Marcos Fava Neves

Economista

Marcos

Fava Neves

professor titular de planejamento e estratégia na FEA/USP Campus Ribeirão Preto e coordenador científico do Markestrat.

revistacanavieiros@revistacanavieiros.com.br

São as águas de junho fechando o verão e trazendo o açúcar para perto do vintão

 
19/07/2016

O que acontece com nosso agro?
  Pois é... Algo que, de certa forma, acertei aqui no nosso espaço era uma possível reação dos preços das commodities. Uma ligeira tosse na oferta fez com que tivéssemos altas expressivas no açúcar, na soja, no milho, no suco de laranja. O café e o algodão subiram um pouco menos. Apenas trigo e cacau não estão recuperando. Índice de preços da FAO em junho atinge o maior nível desde outubro de 2015 e cresceu 2,2% em relação a maio. Recuperação de preços!
 Soja e milho têm pela frente um semestre interessante, pois os preços computam safras gigantes nos EUA (em andamento) e com quaisquer problemas climáticos podemos ter altas expressivas, a se acompanhar. Será nervoso.
 Outra notícia boa que vem dos EUA é em relação à política para o etanol. A nova meta proposta pela EPA (Environmental Protection  Agency) eleva em 700 milhões de galões o consumo para 2017 (sempre comparando com 2016). Destes, 300 milhões são para o milho (chegando já em 99% do autorizado máximo de 15 bilhões de galões) e 400 milhões para a categoria onde se enquadra o etanol de cana. Também há crescimentos para o biodiesel e para o etanol celulósico, bem menores. Ou seja, estímulo para a agricultura gerar mais produção de biocombustível. 
O que acontece com nossa cana?
 Termino esta coluna (08/06) debaixo de chuva em Ribeirão Preto. Não me lembro de ter um junho com este volume de água concentrado em tão pouco tempo. Está atrapalhando a colheita e os embarques no porto e fez os preços do açúcar  tocarem os 20 cents/libra peso em alguns momentos. Quem diria... 
 Ainda bem que a safra vinha com grande rendimento. Na primeira quinzena de maio, processou-se 38% a mais que no mesmo período do ano anterior.  Desde o início da safra até a primeira quinzena de maio, haviam sido processados 108,5 milhões de toneladas, um crescimento de 57,7% em relação a 2015. Foram produzidos 5,3 milhões de toneladas de açúcar, 98,5% a mais que 2015, e 4,4 bilhões de litros de etanol, quase 50% a mais. Cerca de 57,2% da cana foi para etanol.
 Esta vantagem no processamento em relação à safra 2015/16 foi fortemente corroída na segunda quinzena de maio e primeira de junho, devido à incrível intensidade de chuvas. E as previsões davam inverno seco...
 São Martinho encerra a safra 2015/16 com receita 20% maior, de R$ 2,8 bilhões, e lucro líquido de R$ 194,3 milhões. Boa operação, boa gestão comercial e boa agrícola trazem resultados.
O que acontece com nosso açúcar?
 Conseguimos 170% a mais de exportações nos dois primeiros meses da safra 2016/2017.  A exportação no final de maio voltou a remunerar mais que o mercado interno, o que é um bom sinal para escoamento de produtos e de cana. 
 Datagro prevê aumentarmos em 12,5% nossas exportações nesta safra, chegando a 27 milhões de toneladas. 
 Devido ao El Niño, produção da Tailândia deve cair 14% na safra 2015/16 (ficará em 9,5 milhões de toneladas). Produção na Índia deve cair também 10%.
 Mercado interno permanece com preços médios de R$ 76/saca.
 União Europeia tem chances de abrir o mercado para importação de mais 300 mil toneladas de açúcar, para evitar escassez e possível alta de preços devido aos problemas de clima na Ásia. O Brasil tem autorização para exportar 600 mil toneladas/ ano (OMC).
 Há receio de queda dos preços após 2017, devido a um provável estímulo à produção trazido por preços maiores em 2016, os subsídios dados na Tailândia e Índia para aumento da produção e o aumento da produção europeia. 
 O consumo mundial é de 180 milhões de toneladas; destas, cerca de 50 milhões são importadas por parte destes consumidores. Este é o volume transacionado mundialmente. 
 As chuvas de maio e junho estão atrasando os embarques. Existia um milhão de toneladas de atraso em Santos na primeira quinzena de junho. Isso também aumenta os custos portuários e dos navios (multas diárias podem chegar a US$ 20 mil). 
 A trading OLAM (em entrevista do chefe de operações de açúcar) estima o déficit de 2016/17 (outubro a setembro) em 7 milhões de toneladas. Acreditam-se em preços acima dos 20 cents/libra peso. Credita-se parte importante do déficit à questão climática da Índia, que perdeu quase 10% da produção. Há expectativa em relação às próximas monções; se forem fracas, a produção pode cair para 20 milhões de toneladas. Para a OLAM, a Tailândia deve produzir 10 milhões de toneladas, e a União Europeia cerca de 15,5 milhões de toneladas, colocando 2,5 milhões no mercado internacional. 
 A Archer Consulting estima que 80% do açúcar que será exportado no ciclo 2016/17 pelas usinas brasileiras já foi fixado a um preço de R$ 1.219/tonelada. O preço médio foi de 14,11 cents, sensivelmente abaixo dos praticados em 08/06 (19 cents/libra peso), mas o câmbio, por outro lado, foi de R$ 3,76, também melhor que o de quando terminei esta coluna, em 08/06 (R$ 3,45).
O que acontece com nosso etanol?
 Preços do hidratado vêm subindo nas Usinas, já se aproximando de R$ 1,50/l. É o reflexo da chuva e do grande aumento no preço do açúcar. Deve se firmar. 
 Mesmo um consumo de hidratado mais baixo que o verificado no ano anterior tem sustentado os preços, devido a um problema da oferta menor.
 Segundo estudo feito por Alfred Szwarc, consultor da UNICA, cerca de 352 milhões de toneladas de CO2 deixaram de ser lançadas no ar, graças ao uso do etanol, desde 2003. Este volume é maior que as emissões feitas em 2014 por Argentina (190 milhões t), Peru (53,1 milhões t), Equador (35,7 milhões t), Uruguai (7,8 milhões t) e Paraguai (5,3 milhões t). 
 Outra boa notícia para o etanol é a presença de Pedro Parente na Presidência da Petrobrás, por ser uma pessoa com grande conhecimento do setor sucroenergético.
 Volto a comentar com o leitor da nossa Caipirinha... produção de cana estagnada em 620 milhões de toneladas, usinas operando no limite das suas capacidades, safra mais açucareira neste e no próximo ano, estrutura de importação de petróleo e gasolina no limite, investimentos da Petrobrás caindo, preço do petróleo voltando a US$ 50 o barril, com viés de alta, e mais 2 milhões de novos carros flex no mercado... Levanto a lebre do grave problema de abastecimento de combustíveis no Brasil ainda neste ano (se bem que aliviado pela crise), mas, com certeza, nos próximos anos, se retomarmos o crescimento econômico. Este problema de abastecimento terá que ser regulado via preços mais altos, quando poderia ser regulado com choque de oferta de mais 40 a 50 novas usinas, tendo sido feitas desde 2008. Perdemos todos!
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses, nossa coluna traz uma singela homenagem a alguém que sempre contribui com o agronegócio e com a cana. Neste mês, o homenageado é o Prof. Dr. Hugo Ghelfi Filho, do Depto. de Engenharia da ESALQ, que faleceu em maio. Uma grande pessoa com uma vida completa dedicada à educação e à formação de milhares de Engenheiros Agrônomos, muitos labutando na cana-de-açúcar. Siga em paz, Professor Hugo, cumprindo missão vitoriosa.
Haja Limão
  O Governo Michel Temer começa muito bem na economia, com um time de craques – e isso importa muito –, e também nas estatais, colocando gente que terá que fazer uma verdadeira assepsia, como é o caso de Pedro Parente na Petrobras. Recebi esta mensagem, que replico na íntegra: “A gigante Saudi Aramco, da Arábia Saudita, a maior petrolífera do mundo, produz um de cada oito barris de petróleo do planeta, está avaliada em R$ 6,5 trilhões e tem 65 mil funcionários. A Petrobras, que nem chega perto da Aramco em produção de petróleo, está avaliada no mercado em cerca de R$ 60 bilhões, se tanto, e paga salários a 249 mil pessoas, das quais 84 mil são concursadas e 165 mil terceirizadas. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder. A Shell, a Exxon e a British Petroleum, outras gigantes do petróleo, empregam juntas 262.000 pessoas, 13 mil a menos que a Petrobras. Pedro Parente terá um baita desafio: a Petrobras opera 7 mil postos no mundo; a Shell tem 44 mil, mas lucra trinta vezes mais. Mesmo depois de cortar 30 mil funcionários e colocar mais 12 mil na fila da demissão voluntária, a Petrobras ainda tem 84 mil concursados”.
 Para terminar, com desemprego oficial passando de 11,2%, a pior taxa da série histórica, vem uma coisa interessante: quem diria... Coube justamente ao PT, o Partido dos Trabalhadores (que, na minha visão, deveria ser chamado de Partido dos Sindicalistas dos Trabalhadores), promover a maior destruição de trabalho já vista na história deste país. O PT destrói o T. E aquele senador do Rio de Janeiro, ex-presidente da UNE, acredita que isso já é fruto do Governo Temer... Haja limão.
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Câmpus de Ribeirão Preto.
Em 2013, foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires e Membro do Conselho da Orplana.
O que acontece com nosso agro?
  Pois é... Algo que, de certa forma, acertei aqui no nosso espaço era uma possível reação dos preços das commodities. Uma ligeira tosse na oferta fez com que tivéssemos altas expressivas no açúcar, na soja, no milho, no suco de laranja. O café e o algodão subiram um pouco menos. Apenas trigo e cacau não estão recuperando. Índice de preços da FAO em junho atinge o maior nível desde outubro de 2015 e cresceu 2,2% em relação a maio. Recuperação de preços!
 Soja e milho têm pela frente um semestre interessante, pois os preços computam safras gigantes nos EUA (em andamento) e com quaisquer problemas climáticos podemos ter altas expressivas, a se acompanhar. Será nervoso.
 Outra notícia boa que vem dos EUA é em relação à política para o etanol. A nova meta proposta pela EPA (Environmental Protection  Agency) eleva em 700 milhões de galões o consumo para 2017 (sempre comparando com 2016). Destes, 300 milhões são para o milho (chegando já em 99% do autorizado máximo de 15 bilhões de galões) e 400 milhões para a categoria onde se enquadra o etanol de cana. Também há crescimentos para o biodiesel e para o etanol celulósico, bem menores. Ou seja, estímulo para a agricultura gerar mais produção de biocombustível. 
O que acontece com nossa cana?
 Termino esta coluna (08/06) debaixo de chuva em Ribeirão Preto. Não me lembro de ter um junho com este volume de água concentrado em tão pouco tempo. Está atrapalhando a colheita e os embarques no porto e fez os preços do açúcar  tocarem os 20 cents/libra peso em alguns momentos. Quem diria... 
 Ainda bem que a safra vinha com grande rendimento. Na primeira quinzena de maio, processou-se 38% a mais que no mesmo período do ano anterior.  Desde o início da safra até a primeira quinzena de maio, haviam sido processados 108,5 milhões de toneladas, um crescimento de 57,7% em relação a 2015. Foram produzidos 5,3 milhões de toneladas de açúcar, 98,5% a mais que 2015, e 4,4 bilhões de litros de etanol, quase 50% a mais. Cerca de 57,2% da cana foi para etanol.
 Esta vantagem no processamento em relação à safra 2015/16 foi fortemente corroída na segunda quinzena de maio e primeira de junho, devido à incrível intensidade de chuvas. E as previsões davam inverno seco...
 São Martinho encerra a safra 2015/16 com receita 20% maior, de R$ 2,8 bilhões, e lucro líquido de R$ 194,3 milhões. Boa operação, boa gestão comercial e boa agrícola trazem resultados.
O que acontece com nosso açúcar?
 Conseguimos 170% a mais de exportações nos dois primeiros meses da safra 2016/2017.  A exportação no final de maio voltou a remunerar mais que o mercado interno, o que é um bom sinal para escoamento de produtos e de cana. 
 Datagro prevê aumentarmos em 12,5% nossas exportações nesta safra, chegando a 27 milhões de toneladas. 
 Devido ao El Niño, produção da Tailândia deve cair 14% na safra 2015/16 (ficará em 9,5 milhões de toneladas). Produção na Índia deve cair também 10%.
 Mercado interno permanece com preços médios de R$ 76/saca.
 União Europeia tem chances de abrir o mercado para importação de mais 300 mil toneladas de açúcar, para evitar escassez e possível alta de preços devido aos problemas de clima na Ásia. O Brasil tem autorização para exportar 600 mil toneladas/ ano (OMC).
 Há receio de queda dos preços após 2017, devido a um provável estímulo à produção trazido por preços maiores em 2016, os subsídios dados na Tailândia e Índia para aumento da produção e o aumento da produção europeia. 
 O consumo mundial é de 180 milhões de toneladas; destas, cerca de 50 milhões são importadas por parte destes consumidores. Este é o volume transacionado mundialmente. 
 As chuvas de maio e junho estão atrasando os embarques. Existia um milhão de toneladas de atraso em Santos na primeira quinzena de junho. Isso também aumenta os custos portuários e dos navios (multas diárias podem chegar a US$ 20 mil). 
 A trading OLAM (em entrevista do chefe de operações de açúcar) estima o déficit de 2016/17 (outubro a setembro) em 7 milhões de toneladas. Acreditam-se em preços acima dos 20 cents/libra peso. Credita-se parte importante do déficit à questão climática da Índia, que perdeu quase 10% da produção. Há expectativa em relação às próximas monções; se forem fracas, a produção pode cair para 20 milhões de toneladas. Para a OLAM, a Tailândia deve produzir 10 milhões de toneladas, e a União Europeia cerca de 15,5 milhões de toneladas, colocando 2,5 milhões no mercado internacional. 
 A Archer Consulting estima que 80% do açúcar que será exportado no ciclo 2016/17 pelas usinas brasileiras já foi fixado a um preço de R$ 1.219/tonelada. O preço médio foi de 14,11 cents, sensivelmente abaixo dos praticados em 08/06 (19 cents/libra peso), mas o câmbio, por outro lado, foi de R$ 3,76, também melhor que o de quando terminei esta coluna, em 08/06 (R$ 3,45).
O que acontece com nosso etanol?
 Preços do hidratado vêm subindo nas Usinas, já se aproximando de R$ 1,50/l. É o reflexo da chuva e do grande aumento no preço do açúcar. Deve se firmar. 
 Mesmo um consumo de hidratado mais baixo que o verificado no ano anterior tem sustentado os preços, devido a um problema da oferta menor.
 Segundo estudo feito por Alfred Szwarc, consultor da UNICA, cerca de 352 milhões de toneladas de CO2 deixaram de ser lançadas no ar, graças ao uso do etanol, desde 2003. Este volume é maior que as emissões feitas em 2014 por Argentina (190 milhões t), Peru (53,1 milhões t), Equador (35,7 milhões t), Uruguai (7,8 milhões t) e Paraguai (5,3 milhões t). 
 Outra boa notícia para o etanol é a presença de Pedro Parente na Presidência da Petrobrás, por ser uma pessoa com grande conhecimento do setor sucroenergético.
 Volto a comentar com o leitor da nossa Caipirinha... produção de cana estagnada em 620 milhões de toneladas, usinas operando no limite das suas capacidades, safra mais açucareira neste e no próximo ano, estrutura de importação de petróleo e gasolina no limite, investimentos da Petrobrás caindo, preço do petróleo voltando a US$ 50 o barril, com viés de alta, e mais 2 milhões de novos carros flex no mercado... Levanto a lebre do grave problema de abastecimento de combustíveis no Brasil ainda neste ano (se bem que aliviado pela crise), mas, com certeza, nos próximos anos, se retomarmos o crescimento econômico. Este problema de abastecimento terá que ser regulado via preços mais altos, quando poderia ser regulado com choque de oferta de mais 40 a 50 novas usinas, tendo sido feitas desde 2008. Perdemos todos!
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses, nossa coluna traz uma singela homenagem a alguém que sempre contribui com o agronegócio e com a cana. Neste mês, o homenageado é o Prof. Dr. Hugo Ghelfi Filho, do Depto. de Engenharia da ESALQ, que faleceu em maio. Uma grande pessoa com uma vida completa dedicada à educação e à formação de milhares de Engenheiros Agrônomos, muitos labutando na cana-de-açúcar. Siga em paz, Professor Hugo, cumprindo missão vitoriosa.
Haja Limão
  O Governo Michel Temer começa muito bem na economia, com um time de craques – e isso importa muito –, e também nas estatais, colocando gente que terá que fazer uma verdadeira assepsia, como é o caso de Pedro Parente na Petrobras. Recebi esta mensagem, que replico na íntegra: “A gigante Saudi Aramco, da Arábia Saudita, a maior petrolífera do mundo, produz um de cada oito barris de petróleo do planeta, está avaliada em R$ 6,5 trilhões e tem 65 mil funcionários. A Petrobras, que nem chega perto da Aramco em produção de petróleo, está avaliada no mercado em cerca de R$ 60 bilhões, se tanto, e paga salários a 249 mil pessoas, das quais 84 mil são concursadas e 165 mil terceirizadas. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder. A Shell, a Exxon e a British Petroleum, outras gigantes do petróleo, empregam juntas 262.000 pessoas, 13 mil a menos que a Petrobras. Pedro Parente terá um baita desafio: a Petrobras opera 7 mil postos no mundo; a Shell tem 44 mil, mas lucra trinta vezes mais. Mesmo depois de cortar 30 mil funcionários e colocar mais 12 mil na fila da demissão voluntária, a Petrobras ainda tem 84 mil concursados”.
 Para terminar, com desemprego oficial passando de 11,2%, a pior taxa da série histórica, vem uma coisa interessante: quem diria... Coube justamente ao PT, o Partido dos Trabalhadores (que, na minha visão, deveria ser chamado de Partido dos Sindicalistas dos Trabalhadores), promover a maior destruição de trabalho já vista na história deste país. O PT destrói o T. E aquele senador do Rio de Janeiro, ex-presidente da UNE, acredita que isso já é fruto do Governo Temer... Haja limão.
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Câmpus de Ribeirão Preto.
Em 2013, foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires e Membro do Conselho da Orplana.

Fonte: Revista Canavieiros - ed. 120

São as águas de junho fechando o verão e trazendo o açúcar para perto do vintão

19/07/2016

O que acontece com nosso agro?
  Pois é... Algo que, de certa forma, acertei aqui no nosso espaço era uma possível reação dos preços das commodities. Uma ligeira tosse na oferta fez com que tivéssemos altas expressivas no açúcar, na soja, no milho, no suco de laranja. O café e o algodão subiram um pouco menos. Apenas trigo e cacau não estão recuperando. Índice de preços da FAO em junho atinge o maior nível desde outubro de 2015 e cresceu 2,2% em relação a maio. Recuperação de preços!
 Soja e milho têm pela frente um semestre interessante, pois os preços computam safras gigantes nos EUA (em andamento) e com quaisquer problemas climáticos podemos ter altas expressivas, a se acompanhar. Será nervoso.
 Outra notícia boa que vem dos EUA é em relação à política para o etanol. A nova meta proposta pela EPA (Environmental Protection  Agency) eleva em 700 milhões de galões o consumo para 2017 (sempre comparando com 2016). Destes, 300 milhões são para o milho (chegando já em 99% do autorizado máximo de 15 bilhões de galões) e 400 milhões para a categoria onde se enquadra o etanol de cana. Também há crescimentos para o biodiesel e para o etanol celulósico, bem menores. Ou seja, estímulo para a agricultura gerar mais produção de biocombustível. 
O que acontece com nossa cana?
 Termino esta coluna (08/06) debaixo de chuva em Ribeirão Preto. Não me lembro de ter um junho com este volume de água concentrado em tão pouco tempo. Está atrapalhando a colheita e os embarques no porto e fez os preços do açúcar  tocarem os 20 cents/libra peso em alguns momentos. Quem diria... 
 Ainda bem que a safra vinha com grande rendimento. Na primeira quinzena de maio, processou-se 38% a mais que no mesmo período do ano anterior.  Desde o início da safra até a primeira quinzena de maio, haviam sido processados 108,5 milhões de toneladas, um crescimento de 57,7% em relação a 2015. Foram produzidos 5,3 milhões de toneladas de açúcar, 98,5% a mais que 2015, e 4,4 bilhões de litros de etanol, quase 50% a mais. Cerca de 57,2% da cana foi para etanol.
 Esta vantagem no processamento em relação à safra 2015/16 foi fortemente corroída na segunda quinzena de maio e primeira de junho, devido à incrível intensidade de chuvas. E as previsões davam inverno seco...
 São Martinho encerra a safra 2015/16 com receita 20% maior, de R$ 2,8 bilhões, e lucro líquido de R$ 194,3 milhões. Boa operação, boa gestão comercial e boa agrícola trazem resultados.
O que acontece com nosso açúcar?
 Conseguimos 170% a mais de exportações nos dois primeiros meses da safra 2016/2017.  A exportação no final de maio voltou a remunerar mais que o mercado interno, o que é um bom sinal para escoamento de produtos e de cana. 
 Datagro prevê aumentarmos em 12,5% nossas exportações nesta safra, chegando a 27 milhões de toneladas. 
 Devido ao El Niño, produção da Tailândia deve cair 14% na safra 2015/16 (ficará em 9,5 milhões de toneladas). Produção na Índia deve cair também 10%.
 Mercado interno permanece com preços médios de R$ 76/saca.
 União Europeia tem chances de abrir o mercado para importação de mais 300 mil toneladas de açúcar, para evitar escassez e possível alta de preços devido aos problemas de clima na Ásia. O Brasil tem autorização para exportar 600 mil toneladas/ ano (OMC).
 Há receio de queda dos preços após 2017, devido a um provável estímulo à produção trazido por preços maiores em 2016, os subsídios dados na Tailândia e Índia para aumento da produção e o aumento da produção europeia. 
 O consumo mundial é de 180 milhões de toneladas; destas, cerca de 50 milhões são importadas por parte destes consumidores. Este é o volume transacionado mundialmente. 
 As chuvas de maio e junho estão atrasando os embarques. Existia um milhão de toneladas de atraso em Santos na primeira quinzena de junho. Isso também aumenta os custos portuários e dos navios (multas diárias podem chegar a US$ 20 mil). 
 A trading OLAM (em entrevista do chefe de operações de açúcar) estima o déficit de 2016/17 (outubro a setembro) em 7 milhões de toneladas. Acreditam-se em preços acima dos 20 cents/libra peso. Credita-se parte importante do déficit à questão climática da Índia, que perdeu quase 10% da produção. Há expectativa em relação às próximas monções; se forem fracas, a produção pode cair para 20 milhões de toneladas. Para a OLAM, a Tailândia deve produzir 10 milhões de toneladas, e a União Europeia cerca de 15,5 milhões de toneladas, colocando 2,5 milhões no mercado internacional. 
 A Archer Consulting estima que 80% do açúcar que será exportado no ciclo 2016/17 pelas usinas brasileiras já foi fixado a um preço de R$ 1.219/tonelada. O preço médio foi de 14,11 cents, sensivelmente abaixo dos praticados em 08/06 (19 cents/libra peso), mas o câmbio, por outro lado, foi de R$ 3,76, também melhor que o de quando terminei esta coluna, em 08/06 (R$ 3,45).
O que acontece com nosso etanol?
 Preços do hidratado vêm subindo nas Usinas, já se aproximando de R$ 1,50/l. É o reflexo da chuva e do grande aumento no preço do açúcar. Deve se firmar. 
 Mesmo um consumo de hidratado mais baixo que o verificado no ano anterior tem sustentado os preços, devido a um problema da oferta menor.
 Segundo estudo feito por Alfred Szwarc, consultor da UNICA, cerca de 352 milhões de toneladas de CO2 deixaram de ser lançadas no ar, graças ao uso do etanol, desde 2003. Este volume é maior que as emissões feitas em 2014 por Argentina (190 milhões t), Peru (53,1 milhões t), Equador (35,7 milhões t), Uruguai (7,8 milhões t) e Paraguai (5,3 milhões t). 
 Outra boa notícia para o etanol é a presença de Pedro Parente na Presidência da Petrobrás, por ser uma pessoa com grande conhecimento do setor sucroenergético.
 Volto a comentar com o leitor da nossa Caipirinha... produção de cana estagnada em 620 milhões de toneladas, usinas operando no limite das suas capacidades, safra mais açucareira neste e no próximo ano, estrutura de importação de petróleo e gasolina no limite, investimentos da Petrobrás caindo, preço do petróleo voltando a US$ 50 o barril, com viés de alta, e mais 2 milhões de novos carros flex no mercado... Levanto a lebre do grave problema de abastecimento de combustíveis no Brasil ainda neste ano (se bem que aliviado pela crise), mas, com certeza, nos próximos anos, se retomarmos o crescimento econômico. Este problema de abastecimento terá que ser regulado via preços mais altos, quando poderia ser regulado com choque de oferta de mais 40 a 50 novas usinas, tendo sido feitas desde 2008. Perdemos todos!
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses, nossa coluna traz uma singela homenagem a alguém que sempre contribui com o agronegócio e com a cana. Neste mês, o homenageado é o Prof. Dr. Hugo Ghelfi Filho, do Depto. de Engenharia da ESALQ, que faleceu em maio. Uma grande pessoa com uma vida completa dedicada à educação e à formação de milhares de Engenheiros Agrônomos, muitos labutando na cana-de-açúcar. Siga em paz, Professor Hugo, cumprindo missão vitoriosa.
Haja Limão
  O Governo Michel Temer começa muito bem na economia, com um time de craques – e isso importa muito –, e também nas estatais, colocando gente que terá que fazer uma verdadeira assepsia, como é o caso de Pedro Parente na Petrobras. Recebi esta mensagem, que replico na íntegra: “A gigante Saudi Aramco, da Arábia Saudita, a maior petrolífera do mundo, produz um de cada oito barris de petróleo do planeta, está avaliada em R$ 6,5 trilhões e tem 65 mil funcionários. A Petrobras, que nem chega perto da Aramco em produção de petróleo, está avaliada no mercado em cerca de R$ 60 bilhões, se tanto, e paga salários a 249 mil pessoas, das quais 84 mil são concursadas e 165 mil terceirizadas. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder. A Shell, a Exxon e a British Petroleum, outras gigantes do petróleo, empregam juntas 262.000 pessoas, 13 mil a menos que a Petrobras. Pedro Parente terá um baita desafio: a Petrobras opera 7 mil postos no mundo; a Shell tem 44 mil, mas lucra trinta vezes mais. Mesmo depois de cortar 30 mil funcionários e colocar mais 12 mil na fila da demissão voluntária, a Petrobras ainda tem 84 mil concursados”.
 Para terminar, com desemprego oficial passando de 11,2%, a pior taxa da série histórica, vem uma coisa interessante: quem diria... Coube justamente ao PT, o Partido dos Trabalhadores (que, na minha visão, deveria ser chamado de Partido dos Sindicalistas dos Trabalhadores), promover a maior destruição de trabalho já vista na história deste país. O PT destrói o T. E aquele senador do Rio de Janeiro, ex-presidente da UNE, acredita que isso já é fruto do Governo Temer... Haja limão.
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Câmpus de Ribeirão Preto.
Em 2013, foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires e Membro do Conselho da Orplana.
O que acontece com nosso agro?
  Pois é... Algo que, de certa forma, acertei aqui no nosso espaço era uma possível reação dos preços das commodities. Uma ligeira tosse na oferta fez com que tivéssemos altas expressivas no açúcar, na soja, no milho, no suco de laranja. O café e o algodão subiram um pouco menos. Apenas trigo e cacau não estão recuperando. Índice de preços da FAO em junho atinge o maior nível desde outubro de 2015 e cresceu 2,2% em relação a maio. Recuperação de preços!
 Soja e milho têm pela frente um semestre interessante, pois os preços computam safras gigantes nos EUA (em andamento) e com quaisquer problemas climáticos podemos ter altas expressivas, a se acompanhar. Será nervoso.
 Outra notícia boa que vem dos EUA é em relação à política para o etanol. A nova meta proposta pela EPA (Environmental Protection  Agency) eleva em 700 milhões de galões o consumo para 2017 (sempre comparando com 2016). Destes, 300 milhões são para o milho (chegando já em 99% do autorizado máximo de 15 bilhões de galões) e 400 milhões para a categoria onde se enquadra o etanol de cana. Também há crescimentos para o biodiesel e para o etanol celulósico, bem menores. Ou seja, estímulo para a agricultura gerar mais produção de biocombustível. 
O que acontece com nossa cana?
 Termino esta coluna (08/06) debaixo de chuva em Ribeirão Preto. Não me lembro de ter um junho com este volume de água concentrado em tão pouco tempo. Está atrapalhando a colheita e os embarques no porto e fez os preços do açúcar  tocarem os 20 cents/libra peso em alguns momentos. Quem diria... 
 Ainda bem que a safra vinha com grande rendimento. Na primeira quinzena de maio, processou-se 38% a mais que no mesmo período do ano anterior.  Desde o início da safra até a primeira quinzena de maio, haviam sido processados 108,5 milhões de toneladas, um crescimento de 57,7% em relação a 2015. Foram produzidos 5,3 milhões de toneladas de açúcar, 98,5% a mais que 2015, e 4,4 bilhões de litros de etanol, quase 50% a mais. Cerca de 57,2% da cana foi para etanol.
 Esta vantagem no processamento em relação à safra 2015/16 foi fortemente corroída na segunda quinzena de maio e primeira de junho, devido à incrível intensidade de chuvas. E as previsões davam inverno seco...
 São Martinho encerra a safra 2015/16 com receita 20% maior, de R$ 2,8 bilhões, e lucro líquido de R$ 194,3 milhões. Boa operação, boa gestão comercial e boa agrícola trazem resultados.
O que acontece com nosso açúcar?
 Conseguimos 170% a mais de exportações nos dois primeiros meses da safra 2016/2017.  A exportação no final de maio voltou a remunerar mais que o mercado interno, o que é um bom sinal para escoamento de produtos e de cana. 
 Datagro prevê aumentarmos em 12,5% nossas exportações nesta safra, chegando a 27 milhões de toneladas. 
 Devido ao El Niño, produção da Tailândia deve cair 14% na safra 2015/16 (ficará em 9,5 milhões de toneladas). Produção na Índia deve cair também 10%.
 Mercado interno permanece com preços médios de R$ 76/saca.
 União Europeia tem chances de abrir o mercado para importação de mais 300 mil toneladas de açúcar, para evitar escassez e possível alta de preços devido aos problemas de clima na Ásia. O Brasil tem autorização para exportar 600 mil toneladas/ ano (OMC).
 Há receio de queda dos preços após 2017, devido a um provável estímulo à produção trazido por preços maiores em 2016, os subsídios dados na Tailândia e Índia para aumento da produção e o aumento da produção europeia. 
 O consumo mundial é de 180 milhões de toneladas; destas, cerca de 50 milhões são importadas por parte destes consumidores. Este é o volume transacionado mundialmente. 
 As chuvas de maio e junho estão atrasando os embarques. Existia um milhão de toneladas de atraso em Santos na primeira quinzena de junho. Isso também aumenta os custos portuários e dos navios (multas diárias podem chegar a US$ 20 mil). 
 A trading OLAM (em entrevista do chefe de operações de açúcar) estima o déficit de 2016/17 (outubro a setembro) em 7 milhões de toneladas. Acreditam-se em preços acima dos 20 cents/libra peso. Credita-se parte importante do déficit à questão climática da Índia, que perdeu quase 10% da produção. Há expectativa em relação às próximas monções; se forem fracas, a produção pode cair para 20 milhões de toneladas. Para a OLAM, a Tailândia deve produzir 10 milhões de toneladas, e a União Europeia cerca de 15,5 milhões de toneladas, colocando 2,5 milhões no mercado internacional. 
 A Archer Consulting estima que 80% do açúcar que será exportado no ciclo 2016/17 pelas usinas brasileiras já foi fixado a um preço de R$ 1.219/tonelada. O preço médio foi de 14,11 cents, sensivelmente abaixo dos praticados em 08/06 (19 cents/libra peso), mas o câmbio, por outro lado, foi de R$ 3,76, também melhor que o de quando terminei esta coluna, em 08/06 (R$ 3,45).
O que acontece com nosso etanol?
 Preços do hidratado vêm subindo nas Usinas, já se aproximando de R$ 1,50/l. É o reflexo da chuva e do grande aumento no preço do açúcar. Deve se firmar. 
 Mesmo um consumo de hidratado mais baixo que o verificado no ano anterior tem sustentado os preços, devido a um problema da oferta menor.
 Segundo estudo feito por Alfred Szwarc, consultor da UNICA, cerca de 352 milhões de toneladas de CO2 deixaram de ser lançadas no ar, graças ao uso do etanol, desde 2003. Este volume é maior que as emissões feitas em 2014 por Argentina (190 milhões t), Peru (53,1 milhões t), Equador (35,7 milhões t), Uruguai (7,8 milhões t) e Paraguai (5,3 milhões t). 
 Outra boa notícia para o etanol é a presença de Pedro Parente na Presidência da Petrobrás, por ser uma pessoa com grande conhecimento do setor sucroenergético.
 Volto a comentar com o leitor da nossa Caipirinha... produção de cana estagnada em 620 milhões de toneladas, usinas operando no limite das suas capacidades, safra mais açucareira neste e no próximo ano, estrutura de importação de petróleo e gasolina no limite, investimentos da Petrobrás caindo, preço do petróleo voltando a US$ 50 o barril, com viés de alta, e mais 2 milhões de novos carros flex no mercado... Levanto a lebre do grave problema de abastecimento de combustíveis no Brasil ainda neste ano (se bem que aliviado pela crise), mas, com certeza, nos próximos anos, se retomarmos o crescimento econômico. Este problema de abastecimento terá que ser regulado via preços mais altos, quando poderia ser regulado com choque de oferta de mais 40 a 50 novas usinas, tendo sido feitas desde 2008. Perdemos todos!
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses, nossa coluna traz uma singela homenagem a alguém que sempre contribui com o agronegócio e com a cana. Neste mês, o homenageado é o Prof. Dr. Hugo Ghelfi Filho, do Depto. de Engenharia da ESALQ, que faleceu em maio. Uma grande pessoa com uma vida completa dedicada à educação e à formação de milhares de Engenheiros Agrônomos, muitos labutando na cana-de-açúcar. Siga em paz, Professor Hugo, cumprindo missão vitoriosa.
Haja Limão
  O Governo Michel Temer começa muito bem na economia, com um time de craques – e isso importa muito –, e também nas estatais, colocando gente que terá que fazer uma verdadeira assepsia, como é o caso de Pedro Parente na Petrobras. Recebi esta mensagem, que replico na íntegra: “A gigante Saudi Aramco, da Arábia Saudita, a maior petrolífera do mundo, produz um de cada oito barris de petróleo do planeta, está avaliada em R$ 6,5 trilhões e tem 65 mil funcionários. A Petrobras, que nem chega perto da Aramco em produção de petróleo, está avaliada no mercado em cerca de R$ 60 bilhões, se tanto, e paga salários a 249 mil pessoas, das quais 84 mil são concursadas e 165 mil terceirizadas. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder. A Shell, a Exxon e a British Petroleum, outras gigantes do petróleo, empregam juntas 262.000 pessoas, 13 mil a menos que a Petrobras. Pedro Parente terá um baita desafio: a Petrobras opera 7 mil postos no mundo; a Shell tem 44 mil, mas lucra trinta vezes mais. Mesmo depois de cortar 30 mil funcionários e colocar mais 12 mil na fila da demissão voluntária, a Petrobras ainda tem 84 mil concursados”.
 Para terminar, com desemprego oficial passando de 11,2%, a pior taxa da série histórica, vem uma coisa interessante: quem diria... Coube justamente ao PT, o Partido dos Trabalhadores (que, na minha visão, deveria ser chamado de Partido dos Sindicalistas dos Trabalhadores), promover a maior destruição de trabalho já vista na história deste país. O PT destrói o T. E aquele senador do Rio de Janeiro, ex-presidente da UNE, acredita que isso já é fruto do Governo Temer... Haja limão.
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Câmpus de Ribeirão Preto.
Em 2013, foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires e Membro do Conselho da Orplana.

Prof. Dr. Hugo Ghelfi Filho, do Depto. de Engenharia da ESALQ