a FCStone (Consultoria em futuros e commodities) estima o Nordeste perdendo 6 milhões de toneladas com a seca, caindo para 53,5 m.t.
 Segundo a UNICA (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), até 31 de outubro processamos 518,82 milhões de toneladas, contra 515,32 m.t. na safra anterior.
 Czarnikow lança uma plataforma de sustentabilidade chamada de Thrive. A trading comercializa 10% do açúcar mundial e esta plataforma, em conjunto com a certificadora AB Sustain, vai considerar todos os elos da cadeia produtiva, produtores, indústrias, transportadores e varejo. Está aí uma oportunidade de inserir o Consecana na plataforma.
 A Biosev apresentou os resultados do trimestre, e estes corroboram a análise que tenho feito neste ano. Operacionalmente, a empresa deu lucro de R$ 344 milhões. E apenas de pagamentos de juros, empréstimos e financiamentos, desembolsou R$ 233 milhões. Ou seja, é o endividamento corroendo os ganhos operacionais, que envolvem 10% de redução de despesas fixas e também 14,3% de crescimento na produtividade do canavial e ATR de 137,5 (recorde de 4 safras). 
 Na mesma linha, a São Martinho viu seu endividamento crescer 28% (R$ 663 milhões) desde março, fruto da valorização do dólar. Apresentou resultado pior neste trimestre em relação a 2014, pois teve a estratégia de reter produtos esperando os melhores preços, que a meu ver é acertada, portanto espera-se resultado muito bom no período que se inicia. 
O que acontece com nosso açúcar?
 A OIA (Organização Internacional do Açúcar), em sua mais recente estimativa, coloca um deficit de 3,5 milhões de toneladas no mercado mundial de açúcar em 2015/16. Interessante é que em agosto a previsão de deficit era de pouco menos de 2,5 milhões de toneladas.
 Com o maior uso da cana para etanol, a produção de açúcar, segundo a UNICA, no Centro-Sul (até 31/10) está em 27,5 milhões de toneladas, cerca de 2 milhões abaixo de 2014. Estima-se que o Brasil retirou com isto alguns milhões de toneladas de açúcar do mercado mundial. 
 As chuvas no Centro-Sul, o maior consumo de etanol e o provável déficit de açúcar estão jogando os preços do açúcar para cima. O açúcar cristal atingiu o valor de R$ 75/saca de 50 kg em outubro e telas futuras podem chegar a 15 cents por libra/peso. 
 Estima-se que as usinas brasileiras tenham vendido já quase 30% do açúcar que será exportado em 2016/17. A média neste momento do ano seria de 10%.  
O que acontece com nosso etanol?
 Em setembro consumimos 1,6 bilhão de litros (48,3% acima de 2014). As vendas de gasolina em setembro caíram 12% e de diesel, 8%.
 Em outubro, segundo a UNICA, as vendas de etanol das usinas para as distribuidoras chegaram a incrível 1,7 bilhão de litros, 37% acima de 2014. Preços mais altos não frearam a demanda em outubro.
 Ainda pela UNICA, esta safra (até 31 de outubro) já teve vendas de 17,77 bilhões de litros (16,54 para o mercado interno e 1,23 b.l. para exportação), 25,3% acima de 2014. O aumento no consumo, na ponta final, de acordo com a Datagro, está ao redor de 40%. 
 O hidratado chegou perto de R$ 1,80/l. na usina e trata-se do maior preço nominal já registrado pelo CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - ESALQ/USP) em mais de 12 anos. O anidro atingiu R$ 1,90/l.
 A Dupont inaugurou em Iowa a maior fábrica de etanol celulósico do mundo, e estima que este produto é competitivo apenas com o petróleo custando ao redor de US$ 70 a 80 o barril. 
 A subida de preços do etanol aqui no Brasil já começou a prejudicar as exportações aos EUA.
 Pensando no futuro da gasolina, que é a principal concorrente do etanol, temos fatos interessantes para pensar. A Petrobras vem seguidamente anunciando redução de investimentos futuros, a capacidade de refino no Brasil é limitada, a venda de novos carros, mesmo com a situação de crise, continua abrindo mais mercado o elevado endividamento da empresa impede com que esta pratique preços não remuneradores na gasolina e temos uma situação cambial que dificulta a importação de gasolina... Fora as questões ambientais.
Quem é o homenageado do mês? 
