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O Jogo da Eficiência
Marcos Fava Neves

Economista

Marcos

Fava Neves

professor titular de planejamento e estratégia na FEA/USP Campus Ribeirão Preto e coordenador científico do Markestrat.

revistacanavieiros@revistacanavieiros.com.br

O Jogo da Eficiência

 
07/03/2016
Homenageado do mês: Arnaldo Bortoletto

O que acontece com nosso agro?
 Na estimativa da primeira semana de fevereiro, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) coloca que a produção mundial de cereais no ciclo 2015/16 será de 2,531 bilhões de toneladas, 30,1 milhões abaixo do recorde de 2014/15. O consumo estimado é de 2,527 bilhões (0,8% a mais que em 14/15). Haverá uma redução de apenas cerca de 1 milhão de toneladas do alto volume de estoques existentes, permanecendo estável em cerca de 25% da produção. A safra 15/16 deve transacionar globalmente cerca de 368 milhões de toneladas de grãos. Portanto, sem eventos climáticos, os preços devem permanecer com pouca perspectiva de aumento. 
 Seu índice de preços de commodities caiu 1,9% em relação a dezembro de 2015 e está 16% menor que em janeiro de 2015. A oferta segue ampla e o nível de estoques confortável nos grãos, o que derruba também os preços dos óleos e das carnes. 
 E no Brasil, pelo levantamento da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) (02/16), teremos 210,3 mi. t. de grãos, o que equivale a 1,3% a mais que 14/15 (2,6 mi t. a mais). Soja deve aumentar 4,7 mi. t. Este acréscimo na soja, que teve 1,1 mi de hectares a mais de plantio, é o responsável pelo aumento de quase 600 mil ha na área cultivada no Brasil, em apenas um ano, roubando área principalmente do algodão e do milho. 
 A China deve continuar o vigoroso crescimento da importação de alimentos, mesmo crescendo menos, pois o plano quinquenal do Governo Chinês privilegia o consumo e a produção interna não acompanha este crescimento devido à pouca possibilidade de expansão dos recursos naturais (terra, água e qualidade do solo). Maiores importações permitirão inclusive preços mais convidativos ao consumo, ampliando ainda mais as quantidades demandadas. Boa perspectiva para nós.
 Fechamos as exportações de janeiro do agronegócio com uma ótima notícia. Os volumes embarcados cresceram 8,7% em relação a 2015. O valor foi menor, devido ao menor preço das commodities em geral, e caímos de US$ 5,64 bilhões para US$ 4,98 bilhões. Como as importações do agro caíram muito, de US$ 1,24 bi para 913 milhões, o saldo foi de US$ 4,07 bilhões. Em reais, muito mais recurso circulando pelo Brasil do agro!
O que acontece com nossa cana?
 Triste nota foi a relação do setor com o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) em 2015, que trouxe o menor comprometimento de valor dos últimos 10 anos (excetuando-se 2006). Apenas R$ 2,7 bilhões, 60% a menos que em 2014. A linha de estocagem que era para sair em maio, saiu muito tarde (em setembro apenas) e apenas R$ 20 milhões foram usados (1% do disponível). Caíram também os investimentos industriais (65%) e agrícolas (53%), tendo tido pequeno aumento apenas em cogeração. E com isto, a geração futura de valor fica comprometida, como praticamente em todas as áreas do Brasil.
 Interessante ver a estrutura portuária da Copersucar trabalhando cada vez mais com grãos em complemento ao açúcar. Este é o jogo mundial da eficiência, melhor uso dos ativos, que permite com que os custos médios de operação caiam, tornando toda a estrutura mais eficiente. Eficiência e boa gestão financeira na cana são dogmas!
 Estimativas iniciais apontam para 43% da safra de 620 mi. t de cana dedicadas ao açúcar, contra 41,8% em 2015/16. Isto me preocupa pois pode trazer rentabilidade maior no curto prazo, mas comprime os preços internacionais do açúcar. 
O que acontece com nosso açúcar?
 Estima-se que as usinas já tenham vendido cerca de 60% do açúcar que será exportado no ciclo 16/17 (1 de abril de 2016 a 31 de março de 2017). Isto seria algo próximo a 15,6 mi. t. das esperadas 26 mi. t. a serem exportadas neste ano safra, onde colocaríamos 2 mi. t. a mais no mercado internacional. Isto tranquiliza um pouco num momento onde os preços caíram mais de 10%, principalmente devido a anúncios de maior safra no Centro-Sul (Copersucar estimou em 625 mi. t.) O preço não caiu para quem fixou bem. 
 China bate recorde de importações em 2015: 4,5 mi. t. Porém, uma autoridade do Ministério da Agricultura da China disse que eles estimam em 1 milhão de toneladas o total de açúcar que entra contrabandeado neste país, principalmente pelas fronteiras com Vietnã e Mianmar. Neste caso então as importações chinesas seriam de pelo menos 5,5 mi. t.
 Analistas acreditam que o ciclo 16/17 terá uma cotação média de 14 cents/libra peso, o que permitirá retorno para as usinas mais eficientes e não incentivará a produção internacional, principalmente nos países que não tiveram a desvalorização observada no real. 
 Será um ano de alta volatilidade nos preços do açúcar, o que realça a necessidade de excelente estratégia comercial. Pode tranquilamente flutuar entre 11 e 16 cents/libra peso. 
 Preços caíram bastante desde o início do ano pois acredita-se numa produção de açúcar maior no Brasil, podendo passar de 34 mi. t. e na União Europeia (22% de aumento, para 17 mi. t). Esta vai contra todas as forças de mercado e segue aumentando a produção de maneira artificialmente subsidiada. Este acréscimo poderia levar o mercado ao equilíbrio novamente, daí a importância do Brasil jogar com a possibilidade de direcionar mais cana para o hidratado e mudar esta conversa. 
 A Kingsman acredita que a produção no Centro-Sul passe de 35 mi. t., contra sua última previsão que foi de 32,94 mi. t. prevê ATR de 134,5 kg/ton. mantém uma previsão de déficit de 4,86 mi. t. para o mundo na safra 15/16 (termina em 30 de setembro, com produção de 177,087 mi. t. e consumo de 181,94 mi. t.).
 Espera-se uma produção entre 25 e 26 mi. t. na Índia nesta safra (outubro a setembro), contra 28,3 mi. t. na safra anterior (14/15). 
 No mercado interno, os preços em janeiro permaneceram acima de R$ 80/sc 50 kg, o que traz um bom retorno.
