Marcos Fava Neves

Economista

Marcos

Fava Neves

professor titular de planejamento e estratégia na FEA/USP Campus Ribeirão Preto e coordenador científico do Markestrat.

revistacanavieiros@revistacanavieiros.com.br

Mais um mês andando de lado. O que acontece com o nosso agro?

 
17/08/2017

nova estimativa da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) de agosto para a safra de grãos 2016/2017 está em 238,22 milhões de toneladas, sendo 27,7% a mais que as 186,6 milhões de 2015/16. Agregamos em apenas um ano 51,6 milhões de toneladas
de grãos. A área cultivada é de quase 60,66 milhões de hectares e 4% maior que na safra anterior, mais de 2,2 milhões de hectares agregados
à produção.
Nos preços das commodities globais
medidas pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação
e a Agricultura), julho foi bom. O índice de preços de commodities alimentares chegou a 179,1 pontos, 3,9% acima de junho e 10% acima do mesmo mês de 2016. Fomos ajudados pelo leite (subiu mais de 3,6%), cereais
(5%) e açúcar (subiram 5%). As carnes e óleos vegetais ficaram na mesma. Vamos verificar agora no próximo mês o efeito da estimativa de safra do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que surpreendeu para cima e derrubou
os preços de soja e milho.
Em julho continuamos com excelente
performance nas exportações. Foram US$ 8,3 bilhões, praticamente
5,8% mais que junho de 2016, deixando
um superavit
de US$ 7,2 bilhões. No acumulado
de janeiro a julho o agro trouxe US$ 56,4 bilhões, quase 6,8% acima de 2016. O superavit deixado
já está em US$ 48 bilhões.
A soja vem sendo o destaque do ano e em julho foram exportados mais US$ 3,1 bilhões. Somente o complexo soja trouxe ao Brasil incríveis
US$ 20 bilhões no primeiro semestre. Devemos exportar mais de 64 milhões de toneladas de soja (até julho já foram 51,9 milhões) que poderão trazer ao Brasil US$ 23,4 bilhões
e, somando óleo e farelo, chegamos
perto de impressionantes US$ 30 bilhões.
No milho podemos exportar mais de 30 milhões de toneladas neste ano. Somente em julho foram 3,3 milhões, ajudando a escoar esta mega segunda safra e não deixando os preços caírem mais aos produtores.
Nas carnes, que este ano têm margens melhores beneficiadas pelo menor custo de ração, também tivemos
crescimento de 13,2%, acumulando
US$ 1,3 bilhão em vendas.
Impulsionada por estes números do agronegócio, a balança comercial brasileira teve um superavit de US$ 6,298 bilhões em julho, advindos de US$ 18,769 bilhões em exportações (14,9% acima) e US$ 12,471 bilhões em importações (6,1% acima). No ano já acumulamos um superavit de US$ 42,514 bilhões, contra US$ 28,227 bilhões no mesmo período de 2016. Podemos fechar o ano com superavit de US$ 60 bilhões, dando grande contribuição ao Governo neste
momento de retomada da economia.
Segundo estudo da OMC (Organização
Mundial do Comércio), o Brasil é o terceiro exportador agrícola
do mundo, atrás da EU (União Europeia) e dos Estados Unidos, representando
5,1% do total mundial. Em 2016, quase 25% das nossas exportações
foram para a China, e devem
crescer.
Enfim, as notícias de agosto no geral foram razoáveis ao agro em termos de produção e ligeiramente negativas em termos de preços pelos
fatores listados acima. Tínhamos crescente expectativa que os preços de milho e soja subiriam, mas a duvulgação
da estimativa de safra do USDA foi uma ducha de água fria neste mês.
No cenário econômico e político, na minha leitura aconteceu o menos está terminar seu trabalho pressionado
ferozmente pelas reformas estruturantes,
privatizações e corte de gastos e de benefícios e estruturas estatais.
O que acontece com a nossa cana?
De acordo com a UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), a moagem acumulada desta safra até o dia 1º de agosto foi de 297,33 milhões
de toneladas. Estamos atrasados
em quase 14,78 milhões de toneladas
em relação à safra anterior. Já foram produzidos 17,57 milhões de toneladas de açúcar (16,97 milhões em 2016), e no etanol 11,54 bilhões de litros (-10,15%). O hidratado caiu 14,47%, para 6,57 bilhões de litros e o anidro caiu 3,74%, para 4,99 bilhões
de litros.
No ATR, devido também à seca, estamos ligeiramente acima do ano passado, chegando a 128,02 kg/ton (em 2016 era de 127,26). A produtividade
começa a se deteriorar, chegando
no acumulado da safra a 82,44 toneladas
por hectare, o que dá 2,91% a menos que na safra anterior, graças principalmente à seca que atinge São Paulo. Na quinzena também o mix foi de 50,33% para açúcar e moemos 1,42% a menos que a comparação do mesmo período.
Foi divulgado o lucro do grupo Lincoln Junqueira na safra 2016/17, de quase R$ 664 milhões, três vezes maior que na safra anterior, o que contribuiu para importante redução do endividamento. A receita líquida atingiu R$ 2,7 bilhões em 2016/17, e foram processadas 16,2 milhões de toneladas de cana. A redução do endividamento e das taxas de juros deve melhorar o resultado da operação,
e também o negócio de cogeração,
com o recente aumento dos preços
da energia no mercado livre.
Já a Biosev apresentou um prejuízo
líquido perto de R$ 577,3 milhões neste primeiro trimestre do ano-safra
2017/2018 (abril a junho). Por estes
dados pode-se perceber o dano do endividamento no setor de cana. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos,
depreciação e amortização) chegou
a R$ 159 milhões (13,5% maior), mas com os juros da dívida, que era de R$ 5,218 bilhões no final de junho,
a operação é drenada, mesmo com melhor performance, moendo mais cana e com melhor ATR. Deve moer no total algo perto de 32,5 milhões
de toneladas nesta safra.
A Cofco Agri deve aumentar sua participação no setor de cana. Já adquiriu
a Noble Agri (capacidades de 15 milhões de toneladas) e pode ter interesse nos ativos da Renuka. Tal como seu avanço nas tradings e nos distribuidores de insumos, eu acredito
em entrada mais forte dos chineses
no setor.
Na safra 2016/17 o Grupo Balbo teve um lucro líquido de R$ 6,32 milhões,
82% menor que na safra anterior.
Mesmo com receita maior (R$ 990,095 milhões), o endividamento de R$ 451 milhões pesou na balança. Segundo a Archer, o endividamento das usinas, no final de julho, alcançou
R$ 88,59 bilhões (5.43% a mais que ano passado), sendo em minha visão a principal doença do setor.
Foi inaugurada a usina de milho
da FS Bioenergia em Lucas do Rio Verde, investimento de R$ 450 milhões com perspectivas de faturamento
ao redor de R$ 500 milhões por ano. Produzirão etanol, óleo de milho (usado no biodiesel) e o farelo de milho, chamado de DDG (distillers
dried grains). É próxima de uma fábrica de rações e de biodiesel, o que deve permitir a circularidade de produtos. Esta unidade pode moer 50 mil toneladas de milho por mês e produzirá
240 milhões de litros por ano. O capital é de 75% de uma empresa americana Summit e 25% da Fiagril. A DATAGRO acredita que na safra 2017/18 teremos já 750 milhões de litros
sendo produzidos no Brasil.
Enfim, estamos atrasados na safra
e fazendo mais açúcar que o previsto,
devemos agora começar a ter maior percentual de etanol e este atraso não preocupa muito, pois temos
menos cana que no ano anterior e capacidade para processá-la.
O que aconteceu com nosso açúcar?
Segundo a OIA (Organização Internacional
do Açúcar) devemos ter um superavit de 4 milhões de toneladas
na safra 2017/18. Outras estimativas
são do Rabobank (2,7 milhões) e FO Licht (5,4 milhões), todas superavitárias.
Em relação às exportações, em julho foram 2,661 milhões de toneladas
de açúcar bruto, queda de 13,8% no total exportado em junho (3,089 milhões de toneladas) e também
8,6% abaixo de julho de 2016. Traduzido em dólar, trouxemos US$ 1,040 bilhão, 18,3% a menos que junho
e 2,2% abaixo de julho de 2016. Porém, considerando todo o ano de 2017, exportamos 15,444 milhões de toneladas (+0,2%) e faturamos US$ 6,554 bilhões (+31,3%).
Notícia negativa ao setor foi o estudo
do Rabobank, que estima que teremos um recuo conjuntural na demanda
de açúcar que pode chegar a 5% em três anos, empatando com o crescimento anual esperado de 1,5 a 2%. Este recuo viria de mudança em hábitos de consumo e pressão regulatória
de Governos, visando reduzir os teores de açúcar em bebidas e outros
produtos. Acreditam que a taxa de crescimento nestes próximos 15 anos será menor que nos últimos 15. Temos que observar bem isto, pois os consumos per capita em mercados populosos são ainda bastante baixos, e isto, como o próprio estudo alerta, é o fator principal que pode contrabalançar
este quadro.
Segundo a Archer, o preço médio de julho foi de 14,12 centavos de dólar
por libra-peso, 4.35% maior que junho. Acreditam que no último trimestre
podemos ter média de 16.56 centavos de dólar por libra-peso podendo tocar os 18 centavos. Seus números indicam que o custo de se produzir açúcar na usina estaria ao redor de R$ 48/sc, e somando-se des134 pesas de transporte (estimadas em R$ 100/tonelada) e US$ 12,50 para despesas portuárias, chega-se a 15,12 cents/libra peso (custo FOB Santos).
Continua um clima de pessimismo no mercado contaminado pelos fatores
baixistas e pouca expectativa que o petróleo possa reagir. No fechamento
desta leitura o mercado futuro de açúcar estava em 13,20 centavos de dólar por libra-peso. No mercado interno, a saca está ao redor de R$ 55,00, bem menor que o mesmo período
do ano passado. Ou seja, não foi um bom mês e para piorar estamos
com queda de mais de 30% nos preços neste ano. Temos que tomar cuidado com a provável valorização do Real caso passem as reformas estruturantes
neste segundo semestre. Mas com maior mix para etanol e efeitos do clima seco sobre a safra de cana, meu viés de preços é altista.
O que acontece com nosso etanol?
O consumo de combustíveis caiu 1,3% no primeiro semestre, sendo que o do Ciclo Otto cresceu 2,1%. Em junho, o consumo de gasolina cresceu 11,6% (3,762 bilhões de litros) e o consumo
de etanol caiu 17,6%. Seguimos perdendo mercado. Em gasolina equivalente
consumimos nos últimos 12 meses 53.76 bilhões de litros. Segundo
a Archer, caso a economia cresça nestes dois próximos anos, o consumo
pode encostar em 58 bilhões de litros, necessitando mais oferta tanto de gasolina quanto de etanol.
As importações de combustíveis e lubrificantes estão 33,7% maiores em 2017 e somente em julho foram 57,3% maiores que o mesmo mês de 2016.
Exportamos em julho 156,1 milhões
de litros de etanol, 2,5% a menos
que junho e quase 30% a menos que julho do ano passado. Em termos de faturamento, foram US$ 80,6 milhões
neste mês, 6,4% a menos que junho e 23% a menos que julho de 2016. Considerando-se todo o ano de 2017, estamos com um volume exportado de 744,8 milhões de litros (42,8% menor), e faturamento de US$ 438,6 milhões, 30% a menos que o ano passado.
O Governo voltou atrás e reduziu o valor do imposto (PIS/COFINS) sobre
o etanol em 0,08 centavos. Era de R$ 0,20 e passará a ser de pouco mais de 11 centavos/litro chegando a 0,24/litro (já tínhamos cobrança de 0,12 centavos).
Aparentemente vai avançando o RenovaBio, que se baseará muito nos créditos de descarbonização (CBIOs) ou tributações de carbono e podem entrar em vigor em 1º de julho de 2018, com um período de transição.
Em relação à tributação do etanol americano, caminha-se para uma decisão
de aplicar 20% de tarifa no que exceder 600 milhões de litros anuais (150 milhões por trimestre). Meu receio
principal é a retaliação que isto pode trazer num momento que não é bom ao setor. Eu preferia outros mecanismos,
mais alinhados com o RenovaBio
e a política de tributação por emissões, além de corrigir os problemas
causados pelo incentivo dado no Maranhão para as importações.
Mais um estudo sobre a questão ambiental do etanol foi publicado, com apoio da FAPESP. Este relaciona os preços dos combustíveis às emissões,
comprovando que estas aumentam
com o aumento da participação da gasolina no mercado.
O Governo do Reino Unido anunciou
que proibirá a venda de carros novos e vans a diesel ou gasolina em 2040. A medida visa combater a poluição.
A consultoria IHS Markit crê que a venda de carros com combustão interna na União Europeia deve cair de 17 milhões de veículos em 2015 para 12 milhões em 2025. Carros elétricos
passariam de 350 mil para 1,85 milhão neste período.
No fechamento da leitura o hidratado
estava R$ 1,48 e o anidro R$ 1,65/litro. Um mês que na conjuntura, não foi bom ao setor, mas na estrutura,
um pouco mais de esperança com o menor aumento do PIS COFINS. Acho que o etanol não deveria ter aumento
tributário algum, até para sina1lizar que o RenovaBio vem para valer. Fica complicado assinarmos um papel em Paris com metas ambientais e caminhar
na contramão no sentido de aumento de tributos. Meu viés para o etanol também é altista, creio no aumento
do consumo de combustíveis agora e podemos ser surpreendidos com o real tamanho da safra.
Haja Limão
Nosso foco total agora é pressionar o Governo por reformas estruturantes, corte das estruturas e benefícios estatais
e privatizações em massa.
Quem é o homenageado do mês?
Todos os meses temos um grande homenageado aqui neste espaço e desta vez nossa singela homenagem vai ao empreendedor Raulo Allano Krubniki Ferraz, jovem
que formamos na FEARP/USP há dois anos, recebeu prêmios de inovação e criou start-up na área médica, e que foi vitima de grave acidente automobilístico. Perdemos um talento e para seu professor, uma enorme dor.
A nova estimativa da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) de agosto para a safra de grãos 2016/2017 está em 238,22 milhões de toneladas, sendo 27,7% a mais que as 186,6 milhões de 2015/16. Agregamos em apenas um ano 51,6 milhões de toneladas de grãos. A área cultivada é de quase 60,66 milhões de hectares e 4% maior que na safra anterior, mais de 2,2 milhões de hectares agregados à produção. Nos preços das commodities globais medidas pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), julho foi bom. O índice de preços de commodities alimentares chegou a 179,1 pontos, 3,9% acima de junho e 10% acima do mesmo mês de 2016. Fomos ajudados pelo leite (subiu mais de 3,6%), cereais (5%) e açúcar (subiram 5%). As carnes e óleos vegetais ficaram na mesma. Vamos verificar agora no próximo mês o efeito da estimativa de safra do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que surpreendeu para cima e derrubou os preços de soja e milho.
Em julho continuamos com excelente performance nas exportações. Foram US$ 8,3 bilhões, praticamente 5,8% mais que junho de 2016, deixando um superavit
de US$ 7,2 bilhões. No acumulado de janeiro a julho o agro trouxe US$ 56,4 bilhões, quase 6,8% acima de 2016. O superavit deixado já está em US$ 48 bilhões.
A soja vem sendo o destaque do ano e em julho foram exportados mais US$ 3,1 bilhões. Somente o complexo soja trouxe ao Brasil incríveis US$ 20 bilhões no primeiro semestre. Devemos exportar mais de 64 milhões de toneladas de soja (até julho já foram 51,9 milhões) que poderão trazer ao Brasil US$ 23,4 bilhões
e, somando óleo e farelo, chegamos perto de impressionantes US$ 30 bilhões.
No milho podemos exportar mais de 30 milhões de toneladas neste ano. Somente em julho foram 3,3 milhões, ajudando a escoar esta mega segunda safra e não deixando os preços caírem mais aos produtores.
Nas carnes, que este ano têm margens melhores beneficiadas pelo menor custo de ração, também tivemos crescimento de 13,2%, acumulando US$ 1,3 bilhão em vendas.
Impulsionada por estes números do agronegócio, a balança comercial brasileira teve um superavit de US$ 6,298 bilhões em julho, advindos de US$ 18,769 bilhões em exportações (14,9% acima) e US$ 12,471 bilhões em importações (6,1% acima). No ano já acumulamos um superavit de US$ 42,514 bilhões, contra US$ 28,227 bilhões no mesmo período de 2016. Podemos fechar o ano com superavit de US$ 60 bilhões, dando grande contribuição ao Governo neste momento de retomada da economia.
Segundo estudo da OMC (Organização Mundial do Comércio), o Brasil é o terceiro exportador agrícola do mundo, atrás da EU (União Europeia) e dos Estados Unidos, representando 5,1% do total mundial. Em 2016, quase 25% das nossas exportações foram para a China, e devem crescer.
Enfim, as notícias de agosto no geral foram razoáveis ao agro em termos de produção e ligeiramente negativas em termos de preços pelos
fatores listados acima. Tínhamos crescente expectativa que os preços de milho e soja subiriam, mas a duvulgação da estimativa de safra do USDA foi uma ducha de água fria neste mês.
No cenário econômico e político, na minha leitura aconteceu o menos está terminar seu trabalho pressionado ferozmente pelas reformas estruturantes,
privatizações e corte de gastos e de benefícios e estruturas estatais.
O que acontece com a nossa cana?
De acordo com a UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), a moagem acumulada desta safra até o dia 1º de agosto foi de 297,33 milhões
de toneladas. Estamos atrasados em quase 14,78 milhões de toneladas
em relação à safra anterior. Já foram produzidos 17,57 milhões de toneladas de açúcar (16,97 milhões em 2016), e no etanol 11,54 bilhões de litros (-10,15%). O hidratado caiu 14,47%, para 6,57 bilhões de litros e o anidro caiu 3,74%, para 4,99 bilhões de litros.
No ATR, devido também à seca, estamos ligeiramente acima do ano passado, chegando a 128,02 kg/ton (em 2016 era de 127,26). A produtividade começa a se deteriorar, chegando no acumulado da safra a 82,44 toneladas por hectare, o que dá 2,91% a menos que na safra anterior, graças principalmente à seca que atinge São Paulo. Na quinzena também o mix foi de 50,33% para açúcar e moemos 1,42% a menos que a comparação do mesmo período.
Foi divulgado o lucro do grupo Lincoln Junqueira na safra 2016/17, de quase R$ 664 milhões, três vezes maior que na safra anterior, o que contribuiu para importante redução do endividamento. A receita líquida atingiu R$ 2,7 bilhões em 2016/17, e foram processadas 16,2 milhões de toneladas de cana. A redução do endividamento e das taxas de juros deve melhorar o resultado da operação,
e também o negócio de cogeração, com o recente aumento dos preços
da energia no mercado livre. Já a Biosev apresentou um prejuízo líquido perto de R$ 577,3 milhões neste primeiro trimestre do ano-safra 2017/2018 (abril a junho). Por estes dados pode-se perceber o dano do endividamento no setor de cana. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) chegou
a R$ 159 milhões (13,5% maior), mas com os juros da dívida, que era de R$ 5,218 bilhões no final de junho, a operação é drenada, mesmo com melhor performance, moendo mais cana e com melhor ATR. Deve moer no total algo perto de 32,5 milhões de toneladas nesta safra.
A Cofco Agri deve aumentar sua participação no setor de cana. Já adquiriu
a Noble Agri (capacidades de 15 milhões de toneladas) e pode ter interesse nos ativos da Renuka. Tal como seu avanço nas tradings e nos distribuidores de insumos, eu acredito em entrada mais forte dos chineses no setor.
Na safra 2016/17 o Grupo Balbo teve um lucro líquido de R$ 6,32 milhões,
82% menor que na safra anterior.
Mesmo com receita maior (R$ 990,095 milhões), o endividamento de R$ 451 milhões pesou na balança. Segundo a Archer, o endividamento das usinas, no final de julho, alcançou R$ 88,59 bilhões (5.43% a mais que ano passado), sendo em minha visão a principal doença do setor. Foi inaugurada a usina de milho da FS Bioenergia em Lucas do Rio Verde, investimento de R$ 450 milhões com perspectivas de faturamento ao redor de R$ 500 milhões por ano. Produzirão etanol, óleo de milho (usado no biodiesel) e o farelo de milho, chamado de DDG (distillers dried grains). É próxima de uma fábrica de rações e de biodiesel, o que deve permitir a circularidade de produtos. Esta unidade pode moer 50 mil toneladas de milho por mês e produzirá 240 milhões de litros por ano. O capital é de 75% de uma empresa americana Summit e 25% da Fiagril. A DATAGRO acredita que na safra 2017/18 teremos já 750 milhões de litros
sendo produzidos no Brasil.
Enfim, estamos atrasados na safra e fazendo mais açúcar que o previsto, devemos agora começar a ter maior percentual de etanol e este atraso não preocupa muito, pois temos menos cana que no ano anterior e capacidade para processá-la.

O que aconteceu com nosso açúcar?
Segundo a OIA (Organização Internacional do Açúcar) devemos ter um superavit de 4 milhões de toneladas na safra 2017/18. Outras estimativas são do Rabobank (2,7 milhões) e FO Licht (5,4 milhões), todas superavitárias.
Em relação às exportações, em julho foram 2,661 milhões de toneladas
de açúcar bruto, queda de 13,8% no total exportado em junho (3,089 milhões de toneladas) e também 8,6% abaixo de julho de 2016. Traduzido em dólar, trouxemos US$ 1,040 bilhão, 18,3% a menos que junho e 2,2% abaixo de julho de 2016. Porém, considerando todo o ano de 2017, exportamos 15,444 milhões de toneladas (+0,2%) e faturamos US$ 6,554 bilhões (+31,3%). Notícia negativa ao setor foi o estudo do Rabobank, que estima que teremos um recuo conjuntural na demanda de açúcar que pode chegar a 5% em três anos, empatando com o crescimento anual esperado de 1,5 a 2%. Este recuo viria de mudança em hábitos de consumo e pressão regulatória de Governos, visando reduzir os teores de açúcar em bebidas e outros produtos. Acreditam que a taxa de crescimento nestes próximos 15 anos será menor que nos últimos 15. Temos que observar bem isto, pois os consumos per capita em mercados populosos são ainda bastante baixos, e isto, como o próprio estudo alerta, é o fator principal que pode contrabalançar
este quadro.
Segundo a Archer, o preço médio de julho foi de 14,12 centavos de dólar por libra-peso, 4.35% maior que junho. Acreditam que no último trimestre podemos ter média de 16.56 centavos de dólar por libra-peso podendo tocar os 18 centavos. Seus números indicam que o custo de se produzir açúcar na usina estaria ao redor de R$ 48/sc, e somando-se des134 pesas de transporte (estimadas em R$ 100/tonelada) e US$ 12,50 para despesas portuárias, chega-se a 15,12 cents/libra peso (custo FOB Santos).
Continua um clima de pessimismo no mercado contaminado pelos fatores
baixistas e pouca expectativa que o petróleo possa reagir. No fechamento
desta leitura o mercado futuro de açúcar estava em 13,20 centavos de dólar por libra-peso. No mercado interno, a saca está ao redor de R$ 55,00, bem menor que o mesmo período do ano passado. Ou seja, não foi um bom mês e para piorar estamos com queda de mais de 30% nos preços neste ano. Temos que tomar cuidado com a provável valorização do Real caso passem as reformas estruturantes neste segundo semestre. Mas com maior mix para etanol e efeitos do clima seco sobre a safra de cana, meu viés de preços é altista.