 Todo mês homenageamos um lutador da causa da cana, da causa do agro. Nesta edição, minha homenagem vai ao dr. Cícero Junqueira Franco, um dos pais do nosso pró-álcool, desejando a este grande homem rápida recuperação para voltar a nos alegrar com suas histórias. 
 Participei neste mês de um interessante evento em Washington (EUA) no WWF - World Wildlife Fund. cinquenta pessoas, entre cientistas, agentes públicos e privados de mais de 10 países que foram selecionadas para discutir, em formato de um interessante jogo, as possíveis reações do agronegócio a futuras crises mundiais, num modelo de simulação de crises e ações. Os resultados estão no site foodchainreaction.org para os que tiverem interesse. Mas o fato é que teremos um mundo absolutamente mais complexo vindo pela frente, sendo nosso papel acompanhar e tentar prever para auxiliar na tomada de decisão.  Na foto, com os craques Xico Graziano e Geraldo Martha, da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
Haja Limão: o limão do mês vai para a cara de pau de uma parte dos nossos políticos. São desculpas completamente esfarrapadas para tentar justificar depósitos que aparecem em contas e inúmeras outras falcatruas. Afloram acordos às escuras visando à proteção de ações de corrupção que cada vez mais rebaixam a nossa moral. Até quando aguentaremos, é uma boa pergunta. Nunca vi um lodaçal destes.
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires. 

Fonte: Revista Canavieiros - ed. 113

A concorrente gasolina se... Atrapalha

08/12/2015

O que acontece com nosso agro?
 A mais recente estimativa da FAO (Organização das Nações Unidas) mostra que o mundo vai produzir 2,53 bilhões de toneladas de grãos na safra 2015/16. A FAO esperava quase 5 milhões de toneladas a mais na projeção do mês passado. Esta produção será 28,8 milhões de toneladas (2%) mais baixa que 2014/15, mostrando um novo quadro com inversão no acúmulo de estoques. O consumo de grãos será de 2,528 bilhões de toneladas (50% para ração animal), sendo 29 milhões de toneladas (1,2%) acima do consumo de 2014/15. Os estoques são de 638 milhões de toneladas (25% do consumo anual). A perspectiva então seria no mínimo de manter os preços atuais, que, quando convertidos a real, estão bem razoáveis. O índice de preços da FAO subiu no período.
 CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) estima a safra brasileira de 2015/16 entre 208,6 a 212,9 milhões de toneladas. É esperado um crescimento de 2% em relação a 2014/15, quando produzimos 208,53 milhões. Soja deve crescer quase 7%, chegando a 103 milhões de toneladas, e o milho cair 2,3%, para perto de 82 milhões de toneladas. Nossa capacidade de armazenagem é de 160 milhões de toneladas. Vem coisa boa por aí!
 As exportações do agro em outubro (US$ 7,78 bilhões), se comparadas com o mesmo período de 2014 (US$ 7,95 bi), tiveram ligeira queda (2,1%), trazendo um saldo agro na balança de US$ 6,73 bi (3,4% maior, graças à grande queda nas importações do agro). O valor exportado acumulado no ano (US$ 74,7 bilhões) apresentou queda de 10,9% quando comparado com o mesmo período de 2014 (US$ 83,9 bilhões). O saldo continua robusto neste período (US$ 63,6 bi), porém, com queda de 8,9%. Neste mês, o agro se beneficiou das retomadas nas exportações de soja e milho, e também no crescimento das importações da China. Por outro lado, tivemos perdas importantes em produtos como açúcares, carnes e couros. A perda de volumes de exportação, mesmo com um câmbio bem mais favorável, é algo que tem me intrigado ao longo dos últimos meses.
O que acontece com nossa cana?
 Na mais recente previsão, a Datagro coloca 605,9 milhões de toneladas no Centro-Sul, 4% a mais que a safra 14/15. O Nordeste deve produzir 52 milhões de toneladas, bem menos que as 59 milhões de 14/15. Já a FCStone (Consultoria em futuros e commodities) estima o Nordeste perdendo 6 milhões de toneladas com a seca, caindo para 53,5 m.t.
 Segundo a UNICA (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), até 31 de outubro processamos 518,82 milhões de toneladas, contra 515,32 m.t. na safra anterior.
 Czarnikow lança uma plataforma de sustentabilidade chamada de Thrive. A trading comercializa 10% do açúcar mundial e esta plataforma, em conjunto com a certificadora AB Sustain, vai considerar todos os elos da cadeia produtiva, produtores, indústrias, transportadores e varejo. Está aí uma oportunidade de inserir o Consecana na plataforma.
