Marcos Fava Neves

Economista

Marcos

Fava Neves

professor titular de planejamento e estratégia na FEA/USP Campus Ribeirão Preto e coordenador científico do Markestrat.

revistacanavieiros@revistacanavieiros.com.br

O Ânimo Volta Após Muitos Anos

 
02/02/2016

O que acontece com nosso agro?
 O agro fechou 2015 com um saldo de mais de US$ 75 bilhões na balança comercial, chegando a incríveis 46% do total exportado e contribuindo fortemente para o saldo de quase US$ 20 bilhões conseguido pelo Brasil. Se não fosse o agro, teríamos 55 bi de déficit, e um buraco maior ainda. As exportações caíram dos 96 bilhões em 2014 para pouco mais de US$ 88 bilhões em 2015, principalmente devido à queda em dólar, nos valores dos produtos exportados, e as importações também caíram.  
 O índice das commodities da FAO fechou o ano com um tombo de 19% em relação ao final de 2014. O que salvou nossos produtores foi a desvalorização do real. Se está difícil para nós, imaginemos para os países produtores que não tiveram tal desvalorização de suas moedas. Vale dizer que é o quarto ano consecutivo de queda de preços. 
-Estudo recentemente publicado pelo MAPA (Ministrério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) mostra que a agricultura brasileira, entre 2000 e 2014 teve sua produtividade crescendo a 4% ao ano, bem superior à média mundial, que foi de 1,84%. O único show do Brasil hoje é o agro.
 A produção mundial de cereais no ciclo 2015/16 será de 2,527 bilhões de toneladas, 34 milhões abaixo do recorde de 2014. Como o consumo estimado é de 2,529 bilhões, haverá uma redução de apenas cerca de 3 milhões de toneladas do alto volume de estoques existentes. Portanto, não devemos, nas condições climáticas atuais, esperar reação de preços em 2016, a menos que o clima prejudique as lavouras. O consumo cresceu em 2015 quase 1%, o que representou quase 26 milhões de toneladas de grãos a mais. 
O que acontece com nossa cana?
 Começam a sair as primeiras projeções para a safra 2016/17, que se inicia em 1 de abril. Entre 605 a 630 milhões de toneladas no Centro-Sul. Datagro coloca algo próximo a 606 m.t., quase 6% acima de 15/16. 
 Existem cerca de 35 m.t. que foram bisadas. 
 56 unidades entraram em 2016 ainda moendo.
 A visão é de um ciclo com maior dedicação de cana para açúcar quando comparado com 2015, ficando ao redor de 44%.
 Fechado o relatório de dezembro, a moagem de cana desde 1 de abril até o final do ano de 2015 foi de 594,08 m.t., 4,58% acima da safra anterior (568,07 m.t.). Em dezembro foram moídas quase 10,5 m.t., contra apenas pouco mais de 3 m.t. no ciclo anterior. Quase 68% da cana foi dedicada a etanol.
O que acontece com nosso açúcar?
 Segundo a Archer, a fixação de preços para o açúcar do ciclo 16/17 está em quase 56% da exportação prevista (pouco mais de 13 milhões de toneladas).
 Datagro estima produção de 33,5 m.t. de açúcar no ciclo 16/17, 12% mais que as 30,7 m.t. do ciclo 15/16.
 Continuam saindo previsões sobre o déficit de açúcar no mundo no ciclo 2016/17. Vão desde 2 a quase 9 m.t., o que deve manter uma perspectiva de preços melhor.
 Em reais no mercado interno o açúcar atinge o maior preço histórico, quase R$ 85/saca. Pena que a inflação e o aumento de custos comeram boa parte da margem que este preço poderia trazer. Mas vale a nota que desde o início da safra os preços do açúcar no mercado interno subiram 63%.
 Na Índia também os preços internos aumentaram 15% nos últimos 30 dias. Isto estimula vendas no mercado interno e ajuda a secar a oferta para exportação, refletindo em preços. 
 Ou seja, o ano começa doce para o açúcar!
O que acontece com nosso etanol?
 Os dados de 2015 pelo Sindicom mostram que o consumo no país caiu 3% em 2015. As vendas de gasolina caíram 8,6%, as de etanol cresceram 39,2% e as vendas de diesel caíram 5%, mostrando a retração na movimentação de cargas, consequência da queda da nossa economia. O espaço para o etanol crescer em 2016 será em cima do mercado da gasolina, pois a crise brava que temos pela frente em 2016 deve reduzir o consumo de combustíveis no Brasil, impactando também o etanol.
 Datagro estima produção de 28,6 b.l. de etanol no ciclo 16/17, pouco a mais do que mais que os 27,8 b.l. do ciclo 15/16.
 Em dezembro, segundo a UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), foram comercializados 2,52 b.l. de etanol, sendo 1,4 b.l. de hidratado (8,43% acima de 2014) e 935 m.l. de anidro. O acumulado desde o início da safra é de 22,89 b.l. (21,21 b.l. mercado interno e 1,68 b.l. exportados). O volume de vendas é quase 24% maior que na safra anterior. 
 Boa notícia também de 2015 foram as exportações totais de etanol (Centro Sul e Nordeste): 1,862 b.l. e com isto crescemos 33,6% em relação a 2014. Em dezembro foram 286 m.l.
 Preços em 2016 devem ser bem melhores, aliviando um pouco o caixa do setor. Para maio, o contrato BMF mostra R$ 1.455/m³ quase 30% acima do valor de 2015.
 E o petróleo chega a US$ 30 o barril. Temos que acompanhar com alguma preocupação este fato. A BP nos EUA vai diminuir a produção e demitir muita gente. Os preços do galão em postos nos EUA estão abaixo de US$ 2,0. Isto dá ao redor de R$ 2,0/litro. Porém, a imensa crise onde enfiaram a Petrobrás e a necessidade de arrecadação impedirão a meu ver, a redução do preço da gasolina.
 O acordo atingido pelos países na COP 21 em Paris deve ser comemorado pelo setor de cana. Aumenta no mundo a aceitação de que precisamos precificar cada vez mais as emissões e partir para uma economia de baixo carbono. E o etanol e a eletricidade da cana ganham com isto.
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses nossa coluna traz uma singela homenagem a alguém que sempre contribui com o agronegócio e com a cana. Neste mês, o homenageado é o Mauro Xavier, um grande craque pesquisador que temos no Centro Cana do IAC (Instituto Agronômico).
Haja Limão: Passo o mês de janeiro aqui nos EUA, de onde escrevo nossa coluna. Uma mescla de sabático estudando todas as manhãs, lendo e escrevendo e curtindo a família à tarde. Aproveito para visitar supermercados, fotografar tudo o que posso e aprender sobre tendências e modelos de negócios. Vejo TV, jornais e converso com empresários. Entre milhares de diferenças, aqui tem um aspecto que chamo a atenção nesta coluna. Eles não tomam um banho diário de desânimo com notícias de corrupção que temos, que dominam os telejornais, os jornais, os editoriais e outros. Fora as centenas de whats-ups de protestos que recebemos diariamente. Já pararam para pensar na perda de produtividade pelo tempo que isto nos toma, mas principalmente, pela depressão que isto nos dá? A sociedade americana avança enquanto a nossa retrocede. Consequência da nossa opção atual pelo mundo bolivariano, que espero que possamos abandonar logo.
Sempre defendendo a agricultura, onde quer que eu esteja, aqui neste mês nos EUA só coloco etanol no carro, o E85. Vejam que interessante a forma como ele aparece nos postos. 
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires. 
O que acontece com nosso agro?
 O agro fechou 2015 com um saldo de mais de US$ 75 bilhões na balança comercial, chegando a incríveis 46% do total exportado e contribuindo fortemente para o saldo de quase US$ 20 bilhões conseguido pelo Brasil. Se não fosse o agro, teríamos 55 bi de déficit, e um buraco maior ainda. As exportações caíram dos 96 bilhões em 2014 para pouco mais de US$ 88 bilhões em 2015, principalmente devido à queda em dólar, nos valores dos produtos exportados, e as importações também caíram.  
 O índice das commodities da FAO fechou o ano com um tombo de 19% em relação ao final de 2014. O que salvou nossos produtores foi a desvalorização do real. Se está difícil para nós, imaginemos para os países produtores que não tiveram tal desvalorização de suas moedas. Vale dizer que é o quarto ano consecutivo de queda de preços. 
-Estudo recentemente publicado pelo MAPA (Ministrério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) mostra que a agricultura brasileira, entre 2000 e 2014 teve sua produtividade crescendo a 4% ao ano, bem superior à média mundial, que foi de 1,84%. O único show do Brasil hoje é o agro.
 A produção mundial de cereais no ciclo 2015/16 será de 2,527 bilhões de toneladas, 34 milhões abaixo do recorde de 2014. Como o consumo estimado é de 2,529 bilhões, haverá uma redução de apenas cerca de 3 milhões de toneladas do alto volume de estoques existentes. Portanto, não devemos, nas condições climáticas atuais, esperar reação de preços em 2016, a menos que o clima prejudique as lavouras. O consumo cresceu em 2015 quase 1%, o que representou quase 26 milhões de toneladas de grãos a mais. 
O que acontece com nossa cana?
 Começam a sair as primeiras projeções para a safra 2016/17, que se inicia em 1 de abril. Entre 605 a 630 milhões de toneladas no Centro-Sul. Datagro coloca algo próximo a 606 m.t., quase 6% acima de 15/16. 
 Existem cerca de 35 m.t. que foram bisadas. 
 56 unidades entraram em 2016 ainda moendo.
 A visão é de um ciclo com maior dedicação de cana para açúcar quando comparado com 2015, ficando ao redor de 44%.
 Fechado o relatório de dezembro, a moagem de cana desde 1 de abril até o final do ano de 2015 foi de 594,08 m.t., 4,58% acima da safra anterior (568,07 m.t.). Em dezembro foram moídas quase 10,5 m.t., contra apenas pouco mais de 3 m.t. no ciclo anterior. Quase 68% da cana foi dedicada a etanol.
O que acontece com nosso açúcar?
 Segundo a Archer, a fixação de preços para o açúcar do ciclo 16/17 está em quase 56% da exportação prevista (pouco mais de 13 milhões de toneladas).
 Datagro estima produção de 33,5 m.t. de açúcar no ciclo 16/17, 12% mais que as 30,7 m.t. do ciclo 15/16.
 Continuam saindo previsões sobre o déficit de açúcar no mundo no ciclo 2016/17. Vão desde 2 a quase 9 m.t., o que deve manter uma perspectiva de preços melhor.
 Em reais no mercado interno o açúcar atinge o maior preço histórico, quase R$ 85/saca. Pena que a inflação e o aumento de custos comeram boa parte da margem que este preço poderia trazer. Mas vale a nota que desde o início da safra os preços do açúcar no mercado interno subiram 63%.
 Na Índia também os preços internos aumentaram 15% nos últimos 30 dias. Isto estimula vendas no mercado interno e ajuda a secar a oferta para exportação, refletindo em preços. 
 Ou seja, o ano começa doce para o açúcar!
O que acontece com nosso etanol?
 Os dados de 2015 pelo Sindicom mostram que o consumo no país caiu 3% em 2015. As vendas de gasolina caíram 8,6%, as de etanol cresceram 39,2% e as vendas de diesel caíram 5%, mostrando a retração na movimentação de cargas, consequência da queda da nossa economia. O espaço para o etanol crescer em 2016 será em cima do mercado da gasolina, pois a crise brava que temos pela frente em 2016 deve reduzir o consumo de combustíveis no Brasil, impactando também o etanol.
 Datagro estima produção de 28,6 b.l. de etanol no ciclo 16/17, pouco a mais do que mais que os 27,8 b.l. do ciclo 15/16.
 Em dezembro, segundo a UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), foram comercializados 2,52 b.l. de etanol, sendo 1,4 b.l. de hidratado (8,43% acima de 2014) e 935 m.l. de anidro. O acumulado desde o início da safra é de 22,89 b.l. (21,21 b.l. mercado interno e 1,68 b.l. exportados). O volume de vendas é quase 24% maior que na safra anterior. 
 Boa notícia também de 2015 foram as exportações totais de etanol (Centro Sul e Nordeste): 1,862 b.l. e com isto crescemos 33,6% em relação a 2014. Em dezembro foram 286 m.l.
 Preços em 2016 devem ser bem melhores, aliviando um pouco o caixa do setor. Para maio, o contrato BMF mostra R$ 1.455/m³ quase 30% acima do valor de 2015.
 E o petróleo chega a US$ 30 o barril. Temos que acompanhar com alguma preocupação este fato. A BP nos EUA vai diminuir a produção e demitir muita gente. Os preços do galão em postos nos EUA estão abaixo de US$ 2,0. Isto dá ao redor de R$ 2,0/litro. Porém, a imensa crise onde enfiaram a Petrobrás e a necessidade de arrecadação impedirão a meu ver, a redução do preço da gasolina.
 O acordo atingido pelos países na COP 21 em Paris deve ser comemorado pelo setor de cana. Aumenta no mundo a aceitação de que precisamos precificar cada vez mais as emissões e partir para uma economia de baixo carbono. E o etanol e a eletricidade da cana ganham com isto.
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses nossa coluna traz uma singela homenagem a alguém que sempre contribui com o agronegócio e com a cana. Neste mês, o homenageado é o Mauro Xavier, um grande craque pesquisador que temos no Centro Cana do IAC (Instituto Agronômico).
Haja Limão: Passo o mês de janeiro aqui nos EUA, de onde escrevo nossa coluna. Uma mescla de sabático estudando todas as manhãs, lendo e escrevendo e curtindo a família à tarde. Aproveito para visitar supermercados, fotografar tudo o que posso e aprender sobre tendências e modelos de negócios. Vejo TV, jornais e converso com empresários. Entre milhares de diferenças, aqui tem um aspecto que chamo a atenção nesta coluna. Eles não tomam um banho diário de desânimo com notícias de corrupção que temos, que dominam os telejornais, os jornais, os editoriais e outros. Fora as centenas de whats-ups de protestos que recebemos diariamente. Já pararam para pensar na perda de produtividade pelo tempo que isto nos toma, mas principalmente, pela depressão que isto nos dá? A sociedade americana avança enquanto a nossa retrocede. Consequência da nossa opção atual pelo mundo bolivariano, que espero que possamos abandonar logo.
Sempre defendendo a agricultura, onde quer que eu esteja, aqui neste mês nos EUA só coloco etanol no carro, o E85. Vejam que interessante a forma como ele aparece nos postos. 
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires. 

Fonte: Revista Canavieiros - ed. 115

O Ânimo Volta Após Muitos Anos

02/02/2016

O que acontece com nosso agro?
 O agro fechou 2015 com um saldo de mais de US$ 75 bilhões na balança comercial, chegando a incríveis 46% do total exportado e contribuindo fortemente para o saldo de quase US$ 20 bilhões conseguido pelo Brasil. Se não fosse o agro, teríamos 55 bi de déficit, e um buraco maior ainda. As exportações caíram dos 96 bilhões em 2014 para pouco mais de US$ 88 bilhões em 2015, principalmente devido à queda em dólar, nos valores dos produtos exportados, e as importações também caíram.  
 O índice das commodities da FAO fechou o ano com um tombo de 19% em relação ao final de 2014. O que salvou nossos produtores foi a desvalorização do real. Se está difícil para nós, imaginemos para os países produtores que não tiveram tal desvalorização de suas moedas. Vale dizer que é o quarto ano consecutivo de queda de preços. 
-Estudo recentemente publicado pelo MAPA (Ministrério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) mostra que a agricultura brasileira, entre 2000 e 2014 teve sua produtividade crescendo a 4% ao ano, bem superior à média mundial, que foi de 1,84%. O único show do Brasil hoje é o agro.
 A produção mundial de cereais no ciclo 2015/16 será de 2,527 bilhões de toneladas, 34 milhões abaixo do recorde de 2014. Como o consumo estimado é de 2,529 bilhões, haverá uma redução de apenas cerca de 3 milhões de toneladas do alto volume de estoques existentes. Portanto, não devemos, nas condições climáticas atuais, esperar reação de preços em 2016, a menos que o clima prejudique as lavouras. O consumo cresceu em 2015 quase 1%, o que representou quase 26 milhões de toneladas de grãos a mais. 
O que acontece com nossa cana?
 Começam a sair as primeiras projeções para a safra 2016/17, que se inicia em 1 de abril. Entre 605 a 630 milhões de toneladas no Centro-Sul. Datagro coloca algo próximo a 606 m.t., quase 6% acima de 15/16. 
 Existem cerca de 35 m.t. que foram bisadas. 
 56 unidades entraram em 2016 ainda moendo.
 A visão é de um ciclo com maior dedicação de cana para açúcar quando comparado com 2015, ficando ao redor de 44%.
 Fechado o relatório de dezembro, a moagem de cana desde 1 de abril até o final do ano de 2015 foi de 594,08 m.t., 4,58% acima da safra anterior (568,07 m.t.). Em dezembro foram moídas quase 10,5 m.t., contra apenas pouco mais de 3 m.t. no ciclo anterior. Quase 68% da cana foi dedicada a etanol.
O que acontece com nosso açúcar?
 Segundo a Archer, a fixação de preços para o açúcar do ciclo 16/17 está em quase 56% da exportação prevista (pouco mais de 13 milhões de toneladas).
 Datagro estima produção de 33,5 m.t. de açúcar no ciclo 16/17, 12% mais que as 30,7 m.t. do ciclo 15/16.
 Continuam saindo previsões sobre o déficit de açúcar no mundo no ciclo 2016/17. Vão desde 2 a quase 9 m.t., o que deve manter uma perspectiva de preços melhor.
 Em reais no mercado interno o açúcar atinge o maior preço histórico, quase R$ 85/saca. Pena que a inflação e o aumento de custos comeram boa parte da margem que este preço poderia trazer. Mas vale a nota que desde o início da safra os preços do açúcar no mercado interno subiram 63%.
 Na Índia também os preços internos aumentaram 15% nos últimos 30 dias. Isto estimula vendas no mercado interno e ajuda a secar a oferta para exportação, refletindo em preços. 
 Ou seja, o ano começa doce para o açúcar!
O que acontece com nosso etanol?
 Os dados de 2015 pelo Sindicom mostram que o consumo no país caiu 3% em 2015. As vendas de gasolina caíram 8,6%, as de etanol cresceram 39,2% e as vendas de diesel caíram 5%, mostrando a retração na movimentação de cargas, consequência da queda da nossa economia. O espaço para o etanol crescer em 2016 será em cima do mercado da gasolina, pois a crise brava que temos pela frente em 2016 deve reduzir o consumo de combustíveis no Brasil, impactando também o etanol.
 Datagro estima produção de 28,6 b.l. de etanol no ciclo 16/17, pouco a mais do que mais que os 27,8 b.l. do ciclo 15/16.
 Em dezembro, segundo a UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), foram comercializados 2,52 b.l. de etanol, sendo 1,4 b.l. de hidratado (8,43% acima de 2014) e 935 m.l. de anidro. O acumulado desde o início da safra é de 22,89 b.l. (21,21 b.l. mercado interno e 1,68 b.l. exportados). O volume de vendas é quase 24% maior que na safra anterior. 
 Boa notícia também de 2015 foram as exportações totais de etanol (Centro Sul e Nordeste): 1,862 b.l. e com isto crescemos 33,6% em relação a 2014. Em dezembro foram 286 m.l.
 Preços em 2016 devem ser bem melhores, aliviando um pouco o caixa do setor. Para maio, o contrato BMF mostra R$ 1.455/m³ quase 30% acima do valor de 2015.
 E o petróleo chega a US$ 30 o barril. Temos que acompanhar com alguma preocupação este fato. A BP nos EUA vai diminuir a produção e demitir muita gente. Os preços do galão em postos nos EUA estão abaixo de US$ 2,0. Isto dá ao redor de R$ 2,0/litro. Porém, a imensa crise onde enfiaram a Petrobrás e a necessidade de arrecadação impedirão a meu ver, a redução do preço da gasolina.
 O acordo atingido pelos países na COP 21 em Paris deve ser comemorado pelo setor de cana. Aumenta no mundo a aceitação de que precisamos precificar cada vez mais as emissões e partir para uma economia de baixo carbono. E o etanol e a eletricidade da cana ganham com isto.
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses nossa coluna traz uma singela homenagem a alguém que sempre contribui com o agronegócio e com a cana. Neste mês, o homenageado é o Mauro Xavier, um grande craque pesquisador que temos no Centro Cana do IAC (Instituto Agronômico).
Haja Limão: Passo o mês de janeiro aqui nos EUA, de onde escrevo nossa coluna. Uma mescla de sabático estudando todas as manhãs, lendo e escrevendo e curtindo a família à tarde. Aproveito para visitar supermercados, fotografar tudo o que posso e aprender sobre tendências e modelos de negócios. Vejo TV, jornais e converso com empresários. Entre milhares de diferenças, aqui tem um aspecto que chamo a atenção nesta coluna. Eles não tomam um banho diário de desânimo com notícias de corrupção que temos, que dominam os telejornais, os jornais, os editoriais e outros. Fora as centenas de whats-ups de protestos que recebemos diariamente. Já pararam para pensar na perda de produtividade pelo tempo que isto nos toma, mas principalmente, pela depressão que isto nos dá? A sociedade americana avança enquanto a nossa retrocede. Consequência da nossa opção atual pelo mundo bolivariano, que espero que possamos abandonar logo.
Sempre defendendo a agricultura, onde quer que eu esteja, aqui neste mês nos EUA só coloco etanol no carro, o E85. Vejam que interessante a forma como ele aparece nos postos. 
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires. 
O que acontece com nosso agro?
 O agro fechou 2015 com um saldo de mais de US$ 75 bilhões na balança comercial, chegando a incríveis 46% do total exportado e contribuindo fortemente para o saldo de quase US$ 20 bilhões conseguido pelo Brasil. Se não fosse o agro, teríamos 55 bi de déficit, e um buraco maior ainda. As exportações caíram dos 96 bilhões em 2014 para pouco mais de US$ 88 bilhões em 2015, principalmente devido à queda em dólar, nos valores dos produtos exportados, e as importações também caíram.  
 O índice das commodities da FAO fechou o ano com um tombo de 19% em relação ao final de 2014. O que salvou nossos produtores foi a desvalorização do real. Se está difícil para nós, imaginemos para os países produtores que não tiveram tal desvalorização de suas moedas. Vale dizer que é o quarto ano consecutivo de queda de preços. 
-Estudo recentemente publicado pelo MAPA (Ministrério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) mostra que a agricultura brasileira, entre 2000 e 2014 teve sua produtividade crescendo a 4% ao ano, bem superior à média mundial, que foi de 1,84%. O único show do Brasil hoje é o agro.
 A produção mundial de cereais no ciclo 2015/16 será de 2,527 bilhões de toneladas, 34 milhões abaixo do recorde de 2014. Como o consumo estimado é de 2,529 bilhões, haverá uma redução de apenas cerca de 3 milhões de toneladas do alto volume de estoques existentes. Portanto, não devemos, nas condições climáticas atuais, esperar reação de preços em 2016, a menos que o clima prejudique as lavouras. O consumo cresceu em 2015 quase 1%, o que representou quase 26 milhões de toneladas de grãos a mais. 
O que acontece com nossa cana?
 Começam a sair as primeiras projeções para a safra 2016/17, que se inicia em 1 de abril. Entre 605 a 630 milhões de toneladas no Centro-Sul. Datagro coloca algo próximo a 606 m.t., quase 6% acima de 15/16. 
 Existem cerca de 35 m.t. que foram bisadas. 
 56 unidades entraram em 2016 ainda moendo.
 A visão é de um ciclo com maior dedicação de cana para açúcar quando comparado com 2015, ficando ao redor de 44%.
 Fechado o relatório de dezembro, a moagem de cana desde 1 de abril até o final do ano de 2015 foi de 594,08 m.t., 4,58% acima da safra anterior (568,07 m.t.). Em dezembro foram moídas quase 10,5 m.t., contra apenas pouco mais de 3 m.t. no ciclo anterior. Quase 68% da cana foi dedicada a etanol.
O que acontece com nosso açúcar?
 Segundo a Archer, a fixação de preços para o açúcar do ciclo 16/17 está em quase 56% da exportação prevista (pouco mais de 13 milhões de toneladas).
 Datagro estima produção de 33,5 m.t. de açúcar no ciclo 16/17, 12% mais que as 30,7 m.t. do ciclo 15/16.
 Continuam saindo previsões sobre o déficit de açúcar no mundo no ciclo 2016/17. Vão desde 2 a quase 9 m.t., o que deve manter uma perspectiva de preços melhor.
 Em reais no mercado interno o açúcar atinge o maior preço histórico, quase R$ 85/saca. Pena que a inflação e o aumento de custos comeram boa parte da margem que este preço poderia trazer. Mas vale a nota que desde o início da safra os preços do açúcar no mercado interno subiram 63%.
 Na Índia também os preços internos aumentaram 15% nos últimos 30 dias. Isto estimula vendas no mercado interno e ajuda a secar a oferta para exportação, refletindo em preços. 
 Ou seja, o ano começa doce para o açúcar!
O que acontece com nosso etanol?
 Os dados de 2015 pelo Sindicom mostram que o consumo no país caiu 3% em 2015. As vendas de gasolina caíram 8,6%, as de etanol cresceram 39,2% e as vendas de diesel caíram 5%, mostrando a retração na movimentação de cargas, consequência da queda da nossa economia. O espaço para o etanol crescer em 2016 será em cima do mercado da gasolina, pois a crise brava que temos pela frente em 2016 deve reduzir o consumo de combustíveis no Brasil, impactando também o etanol.
 Datagro estima produção de 28,6 b.l. de etanol no ciclo 16/17, pouco a mais do que mais que os 27,8 b.l. do ciclo 15/16.
 Em dezembro, segundo a UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), foram comercializados 2,52 b.l. de etanol, sendo 1,4 b.l. de hidratado (8,43% acima de 2014) e 935 m.l. de anidro. O acumulado desde o início da safra é de 22,89 b.l. (21,21 b.l. mercado interno e 1,68 b.l. exportados). O volume de vendas é quase 24% maior que na safra anterior. 
 Boa notícia também de 2015 foram as exportações totais de etanol (Centro Sul e Nordeste): 1,862 b.l. e com isto crescemos 33,6% em relação a 2014. Em dezembro foram 286 m.l.
 Preços em 2016 devem ser bem melhores, aliviando um pouco o caixa do setor. Para maio, o contrato BMF mostra R$ 1.455/m³ quase 30% acima do valor de 2015.
 E o petróleo chega a US$ 30 o barril. Temos que acompanhar com alguma preocupação este fato. A BP nos EUA vai diminuir a produção e demitir muita gente. Os preços do galão em postos nos EUA estão abaixo de US$ 2,0. Isto dá ao redor de R$ 2,0/litro. Porém, a imensa crise onde enfiaram a Petrobrás e a necessidade de arrecadação impedirão a meu ver, a redução do preço da gasolina.
 O acordo atingido pelos países na COP 21 em Paris deve ser comemorado pelo setor de cana. Aumenta no mundo a aceitação de que precisamos precificar cada vez mais as emissões e partir para uma economia de baixo carbono. E o etanol e a eletricidade da cana ganham com isto.
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses nossa coluna traz uma singela homenagem a alguém que sempre contribui com o agronegócio e com a cana. Neste mês, o homenageado é o Mauro Xavier, um grande craque pesquisador que temos no Centro Cana do IAC (Instituto Agronômico).
Haja Limão: Passo o mês de janeiro aqui nos EUA, de onde escrevo nossa coluna. Uma mescla de sabático estudando todas as manhãs, lendo e escrevendo e curtindo a família à tarde. Aproveito para visitar supermercados, fotografar tudo o que posso e aprender sobre tendências e modelos de negócios. Vejo TV, jornais e converso com empresários. Entre milhares de diferenças, aqui tem um aspecto que chamo a atenção nesta coluna. Eles não tomam um banho diário de desânimo com notícias de corrupção que temos, que dominam os telejornais, os jornais, os editoriais e outros. Fora as centenas de whats-ups de protestos que recebemos diariamente. Já pararam para pensar na perda de produtividade pelo tempo que isto nos toma, mas principalmente, pela depressão que isto nos dá? A sociedade americana avança enquanto a nossa retrocede. Consequência da nossa opção atual pelo mundo bolivariano, que espero que possamos abandonar logo.
Sempre defendendo a agricultura, onde quer que eu esteja, aqui neste mês nos EUA só coloco etanol no carro, o E85. Vejam que interessante a forma como ele aparece nos postos. 
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires.