Deprecated: Function eregi_replace() is deprecated in /home/canao297/public_html/revistacanavieiros.com.br/area_publica/comandos/ComandoVerColuna.php on line 41

Deprecated: Function eregi_replace() is deprecated in /home/canao297/public_html/revistacanavieiros.com.br/area_publica/comandos/ComandoVerColuna.php on line 69
O Brasil vira a página
Marcos Fava Neves

Economista

Marcos

Fava Neves

professor titular de planejamento e estratégia na FEA/USP Campus Ribeirão Preto e coordenador científico do Markestrat.

revistacanavieiros@revistacanavieiros.com.br

O Brasil vira a página

 
18/05/2016
Sr. Antonio Toniello

O que acontece com nosso agro?
 As exportações do agro trouxeram US$ 8,076 bilhões em abril, um aumento de 14,3% em relação a abril de 2015. O agro trouxe 52,5% das exportações do Brasil neste mês, e um saldo de US$ 7,1 bilhões (foi de US$ 5,95 bilhões em abril de 2015), pois as importações caíram 13%. Se não fosse o agro o Brasil fecharia o mês com US$ 2,2 bi de déficit. 
 No primeiro quadrimestre, as exportações do agro estão 10,2% acima de 2015, trazendo um saldo de US$ 24 bilhões. Os outros setores da economia foram deficitários em US$ 10,9 bilhões, portanto o saldo do agro é que confere o saldo de US$ 13,2 bilhões na balança. 
 A soja aumentou 43% no valor e 63% na quantidade neste período. Só em abril a soja trouxe US$ 4 bilhões. 
 O setor sucroalcooleiro também está 8,3% acima em valor e 23,4% em quantidade, com grande crescimento em abril (65%). 
 Milho estamos acima em 109,5% no valor e em quase 140% na quantidade. 
 Todas as carnes estão acima também do ano passado. 
 A CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) soltou a nova revisão da estimativa da safra 2015/16 no Brasil. Agora são 202,4 milhões de toneladas, 3,2% a menos que sua estimativa do mês passado e 2,5% inferior a 2014/15.  
 A produção de soja será de 96,9 milhões de toneladas (perda de 2 milhões em relação à estimativa anterior). Ano passado produzimos 96,2 m.t. A culpa é da estiagem no MATOPIBA nesta fase final, principalmente. Pela CONAB, Tocantins registrou as maiores perdas. 
 USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduz a projeção de produção global de soja, o que causou reação nos preços chegando a quase US$ 11/bushel. A Argentina perdeu 2,5 milhões de toneladas pelo clima. Os estoques mundiais de soja caíram 5 milhões entre uma e outra avaliação.  USDA estima aumento na produção mundial de 2,6% e aumento de 4,3% na demanda, derrubando os estoques em 8,1%, para 20,8% do consumo mundial. Completa esta boa notícia a estimativa que a safra de soja dos EUA será 3,3% menor (103,4 m.t.). O USDA prevê safra 4% maior no Brasil em 2016/17 (103 milhões), que deve exportar 60 milhões de toneladas. Estimam para a Argentina produção de 57 milhões de toneladas e exportação de 10,65 milhões.  A China deve comprar em 2016/17, 4 milhões de toneladas a mais, boa notícia da soja.
 Já o milho, pela CONAB, chegará próximo a 80 milhões de toneladas, caindo 5,6% em relação à última projeção. Finalmente a CONAB cortou a projeção da safrinha, em 7,4%, caindo para 52,9 milhões de toneladas. Muitos plantios foram feitos fora da janela ideal e sofreram fortemente com a seca. A safra de verão também cai para 27 milhões de toneladas, 1,7% menor que a ultima projeção e um tombo de 10% e relação a 2014/15. 
 O USDA também estimou reduções no milho. Para 2015/16, 3 milhões a menos no Brasil (84 a 81), 1 milhão a menos na Argentina (28 para 27). Para a safra 2016/17, estimam nos EUA 366,54 milhões de toneladas, 6% a mais que em 2015/16 o que deve levar a produção a 1,011 bilhão de toneladas. Estoques devem ficar no mesmo nível, ao redor de 207 milhões de toneladas. Estima a mesma produção para o Brasil e um salto na Argentina, para 34 milhões, pela retirada das “retenciones” (impostos de exportação). 
 Mesmo em menor velocidade, analistas acreditam que o PIB (Produto Interno Bruto) da China tende a crescer US$ 5 trilhões até 2030. Nos próximos anos, a China deve focar menos em investimentos, e mais em ganhos de produtividade de mão de obra, que pode crescer de 20 a 100% neste período, segundo a McKinsey. O setor de serviços apresenta enorme potencial de crescimento, bem como produtividade vinda da automação de fábricas. Muito investimento em inovação vem sendo feito fortalecendo empregos na classe média e aumentando seu potencial de consumo.  
 Finalizando com a boa notícia ao agro tomando espaço do petróleo e do diesel, produzimos 15% a mais de biodiesel em 2015 quando comparado a 2014, chegando a 3,9 bilhões de litros. 
O que acontece com nossa cana?
 A UNICA (União da Indústria de Cana-de-açúcar) mostra que a safra está a todo vapor, com estimativa entre 605 a 630 milhões de toneladas (contra 617,7 em 2015/16). O clima mais seco seria o principal fato para esta baixa. Deve ser safra bem mais açucareira na comparação, produzindo entre 33,5 a 35 milhões de toneladas (7 a 12% maior), devido ao mix e ao aumento do teor de açúcar. Há risco maior de geadas neste ano. 