 A Biosev apresentou os resultados do trimestre, e estes corroboram a análise que tenho feito neste ano. Operacionalmente, a empresa deu lucro de R$ 344 milhões. E apenas de pagamentos de juros, empréstimos e financiamentos, desembolsou R$ 233 milhões. Ou seja, é o endividamento corroendo os ganhos operacionais, que envolvem 10% de redução de despesas fixas e também 14,3% de crescimento na produtividade do canavial e ATR de 137,5 (recorde de 4 safras). 
 Na mesma linha, a São Martinho viu seu endividamento crescer 28% (R$ 663 milhões) desde março, fruto da valorização do dólar. Apresentou resultado pior neste trimestre em relação a 2014, pois teve a estratégia de reter produtos esperando os melhores preços, que a meu ver é acertada, portanto espera-se resultado muito bom no período que se inicia. 
O que acontece com nosso açúcar?
 A OIA (Organização Internacional do Açúcar), em sua mais recente estimativa, coloca um deficit de 3,5 milhões de toneladas no mercado mundial de açúcar em 2015/16. Interessante é que em agosto a previsão de deficit era de pouco menos de 2,5 milhões de toneladas.
 Com o maior uso da cana para etanol, a produção de açúcar, segundo a UNICA, no Centro-Sul (até 31/10) está em 27,5 milhões de toneladas, cerca de 2 milhões abaixo de 2014. Estima-se que o Brasil retirou com isto alguns milhões de toneladas de açúcar do mercado mundial. 
 As chuvas no Centro-Sul, o maior consumo de etanol e o provável déficit de açúcar estão jogando os preços do açúcar para cima. O açúcar cristal atingiu o valor de R$ 75/saca de 50 kg em outubro e telas futuras podem chegar a 15 cents por libra/peso. 
 Estima-se que as usinas brasileiras tenham vendido já quase 30% do açúcar que será exportado em 2016/17. A média neste momento do ano seria de 10%.  
O que acontece com nosso etanol?
 Em setembro consumimos 1,6 bilhão de litros (48,3% acima de 2014). As vendas de gasolina em setembro caíram 12% e de diesel, 8%.
 Em outubro, segundo a UNICA, as vendas de etanol das usinas para as distribuidoras chegaram a incrível 1,7 bilhão de litros, 37% acima de 2014. Preços mais altos não frearam a demanda em outubro.
 Ainda pela UNICA, esta safra (até 31 de outubro) já teve vendas de 17,77 bilhões de litros (16,54 para o mercado interno e 1,23 b.l. para exportação), 25,3% acima de 2014. O aumento no consumo, na ponta final, de acordo com a Datagro, está ao redor de 40%. 
 O hidratado chegou perto de R$ 1,80/l. na usina e trata-se do maior preço nominal já registrado pelo CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - ESALQ/USP) em mais de 12 anos. O anidro atingiu R$ 1,90/l.
 A Dupont inaugurou em Iowa a maior fábrica de etanol celulósico do mundo, e estima que este produto é competitivo apenas com o petróleo custando ao redor de US$ 70 a 80 o barril. 
 A subida de preços do etanol aqui no Brasil já começou a prejudicar as exportações aos EUA.
 Pensando no futuro da gasolina, que é a principal concorrente do etanol, temos fatos interessantes para pensar. A Petrobras vem seguidamente anunciando redução de investimentos futuros, a capacidade de refino no Brasil é limitada, a venda de novos carros, mesmo com a situação de crise, continua abrindo mais mercado o elevado endividamento da empresa impede com que esta pratique preços não remuneradores na gasolina e temos uma situação cambial que dificulta a importação de gasolina... Fora as questões ambientais.
Quem é o homenageado do mês? 
 Todo mês homenageamos um lutador da causa da cana, da causa do agro. Nesta edição, minha homenagem vai ao dr. Cícero Junqueira Franco, um dos pais do nosso pró-álcool, desejando a este grande homem rápida recuperação para voltar a nos alegrar com suas histórias. 