O que acontece com nosso etanol?
O consumo de combustíveis caiu 1,3% no primeiro semestre, sendo que o do Ciclo Otto cresceu 2,1%. Em junho, o consumo de gasolina cresceu 11,6% (3,762 bilhões de litros) e o consumo de etanol caiu 17,6%. Seguimos perdendo mercado. Em gasolina equivalente consumimos nos últimos 12 meses 53.76 bilhões de litros. Segundo a Archer, caso a economia cresça nestes dois próximos anos, o consumo pode encostar em 58 bilhões de litros, necessitando mais oferta tanto de gasolina quanto de etanol.
As importações de combustíveis e lubrificantes estão 33,7% maiores em 2017 e somente em julho foram 57,3% maiores que o mesmo mês de 2016.
Exportamos em julho 156,1 milhões de litros de etanol, 2,5% a menos que junho e quase 30% a menos que julho do ano passado. Em termos de faturamento, foram US$ 80,6 milhões neste mês, 6,4% a menos que junho e 23% a menos que julho de 2016. Considerando-se todo o ano de 2017, estamos com um volume exportado de 744,8 milhões de litros (42,8% menor), e faturamento de US$ 438,6 milhões, 30% a menos que o ano passado.
O Governo voltou atrás e reduziu o valor do imposto (PIS/COFINS) sobre o etanol em 0,08 centavos. Era de R$ 0,20 e passará a ser de pouco mais de 11 centavos/litro chegando a 0,24/litro (já tínhamos cobrança de 0,12 centavos).
Aparentemente vai avançando o RenovaBio, que se baseará muito nos créditos de descarbonização (CBIOs) ou tributações de carbono e podem entrar em vigor em 1º de julho de 2018, com um período de transição.
Em relação à tributação do etanol americano, caminha-se para uma decisão
de aplicar 20% de tarifa no que exceder 600 milhões de litros anuais (150 milhões por trimestre). Meu receio principal é a retaliação que isto pode trazer num momento que não é bom ao setor. Eu preferia outros mecanismos, mais alinhados com o RenovaBio e a política de tributação por emissões, além de corrigir os problemas causados pelo incentivo dado no Maranhão para as importações.
Mais um estudo sobre a questão ambiental do etanol foi publicado, com apoio da FAPESP. Este relaciona os preços dos combustíveis às emissões,
comprovando que estas aumentam com o aumento da participação da gasolina no mercado. O Governo do Reino Unido anunciou que proibirá a venda de carros novos e vans a diesel ou gasolina em 2040. A medida visa combater a poluição.
A consultoria IHS Markit crê que a venda de carros com combustão interna na União Europeia deve cair de 17 milhões de veículos em 2015 para 12 milhões em 2025. Carros elétricos passariam de 350 mil para 1,85 milhão neste período.
No fechamento da leitura o hidratado estava R$ 1,48 e o anidro R$ 1,65/litro. Um mês que na conjuntura, não foi bom ao setor, mas na estrutura, um pouco mais de esperança com o menor aumento do PIS COFINS. Acho que o etanol não deveria ter aumento tributário algum, até para sina1lizar que o RenovaBio vem para valer. Fica complicado assinarmos um papel em Paris com metas ambientais e caminhar na contramão no sentido de aumento de tributos. Meu viés para o etanol também é altista, creio no aumento do consumo de combustíveis agora e podemos ser surpreendidos com o real tamanho da safra.
Haja Limão
Nosso foco total agora é pressionar o Governo por reformas estruturantes, corte das estruturas e benefícios estatais
e privatizações em massa.


Quem é o homenageado do mês?
Todos os meses temos um grande homenageado aqui neste espaço e desta vez nossa singela homenagem vai ao empreendedor Raulo Allano Krubniki Ferraz, jovem que formamos na FEARP/USP há dois anos, recebeu prêmios de inovação e criou start-up na área médica, e que foi vitima de grave acidente automobilístico. Perdemos um talento e para seu professor, uma enorme dor.


Fonte: Revista Canavieiros edição 134 - Agosto 2017

Mais um mês andando de lado. O que acontece com o nosso agro?

17/08/2017

nova estimativa da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) de agosto para a safra de grãos 2016/2017 está em 238,22 milhões de toneladas, sendo 27,7% a mais que as 186,6 milhões de 2015/16. Agregamos em apenas um ano 51,6 milhões de toneladas
de grãos. A área cultivada é de quase 60,66 milhões de hectares e 4% maior que na safra anterior, mais de 2,2 milhões de hectares agregados
à produção.
Nos preços das commodities globais
medidas pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação
e a Agricultura), julho foi bom. O índice de preços de commodities alimentares chegou a 179,1 pontos, 3,9% acima de junho e 10% acima do mesmo mês de 2016. Fomos ajudados pelo leite (subiu mais de 3,6%), cereais
(5%) e açúcar (subiram 5%). As carnes e óleos vegetais ficaram na mesma. Vamos verificar agora no próximo mês o efeito da estimativa de safra do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que surpreendeu para cima e derrubou
os preços de soja e milho.
Em julho continuamos com excelente
performance nas exportações. Foram US$ 8,3 bilhões, praticamente
5,8% mais que junho de 2016, deixando
um superavit
de US$ 7,2 bilhões. No acumulado
de janeiro a julho o agro trouxe US$ 56,4 bilhões, quase 6,8% acima de 2016. O superavit deixado
já está em US$ 48 bilhões.
A soja vem sendo o destaque do ano e em julho foram exportados mais US$ 3,1 bilhões. Somente o complexo soja trouxe ao Brasil incríveis
US$ 20 bilhões no primeiro semestre. Devemos exportar mais de 64 milhões de toneladas de soja (até julho já foram 51,9 milhões) que poderão trazer ao Brasil US$ 23,4 bilhões
e, somando óleo e farelo, chegamos
perto de impressionantes US$ 30 bilhões.
No milho podemos exportar mais de 30 milhões de toneladas neste ano. Somente em julho foram 3,3 milhões, ajudando a escoar esta mega segunda safra e não deixando os preços caírem mais aos produtores.
Nas carnes, que este ano têm margens melhores beneficiadas pelo menor custo de ração, também tivemos
crescimento de 13,2%, acumulando
US$ 1,3 bilhão em vendas.
Impulsionada por estes números do agronegócio, a balança comercial brasileira teve um superavit de US$ 6,298 bilhões em julho, advindos de US$ 18,769 bilhões em exportações (14,9% acima) e US$ 12,471 bilhões em importações (6,1% acima). No ano já acumulamos um superavit de US$ 42,514 bilhões, contra US$ 28,227 bilhões no mesmo período de 2016. Podemos fechar o ano com superavit de US$ 60 bilhões, dando grande contribuição ao Governo neste
momento de retomada da economia.
Segundo estudo da OMC (Organização
Mundial do Comércio), o Brasil é o terceiro exportador agrícola
do mundo, atrás da EU (União Europeia) e dos Estados Unidos, representando
5,1% do total mundial. Em 2016, quase 25% das nossas exportações
foram para a China, e devem
crescer.
Enfim, as notícias de agosto no geral foram razoáveis ao agro em termos de produção e ligeiramente negativas em termos de preços pelos
fatores listados acima. Tínhamos crescente expectativa que os preços de milho e soja subiriam, mas a duvulgação
da estimativa de safra do USDA foi uma ducha de água fria neste mês.
No cenário econômico e político, na minha leitura aconteceu o menos está terminar seu trabalho pressionado
ferozmente pelas reformas estruturantes,
privatizações e corte de gastos e de benefícios e estruturas estatais.
O que acontece com a nossa cana?
De acordo com a UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), a moagem acumulada desta safra até o dia 1º de agosto foi de 297,33 milhões
de toneladas. Estamos atrasados
em quase 14,78 milhões de toneladas
em relação à safra anterior. Já foram produzidos 17,57 milhões de toneladas de açúcar (16,97 milhões em 2016), e no etanol 11,54 bilhões de litros (-10,15%). O hidratado caiu 14,47%, para 6,57 bilhões de litros e o anidro caiu 3,74%, para 4,99 bilhões
de litros.
No ATR, devido também à seca, estamos ligeiramente acima do ano passado, chegando a 128,02 kg/ton (em 2016 era de 127,26). A produtividade
começa a se deteriorar, chegando
no acumulado da safra a 82,44 toneladas
por hectare, o que dá 2,91% a menos que na safra anterior, graças principalmente à seca que atinge São Paulo. Na quinzena também o mix foi de 50,33% para açúcar e moemos 1,42% a menos que a comparação do mesmo período.
Foi divulgado o lucro do grupo Lincoln Junqueira na safra 2016/17, de quase R$ 664 milhões, três vezes maior que na safra anterior, o que contribuiu para importante redução do endividamento. A receita líquida atingiu R$ 2,7 bilhões em 2016/17, e foram processadas 16,2 milhões de toneladas de cana. A redução do endividamento e das taxas de juros deve melhorar o resultado da operação,
e também o negócio de cogeração,
com o recente aumento dos preços
da energia no mercado livre.
Já a Biosev apresentou um prejuízo
líquido perto de R$ 577,3 milhões neste primeiro trimestre do ano-safra
2017/2018 (abril a junho). Por estes
dados pode-se perceber o dano do endividamento no setor de cana. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos,
depreciação e amortização) chegou
a R$ 159 milhões (13,5% maior), mas com os juros da dívida, que era de R$ 5,218 bilhões no final de junho,
a operação é drenada, mesmo com melhor performance, moendo mais cana e com melhor ATR. Deve moer no total algo perto de 32,5 milhões
de toneladas nesta safra.
A Cofco Agri deve aumentar sua participação no setor de cana. Já adquiriu
a Noble Agri (capacidades de 15 milhões de toneladas) e pode ter interesse nos ativos da Renuka. Tal como seu avanço nas tradings e nos distribuidores de insumos, eu acredito
em entrada mais forte dos chineses
no setor.
Na safra 2016/17 o Grupo Balbo teve um lucro líquido de R$ 6,32 milhões,
82% menor que na safra anterior.
Mesmo com receita maior (R$ 990,095 milhões), o endividamento de R$ 451 milhões pesou na balança. Segundo a Archer, o endividamento das usinas, no final de julho, alcançou
R$ 88,59 bilhões (5.43% a mais que ano passado), sendo em minha visão a principal doença do setor.
Foi inaugurada a usina de milho
da FS Bioenergia em Lucas do Rio Verde, investimento de R$ 450 milhões com perspectivas de faturamento
ao redor de R$ 500 milhões por ano. Produzirão etanol, óleo de milho (usado no biodiesel) e o farelo de milho, chamado de DDG (distillers
dried grains). É próxima de uma fábrica de rações e de biodiesel, o que deve permitir a circularidade de produtos. Esta unidade pode moer 50 mil toneladas de milho por mês e produzirá
240 milhões de litros por ano. O capital é de 75% de uma empresa americana Summit e 25% da Fiagril. A DATAGRO acredita que na safra 2017/18 teremos já 750 milhões de litros
sendo produzidos no Brasil.
Enfim, estamos atrasados na safra
e fazendo mais açúcar que o previsto,
devemos agora começar a ter maior percentual de etanol e este atraso não preocupa muito, pois temos
menos cana que no ano anterior e capacidade para processá-la.
O que aconteceu com nosso açúcar?
Segundo a OIA (Organização Internacional
do Açúcar) devemos ter um superavit de 4 milhões de toneladas
na safra 2017/18. Outras estimativas
são do Rabobank (2,7 milhões) e FO Licht (5,4 milhões), todas superavitárias.
Em relação às exportações, em julho foram 2,661 milhões de toneladas
de açúcar bruto, queda de 13,8% no total exportado em junho (3,089 milhões de toneladas) e também
8,6% abaixo de julho de 2016. Traduzido em dólar, trouxemos US$ 1,040 bilhão, 18,3% a menos que junho
e 2,2% abaixo de julho de 2016. Porém, considerando todo o ano de 2017, exportamos 15,444 milhões de toneladas (+0,2%) e faturamos US$ 6,554 bilhões (+31,3%).
Notícia negativa ao setor foi o estudo
do Rabobank, que estima que teremos um recuo conjuntural na demanda
de açúcar que pode chegar a 5% em três anos, empatando com o crescimento anual esperado de 1,5 a 2%. Este recuo viria de mudança em hábitos de consumo e pressão regulatória
de Governos, visando reduzir os teores de açúcar em bebidas e outros
produtos. Acreditam que a taxa de crescimento nestes próximos 15 anos será menor que nos últimos 15. Temos que observar bem isto, pois os consumos per capita em mercados populosos são ainda bastante baixos, e isto, como o próprio estudo alerta, é o fator principal que pode contrabalançar
este quadro.
Segundo a Archer, o preço médio de julho foi de 14,12 centavos de dólar
por libra-peso, 4.35% maior que junho. Acreditam que no último trimestre
podemos ter média de 16.56 centavos de dólar por libra-peso podendo tocar os 18 centavos. Seus números indicam que o custo de se produzir açúcar na usina estaria ao redor de R$ 48/sc, e somando-se des134 pesas de transporte (estimadas em R$ 100/tonelada) e US$ 12,50 para despesas portuárias, chega-se a 15,12 cents/libra peso (custo FOB Santos).
Continua um clima de pessimismo no mercado contaminado pelos fatores
baixistas e pouca expectativa que o petróleo possa reagir. No fechamento
desta leitura o mercado futuro de açúcar estava em 13,20 centavos de dólar por libra-peso. No mercado interno, a saca está ao redor de R$ 55,00, bem menor que o mesmo período
do ano passado. Ou seja, não foi um bom mês e para piorar estamos
com queda de mais de 30% nos preços neste ano. Temos que tomar cuidado com a provável valorização do Real caso passem as reformas estruturantes
neste segundo semestre. Mas com maior mix para etanol e efeitos do clima seco sobre a safra de cana, meu viés de preços é altista.
O que acontece com nosso etanol?
O consumo de combustíveis caiu 1,3% no primeiro semestre, sendo que o do Ciclo Otto cresceu 2,1%. Em junho, o consumo de gasolina cresceu 11,6% (3,762 bilhões de litros) e o consumo
de etanol caiu 17,6%. Seguimos perdendo mercado. Em gasolina equivalente
consumimos nos últimos 12 meses 53.76 bilhões de litros. Segundo
a Archer, caso a economia cresça nestes dois próximos anos, o consumo
pode encostar em 58 bilhões de litros, necessitando mais oferta tanto de gasolina quanto de etanol.
As importações de combustíveis e lubrificantes estão 33,7% maiores em 2017 e somente em julho foram 57,3% maiores que o mesmo mês de 2016.
Exportamos em julho 156,1 milhões
de litros de etanol, 2,5% a menos
que junho e quase 30% a menos que julho do ano passado. Em termos de faturamento, foram US$ 80,6 milhões
neste mês, 6,4% a menos que junho e 23% a menos que julho de 2016. Considerando-se todo o ano de 2017, estamos com um volume exportado de 744,8 milhões de litros (42,8% menor), e faturamento de US$ 438,6 milhões, 30% a menos que o ano passado.
O Governo voltou atrás e reduziu o valor do imposto (PIS/COFINS) sobre
o etanol em 0,08 centavos. Era de R$ 0,20 e passará a ser de pouco mais de 11 centavos/litro chegando a 0,24/litro (já tínhamos cobrança de 0,12 centavos).
Aparentemente vai avançando o RenovaBio, que se baseará muito nos créditos de descarbonização (CBIOs) ou tributações de carbono e podem entrar em vigor em 1º de julho de 2018, com um período de transição.
Em relação à tributação do etanol americano, caminha-se para uma decisão
de aplicar 20% de tarifa no que exceder 600 milhões de litros anuais (150 milhões por trimestre). Meu receio
principal é a retaliação que isto pode trazer num momento que não é bom ao setor. Eu preferia outros mecanismos,
mais alinhados com o RenovaBio
e a política de tributação por emissões, além de corrigir os problemas
causados pelo incentivo dado no Maranhão para as importações.
Mais um estudo sobre a questão ambiental do etanol foi publicado, com apoio da FAPESP. Este relaciona os preços dos combustíveis às emissões,
comprovando que estas aumentam
com o aumento da participação da gasolina no mercado.
O Governo do Reino Unido anunciou
que proibirá a venda de carros novos e vans a diesel ou gasolina em 2040. A medida visa combater a poluição.
A consultoria IHS Markit crê que a venda de carros com combustão interna na União Europeia deve cair de 17 milhões de veículos em 2015 para 12 milhões em 2025. Carros elétricos
passariam de 350 mil para 1,85 milhão neste período.
No fechamento da leitura o hidratado
estava R$ 1,48 e o anidro R$ 1,65/litro. Um mês que na conjuntura, não foi bom ao setor, mas na estrutura,
um pouco mais de esperança com o menor aumento do PIS COFINS. Acho que o etanol não deveria ter aumento
tributário algum, até para sina1lizar que o RenovaBio vem para valer. Fica complicado assinarmos um papel em Paris com metas ambientais e caminhar
na contramão no sentido de aumento de tributos. Meu viés para o etanol também é altista, creio no aumento
do consumo de combustíveis agora e podemos ser surpreendidos com o real tamanho da safra.
Haja Limão
Nosso foco total agora é pressionar o Governo por reformas estruturantes, corte das estruturas e benefícios estatais
e privatizações em massa.
Quem é o homenageado do mês?
Todos os meses temos um grande homenageado aqui neste espaço e desta vez nossa singela homenagem vai ao empreendedor Raulo Allano Krubniki Ferraz, jovem
que formamos na FEARP/USP há dois anos, recebeu prêmios de inovação e criou start-up na área médica, e que foi vitima de grave acidente automobilístico. Perdemos um talento e para seu professor, uma enorme dor.
A nova estimativa da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) de agosto para a safra de grãos 2016/2017 está em 238,22 milhões de toneladas, sendo 27,7% a mais que as 186,6 milhões de 2015/16. Agregamos em apenas um ano 51,6 milhões de toneladas de grãos. A área cultivada é de quase 60,66 milhões de hectares e 4% maior que na safra anterior, mais de 2,2 milhões de hectares agregados à produção. Nos preços das commodities globais medidas pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), julho foi bom. O índice de preços de commodities alimentares chegou a 179,1 pontos, 3,9% acima de junho e 10% acima do mesmo mês de 2016. Fomos ajudados pelo leite (subiu mais de 3,6%), cereais (5%) e açúcar (subiram 5%). As carnes e óleos vegetais ficaram na mesma. Vamos verificar agora no próximo mês o efeito da estimativa de safra do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que surpreendeu para cima e derrubou os preços de soja e milho.
Em julho continuamos com excelente performance nas exportações. Foram US$ 8,3 bilhões, praticamente 5,8% mais que junho de 2016, deixando um superavit
de US$ 7,2 bilhões. No acumulado de janeiro a julho o agro trouxe US$ 56,4 bilhões, quase 6,8% acima de 2016. O superavit deixado já está em US$ 48 bilhões.
A soja vem sendo o destaque do ano e em julho foram exportados mais US$ 3,1 bilhões. Somente o complexo soja trouxe ao Brasil incríveis US$ 20 bilhões no primeiro semestre. Devemos exportar mais de 64 milhões de toneladas de soja (até julho já foram 51,9 milhões) que poderão trazer ao Brasil US$ 23,4 bilhões
e, somando óleo e farelo, chegamos perto de impressionantes US$ 30 bilhões.
No milho podemos exportar mais de 30 milhões de toneladas neste ano. Somente em julho foram 3,3 milhões, ajudando a escoar esta mega segunda safra e não deixando os preços caírem mais aos produtores.
Nas carnes, que este ano têm margens melhores beneficiadas pelo menor custo de ração, também tivemos crescimento de 13,2%, acumulando US$ 1,3 bilhão em vendas.
Impulsionada por estes números do agronegócio, a balança comercial brasileira teve um superavit de US$ 6,298 bilhões em julho, advindos de US$ 18,769 bilhões em exportações (14,9% acima) e US$ 12,471 bilhões em importações (6,1% acima). No ano já acumulamos um superavit de US$ 42,514 bilhões, contra US$ 28,227 bilhões no mesmo período de 2016. Podemos fechar o ano com superavit de US$ 60 bilhões, dando grande contribuição ao Governo neste momento de retomada da economia.
Segundo estudo da OMC (Organização Mundial do Comércio), o Brasil é o terceiro exportador agrícola do mundo, atrás da EU (União Europeia) e dos Estados Unidos, representando 5,1% do total mundial. Em 2016, quase 25% das nossas exportações foram para a China, e devem crescer.
Enfim, as notícias de agosto no geral foram razoáveis ao agro em termos de produção e ligeiramente negativas em termos de preços pelos
fatores listados acima. Tínhamos crescente expectativa que os preços de milho e soja subiriam, mas a duvulgação da estimativa de safra do USDA foi uma ducha de água fria neste mês.
No cenário econômico e político, na minha leitura aconteceu o menos está terminar seu trabalho pressionado ferozmente pelas reformas estruturantes,
privatizações e corte de gastos e de benefícios e estruturas estatais.
O que acontece com a nossa cana?
De acordo com a UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), a moagem acumulada desta safra até o dia 1º de agosto foi de 297,33 milhões
de toneladas. Estamos atrasados em quase 14,78 milhões de toneladas
em relação à safra anterior. Já foram produzidos 17,57 milhões de toneladas de açúcar (16,97 milhões em 2016), e no etanol 11,54 bilhões de litros (-10,15%). O hidratado caiu 14,47%, para 6,57 bilhões de litros e o anidro caiu 3,74%, para 4,99 bilhões de litros.
No ATR, devido também à seca, estamos ligeiramente acima do ano passado, chegando a 128,02 kg/ton (em 2016 era de 127,26). A produtividade começa a se deteriorar, chegando no acumulado da safra a 82,44 toneladas por hectare, o que dá 2,91% a menos que na safra anterior, graças principalmente à seca que atinge São Paulo. Na quinzena também o mix foi de 50,33% para açúcar e moemos 1,42% a menos que a comparação do mesmo período.
Foi divulgado o lucro do grupo Lincoln Junqueira na safra 2016/17, de quase R$ 664 milhões, três vezes maior que na safra anterior, o que contribuiu para importante redução do endividamento. A receita líquida atingiu R$ 2,7 bilhões em 2016/17, e foram processadas 16,2 milhões de toneladas de cana. A redução do endividamento e das taxas de juros deve melhorar o resultado da operação,
e também o negócio de cogeração, com o recente aumento dos preços
da energia no mercado livre. Já a Biosev apresentou um prejuízo líquido perto de R$ 577,3 milhões neste primeiro trimestre do ano-safra 2017/2018 (abril a junho). Por estes dados pode-se perceber o dano do endividamento no setor de cana. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) chegou
a R$ 159 milhões (13,5% maior), mas com os juros da dívida, que era de R$ 5,218 bilhões no final de junho, a operação é drenada, mesmo com melhor performance, moendo mais cana e com melhor ATR. Deve moer no total algo perto de 32,5 milhões de toneladas nesta safra.
A Cofco Agri deve aumentar sua participação no setor de cana. Já adquiriu
a Noble Agri (capacidades de 15 milhões de toneladas) e pode ter interesse nos ativos da Renuka. Tal como seu avanço nas tradings e nos distribuidores de insumos, eu acredito em entrada mais forte dos chineses no setor.
Na safra 2016/17 o Grupo Balbo teve um lucro líquido de R$ 6,32 milhões,
82% menor que na safra anterior.
Mesmo com receita maior (R$ 990,095 milhões), o endividamento de R$ 451 milhões pesou na balança. Segundo a Archer, o endividamento das usinas, no final de julho, alcançou R$ 88,59 bilhões (5.43% a mais que ano passado), sendo em minha visão a principal doença do setor. Foi inaugurada a usina de milho da FS Bioenergia em Lucas do Rio Verde, investimento de R$ 450 milhões com perspectivas de faturamento ao redor de R$ 500 milhões por ano. Produzirão etanol, óleo de milho (usado no biodiesel) e o farelo de milho, chamado de DDG (distillers dried grains). É próxima de uma fábrica de rações e de biodiesel, o que deve permitir a circularidade de produtos. Esta unidade pode moer 50 mil toneladas de milho por mês e produzirá 240 milhões de litros por ano. O capital é de 75% de uma empresa americana Summit e 25% da Fiagril. A DATAGRO acredita que na safra 2017/18 teremos já 750 milhões de litros
sendo produzidos no Brasil.
Enfim, estamos atrasados na safra e fazendo mais açúcar que o previsto, devemos agora começar a ter maior percentual de etanol e este atraso não preocupa muito, pois temos menos cana que no ano anterior e capacidade para processá-la.

O que aconteceu com nosso açúcar?
Segundo a OIA (Organização Internacional do Açúcar) devemos ter um superavit de 4 milhões de toneladas na safra 2017/18. Outras estimativas são do Rabobank (2,7 milhões) e FO Licht (5,4 milhões), todas superavitárias.
Em relação às exportações, em julho foram 2,661 milhões de toneladas
de açúcar bruto, queda de 13,8% no total exportado em junho (3,089 milhões de toneladas) e também 8,6% abaixo de julho de 2016. Traduzido em dólar, trouxemos US$ 1,040 bilhão, 18,3% a menos que junho e 2,2% abaixo de julho de 2016. Porém, considerando todo o ano de 2017, exportamos 15,444 milhões de toneladas (+0,2%) e faturamos US$ 6,554 bilhões (+31,3%). Notícia negativa ao setor foi o estudo do Rabobank, que estima que teremos um recuo conjuntural na demanda de açúcar que pode chegar a 5% em três anos, empatando com o crescimento anual esperado de 1,5 a 2%. Este recuo viria de mudança em hábitos de consumo e pressão regulatória de Governos, visando reduzir os teores de açúcar em bebidas e outros produtos. Acreditam que a taxa de crescimento nestes próximos 15 anos será menor que nos últimos 15. Temos que observar bem isto, pois os consumos per capita em mercados populosos são ainda bastante baixos, e isto, como o próprio estudo alerta, é o fator principal que pode contrabalançar
este quadro.
Segundo a Archer, o preço médio de julho foi de 14,12 centavos de dólar por libra-peso, 4.35% maior que junho. Acreditam que no último trimestre podemos ter média de 16.56 centavos de dólar por libra-peso podendo tocar os 18 centavos. Seus números indicam que o custo de se produzir açúcar na usina estaria ao redor de R$ 48/sc, e somando-se des134 pesas de transporte (estimadas em R$ 100/tonelada) e US$ 12,50 para despesas portuárias, chega-se a 15,12 cents/libra peso (custo FOB Santos).
Continua um clima de pessimismo no mercado contaminado pelos fatores
baixistas e pouca expectativa que o petróleo possa reagir. No fechamento
desta leitura o mercado futuro de açúcar estava em 13,20 centavos de dólar por libra-peso. No mercado interno, a saca está ao redor de R$ 55,00, bem menor que o mesmo período do ano passado. Ou seja, não foi um bom mês e para piorar estamos com queda de mais de 30% nos preços neste ano. Temos que tomar cuidado com a provável valorização do Real caso passem as reformas estruturantes neste segundo semestre. Mas com maior mix para etanol e efeitos do clima seco sobre a safra de cana, meu viés de preços é altista.

O que acontece com nosso etanol?
O consumo de combustíveis caiu 1,3% no primeiro semestre, sendo que o do Ciclo Otto cresceu 2,1%. Em junho, o consumo de gasolina cresceu 11,6% (3,762 bilhões de litros) e o consumo de etanol caiu 17,6%. Seguimos perdendo mercado. Em gasolina equivalente consumimos nos últimos 12 meses 53.76 bilhões de litros. Segundo a Archer, caso a economia cresça nestes dois próximos anos, o consumo pode encostar em 58 bilhões de litros, necessitando mais oferta tanto de gasolina quanto de etanol.
As importações de combustíveis e lubrificantes estão 33,7% maiores em 2017 e somente em julho foram 57,3% maiores que o mesmo mês de 2016.
Exportamos em julho 156,1 milhões de litros de etanol, 2,5% a menos que junho e quase 30% a menos que julho do ano passado. Em termos de faturamento, foram US$ 80,6 milhões neste mês, 6,4% a menos que junho e 23% a menos que julho de 2016. Considerando-se todo o ano de 2017, estamos com um volume exportado de 744,8 milhões de litros (42,8% menor), e faturamento de US$ 438,6 milhões, 30% a menos que o ano passado.
O Governo voltou atrás e reduziu o valor do imposto (PIS/COFINS) sobre o etanol em 0,08 centavos. Era de R$ 0,20 e passará a ser de pouco mais de 11 centavos/litro chegando a 0,24/litro (já tínhamos cobrança de 0,12 centavos).
Aparentemente vai avançando o RenovaBio, que se baseará muito nos créditos de descarbonização (CBIOs) ou tributações de carbono e podem entrar em vigor em 1º de julho de 2018, com um período de transição.
Em relação à tributação do etanol americano, caminha-se para uma decisão
de aplicar 20% de tarifa no que exceder 600 milhões de litros anuais (150 milhões por trimestre). Meu receio principal é a retaliação que isto pode trazer num momento que não é bom ao setor. Eu preferia outros mecanismos, mais alinhados com o RenovaBio e a política de tributação por emissões, além de corrigir os problemas causados pelo incentivo dado no Maranhão para as importações.
Mais um estudo sobre a questão ambiental do etanol foi publicado, com apoio da FAPESP. Este relaciona os preços dos combustíveis às emissões,
comprovando que estas aumentam com o aumento da participação da gasolina no mercado. O Governo do Reino Unido anunciou que proibirá a venda de carros novos e vans a diesel ou gasolina em 2040. A medida visa combater a poluição.
A consultoria IHS Markit crê que a venda de carros com combustão interna na União Europeia deve cair de 17 milhões de veículos em 2015 para 12 milhões em 2025. Carros elétricos passariam de 350 mil para 1,85 milhão neste período.
No fechamento da leitura o hidratado estava R$ 1,48 e o anidro R$ 1,65/litro. Um mês que na conjuntura, não foi bom ao setor, mas na estrutura, um pouco mais de esperança com o menor aumento do PIS COFINS. Acho que o etanol não deveria ter aumento tributário algum, até para sina1lizar que o RenovaBio vem para valer. Fica complicado assinarmos um papel em Paris com metas ambientais e caminhar na contramão no sentido de aumento de tributos. Meu viés para o etanol também é altista, creio no aumento do consumo de combustíveis agora e podemos ser surpreendidos com o real tamanho da safra.
Haja Limão
Nosso foco total agora é pressionar o Governo por reformas estruturantes, corte das estruturas e benefícios estatais
e privatizações em massa.


Quem é o homenageado do mês?
Todos os meses temos um grande homenageado aqui neste espaço e desta vez nossa singela homenagem vai ao empreendedor Raulo Allano Krubniki Ferraz, jovem que formamos na FEARP/USP há dois anos, recebeu prêmios de inovação e criou start-up na área médica, e que foi vitima de grave acidente automobilístico. Perdemos um talento e para seu professor, uma enorme dor.


Fonte: Revista Canavieiros edição 134 - Agosto 2017