 Outra boa notícia é o preço do frete de Santos a Taiwan, medido pela FCStone. Em janeiro estava em US$ 18,14/t, 77% abaixo do valor de início de 2014. Isto graças aos efeitos do petróleo mais barato e desaceleração da taxa de crescimento da economia chinesa. Eleva nossa competitividade na China vis a vis o açúcar da Tailândia.
O que acontece com nosso etanol?
 Os dados de 2015 apontam para recorde na venda de hidratado. Foram vendidos pelas distribuidoras aos postos o volume de 17,8 bi. de litros. A maior venda foi alcançada em 2009, com 16,47 bi. l. Consumimos em 2015 ao redor de 37,5% a mais que 2014. Segundo a ANP a gasolina caiu para 41,137 bi. l., quase 7,2% a menos que 2014. Considerando-se a adição de 27% de anidro na gasolina, chega-se a um consumo de 28,8 bi. l.  
 Apenas o estado de SP representou 53% do consumo de etanol no Brasil. Mesmo em dezembro, as vendas foram de 1,509 bi. l. 
 Na avaliação do CEO da Bunge em recente conferência em Dubai, este acredita que a demanda por etanol aumentará 40% até 2025, o que daria cerca de 200 mi. t. de cana a mais. Acredita na expansão da produção, mas aquém da velocidade da demanda. A empresa trabalha como meta de ter custo do açúcar ao redor de 10 cents/libra peso.
 O Brasil possui hoje 4 usinas que podem moer cana e milho, com capacidade para produzir 75 milhões de litros de etanol a partir do grão. 
 Em mais uma das boas notícias que sopram da Argentina, o Presidente Macri anunciou o aumento da adição de anidro na gasolina, dos atuais 10 para 12% a partir de abril. A meta é atingir 15%. Apenas o etanol de cana poderá ser usado. Este aumento representa 160.000 m³.
 O consumo de gasolina nos EUA deve aumentar com os preços baixos na bomba, e isto deve puxar o consumo de etanol. No caso do milho, estimam usar em 2016 aproximadamente 132 milhões de toneladas para misturar à gasolina (via etanol), e com este aumento do consumo, devem usar 600.000 toneladas a mais. 
 No Brasil temos que acompanhar o efeito dos preços mais altos no consumo de etanol. Em São Paulo já está acima dos 70%. É provável que a demanda em janeiro recue para 1,2 bi. l. e também caia em fevereiro. Em São Paulo o etanol subiu ao consumidor quase 40% e na usina os preços estão 50% maiores. Outro fato a ser observado é no consumo geral de combustíveis, que pode cair devido à crise em até 5% neste ano. 
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses nossa coluna traz uma singela homenagem a alguém que sempre contribui com o agronegócio e com a cana. Neste mês o homenageado é o Arnaldo Bortoletto, grande amigo, lutador da cana, e com outra excelente característica. Além de agrônomo formado na melhor escola do mundo, tem também três filhas!
Haja Limão: Qual o caminho? É preciso um profundo repensar do papel do Estado/Governo no Brasil, nas suas esferas federais, estaduais e municipais. Estas subtraem dos contribuintes uma taxa de impostos de primeiro mundo e entregam, em sua maioria e com honrosas exceções, um serviço de terceiro mundo. Foi apoderado, aparelhado em parte das suas instâncias por gente de duvidosa qualificação e baixa propensão ao trabalho, além de alta capacidade de subtrair os recursos dos contribuintes de formas escusas, via privilégios absurdos e corrupção fora de qualquer limite já visto. O resultado está ai: uma estrutura apodrecida. Precisamos dar um "reset" e começar uma nova configuração do Estado no Brasil, com profundos cortes. O duro é como fazer isto num Estado cada vez mais gigante, mais se auto-protegendo da fúria dos contribuintes, tentando atacar os contribuintes com mais facadas, como a absurda tentativa da volta da CPMF e numa democracia em deterioração, praticamente sem líderes e com a maior crise econômica, política e institucional dos últimos anos. Em 25 anos de vida profissional, nunca vi uma coisa tão largada, tão sem esperança. Eu sinceramente, não sei qual o caminho.
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires. 
O que acontece com nosso agro?
 Na estimativa da primeira semana de fevereiro, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) coloca que a produção mundial de cereais no ciclo 2015/16 será de 2,531 bilhões de toneladas, 30,1 milhões abaixo do recorde de 2014/15. O consumo estimado é de 2,527 bilhões (0,8% a mais que em 14/15). Haverá uma redução de apenas cerca de 1 milhão de toneladas do alto volume de estoques existentes, permanecendo estável em cerca de 25% da produção. A safra 15/16 deve transacionar globalmente cerca de 368 milhões de toneladas de grãos. Portanto, sem eventos climáticos, os preços devem permanecer com pouca perspectiva de aumento. 
 Seu índice de preços de commodities caiu 1,9% em relação a dezembro de 2015 e está 16% menor que em janeiro de 2015. A oferta segue ampla e o nível de estoques confortável nos grãos, o que derruba também os preços dos óleos e das carnes. 
 E no Brasil, pelo levantamento da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) (02/16), teremos 210,3 mi. t. de grãos, o que equivale a 1,3% a mais que 14/15 (2,6 mi t. a mais). Soja deve aumentar 4,7 mi. t. Este acréscimo na soja, que teve 1,1 mi de hectares a mais de plantio, é o responsável pelo aumento de quase 600 mil ha na área cultivada no Brasil, em apenas um ano, roubando área principalmente do algodão e do milho. 
 A China deve continuar o vigoroso crescimento da importação de alimentos, mesmo crescendo menos, pois o plano quinquenal do Governo Chinês privilegia o consumo e a produção interna não acompanha este crescimento devido à pouca possibilidade de expansão dos recursos naturais (terra, água e qualidade do solo). Maiores importações permitirão inclusive preços mais convidativos ao consumo, ampliando ainda mais as quantidades demandadas. Boa perspectiva para nós.
 Fechamos as exportações de janeiro do agronegócio com uma ótima notícia. Os volumes embarcados cresceram 8,7% em relação a 2015. O valor foi menor, devido ao menor preço das commodities em geral, e caímos de US$ 5,64 bilhões para US$ 4,98 bilhões. Como as importações do agro caíram muito, de US$ 1,24 bi para 913 milhões, o saldo foi de US$ 4,07 bilhões. Em reais, muito mais recurso circulando pelo Brasil do agro!


O que acontece com nossa cana?
 Triste nota foi a relação do setor com o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) em 2015, que trouxe o menor comprometimento de valor dos últimos 10 anos (excetuando-se 2006). Apenas R$ 2,7 bilhões, 60% a menos que em 2014. A linha de estocagem que era para sair em maio, saiu muito tarde (em setembro apenas) e apenas R$ 20 milhões foram usados (1% do disponível). Caíram também os investimentos industriais (65%) e agrícolas (53%), tendo tido pequeno aumento apenas em cogeração. E com isto, a geração futura de valor fica comprometida, como praticamente em todas as áreas do Brasil.
 Interessante ver a estrutura portuária da Copersucar trabalhando cada vez mais com grãos em complemento ao açúcar. Este é o jogo mundial da eficiência, melhor uso dos ativos, que permite com que os custos médios de operação caiam, tornando toda a estrutura mais eficiente. Eficiência e boa gestão financeira na cana são dogmas!
 Estimativas iniciais apontam para 43% da safra de 620 mi. t de cana dedicadas ao açúcar, contra 41,8% em 2015/16. Isto me preocupa pois pode trazer rentabilidade maior no curto prazo, mas comprime os preços internacionais do açúcar. 


O que acontece com nosso açúcar?
 Estima-se que as usinas já tenham vendido cerca de 60% do açúcar que será exportado no ciclo 16/17 (1 de abril de 2016 a 31 de março de 2017). Isto seria algo próximo a 15,6 mi. t. das esperadas 26 mi. t. a serem exportadas neste ano safra, onde colocaríamos 2 mi. t. a mais no mercado internacional. Isto tranquiliza um pouco num momento onde os preços caíram mais de 10%, principalmente devido a anúncios de maior safra no Centro-Sul (Copersucar estimou em 625 mi. t.) O preço não caiu para quem fixou bem. 
 China bate recorde de importações em 2015: 4,5 mi. t. Porém, uma autoridade do Ministério da Agricultura da China disse que eles estimam em 1 milhão de toneladas o total de açúcar que entra contrabandeado neste país, principalmente pelas fronteiras com Vietnã e Mianmar. Neste caso então as importações chinesas seriam de pelo menos 5,5 mi. t.
 Analistas acreditam que o ciclo 16/17 terá uma cotação média de 14 cents/libra peso, o que permitirá retorno para as usinas mais eficientes e não incentivará a produção internacional, principalmente nos países que não tiveram a desvalorização observada no real. 
 Será um ano de alta volatilidade nos preços do açúcar, o que realça a necessidade de excelente estratégia comercial. Pode tranquilamente flutuar entre 11 e 16 cents/libra peso. 
 Preços caíram bastante desde o início do ano pois acredita-se numa produção de açúcar maior no Brasil, podendo passar de 34 mi. t. e na União Europeia (22% de aumento, para 17 mi. t). Esta vai contra todas as forças de mercado e segue aumentando a produção de maneira artificialmente subsidiada. Este acréscimo poderia levar o mercado ao equilíbrio novamente, daí a importância do Brasil jogar com a possibilidade de direcionar mais cana para o hidratado e mudar esta conversa. 
 A Kingsman acredita que a produção no Centro-Sul passe de 35 mi. t., contra sua última previsão que foi de 32,94 mi. t. prevê ATR de 134,5 kg/ton. mantém uma previsão de déficit de 4,86 mi. t. para o mundo na safra 15/16 (termina em 30 de setembro, com produção de 177,087 mi. t. e consumo de 181,94 mi. t.).
 Espera-se uma produção entre 25 e 26 mi. t. na Índia nesta safra (outubro a setembro), contra 28,3 mi. t. na safra anterior (14/15). 
 No mercado interno, os preços em janeiro permaneceram acima de R$ 80/sc 50 kg, o que traz um bom retorno.
 Outra boa notícia é o preço do frete de Santos a Taiwan, medido pela FCStone. Em janeiro estava em US$ 18,14/t, 77% abaixo do valor de início de 2014. Isto graças aos efeitos do petróleo mais barato e desaceleração da taxa de crescimento da economia chinesa. Eleva nossa competitividade na China vis a vis o açúcar da Tailândia.


O que acontece com nosso etanol?
 Os dados de 2015 apontam para recorde na venda de hidratado. Foram vendidos pelas distribuidoras aos postos o volume de 17,8 bi. de litros. A maior venda foi alcançada em 2009, com 16,47 bi. l. Consumimos em 2015 ao redor de 37,5% a mais que 2014. Segundo a ANP a gasolina caiu para 41,137 bi. l., quase 7,2% a menos que 2014. Considerando-se a adição de 27% de anidro na gasolina, chega-se a um consumo de 28,8 bi. l.  
 Apenas o estado de SP representou 53% do consumo de etanol no Brasil. Mesmo em dezembro, as vendas foram de 1,509 bi. l. 
 Na avaliação do CEO da Bunge em recente conferência em Dubai, este acredita que a demanda por etanol aumentará 40% até 2025, o que daria cerca de 200 mi. t. de cana a mais. Acredita na expansão da produção, mas aquém da velocidade da demanda. A empresa trabalha como meta de ter custo do açúcar ao redor de 10 cents/libra peso.
 O Brasil possui hoje 4 usinas que podem moer cana e milho, com capacidade para produzir 75 milhões de litros de etanol a partir do grão. 
 Em mais uma das boas notícias que sopram da Argentina, o Presidente Macri anunciou o aumento da adição de anidro na gasolina, dos atuais 10 para 12% a partir de abril. A meta é atingir 15%. Apenas o etanol de cana poderá ser usado. Este aumento representa 160.000 m³.
 O consumo de gasolina nos EUA deve aumentar com os preços baixos na bomba, e isto deve puxar o consumo de etanol. No caso do milho, estimam usar em 2016 aproximadamente 132 milhões de toneladas para misturar à gasolina (via etanol), e com este aumento do consumo, devem usar 600.000 toneladas a mais. 
 No Brasil temos que acompanhar o efeito dos preços mais altos no consumo de etanol. Em São Paulo já está acima dos 70%. É provável que a demanda em janeiro recue para 1,2 bi. l. e também caia em fevereiro. Em São Paulo o etanol subiu ao consumidor quase 40% e na usina os preços estão 50% maiores. Outro fato a ser observado é no consumo geral de combustíveis, que pode cair devido à crise em até 5% neste ano. 


Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses nossa coluna traz uma singela homenagem a alguém que sempre contribui com o agronegócio e com a cana. Neste mês o homenageado é o Arnaldo Bortoletto, grande amigo, lutador da cana, e com outra excelente característica. Além de agrônomo formado na melhor escola do mundo, tem também três filhas!


Haja Limão
: Qual o caminho? É preciso um profundo repensar do papel do Estado/Governo no Brasil, nas suas esferas federais, estaduais e municipais. Estas subtraem dos contribuintes uma taxa de impostos de primeiro mundo e entregam, em sua maioria e com honrosas exceções, um serviço de terceiro mundo. Foi apoderado, aparelhado em parte das suas instâncias por gente de duvidosa qualificação e baixa propensão ao trabalho, além de alta capacidade de subtrair os recursos dos contribuintes de formas escusas, via privilégios absurdos e corrupção fora de qualquer limite já visto. O resultado está ai: uma estrutura apodrecida. Precisamos dar um "reset" e começar uma nova configuração do Estado no Brasil, com profundos cortes. O duro é como fazer isto num Estado cada vez mais gigante, mais se auto-protegendo da fúria dos contribuintes, tentando atacar os contribuintes com mais facadas, como a absurda tentativa da volta da CPMF e numa democracia em deterioração, praticamente sem líderes e com a maior crise econômica, política e institucional dos últimos anos. Em 25 anos de vida profissional, nunca vi uma coisa tão largada, tão sem esperança. Eu sinceramente, não sei qual o caminho.
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires. 

Fonte: Revista Canavieiros - ed. 116

O Jogo da Eficiência

07/03/2016

O que acontece com nosso agro?
 Na estimativa da primeira semana de fevereiro, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) coloca que a produção mundial de cereais no ciclo 2015/16 será de 2,531 bilhões de toneladas, 30,1 milhões abaixo do recorde de 2014/15. O consumo estimado é de 2,527 bilhões (0,8% a mais que em 14/15). Haverá uma redução de apenas cerca de 1 milhão de toneladas do alto volume de estoques existentes, permanecendo estável em cerca de 25% da produção. A safra 15/16 deve transacionar globalmente cerca de 368 milhões de toneladas de grãos. Portanto, sem eventos climáticos, os preços devem permanecer com pouca perspectiva de aumento. 
 Seu índice de preços de commodities caiu 1,9% em relação a dezembro de 2015 e está 16% menor que em janeiro de 2015. A oferta segue ampla e o nível de estoques confortável nos grãos, o que derruba também os preços dos óleos e das carnes. 
 E no Brasil, pelo levantamento da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) (02/16), teremos 210,3 mi. t. de grãos, o que equivale a 1,3% a mais que 14/15 (2,6 mi t. a mais). Soja deve aumentar 4,7 mi. t. Este acréscimo na soja, que teve 1,1 mi de hectares a mais de plantio, é o responsável pelo aumento de quase 600 mil ha na área cultivada no Brasil, em apenas um ano, roubando área principalmente do algodão e do milho. 
 A China deve continuar o vigoroso crescimento da importação de alimentos, mesmo crescendo menos, pois o plano quinquenal do Governo Chinês privilegia o consumo e a produção interna não acompanha este crescimento devido à pouca possibilidade de expansão dos recursos naturais (terra, água e qualidade do solo). Maiores importações permitirão inclusive preços mais convidativos ao consumo, ampliando ainda mais as quantidades demandadas. Boa perspectiva para nós.
 Fechamos as exportações de janeiro do agronegócio com uma ótima notícia. Os volumes embarcados cresceram 8,7% em relação a 2015. O valor foi menor, devido ao menor preço das commodities em geral, e caímos de US$ 5,64 bilhões para US$ 4,98 bilhões. Como as importações do agro caíram muito, de US$ 1,24 bi para 913 milhões, o saldo foi de US$ 4,07 bilhões. Em reais, muito mais recurso circulando pelo Brasil do agro!
O que acontece com nossa cana?
 Triste nota foi a relação do setor com o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) em 2015, que trouxe o menor comprometimento de valor dos últimos 10 anos (excetuando-se 2006). Apenas R$ 2,7 bilhões, 60% a menos que em 2014. A linha de estocagem que era para sair em maio, saiu muito tarde (em setembro apenas) e apenas R$ 20 milhões foram usados (1% do disponível). Caíram também os investimentos industriais (65%) e agrícolas (53%), tendo tido pequeno aumento apenas em cogeração. E com isto, a geração futura de valor fica comprometida, como praticamente em todas as áreas do Brasil.
 Interessante ver a estrutura portuária da Copersucar trabalhando cada vez mais com grãos em complemento ao açúcar. Este é o jogo mundial da eficiência, melhor uso dos ativos, que permite com que os custos médios de operação caiam, tornando toda a estrutura mais eficiente. Eficiência e boa gestão financeira na cana são dogmas!
 Estimativas iniciais apontam para 43% da safra de 620 mi. t de cana dedicadas ao açúcar, contra 41,8% em 2015/16. Isto me preocupa pois pode trazer rentabilidade maior no curto prazo, mas comprime os preços internacionais do açúcar. 
O que acontece com nosso açúcar?
 Estima-se que as usinas já tenham vendido cerca de 60% do açúcar que será exportado no ciclo 16/17 (1 de abril de 2016 a 31 de março de 2017). Isto seria algo próximo a 15,6 mi. t. das esperadas 26 mi. t. a serem exportadas neste ano safra, onde colocaríamos 2 mi. t. a mais no mercado internacional. Isto tranquiliza um pouco num momento onde os preços caíram mais de 10%, principalmente devido a anúncios de maior safra no Centro-Sul (Copersucar estimou em 625 mi. t.) O preço não caiu para quem fixou bem. 
 China bate recorde de importações em 2015: 4,5 mi. t. Porém, uma autoridade do Ministério da Agricultura da China disse que eles estimam em 1 milhão de toneladas o total de açúcar que entra contrabandeado neste país, principalmente pelas fronteiras com Vietnã e Mianmar. Neste caso então as importações chinesas seriam de pelo menos 5,5 mi. t.
 Analistas acreditam que o ciclo 16/17 terá uma cotação média de 14 cents/libra peso, o que permitirá retorno para as usinas mais eficientes e não incentivará a produção internacional, principalmente nos países que não tiveram a desvalorização observada no real. 
 Será um ano de alta volatilidade nos preços do açúcar, o que realça a necessidade de excelente estratégia comercial. Pode tranquilamente flutuar entre 11 e 16 cents/libra peso. 
 Preços caíram bastante desde o início do ano pois acredita-se numa produção de açúcar maior no Brasil, podendo passar de 34 mi. t. e na União Europeia (22% de aumento, para 17 mi. t). Esta vai contra todas as forças de mercado e segue aumentando a produção de maneira artificialmente subsidiada. Este acréscimo poderia levar o mercado ao equilíbrio novamente, daí a importância do Brasil jogar com a possibilidade de direcionar mais cana para o hidratado e mudar esta conversa. 
 A Kingsman acredita que a produção no Centro-Sul passe de 35 mi. t., contra sua última previsão que foi de 32,94 mi. t. prevê ATR de 134,5 kg/ton. mantém uma previsão de déficit de 4,86 mi. t. para o mundo na safra 15/16 (termina em 30 de setembro, com produção de 177,087 mi. t. e consumo de 181,94 mi. t.).
 Espera-se uma produção entre 25 e 26 mi. t. na Índia nesta safra (outubro a setembro), contra 28,3 mi. t. na safra anterior (14/15). 
 No mercado interno, os preços em janeiro permaneceram acima de R$ 80/sc 50 kg, o que traz um bom retorno.
 Outra boa notícia é o preço do frete de Santos a Taiwan, medido pela FCStone. Em janeiro estava em US$ 18,14/t, 77% abaixo do valor de início de 2014. Isto graças aos efeitos do petróleo mais barato e desaceleração da taxa de crescimento da economia chinesa. Eleva nossa competitividade na China vis a vis o açúcar da Tailândia.
O que acontece com nosso etanol?
 Os dados de 2015 apontam para recorde na venda de hidratado. Foram vendidos pelas distribuidoras aos postos o volume de 17,8 bi. de litros. A maior venda foi alcançada em 2009, com 16,47 bi. l. Consumimos em 2015 ao redor de 37,5% a mais que 2014. Segundo a ANP a gasolina caiu para 41,137 bi. l., quase 7,2% a menos que 2014. Considerando-se a adição de 27% de anidro na gasolina, chega-se a um consumo de 28,8 bi. l.  
 Apenas o estado de SP representou 53% do consumo de etanol no Brasil. Mesmo em dezembro, as vendas foram de 1,509 bi. l. 
 Na avaliação do CEO da Bunge em recente conferência em Dubai, este acredita que a demanda por etanol aumentará 40% até 2025, o que daria cerca de 200 mi. t. de cana a mais. Acredita na expansão da produção, mas aquém da velocidade da demanda. A empresa trabalha como meta de ter custo do açúcar ao redor de 10 cents/libra peso.
 O Brasil possui hoje 4 usinas que podem moer cana e milho, com capacidade para produzir 75 milhões de litros de etanol a partir do grão. 
 Em mais uma das boas notícias que sopram da Argentina, o Presidente Macri anunciou o aumento da adição de anidro na gasolina, dos atuais 10 para 12% a partir de abril. A meta é atingir 15%. Apenas o etanol de cana poderá ser usado. Este aumento representa 160.000 m³.
 O consumo de gasolina nos EUA deve aumentar com os preços baixos na bomba, e isto deve puxar o consumo de etanol. No caso do milho, estimam usar em 2016 aproximadamente 132 milhões de toneladas para misturar à gasolina (via etanol), e com este aumento do consumo, devem usar 600.000 toneladas a mais. 
 No Brasil temos que acompanhar o efeito dos preços mais altos no consumo de etanol. Em São Paulo já está acima dos 70%. É provável que a demanda em janeiro recue para 1,2 bi. l. e também caia em fevereiro. Em São Paulo o etanol subiu ao consumidor quase 40% e na usina os preços estão 50% maiores. Outro fato a ser observado é no consumo geral de combustíveis, que pode cair devido à crise em até 5% neste ano. 
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses nossa coluna traz uma singela homenagem a alguém que sempre contribui com o agronegócio e com a cana. Neste mês o homenageado é o Arnaldo Bortoletto, grande amigo, lutador da cana, e com outra excelente característica. Além de agrônomo formado na melhor escola do mundo, tem também três filhas!
Haja Limão: Qual o caminho? É preciso um profundo repensar do papel do Estado/Governo no Brasil, nas suas esferas federais, estaduais e municipais. Estas subtraem dos contribuintes uma taxa de impostos de primeiro mundo e entregam, em sua maioria e com honrosas exceções, um serviço de terceiro mundo. Foi apoderado, aparelhado em parte das suas instâncias por gente de duvidosa qualificação e baixa propensão ao trabalho, além de alta capacidade de subtrair os recursos dos contribuintes de formas escusas, via privilégios absurdos e corrupção fora de qualquer limite já visto. O resultado está ai: uma estrutura apodrecida. Precisamos dar um "reset" e começar uma nova configuração do Estado no Brasil, com profundos cortes. O duro é como fazer isto num Estado cada vez mais gigante, mais se auto-protegendo da fúria dos contribuintes, tentando atacar os contribuintes com mais facadas, como a absurda tentativa da volta da CPMF e numa democracia em deterioração, praticamente sem líderes e com a maior crise econômica, política e institucional dos últimos anos. Em 25 anos de vida profissional, nunca vi uma coisa tão largada, tão sem esperança. Eu sinceramente, não sei qual o caminho.
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires. 
O que acontece com nosso agro?
 Na estimativa da primeira semana de fevereiro, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) coloca que a produção mundial de cereais no ciclo 2015/16 será de 2,531 bilhões de toneladas, 30,1 milhões abaixo do recorde de 2014/15. O consumo estimado é de 2,527 bilhões (0,8% a mais que em 14/15). Haverá uma redução de apenas cerca de 1 milhão de toneladas do alto volume de estoques existentes, permanecendo estável em cerca de 25% da produção. A safra 15/16 deve transacionar globalmente cerca de 368 milhões de toneladas de grãos. Portanto, sem eventos climáticos, os preços devem permanecer com pouca perspectiva de aumento. 
 Seu índice de preços de commodities caiu 1,9% em relação a dezembro de 2015 e está 16% menor que em janeiro de 2015. A oferta segue ampla e o nível de estoques confortável nos grãos, o que derruba também os preços dos óleos e das carnes. 
 E no Brasil, pelo levantamento da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) (02/16), teremos 210,3 mi. t. de grãos, o que equivale a 1,3% a mais que 14/15 (2,6 mi t. a mais). Soja deve aumentar 4,7 mi. t. Este acréscimo na soja, que teve 1,1 mi de hectares a mais de plantio, é o responsável pelo aumento de quase 600 mil ha na área cultivada no Brasil, em apenas um ano, roubando área principalmente do algodão e do milho. 
 A China deve continuar o vigoroso crescimento da importação de alimentos, mesmo crescendo menos, pois o plano quinquenal do Governo Chinês privilegia o consumo e a produção interna não acompanha este crescimento devido à pouca possibilidade de expansão dos recursos naturais (terra, água e qualidade do solo). Maiores importações permitirão inclusive preços mais convidativos ao consumo, ampliando ainda mais as quantidades demandadas. Boa perspectiva para nós.
 Fechamos as exportações de janeiro do agronegócio com uma ótima notícia. Os volumes embarcados cresceram 8,7% em relação a 2015. O valor foi menor, devido ao menor preço das commodities em geral, e caímos de US$ 5,64 bilhões para US$ 4,98 bilhões. Como as importações do agro caíram muito, de US$ 1,24 bi para 913 milhões, o saldo foi de US$ 4,07 bilhões. Em reais, muito mais recurso circulando pelo Brasil do agro!


O que acontece com nossa cana?
 Triste nota foi a relação do setor com o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) em 2015, que trouxe o menor comprometimento de valor dos últimos 10 anos (excetuando-se 2006). Apenas R$ 2,7 bilhões, 60% a menos que em 2014. A linha de estocagem que era para sair em maio, saiu muito tarde (em setembro apenas) e apenas R$ 20 milhões foram usados (1% do disponível). Caíram também os investimentos industriais (65%) e agrícolas (53%), tendo tido pequeno aumento apenas em cogeração. E com isto, a geração futura de valor fica comprometida, como praticamente em todas as áreas do Brasil.
 Interessante ver a estrutura portuária da Copersucar trabalhando cada vez mais com grãos em complemento ao açúcar. Este é o jogo mundial da eficiência, melhor uso dos ativos, que permite com que os custos médios de operação caiam, tornando toda a estrutura mais eficiente. Eficiência e boa gestão financeira na cana são dogmas!
 Estimativas iniciais apontam para 43% da safra de 620 mi. t de cana dedicadas ao açúcar, contra 41,8% em 2015/16. Isto me preocupa pois pode trazer rentabilidade maior no curto prazo, mas comprime os preços internacionais do açúcar. 


O que acontece com nosso açúcar?
 Estima-se que as usinas já tenham vendido cerca de 60% do açúcar que será exportado no ciclo 16/17 (1 de abril de 2016 a 31 de março de 2017). Isto seria algo próximo a 15,6 mi. t. das esperadas 26 mi. t. a serem exportadas neste ano safra, onde colocaríamos 2 mi. t. a mais no mercado internacional. Isto tranquiliza um pouco num momento onde os preços caíram mais de 10%, principalmente devido a anúncios de maior safra no Centro-Sul (Copersucar estimou em 625 mi. t.) O preço não caiu para quem fixou bem. 
 China bate recorde de importações em 2015: 4,5 mi. t. Porém, uma autoridade do Ministério da Agricultura da China disse que eles estimam em 1 milhão de toneladas o total de açúcar que entra contrabandeado neste país, principalmente pelas fronteiras com Vietnã e Mianmar. Neste caso então as importações chinesas seriam de pelo menos 5,5 mi. t.
 Analistas acreditam que o ciclo 16/17 terá uma cotação média de 14 cents/libra peso, o que permitirá retorno para as usinas mais eficientes e não incentivará a produção internacional, principalmente nos países que não tiveram a desvalorização observada no real. 
 Será um ano de alta volatilidade nos preços do açúcar, o que realça a necessidade de excelente estratégia comercial. Pode tranquilamente flutuar entre 11 e 16 cents/libra peso. 
 Preços caíram bastante desde o início do ano pois acredita-se numa produção de açúcar maior no Brasil, podendo passar de 34 mi. t. e na União Europeia (22% de aumento, para 17 mi. t). Esta vai contra todas as forças de mercado e segue aumentando a produção de maneira artificialmente subsidiada. Este acréscimo poderia levar o mercado ao equilíbrio novamente, daí a importância do Brasil jogar com a possibilidade de direcionar mais cana para o hidratado e mudar esta conversa. 
 A Kingsman acredita que a produção no Centro-Sul passe de 35 mi. t., contra sua última previsão que foi de 32,94 mi. t. prevê ATR de 134,5 kg/ton. mantém uma previsão de déficit de 4,86 mi. t. para o mundo na safra 15/16 (termina em 30 de setembro, com produção de 177,087 mi. t. e consumo de 181,94 mi. t.).
 Espera-se uma produção entre 25 e 26 mi. t. na Índia nesta safra (outubro a setembro), contra 28,3 mi. t. na safra anterior (14/15). 
 No mercado interno, os preços em janeiro permaneceram acima de R$ 80/sc 50 kg, o que traz um bom retorno.
 Outra boa notícia é o preço do frete de Santos a Taiwan, medido pela FCStone. Em janeiro estava em US$ 18,14/t, 77% abaixo do valor de início de 2014. Isto graças aos efeitos do petróleo mais barato e desaceleração da taxa de crescimento da economia chinesa. Eleva nossa competitividade na China vis a vis o açúcar da Tailândia.


O que acontece com nosso etanol?
 Os dados de 2015 apontam para recorde na venda de hidratado. Foram vendidos pelas distribuidoras aos postos o volume de 17,8 bi. de litros. A maior venda foi alcançada em 2009, com 16,47 bi. l. Consumimos em 2015 ao redor de 37,5% a mais que 2014. Segundo a ANP a gasolina caiu para 41,137 bi. l., quase 7,2% a menos que 2014. Considerando-se a adição de 27% de anidro na gasolina, chega-se a um consumo de 28,8 bi. l.  
 Apenas o estado de SP representou 53% do consumo de etanol no Brasil. Mesmo em dezembro, as vendas foram de 1,509 bi. l. 
 Na avaliação do CEO da Bunge em recente conferência em Dubai, este acredita que a demanda por etanol aumentará 40% até 2025, o que daria cerca de 200 mi. t. de cana a mais. Acredita na expansão da produção, mas aquém da velocidade da demanda. A empresa trabalha como meta de ter custo do açúcar ao redor de 10 cents/libra peso.
 O Brasil possui hoje 4 usinas que podem moer cana e milho, com capacidade para produzir 75 milhões de litros de etanol a partir do grão. 
 Em mais uma das boas notícias que sopram da Argentina, o Presidente Macri anunciou o aumento da adição de anidro na gasolina, dos atuais 10 para 12% a partir de abril. A meta é atingir 15%. Apenas o etanol de cana poderá ser usado. Este aumento representa 160.000 m³.
 O consumo de gasolina nos EUA deve aumentar com os preços baixos na bomba, e isto deve puxar o consumo de etanol. No caso do milho, estimam usar em 2016 aproximadamente 132 milhões de toneladas para misturar à gasolina (via etanol), e com este aumento do consumo, devem usar 600.000 toneladas a mais. 
 No Brasil temos que acompanhar o efeito dos preços mais altos no consumo de etanol. Em São Paulo já está acima dos 70%. É provável que a demanda em janeiro recue para 1,2 bi. l. e também caia em fevereiro. Em São Paulo o etanol subiu ao consumidor quase 40% e na usina os preços estão 50% maiores. Outro fato a ser observado é no consumo geral de combustíveis, que pode cair devido à crise em até 5% neste ano. 


Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses nossa coluna traz uma singela homenagem a alguém que sempre contribui com o agronegócio e com a cana. Neste mês o homenageado é o Arnaldo Bortoletto, grande amigo, lutador da cana, e com outra excelente característica. Além de agrônomo formado na melhor escola do mundo, tem também três filhas!


Haja Limão
: Qual o caminho? É preciso um profundo repensar do papel do Estado/Governo no Brasil, nas suas esferas federais, estaduais e municipais. Estas subtraem dos contribuintes uma taxa de impostos de primeiro mundo e entregam, em sua maioria e com honrosas exceções, um serviço de terceiro mundo. Foi apoderado, aparelhado em parte das suas instâncias por gente de duvidosa qualificação e baixa propensão ao trabalho, além de alta capacidade de subtrair os recursos dos contribuintes de formas escusas, via privilégios absurdos e corrupção fora de qualquer limite já visto. O resultado está ai: uma estrutura apodrecida. Precisamos dar um "reset" e começar uma nova configuração do Estado no Brasil, com profundos cortes. O duro é como fazer isto num Estado cada vez mais gigante, mais se auto-protegendo da fúria dos contribuintes, tentando atacar os contribuintes com mais facadas, como a absurda tentativa da volta da CPMF e numa democracia em deterioração, praticamente sem líderes e com a maior crise econômica, política e institucional dos últimos anos. Em 25 anos de vida profissional, nunca vi uma coisa tão largada, tão sem esperança. Eu sinceramente, não sei qual o caminho.
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires. 

Homenageado do mês: Arnaldo Bortoletto