 Participei neste mês de um interessante evento em Washington (EUA) no WWF - World Wildlife Fund. cinquenta pessoas, entre cientistas, agentes públicos e privados de mais de 10 países que foram selecionadas para discutir, em formato de um interessante jogo, as possíveis reações do agronegócio a futuras crises mundiais, num modelo de simulação de crises e ações. Os resultados estão no site foodchainreaction.org para os que tiverem interesse. Mas o fato é que teremos um mundo absolutamente mais complexo vindo pela frente, sendo nosso papel acompanhar e tentar prever para auxiliar na tomada de decisão.  Na foto, com os craques Xico Graziano e Geraldo Martha, da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
Haja Limão: o limão do mês vai para a cara de pau de uma parte dos nossos políticos. São desculpas completamente esfarrapadas para tentar justificar depósitos que aparecem em contas e inúmeras outras falcatruas. Afloram acordos às escuras visando à proteção de ações de corrupção que cada vez mais rebaixam a nossa moral. Até quando aguentaremos, é uma boa pergunta. Nunca vi um lodaçal destes.
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires. 
O que acontece com nosso agro?
 A mais recente estimativa da FAO (Organização das Nações Unidas) mostra que o mundo vai produzir 2,53 bilhões de toneladas de grãos na safra 2015/16. A FAO esperava quase 5 milhões de toneladas a mais na projeção do mês passado. Esta produção será 28,8 milhões de toneladas (2%) mais baixa que 2014/15, mostrando um novo quadro com inversão no acúmulo de estoques. O consumo de grãos será de 2,528 bilhões de toneladas (50% para ração animal), sendo 29 milhões de toneladas (1,2%) acima do consumo de 2014/15. Os estoques são de 638 milhões de toneladas (25% do consumo anual). A perspectiva então seria no mínimo de manter os preços atuais, que, quando convertidos a real, estão bem razoáveis. O índice de preços da FAO subiu no período.
 CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) estima a safra brasileira de 2015/16 entre 208,6 a 212,9 milhões de toneladas. É esperado um crescimento de 2% em relação a 2014/15, quando produzimos 208,53 milhões. Soja deve crescer quase 7%, chegando a 103 milhões de toneladas, e o milho cair 2,3%, para perto de 82 milhões de toneladas. Nossa capacidade de armazenagem é de 160 milhões de toneladas. Vem coisa boa por aí!
 As exportações do agro em outubro (US$ 7,78 bilhões), se comparadas com o mesmo período de 2014 (US$ 7,95 bi), tiveram ligeira queda (2,1%), trazendo um saldo agro na balança de US$ 6,73 bi (3,4% maior, graças à grande queda nas importações do agro). O valor exportado acumulado no ano (US$ 74,7 bilhões) apresentou queda de 10,9% quando comparado com o mesmo período de 2014 (US$ 83,9 bilhões). O saldo continua robusto neste período (US$ 63,6 bi), porém, com queda de 8,9%. Neste mês, o agro se beneficiou das retomadas nas exportações de soja e milho, e também no crescimento das importações da China. Por outro lado, tivemos perdas importantes em produtos como açúcares, carnes e couros. A perda de volumes de exportação, mesmo com um câmbio bem mais favorável, é algo que tem me intrigado ao longo dos últimos meses.
O que acontece com nossa cana?
 Na mais recente previsão, a Datagro coloca 605,9 milhões de toneladas no Centro-Sul, 4% a mais que a safra 14/15. O Nordeste deve produzir 52 milhões de toneladas, bem menos que as 59 milhões de 14/15. Já a FCStone (Consultoria em futuros e commodities) estima o Nordeste perdendo 6 milhões de toneladas com a seca, caindo para 53,5 m.t.
 Segundo a UNICA (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), até 31 de outubro processamos 518,82 milhões de toneladas, contra 515,32 m.t. na safra anterior.
 Czarnikow lança uma plataforma de sustentabilidade chamada de Thrive. A trading comercializa 10% do açúcar mundial e esta plataforma, em conjunto com a certificadora AB Sustain, vai considerar todos os elos da cadeia produtiva, produtores, indústrias, transportadores e varejo. Está aí uma oportunidade de inserir o Consecana na plataforma.
 A Biosev apresentou os resultados do trimestre, e estes corroboram a análise que tenho feito neste ano. Operacionalmente, a empresa deu lucro de R$ 344 milhões. E apenas de pagamentos de juros, empréstimos e financiamentos, desembolsou R$ 233 milhões. Ou seja, é o endividamento corroendo os ganhos operacionais, que envolvem 10% de redução de despesas fixas e também 14,3% de crescimento na produtividade do canavial e ATR de 137,5 (recorde de 4 safras). 