 A importância do setor é impressionante: início de safra gerou 22 mil contratações. 
 A taxa de renovação dos canaviais caiu para 10% na safra que se encerrou, de acordo com o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), comprometendo o crescimento futuro.
O que acontece com nosso açúcar?
 Safra menor na Índia e a seca que afetou a Tailândia voltou a levar o açúcar perto de 16 cents/libra peso. Além disto, o aumento dos preços do petróleo para mais de US$ 40/barril também contribuiu. O que tem interferido negativamente é a perda de mercado no hidratado e a velocidade de moagem neste início de safra, bastante elevada. 
 Ainda sobre a Índia, será importador líquido em 16/17, devido a dois anos de seca.  Isto não ocorreu nos últimos 4 anos, quando a Índia foi exportadora. Estima-se para esta safra 15/16 (se encerra em 30/09) uma produção de 25 m.t, queda de mais de 11% em relação à safra anterior e consumo de 26 m.t. Como se tornará um importador líquido em 2016/17, contribuirá mais ainda para o déficit no mercado mundial. 
 Cálculos do CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostram que em abril o açúcar estava remunerando bem mais que o etanol (64% a mais que o anidro e 75% a mais que o hidratado). Isto tudo devido à grande queda de preços com a entrada da safra e a necessidade de caixa das usinas. Os preços do etanol caíram mais de 30%, enquanto que os do açúcar permaneceram iguais, ao redor de R$ 75/sc. Fechamos março/abril com preços do açúcar 40% maiores que no ano passado.
 Estimativa da Datagro mostra uma produção de 35,2 milhões de toneladas de açúcar em 16/17, grande crescimento em relação a 2015/16 (31,38 milhões). A estimativa anterior da Datagro era de quase 2 milhões de toneladas menor. Esperam 44% da cana indo para açúcar. 
 Os EUA estão precisando importar mais açúcar, já foi pedido pelas refinarias, mais um fator altista de preços. 
 Safra menor de beterraba na Europa, pelo clima (produção 24% menor) fez com que o refinado tenha chegado no mercado interno a quase 700 euros.  
O que acontece com nosso etanol?
 Produzimos 30 bilhões de litros de etanol em 2015, crescendo 6% em relação a 2014, de acordo com a EPE (Empresa de Pesquisa Energética).
 Em 2015 destaca-se o grande crescimento do etanol hidratado, de 34%, alcançando 19 bilhões de litros. 
 Fruto da crise que assola o país, as vendas de diesel caíram 6,1% no primeiro trimestre de 2016 em comparação ao ano anterior (81,5 milhões de barris). 
 O consumo de gasolina no primeiro trimestre cresceu 1,4%, para 66,13 milhões de barris. Em março cresceu 9,53% (3,72 b.l.), maior consumo para este mês desde o início da série, roubando espaço do hidratado. 
 O problema do primeiro trimestre foram as perdas de vendas de etanol hidratado (12,3% a menos). Março foi terrível, pois as vendas caíram 22%, para apenas 1,1 bilhões de litros.
 No geral, o consumo de combustíveis caiu 5% no primeiro trimestre. 
 No primeiro trimestre também tivemos importações de etanol dos EUA. Só em fevereiro foram mais de 80 milhões de litros. 
 Em abril os preços caíram drasticamente, chegando a R$ 1,35 no hidratado e R$ 1,56 no anidro. 
 Com o recuo, ainda que tardio, dos preços nos postos, em maio devemos retomar o consumo de hidratado, mas as perdas do primeiro quadrimestre são irrecuperáveis. Em São Paulo no início de maio já estavam favoráveis os preços do etanol ao consumidor.
 Continuam boas as perspectivas de exportações de anidro neste ano, que deve pelo menos igualar os 1,9 bilhão de litros do ano passado. Porém, em abril foram relativamente pequenas as exportações, bem abaixo de 100 milhões de litros. Pela Secex, de janeiro a abril exportamos 704 milhões de litros, mas pela Datagro apenas 259,3 milhões de litros. Diferença esta justificada pelos ajustes nos RE (registros de exportação). 
 A Petrobras vem conseguindo recuperar R$ 3 bilhões por mês com a diferença de preços entre a gasolina no mercado interno e externo. Precisa de muito tempo ainda para recuperar o tombo de 2012 e 2013. Mas o aumento dos preços do petróleo vem diminuindo esta arrecadação.
 A baixa dos preços do petróleo fez efeito. Muitos projetos foram engavetados e investimentos serão postergados. Estima-se mais de US$ 270 bilhões em projetos foram cancelados, que devem afetar a oferta global de petróleo. As empresas foram na redução de custos, mesmo com o recente aumento do preço do barril para quase US$ 50. Uma boa notícia ao etanol.
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses nossa coluna traz uma singela homenagem a alguém que sempre contribui com o agronegócio e com a cana. Neste mês o homenageado é o Sr. Antonio Toniello, ou nosso “Toninho Toniello”, um grande clássico da cana! 
Haja Limão
 Depois de tenebrosa experiência de longos 14 anos onde atrasamos uma ou duas gerações, chegamos ao final do período lulopetista. Que o país possa iniciar seu longo e doloroso processo de reconstrução, onde o trabalho e o mérito sejam os valores centrais entre outros valores que precisam ser recuperados. Antes um fim horroroso (impeachment) que um horror sem fim (experiência com o lulopetismo). Termino este texto com dupla emoção, pois chegamos a 50 colunas caipirinha, 50 meses de contribuição contínua, justamente no momento onde são anunciados 55 votos no Senado pelo afastamento da presidente. Com todo o respeito, tchau querida!
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires e Membro do Conselho da Orplana.
O que acontece com nosso agro?
 As exportações do agro trouxeram US$ 8,076 bilhões em abril, um aumento de 14,3% em relação a abril de 2015. O agro trouxe 52,5% das exportações do Brasil neste mês, e um saldo de US$ 7,1 bilhões (foi de US$ 5,95 bilhões em abril de 2015), pois as importações caíram 13%. Se não fosse o agro o Brasil fecharia o mês com US$ 2,2 bi de déficit. 
 No primeiro quadrimestre, as exportações do agro estão 10,2% acima de 2015, trazendo um saldo de US$ 24 bilhões. Os outros setores da economia foram deficitários em US$ 10,9 bilhões, portanto o saldo do agro é que confere o saldo de US$ 13,2 bilhões na balança. 
 A soja aumentou 43% no valor e 63% na quantidade neste período. Só em abril a soja trouxe US$ 4 bilhões. 
 O setor sucroalcooleiro também está 8,3% acima em valor e 23,4% em quantidade, com grande crescimento em abril (65%). 
 Milho estamos acima em 109,5% no valor e em quase 140% na quantidade. 
 Todas as carnes estão acima também do ano passado. 
 A CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) soltou a nova revisão da estimativa da safra 2015/16 no Brasil. Agora são 202,4 milhões de toneladas, 3,2% a menos que sua estimativa do mês passado e 2,5% inferior a 2014/15.  
 A produção de soja será de 96,9 milhões de toneladas (perda de 2 milhões em relação à estimativa anterior). Ano passado produzimos 96,2 m.t. A culpa é da estiagem no MATOPIBA nesta fase final, principalmente. Pela CONAB, Tocantins registrou as maiores perdas. 
 USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduz a projeção de produção global de soja, o que causou reação nos preços chegando a quase US$ 11/bushel. A Argentina perdeu 2,5 milhões de toneladas pelo clima. Os estoques mundiais de soja caíram 5 milhões entre uma e outra avaliação.  USDA estima aumento na produção mundial de 2,6% e aumento de 4,3% na demanda, derrubando os estoques em 8,1%, para 20,8% do consumo mundial. Completa esta boa notícia a estimativa que a safra de soja dos EUA será 3,3% menor (103,4 m.t.). O USDA prevê safra 4% maior no Brasil em 2016/17 (103 milhões), que deve exportar 60 milhões de toneladas. Estimam para a Argentina produção de 57 milhões de toneladas e exportação de 10,65 milhões.  A China deve comprar em 2016/17, 4 milhões de toneladas a mais, boa notícia da soja.
 Já o milho, pela CONAB, chegará próximo a 80 milhões de toneladas, caindo 5,6% em relação à última projeção. Finalmente a CONAB cortou a projeção da safrinha, em 7,4%, caindo para 52,9 milhões de toneladas. Muitos plantios foram feitos fora da janela ideal e sofreram fortemente com a seca. A safra de verão também cai para 27 milhões de toneladas, 1,7% menor que a ultima projeção e um tombo de 10% e relação a 2014/15. 
 O USDA também estimou reduções no milho. Para 2015/16, 3 milhões a menos no Brasil (84 a 81), 1 milhão a menos na Argentina (28 para 27). Para a safra 2016/17, estimam nos EUA 366,54 milhões de toneladas, 6% a mais que em 2015/16 o que deve levar a produção a 1,011 bilhão de toneladas. Estoques devem ficar no mesmo nível, ao redor de 207 milhões de toneladas. Estima a mesma produção para o Brasil e um salto na Argentina, para 34 milhões, pela retirada das “retenciones” (impostos de exportação). 
 Mesmo em menor velocidade, analistas acreditam que o PIB (Produto Interno Bruto) da China tende a crescer US$ 5 trilhões até 2030. Nos próximos anos, a China deve focar menos em investimentos, e mais em ganhos de produtividade de mão de obra, que pode crescer de 20 a 100% neste período, segundo a McKinsey. O setor de serviços apresenta enorme potencial de crescimento, bem como produtividade vinda da automação de fábricas. Muito investimento em inovação vem sendo feito fortalecendo empregos na classe média e aumentando seu potencial de consumo.  
 Finalizando com a boa notícia ao agro tomando espaço do petróleo e do diesel, produzimos 15% a mais de biodiesel em 2015 quando comparado a 2014, chegando a 3,9 bilhões de litros. 
O que acontece com nossa cana?
 A UNICA (União da Indústria de Cana-de-açúcar) mostra que a safra está a todo vapor, com estimativa entre 605 a 630 milhões de toneladas (contra 617,7 em 2015/16). O clima mais seco seria o principal fato para esta baixa. Deve ser safra bem mais açucareira na comparação, produzindo entre 33,5 a 35 milhões de toneladas (7 a 12% maior), devido ao mix e ao aumento do teor de açúcar. Há risco maior de geadas neste ano. 
 A importância do setor é impressionante: início de safra gerou 22 mil contratações. 
 A taxa de renovação dos canaviais caiu para 10% na safra que se encerrou, de acordo com o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), comprometendo o crescimento futuro.
O que acontece com nosso açúcar?
 Safra menor na Índia e a seca que afetou a Tailândia voltou a levar o açúcar perto de 16 cents/libra peso. Além disto, o aumento dos preços do petróleo para mais de US$ 40/barril também contribuiu. O que tem interferido negativamente é a perda de mercado no hidratado e a velocidade de moagem neste início de safra, bastante elevada. 
 Ainda sobre a Índia, será importador líquido em 16/17, devido a dois anos de seca.  Isto não ocorreu nos últimos 4 anos, quando a Índia foi exportadora. Estima-se para esta safra 15/16 (se encerra em 30/09) uma produção de 25 m.t, queda de mais de 11% em relação à safra anterior e consumo de 26 m.t. Como se tornará um importador líquido em 2016/17, contribuirá mais ainda para o déficit no mercado mundial. 
 Cálculos do CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostram que em abril o açúcar estava remunerando bem mais que o etanol (64% a mais que o anidro e 75% a mais que o hidratado). Isto tudo devido à grande queda de preços com a entrada da safra e a necessidade de caixa das usinas. Os preços do etanol caíram mais de 30%, enquanto que os do açúcar permaneceram iguais, ao redor de R$ 75/sc. Fechamos março/abril com preços do açúcar 40% maiores que no ano passado.
 Estimativa da Datagro mostra uma produção de 35,2 milhões de toneladas de açúcar em 16/17, grande crescimento em relação a 2015/16 (31,38 milhões). A estimativa anterior da Datagro era de quase 2 milhões de toneladas menor. Esperam 44% da cana indo para açúcar. 
 Os EUA estão precisando importar mais açúcar, já foi pedido pelas refinarias, mais um fator altista de preços. 
 Safra menor de beterraba na Europa, pelo clima (produção 24% menor) fez com que o refinado tenha chegado no mercado interno a quase 700 euros.  
O que acontece com nosso etanol?
 Produzimos 30 bilhões de litros de etanol em 2015, crescendo 6% em relação a 2014, de acordo com a EPE (Empresa de Pesquisa Energética).
 Em 2015 destaca-se o grande crescimento do etanol hidratado, de 34%, alcançando 19 bilhões de litros. 
 Fruto da crise que assola o país, as vendas de diesel caíram 6,1% no primeiro trimestre de 2016 em comparação ao ano anterior (81,5 milhões de barris). 
 O consumo de gasolina no primeiro trimestre cresceu 1,4%, para 66,13 milhões de barris. Em março cresceu 9,53% (3,72 b.l.), maior consumo para este mês desde o início da série, roubando espaço do hidratado. 
 O problema do primeiro trimestre foram as perdas de vendas de etanol hidratado (12,3% a menos). Março foi terrível, pois as vendas caíram 22%, para apenas 1,1 bilhões de litros.
 No geral, o consumo de combustíveis caiu 5% no primeiro trimestre. 
 No primeiro trimestre também tivemos importações de etanol dos EUA. Só em fevereiro foram mais de 80 milhões de litros. 
 Em abril os preços caíram drasticamente, chegando a R$ 1,35 no hidratado e R$ 1,56 no anidro. 
 Com o recuo, ainda que tardio, dos preços nos postos, em maio devemos retomar o consumo de hidratado, mas as perdas do primeiro quadrimestre são irrecuperáveis. Em São Paulo no início de maio já estavam favoráveis os preços do etanol ao consumidor.
 Continuam boas as perspectivas de exportações de anidro neste ano, que deve pelo menos igualar os 1,9 bilhão de litros do ano passado. Porém, em abril foram relativamente pequenas as exportações, bem abaixo de 100 milhões de litros. Pela Secex, de janeiro a abril exportamos 704 milhões de litros, mas pela Datagro apenas 259,3 milhões de litros. Diferença esta justificada pelos ajustes nos RE (registros de exportação). 
 A Petrobras vem conseguindo recuperar R$ 3 bilhões por mês com a diferença de preços entre a gasolina no mercado interno e externo. Precisa de muito tempo ainda para recuperar o tombo de 2012 e 2013. Mas o aumento dos preços do petróleo vem diminuindo esta arrecadação.
 A baixa dos preços do petróleo fez efeito. Muitos projetos foram engavetados e investimentos serão postergados. Estima-se mais de US$ 270 bilhões em projetos foram cancelados, que devem afetar a oferta global de petróleo. As empresas foram na redução de custos, mesmo com o recente aumento do preço do barril para quase US$ 50. Uma boa notícia ao etanol.
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses nossa coluna traz uma singela homenagem a alguém que sempre contribui com o agronegócio e com a cana. Neste mês o homenageado é o Sr. Antonio Toniello, ou nosso “Toninho Toniello”, um grande clássico da cana! 
Haja Limão
 Depois de tenebrosa experiência de longos 14 anos onde atrasamos uma ou duas gerações, chegamos ao final do período lulopetista. Que o país possa iniciar seu longo e doloroso processo de reconstrução, onde o trabalho e o mérito sejam os valores centrais entre outros valores que precisam ser recuperados. Antes um fim horroroso (impeachment) que um horror sem fim (experiência com o lulopetismo). Termino este texto com dupla emoção, pois chegamos a 50 colunas caipirinha, 50 meses de contribuição contínua, justamente no momento onde são anunciados 55 votos no Senado pelo afastamento da presidente. Com todo o respeito, tchau querida!

Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires e Membro do Conselho da Orplana.

Fonte: Revista Canavieiros - ed. 119

O Brasil vira a página

18/05/2016

O que acontece com nosso agro?
 As exportações do agro trouxeram US$ 8,076 bilhões em abril, um aumento de 14,3% em relação a abril de 2015. O agro trouxe 52,5% das exportações do Brasil neste mês, e um saldo de US$ 7,1 bilhões (foi de US$ 5,95 bilhões em abril de 2015), pois as importações caíram 13%. Se não fosse o agro o Brasil fecharia o mês com US$ 2,2 bi de déficit. 
 No primeiro quadrimestre, as exportações do agro estão 10,2% acima de 2015, trazendo um saldo de US$ 24 bilhões. Os outros setores da economia foram deficitários em US$ 10,9 bilhões, portanto o saldo do agro é que confere o saldo de US$ 13,2 bilhões na balança. 
 A soja aumentou 43% no valor e 63% na quantidade neste período. Só em abril a soja trouxe US$ 4 bilhões. 
 O setor sucroalcooleiro também está 8,3% acima em valor e 23,4% em quantidade, com grande crescimento em abril (65%). 
 Milho estamos acima em 109,5% no valor e em quase 140% na quantidade. 
 Todas as carnes estão acima também do ano passado. 
 A CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) soltou a nova revisão da estimativa da safra 2015/16 no Brasil. Agora são 202,4 milhões de toneladas, 3,2% a menos que sua estimativa do mês passado e 2,5% inferior a 2014/15.  
 A produção de soja será de 96,9 milhões de toneladas (perda de 2 milhões em relação à estimativa anterior). Ano passado produzimos 96,2 m.t. A culpa é da estiagem no MATOPIBA nesta fase final, principalmente. Pela CONAB, Tocantins registrou as maiores perdas. 
 USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduz a projeção de produção global de soja, o que causou reação nos preços chegando a quase US$ 11/bushel. A Argentina perdeu 2,5 milhões de toneladas pelo clima. Os estoques mundiais de soja caíram 5 milhões entre uma e outra avaliação.  USDA estima aumento na produção mundial de 2,6% e aumento de 4,3% na demanda, derrubando os estoques em 8,1%, para 20,8% do consumo mundial. Completa esta boa notícia a estimativa que a safra de soja dos EUA será 3,3% menor (103,4 m.t.). O USDA prevê safra 4% maior no Brasil em 2016/17 (103 milhões), que deve exportar 60 milhões de toneladas. Estimam para a Argentina produção de 57 milhões de toneladas e exportação de 10,65 milhões.  A China deve comprar em 2016/17, 4 milhões de toneladas a mais, boa notícia da soja.
 Já o milho, pela CONAB, chegará próximo a 80 milhões de toneladas, caindo 5,6% em relação à última projeção. Finalmente a CONAB cortou a projeção da safrinha, em 7,4%, caindo para 52,9 milhões de toneladas. Muitos plantios foram feitos fora da janela ideal e sofreram fortemente com a seca. A safra de verão também cai para 27 milhões de toneladas, 1,7% menor que a ultima projeção e um tombo de 10% e relação a 2014/15. 
 O USDA também estimou reduções no milho. Para 2015/16, 3 milhões a menos no Brasil (84 a 81), 1 milhão a menos na Argentina (28 para 27). Para a safra 2016/17, estimam nos EUA 366,54 milhões de toneladas, 6% a mais que em 2015/16 o que deve levar a produção a 1,011 bilhão de toneladas. Estoques devem ficar no mesmo nível, ao redor de 207 milhões de toneladas. Estima a mesma produção para o Brasil e um salto na Argentina, para 34 milhões, pela retirada das “retenciones” (impostos de exportação). 
 Mesmo em menor velocidade, analistas acreditam que o PIB (Produto Interno Bruto) da China tende a crescer US$ 5 trilhões até 2030. Nos próximos anos, a China deve focar menos em investimentos, e mais em ganhos de produtividade de mão de obra, que pode crescer de 20 a 100% neste período, segundo a McKinsey. O setor de serviços apresenta enorme potencial de crescimento, bem como produtividade vinda da automação de fábricas. Muito investimento em inovação vem sendo feito fortalecendo empregos na classe média e aumentando seu potencial de consumo.  
 Finalizando com a boa notícia ao agro tomando espaço do petróleo e do diesel, produzimos 15% a mais de biodiesel em 2015 quando comparado a 2014, chegando a 3,9 bilhões de litros. 
O que acontece com nossa cana?
 A UNICA (União da Indústria de Cana-de-açúcar) mostra que a safra está a todo vapor, com estimativa entre 605 a 630 milhões de toneladas (contra 617,7 em 2015/16). O clima mais seco seria o principal fato para esta baixa. Deve ser safra bem mais açucareira na comparação, produzindo entre 33,5 a 35 milhões de toneladas (7 a 12% maior), devido ao mix e ao aumento do teor de açúcar. Há risco maior de geadas neste ano. 
 A importância do setor é impressionante: início de safra gerou 22 mil contratações. 
 A taxa de renovação dos canaviais caiu para 10% na safra que se encerrou, de acordo com o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), comprometendo o crescimento futuro.
O que acontece com nosso açúcar?
 Safra menor na Índia e a seca que afetou a Tailândia voltou a levar o açúcar perto de 16 cents/libra peso. Além disto, o aumento dos preços do petróleo para mais de US$ 40/barril também contribuiu. O que tem interferido negativamente é a perda de mercado no hidratado e a velocidade de moagem neste início de safra, bastante elevada. 
 Ainda sobre a Índia, será importador líquido em 16/17, devido a dois anos de seca.  Isto não ocorreu nos últimos 4 anos, quando a Índia foi exportadora. Estima-se para esta safra 15/16 (se encerra em 30/09) uma produção de 25 m.t, queda de mais de 11% em relação à safra anterior e consumo de 26 m.t. Como se tornará um importador líquido em 2016/17, contribuirá mais ainda para o déficit no mercado mundial. 
 Cálculos do CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostram que em abril o açúcar estava remunerando bem mais que o etanol (64% a mais que o anidro e 75% a mais que o hidratado). Isto tudo devido à grande queda de preços com a entrada da safra e a necessidade de caixa das usinas. Os preços do etanol caíram mais de 30%, enquanto que os do açúcar permaneceram iguais, ao redor de R$ 75/sc. Fechamos março/abril com preços do açúcar 40% maiores que no ano passado.
 Estimativa da Datagro mostra uma produção de 35,2 milhões de toneladas de açúcar em 16/17, grande crescimento em relação a 2015/16 (31,38 milhões). A estimativa anterior da Datagro era de quase 2 milhões de toneladas menor. Esperam 44% da cana indo para açúcar. 
 Os EUA estão precisando importar mais açúcar, já foi pedido pelas refinarias, mais um fator altista de preços. 
 Safra menor de beterraba na Europa, pelo clima (produção 24% menor) fez com que o refinado tenha chegado no mercado interno a quase 700 euros.  
O que acontece com nosso etanol?
 Produzimos 30 bilhões de litros de etanol em 2015, crescendo 6% em relação a 2014, de acordo com a EPE (Empresa de Pesquisa Energética).
 Em 2015 destaca-se o grande crescimento do etanol hidratado, de 34%, alcançando 19 bilhões de litros. 
 Fruto da crise que assola o país, as vendas de diesel caíram 6,1% no primeiro trimestre de 2016 em comparação ao ano anterior (81,5 milhões de barris). 
 O consumo de gasolina no primeiro trimestre cresceu 1,4%, para 66,13 milhões de barris. Em março cresceu 9,53% (3,72 b.l.), maior consumo para este mês desde o início da série, roubando espaço do hidratado. 
 O problema do primeiro trimestre foram as perdas de vendas de etanol hidratado (12,3% a menos). Março foi terrível, pois as vendas caíram 22%, para apenas 1,1 bilhões de litros.
 No geral, o consumo de combustíveis caiu 5% no primeiro trimestre. 
 No primeiro trimestre também tivemos importações de etanol dos EUA. Só em fevereiro foram mais de 80 milhões de litros. 
 Em abril os preços caíram drasticamente, chegando a R$ 1,35 no hidratado e R$ 1,56 no anidro. 
 Com o recuo, ainda que tardio, dos preços nos postos, em maio devemos retomar o consumo de hidratado, mas as perdas do primeiro quadrimestre são irrecuperáveis. Em São Paulo no início de maio já estavam favoráveis os preços do etanol ao consumidor.
 Continuam boas as perspectivas de exportações de anidro neste ano, que deve pelo menos igualar os 1,9 bilhão de litros do ano passado. Porém, em abril foram relativamente pequenas as exportações, bem abaixo de 100 milhões de litros. Pela Secex, de janeiro a abril exportamos 704 milhões de litros, mas pela Datagro apenas 259,3 milhões de litros. Diferença esta justificada pelos ajustes nos RE (registros de exportação). 
 A Petrobras vem conseguindo recuperar R$ 3 bilhões por mês com a diferença de preços entre a gasolina no mercado interno e externo. Precisa de muito tempo ainda para recuperar o tombo de 2012 e 2013. Mas o aumento dos preços do petróleo vem diminuindo esta arrecadação.
 A baixa dos preços do petróleo fez efeito. Muitos projetos foram engavetados e investimentos serão postergados. Estima-se mais de US$ 270 bilhões em projetos foram cancelados, que devem afetar a oferta global de petróleo. As empresas foram na redução de custos, mesmo com o recente aumento do preço do barril para quase US$ 50. Uma boa notícia ao etanol.
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses nossa coluna traz uma singela homenagem a alguém que sempre contribui com o agronegócio e com a cana. Neste mês o homenageado é o Sr. Antonio Toniello, ou nosso “Toninho Toniello”, um grande clássico da cana! 
Haja Limão
 Depois de tenebrosa experiência de longos 14 anos onde atrasamos uma ou duas gerações, chegamos ao final do período lulopetista. Que o país possa iniciar seu longo e doloroso processo de reconstrução, onde o trabalho e o mérito sejam os valores centrais entre outros valores que precisam ser recuperados. Antes um fim horroroso (impeachment) que um horror sem fim (experiência com o lulopetismo). Termino este texto com dupla emoção, pois chegamos a 50 colunas caipirinha, 50 meses de contribuição contínua, justamente no momento onde são anunciados 55 votos no Senado pelo afastamento da presidente. Com todo o respeito, tchau querida!
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires e Membro do Conselho da Orplana.
O que acontece com nosso agro?
 As exportações do agro trouxeram US$ 8,076 bilhões em abril, um aumento de 14,3% em relação a abril de 2015. O agro trouxe 52,5% das exportações do Brasil neste mês, e um saldo de US$ 7,1 bilhões (foi de US$ 5,95 bilhões em abril de 2015), pois as importações caíram 13%. Se não fosse o agro o Brasil fecharia o mês com US$ 2,2 bi de déficit. 
 No primeiro quadrimestre, as exportações do agro estão 10,2% acima de 2015, trazendo um saldo de US$ 24 bilhões. Os outros setores da economia foram deficitários em US$ 10,9 bilhões, portanto o saldo do agro é que confere o saldo de US$ 13,2 bilhões na balança. 
 A soja aumentou 43% no valor e 63% na quantidade neste período. Só em abril a soja trouxe US$ 4 bilhões. 
 O setor sucroalcooleiro também está 8,3% acima em valor e 23,4% em quantidade, com grande crescimento em abril (65%). 
 Milho estamos acima em 109,5% no valor e em quase 140% na quantidade. 
 Todas as carnes estão acima também do ano passado. 
 A CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) soltou a nova revisão da estimativa da safra 2015/16 no Brasil. Agora são 202,4 milhões de toneladas, 3,2% a menos que sua estimativa do mês passado e 2,5% inferior a 2014/15.  
 A produção de soja será de 96,9 milhões de toneladas (perda de 2 milhões em relação à estimativa anterior). Ano passado produzimos 96,2 m.t. A culpa é da estiagem no MATOPIBA nesta fase final, principalmente. Pela CONAB, Tocantins registrou as maiores perdas. 
 USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduz a projeção de produção global de soja, o que causou reação nos preços chegando a quase US$ 11/bushel. A Argentina perdeu 2,5 milhões de toneladas pelo clima. Os estoques mundiais de soja caíram 5 milhões entre uma e outra avaliação.  USDA estima aumento na produção mundial de 2,6% e aumento de 4,3% na demanda, derrubando os estoques em 8,1%, para 20,8% do consumo mundial. Completa esta boa notícia a estimativa que a safra de soja dos EUA será 3,3% menor (103,4 m.t.). O USDA prevê safra 4% maior no Brasil em 2016/17 (103 milhões), que deve exportar 60 milhões de toneladas. Estimam para a Argentina produção de 57 milhões de toneladas e exportação de 10,65 milhões.  A China deve comprar em 2016/17, 4 milhões de toneladas a mais, boa notícia da soja.
 Já o milho, pela CONAB, chegará próximo a 80 milhões de toneladas, caindo 5,6% em relação à última projeção. Finalmente a CONAB cortou a projeção da safrinha, em 7,4%, caindo para 52,9 milhões de toneladas. Muitos plantios foram feitos fora da janela ideal e sofreram fortemente com a seca. A safra de verão também cai para 27 milhões de toneladas, 1,7% menor que a ultima projeção e um tombo de 10% e relação a 2014/15. 
 O USDA também estimou reduções no milho. Para 2015/16, 3 milhões a menos no Brasil (84 a 81), 1 milhão a menos na Argentina (28 para 27). Para a safra 2016/17, estimam nos EUA 366,54 milhões de toneladas, 6% a mais que em 2015/16 o que deve levar a produção a 1,011 bilhão de toneladas. Estoques devem ficar no mesmo nível, ao redor de 207 milhões de toneladas. Estima a mesma produção para o Brasil e um salto na Argentina, para 34 milhões, pela retirada das “retenciones” (impostos de exportação). 
 Mesmo em menor velocidade, analistas acreditam que o PIB (Produto Interno Bruto) da China tende a crescer US$ 5 trilhões até 2030. Nos próximos anos, a China deve focar menos em investimentos, e mais em ganhos de produtividade de mão de obra, que pode crescer de 20 a 100% neste período, segundo a McKinsey. O setor de serviços apresenta enorme potencial de crescimento, bem como produtividade vinda da automação de fábricas. Muito investimento em inovação vem sendo feito fortalecendo empregos na classe média e aumentando seu potencial de consumo.  
 Finalizando com a boa notícia ao agro tomando espaço do petróleo e do diesel, produzimos 15% a mais de biodiesel em 2015 quando comparado a 2014, chegando a 3,9 bilhões de litros. 
O que acontece com nossa cana?
 A UNICA (União da Indústria de Cana-de-açúcar) mostra que a safra está a todo vapor, com estimativa entre 605 a 630 milhões de toneladas (contra 617,7 em 2015/16). O clima mais seco seria o principal fato para esta baixa. Deve ser safra bem mais açucareira na comparação, produzindo entre 33,5 a 35 milhões de toneladas (7 a 12% maior), devido ao mix e ao aumento do teor de açúcar. Há risco maior de geadas neste ano. 
 A importância do setor é impressionante: início de safra gerou 22 mil contratações. 
 A taxa de renovação dos canaviais caiu para 10% na safra que se encerrou, de acordo com o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), comprometendo o crescimento futuro.
O que acontece com nosso açúcar?
 Safra menor na Índia e a seca que afetou a Tailândia voltou a levar o açúcar perto de 16 cents/libra peso. Além disto, o aumento dos preços do petróleo para mais de US$ 40/barril também contribuiu. O que tem interferido negativamente é a perda de mercado no hidratado e a velocidade de moagem neste início de safra, bastante elevada. 
 Ainda sobre a Índia, será importador líquido em 16/17, devido a dois anos de seca.  Isto não ocorreu nos últimos 4 anos, quando a Índia foi exportadora. Estima-se para esta safra 15/16 (se encerra em 30/09) uma produção de 25 m.t, queda de mais de 11% em relação à safra anterior e consumo de 26 m.t. Como se tornará um importador líquido em 2016/17, contribuirá mais ainda para o déficit no mercado mundial. 
 Cálculos do CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostram que em abril o açúcar estava remunerando bem mais que o etanol (64% a mais que o anidro e 75% a mais que o hidratado). Isto tudo devido à grande queda de preços com a entrada da safra e a necessidade de caixa das usinas. Os preços do etanol caíram mais de 30%, enquanto que os do açúcar permaneceram iguais, ao redor de R$ 75/sc. Fechamos março/abril com preços do açúcar 40% maiores que no ano passado.
 Estimativa da Datagro mostra uma produção de 35,2 milhões de toneladas de açúcar em 16/17, grande crescimento em relação a 2015/16 (31,38 milhões). A estimativa anterior da Datagro era de quase 2 milhões de toneladas menor. Esperam 44% da cana indo para açúcar. 
 Os EUA estão precisando importar mais açúcar, já foi pedido pelas refinarias, mais um fator altista de preços. 
 Safra menor de beterraba na Europa, pelo clima (produção 24% menor) fez com que o refinado tenha chegado no mercado interno a quase 700 euros.  
O que acontece com nosso etanol?
 Produzimos 30 bilhões de litros de etanol em 2015, crescendo 6% em relação a 2014, de acordo com a EPE (Empresa de Pesquisa Energética).
 Em 2015 destaca-se o grande crescimento do etanol hidratado, de 34%, alcançando 19 bilhões de litros. 
 Fruto da crise que assola o país, as vendas de diesel caíram 6,1% no primeiro trimestre de 2016 em comparação ao ano anterior (81,5 milhões de barris). 
 O consumo de gasolina no primeiro trimestre cresceu 1,4%, para 66,13 milhões de barris. Em março cresceu 9,53% (3,72 b.l.), maior consumo para este mês desde o início da série, roubando espaço do hidratado. 
 O problema do primeiro trimestre foram as perdas de vendas de etanol hidratado (12,3% a menos). Março foi terrível, pois as vendas caíram 22%, para apenas 1,1 bilhões de litros.
 No geral, o consumo de combustíveis caiu 5% no primeiro trimestre. 
 No primeiro trimestre também tivemos importações de etanol dos EUA. Só em fevereiro foram mais de 80 milhões de litros. 
 Em abril os preços caíram drasticamente, chegando a R$ 1,35 no hidratado e R$ 1,56 no anidro. 
 Com o recuo, ainda que tardio, dos preços nos postos, em maio devemos retomar o consumo de hidratado, mas as perdas do primeiro quadrimestre são irrecuperáveis. Em São Paulo no início de maio já estavam favoráveis os preços do etanol ao consumidor.
 Continuam boas as perspectivas de exportações de anidro neste ano, que deve pelo menos igualar os 1,9 bilhão de litros do ano passado. Porém, em abril foram relativamente pequenas as exportações, bem abaixo de 100 milhões de litros. Pela Secex, de janeiro a abril exportamos 704 milhões de litros, mas pela Datagro apenas 259,3 milhões de litros. Diferença esta justificada pelos ajustes nos RE (registros de exportação). 
 A Petrobras vem conseguindo recuperar R$ 3 bilhões por mês com a diferença de preços entre a gasolina no mercado interno e externo. Precisa de muito tempo ainda para recuperar o tombo de 2012 e 2013. Mas o aumento dos preços do petróleo vem diminuindo esta arrecadação.
 A baixa dos preços do petróleo fez efeito. Muitos projetos foram engavetados e investimentos serão postergados. Estima-se mais de US$ 270 bilhões em projetos foram cancelados, que devem afetar a oferta global de petróleo. As empresas foram na redução de custos, mesmo com o recente aumento do preço do barril para quase US$ 50. Uma boa notícia ao etanol.
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses nossa coluna traz uma singela homenagem a alguém que sempre contribui com o agronegócio e com a cana. Neste mês o homenageado é o Sr. Antonio Toniello, ou nosso “Toninho Toniello”, um grande clássico da cana! 
Haja Limão
 Depois de tenebrosa experiência de longos 14 anos onde atrasamos uma ou duas gerações, chegamos ao final do período lulopetista. Que o país possa iniciar seu longo e doloroso processo de reconstrução, onde o trabalho e o mérito sejam os valores centrais entre outros valores que precisam ser recuperados. Antes um fim horroroso (impeachment) que um horror sem fim (experiência com o lulopetismo). Termino este texto com dupla emoção, pois chegamos a 50 colunas caipirinha, 50 meses de contribuição contínua, justamente no momento onde são anunciados 55 votos no Senado pelo afastamento da presidente. Com todo o respeito, tchau querida!

Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires e Membro do Conselho da Orplana.

Sr. Antonio Toniello