 Na mesma linha, a São Martinho viu seu endividamento crescer 28% (R$ 663 milhões) desde março, fruto da valorização do dólar. Apresentou resultado pior neste trimestre em relação a 2014, pois teve a estratégia de reter produtos esperando os melhores preços, que a meu ver é acertada, portanto espera-se resultado muito bom no período que se inicia. 
O que acontece com nosso açúcar?
 A OIA (Organização Internacional do Açúcar), em sua mais recente estimativa, coloca um deficit de 3,5 milhões de toneladas no mercado mundial de açúcar em 2015/16. Interessante é que em agosto a previsão de deficit era de pouco menos de 2,5 milhões de toneladas.
 Com o maior uso da cana para etanol, a produção de açúcar, segundo a UNICA, no Centro-Sul (até 31/10) está em 27,5 milhões de toneladas, cerca de 2 milhões abaixo de 2014. Estima-se que o Brasil retirou com isto alguns milhões de toneladas de açúcar do mercado mundial. 
 As chuvas no Centro-Sul, o maior consumo de etanol e o provável déficit de açúcar estão jogando os preços do açúcar para cima. O açúcar cristal atingiu o valor de R$ 75/saca de 50 kg em outubro e telas futuras podem chegar a 15 cents por libra/peso. 
 Estima-se que as usinas brasileiras tenham vendido já quase 30% do açúcar que será exportado em 2016/17. A média neste momento do ano seria de 10%.  
O que acontece com nosso etanol?
 Em setembro consumimos 1,6 bilhão de litros (48,3% acima de 2014). As vendas de gasolina em setembro caíram 12% e de diesel, 8%.
 Em outubro, segundo a UNICA, as vendas de etanol das usinas para as distribuidoras chegaram a incrível 1,7 bilhão de litros, 37% acima de 2014. Preços mais altos não frearam a demanda em outubro.
 Ainda pela UNICA, esta safra (até 31 de outubro) já teve vendas de 17,77 bilhões de litros (16,54 para o mercado interno e 1,23 b.l. para exportação), 25,3% acima de 2014. O aumento no consumo, na ponta final, de acordo com a Datagro, está ao redor de 40%. 
 O hidratado chegou perto de R$ 1,80/l. na usina e trata-se do maior preço nominal já registrado pelo CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - ESALQ/USP) em mais de 12 anos. O anidro atingiu R$ 1,90/l.
 A Dupont inaugurou em Iowa a maior fábrica de etanol celulósico do mundo, e estima que este produto é competitivo apenas com o petróleo custando ao redor de US$ 70 a 80 o barril. 
 A subida de preços do etanol aqui no Brasil já começou a prejudicar as exportações aos EUA.
 Pensando no futuro da gasolina, que é a principal concorrente do etanol, temos fatos interessantes para pensar. A Petrobras vem seguidamente anunciando redução de investimentos futuros, a capacidade de refino no Brasil é limitada, a venda de novos carros, mesmo com a situação de crise, continua abrindo mais mercado o elevado endividamento da empresa impede com que esta pratique preços não remuneradores na gasolina e temos uma situação cambial que dificulta a importação de gasolina... Fora as questões ambientais.
Quem é o homenageado do mês? 
 Todo mês homenageamos um lutador da causa da cana, da causa do agro. Nesta edição, minha homenagem vai ao dr. Cícero Junqueira Franco, um dos pais do nosso pró-álcool, desejando a este grande homem rápida recuperação para voltar a nos alegrar com suas histórias. 
 Participei neste mês de um interessante evento em Washington (EUA) no WWF - World Wildlife Fund. cinquenta pessoas, entre cientistas, agentes públicos e privados de mais de 10 países que foram selecionadas para discutir, em formato de um interessante jogo, as possíveis reações do agronegócio a futuras crises mundiais, num modelo de simulação de crises e ações. Os resultados estão no site foodchainreaction.org para os que tiverem interesse. Mas o fato é que teremos um mundo absolutamente mais complexo vindo pela frente, sendo nosso papel acompanhar e tentar prever para auxiliar na tomada de decisão.  Na foto, com os craques Xico Graziano e Geraldo Martha, da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
Haja Limão: o limão do mês vai para a cara de pau de uma parte dos nossos políticos. São desculpas completamente esfarrapadas para tentar justificar depósitos que aparecem em contas e inúmeras outras falcatruas. Afloram acordos às escuras visando à proteção de ações de corrupção que cada vez mais rebaixam a nossa moral. Até quando aguentaremos, é uma boa pergunta. Nunca vi um lodaçal destes.
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires.