Marcos Fava Neves

Economista

Marcos

Fava Neves

professor titular de planejamento e estratégia na FEA/USP Campus Ribeirão Preto e coordenador científico do Markestrat.

revistacanavieiros@revistacanavieiros.com.br

Uma das maiores incertezas já vistas neste país

 
07/10/2015

O que acontece com nosso agro?
 Em agosto, as exportações do agro caíram 17,4% em valor em relação ao mesmo período do ano passado. Preços menores das commodities exportadas não compensaram em alguns casos o aumento de volumes exportados e os incentivos do novo patamar cambial. De janeiro até agosto deste ano exportamos US$ 59,7 bilhões, quase 12% a menos que no ano anterior, porém, se pensarmos este valor em reais, significa grande acréscimo na renda local das exportações. 
 A queda no valor exportado não tira o brilho da safra 2014/15. Nossos produtores entregaram um recorde de 210 milhões de toneladas de grãos, produção pura para abastecer o Brasil que anda de marcha a ré. Em termos de área, estamos ocupando 57,6 milhões de hectares, quase 2% a mais que em 2014. E as perspectivas de plantio são promissoras para 2015/16. Se os preços mundiais em US$ menores refletirem em menor produção global, e houver alguma recuperação nos patamares de preços, podemos ter uma safra de boa rentabilidade aos nossos produtores
O que acontece com nossa cana?
 DATAGRO reviu sua projeção para esta safra (Centro-Sul) de 591 milhões de toneladas para quase 605 milhões de toneladas. Segundo a DATAGRO, a produção de açúcar passou de 30,7 para 31,4 milhões de toneladas e de etanol de 27,8 para 28,2 bilhões de litros. FCStone projeta 592,2 mi ton. Efeitos do clima, no geral, favorável.
 A projeção mais recente da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) indica que a safra brasileira de cana será de 655 milhões de toneladas, 3,2% acima das quase 635 milhões da safra anterior. Já o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indica uma safra total de 705 milhões de toneladas.  Interessante discrepância, típica de um país com estruturas duplicadas para fazerem a mesma coisa.
 Lamentavelmente o ProRenova e o programa de financiamento para estocagem de etanol estão com recursos atrasados, devendo comprometer seu uso nesta safra.
 Até o final de agosto, a moagem no Centro-Sul foi de 374,25 milhões de toneladas, enquanto que em 2014/15 estava em 372,69 mt. A UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) acredita, porém, que em São Paulo a moagem está 10 milhões de toneladas atrasada. Fica a questão que se as chuvas vierem em maior volume e frequência, se conseguiremos processar esta cana toda...
O que acontece com nosso açúcar?
 OIA (Organização Internacional do Açúcar) estima que a safra 2015/16 trará deficit de 2,49 milhões de toneladas. A princípio não impactam preços devido aos estoques elevados, mas é o primeiro deficit em cinco anos, o que nos mostra um sinal diferente, finalmente!!!
 Preços do açúcar em agosto foram os mais baixos dos últimos 7 anos... 10,5 cents por libra peso. Porém, houve ligeira recuperação em setembro, devido às chuvas no Brasil e a safra mais “etanoleira” (58,5% da cana até o momento).
 Até o final de agosto, a produção de açúcar no Centro-Sul estava 8,31% menor que a da safra anterior. A FCStone já reviu para baixo a produção 2,5% (acredita em 31,3 milhões de toneladas).  
 Para o CEPEA, na última semana de agosto, os preços de exportação estavam mais remuneradores (R$ 49,27) que os do mercado interno (R$ 47,07) por saca de 50 kg. O açúcar remunerou 24% a mais que o etanol anidro, e 31% a mais do que o hidratado nesta semana analisada. O problema aí é o baixo preço do hidratado. 
 Mesmo assim, nosso desempenho em agosto deixou a desejar. Exportamos 1,81 milhão de toneladas de açúcar, 23% a menos que julho e 21,5% a menos que o mesmo mês de 2014. As exportações foram de US$ 545 milhões, 25% a menos que julho e mais de 42% menores que os US$ 945 milhões que entraram em 2014.
 A Índia continua sem obedecer as regras de mercado e inunda o mundo com açúcar. Na safra 15/16, com quase 29 milhões de toneladas, a maior produção desde 2006. Fora isto, está com 10 milhões de toneladas de estoques. E terá mais apoio do Governo para exportar podendo pressionar os preços. 
 Não bastassem as inundações de açúcar no mundo, um analista de consultoria internacional coloca também o risco de Cuba, com a recuperação da indústria da cana, voltar a produzir e a exportar açúcar, podendo chegar a mais de 2 milhões de toneladas em 2020. 
 Interessante a paixão que o açúcar traz nestes países. Seguem aumentando a produção, com todo tipo de distorções.
O que acontece com nosso etanol?
 ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) acredita que o consumo de combustível cresce 0,1% em 2015. 
 Nos sete primeiros meses do ano o consumo chegou quase a 10 bilhões de litros, 40% acima de 2014
 Batemos o recorde mensal de consumo de hidratado em julho de 2015: 1,51 bilhão de litros (52,6% de crescimento em relação ao consumo de julho de 2014). O consumo de gasolina caiu 6,2%. 
 As usinas do Centro-Sul venderam em agosto 1,617 bilhão de litros de etanol hidratado, 43,8% acima de 2014. Já o anidro, segundo a UNICA, teve vendas de 862 milhões de litros (4,43% a mais que em 2014). 
 Preocupa a queda do consumo de diesel, de quase 5% em relação a julho de 2014.
 Minas Gerais apresenta crescimento de 118% em relação ao ano passado, graças à redução do ICMS (diferença de 15 pontos em relação à gasolina). De janeiro a julho consumiu-se quase 900 milhões de litros, contra 700 milhões do ano todo de 2014. Produz 1,8 bilhão de litros, e deve consumir toda sua produção neste ano, e até importar. 
 O etanol atingiu 24% do consumo dos carros de ciclo Otto, vejam o potencial existente!
 Em Goiás, as vendas de hidratado também estão aquecidas. Julho de 2015 teve crescimento de 37% em relação ao mesmo período de 2014. 
 Em 14/15 o Nordeste produziu 725 milhões de litros, e o consumo deve passar de 1 bilhão de litros neste ano, abrindo espaço no mercado. 
 Em julho exportamos 213 milhões de litros de etanol, e em agosto foram exportados 182 milhões de litros.  Podemos chegar a quase 1,5 bilhão de litros exportados nesta safra. Boa noticia são importações chinesas do etanol brasileiro, vindas das usinas da Noble/Cofco. Foram US$ 27 milhões no primeiro semestre, o que acende uma luz de esperança de um novo destino às exportações.
 Defasagem dos preços da gasolina no Brasil estava ao redor de 5%, o que diminui as chances de aumento de preços pela Petrobras. Já no caso do diesel, o preço no mercado interno está entre 20 a 30% acima do mercado internacional, justamente este combustível, que é usado fortemente pelas usinas na produção e pelo país, no transporte de cargas. 
 O elevado endividamento, aumento nas taxas de juros, redução de ratings e outras desgraças aumenta a necessidade das usinas em fazerem caixa e contamina, como sempre, o preço do etanol. Na primeira quinzena de agosto, a média do hidratado foi de R$ 1,17/l e do anidro R$ 1,33/l.
 O aumento do consumo de etanol ajudou a derrubar em 50% o valor de combustível importado pela Petrobras até julho, de US$ 12 bilhões. Mais um benefício do setor à sociedade.
 Falou-se muito numa volta da CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico) ao seu tamanho original, que elevaria os preços da gasolina em 50 a 60 centavos, dando ainda mais competitividade ao etanol, mas esta medida não foi encaminhada no pacote enviado ao Congresso. 
 O BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) aprovou a renovação do programa PASS, para financiamento de estoques de etanol. Uma dotação de R$ 2 milhões, com diversas restrições e taxas de juro mais elevadas, por considerar na equação 75% de referenciais de mercado. Mas creio ser boa estratégia, pois a produção de etanol hidratado até o final de agosto está 15,22% maior que no ano anterior, um total de 10,55 bilhões de litros, e a de anidro recuou 12,7% (6,09 bilhões de litros). 
 Com o alto consumo atual, aposto em recuperação de preços e bons resultados na entressafra.
 
O que acontece com nossa cogeração?
 Está em estudo no governo uma proposta de alteração na cobrança de encargos sobre a energia de biomassa de cana, para permitir que quando uma usina passe da produção de 30 MW, não tenha perda do desconto para uso da rede de distribuição e transmissão, incidindo o aumento apenas no volume que passar. O ideal seria retirar esta barreira e não cobrar esta tarifa.
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses temos um homenageado pelos serviços prestados à cana. Esta edição homenageia o André Rocha, do SIFAEG (Goiás). André tem feito relevante trabalho pelo setor, presidindo o Fórum Sucroenergético e atuando sempre politicamente visando aos interesses da cadeia da cana.  
Haja Limão: 
 Me motiva muito no Brasil a criatividade de alguns conterrâneos. Temos que tirar o chapéu, às vezes estamos tristes e alguém vem com uma pérola. Na área de estratégia e marketing merece muito crédito quando alguém cria uma figura, uma imagem que diz tudo, que comunica uma mensagem clara às massas pela sua simplicidade e verdade. O criador do boneco Pixuleco foi sensacional. Uma imagem que caracteriza e traduz, ipsis literis, o maior responsável, o grande artífice da deterioração econômica, institucional, social, moral e o que mais for, da sociedade brasileira. Quem me acompanha sabe que falo isto há pelo menos 10 anos, e naquela época, era meio solitário na fala. Hoje encontro um estádio lotado de vozes uníssonas, como o da foto abaixo. Ponto para mim pelo pioneirismo e coragem! 
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires. 
O que acontece com nosso agro?
 Em agosto, as exportações do agro caíram 17,4% em valor em relação ao mesmo período do ano passado. Preços menores das commodities exportadas não compensaram em alguns casos o aumento de volumes exportados e os incentivos do novo patamar cambial. De janeiro até agosto deste ano exportamos US$ 59,7 bilhões, quase 12% a menos que no ano anterior, porém, se pensarmos este valor em reais, significa grande acréscimo na renda local das exportações. 
 A queda no valor exportado não tira o brilho da safra 2014/15. Nossos produtores entregaram um recorde de 210 milhões de toneladas de grãos, produção pura para abastecer o Brasil que anda de marcha a ré. Em termos de área, estamos ocupando 57,6 milhões de hectares, quase 2% a mais que em 2014. E as perspectivas de plantio são promissoras para 2015/16. Se os preços mundiais em US$ menores refletirem em menor produção global, e houver alguma recuperação nos patamares de preços, podemos ter uma safra de boa rentabilidade aos nossos produtores
O que acontece com nossa cana?
 DATAGRO reviu sua projeção para esta safra (Centro-Sul) de 591 milhões de toneladas para quase 605 milhões de toneladas. Segundo a DATAGRO, a produção de açúcar passou de 30,7 para 31,4 milhões de toneladas e de etanol de 27,8 para 28,2 bilhões de litros. FCStone projeta 592,2 mi ton. Efeitos do clima, no geral, favorável.
 A projeção mais recente da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) indica que a safra brasileira de cana será de 655 milhões de toneladas, 3,2% acima das quase 635 milhões da safra anterior. Já o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indica uma safra total de 705 milhões de toneladas.  Interessante discrepância, típica de um país com estruturas duplicadas para fazerem a mesma coisa.
 Lamentavelmente o ProRenova e o programa de financiamento para estocagem de etanol estão com recursos atrasados, devendo comprometer seu uso nesta safra.
 Até o final de agosto, a moagem no Centro-Sul foi de 374,25 milhões de toneladas, enquanto que em 2014/15 estava em 372,69 mt. A UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) acredita, porém, que em São Paulo a moagem está 10 milhões de toneladas atrasada. Fica a questão que se as chuvas vierem em maior volume e frequência, se conseguiremos processar esta cana toda...
O que acontece com nosso açúcar?
 OIA (Organização Internacional do Açúcar) estima que a safra 2015/16 trará deficit de 2,49 milhões de toneladas. A princípio não impactam preços devido aos estoques elevados, mas é o primeiro deficit em cinco anos, o que nos mostra um sinal diferente, finalmente!!!
 Preços do açúcar em agosto foram os mais baixos dos últimos 7 anos... 10,5 cents por libra peso. Porém, houve ligeira recuperação em setembro, devido às chuvas no Brasil e a safra mais “etanoleira” (58,5% da cana até o momento).
 Até o final de agosto, a produção de açúcar no Centro-Sul estava 8,31% menor que a da safra anterior. A FCStone já reviu para baixo a produção 2,5% (acredita em 31,3 milhões de toneladas).  
 Para o CEPEA, na última semana de agosto, os preços de exportação estavam mais remuneradores (R$ 49,27) que os do mercado interno (R$ 47,07) por saca de 50 kg. O açúcar remunerou 24% a mais que o etanol anidro, e 31% a mais do que o hidratado nesta semana analisada. O problema aí é o baixo preço do hidratado. 
 Mesmo assim, nosso desempenho em agosto deixou a desejar. Exportamos 1,81 milhão de toneladas de açúcar, 23% a menos que julho e 21,5% a menos que o mesmo mês de 2014. As exportações foram de US$ 545 milhões, 25% a menos que julho e mais de 42% menores que os US$ 945 milhões que entraram em 2014.
 A Índia continua sem obedecer as regras de mercado e inunda o mundo com açúcar. Na safra 15/16, com quase 29 milhões de toneladas, a maior produção desde 2006. Fora isto, está com 10 milhões de toneladas de estoques. E terá mais apoio do Governo para exportar podendo pressionar os preços. 
 Não bastassem as inundações de açúcar no mundo, um analista de consultoria internacional coloca também o risco de Cuba, com a recuperação da indústria da cana, voltar a produzir e a exportar açúcar, podendo chegar a mais de 2 milhões de toneladas em 2020. 
 Interessante a paixão que o açúcar traz nestes países. Seguem aumentando a produção, com todo tipo de distorções.
O que acontece com nosso etanol?
 ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) acredita que o consumo de combustível cresce 0,1% em 2015. 
 Nos sete primeiros meses do ano o consumo chegou quase a 10 bilhões de litros, 40% acima de 2014
 Batemos o recorde mensal de consumo de hidratado em julho de 2015: 1,51 bilhão de litros (52,6% de crescimento em relação ao consumo de julho de 2014). O consumo de gasolina caiu 6,2%. 
 As usinas do Centro-Sul venderam em agosto 1,617 bilhão de litros de etanol hidratado, 43,8% acima de 2014. Já o anidro, segundo a UNICA, teve vendas de 862 milhões de litros (4,43% a mais que em 2014). 
 Preocupa a queda do consumo de diesel, de quase 5% em relação a julho de 2014.
 Minas Gerais apresenta crescimento de 118% em relação ao ano passado, graças à redução do ICMS (diferença de 15 pontos em relação à gasolina). De janeiro a julho consumiu-se quase 900 milhões de litros, contra 700 milhões do ano todo de 2014. Produz 1,8 bilhão de litros, e deve consumir toda sua produção neste ano, e até importar. 
 O etanol atingiu 24% do consumo dos carros de ciclo Otto, vejam o potencial existente!
 Em Goiás, as vendas de hidratado também estão aquecidas. Julho de 2015 teve crescimento de 37% em relação ao mesmo período de 2014. 
 Em 14/15 o Nordeste produziu 725 milhões de litros, e o consumo deve passar de 1 bilhão de litros neste ano, abrindo espaço no mercado. 
 Em julho exportamos 213 milhões de litros de etanol, e em agosto foram exportados 182 milhões de litros.  Podemos chegar a quase 1,5 bilhão de litros exportados nesta safra. Boa noticia são importações chinesas do etanol brasileiro, vindas das usinas da Noble/Cofco. Foram US$ 27 milhões no primeiro semestre, o que acende uma luz de esperança de um novo destino às exportações.
 Defasagem dos preços da gasolina no Brasil estava ao redor de 5%, o que diminui as chances de aumento de preços pela Petrobras. Já no caso do diesel, o preço no mercado interno está entre 20 a 30% acima do mercado internacional, justamente este combustível, que é usado fortemente pelas usinas na produção e pelo país, no transporte de cargas. 
 O elevado endividamento, aumento nas taxas de juros, redução de ratings e outras desgraças aumenta a necessidade das usinas em fazerem caixa e contamina, como sempre, o preço do etanol. Na primeira quinzena de agosto, a média do hidratado foi de R$ 1,17/l e do anidro R$ 1,33/l.
 O aumento do consumo de etanol ajudou a derrubar em 50% o valor de combustível importado pela Petrobras até julho, de US$ 12 bilhões. Mais um benefício do setor à sociedade.
 Falou-se muito numa volta da CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico) ao seu tamanho original, que elevaria os preços da gasolina em 50 a 60 centavos, dando ainda mais competitividade ao etanol, mas esta medida não foi encaminhada no pacote enviado ao Congresso. 
 O BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) aprovou a renovação do programa PASS, para financiamento de estoques de etanol. Uma dotação de R$ 2 milhões, com diversas restrições e taxas de juro mais elevadas, por considerar na equação 75% de referenciais de mercado. Mas creio ser boa estratégia, pois a produção de etanol hidratado até o final de agosto está 15,22% maior que no ano anterior, um total de 10,55 bilhões de litros, e a de anidro recuou 12,7% (6,09 bilhões de litros). 
 Com o alto consumo atual, aposto em recuperação de preços e bons resultados na entressafra.
 
O que acontece com nossa cogeração?
 Está em estudo no governo uma proposta de alteração na cobrança de encargos sobre a energia de biomassa de cana, para permitir que quando uma usina passe da produção de 30 MW, não tenha perda do desconto para uso da rede de distribuição e transmissão, incidindo o aumento apenas no volume que passar. O ideal seria retirar esta barreira e não cobrar esta tarifa.
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses temos um homenageado pelos serviços prestados à cana. Esta edição homenageia o André Rocha, do SIFAEG (Goiás). André tem feito relevante trabalho pelo setor, presidindo o Fórum Sucroenergético e atuando sempre politicamente visando aos interesses da cadeia da cana.  

Haja Limão: 
 Me motiva muito no Brasil a criatividade de alguns conterrâneos. Temos que tirar o chapéu, às vezes estamos tristes e alguém vem com uma pérola. Na área de estratégia e marketing merece muito crédito quando alguém cria uma figura, uma imagem que diz tudo, que comunica uma mensagem clara às massas pela sua simplicidade e verdade. O criador do boneco Pixuleco foi sensacional. Uma imagem que caracteriza e traduz, ipsis literis, o maior responsável, o grande artífice da deterioração econômica, institucional, social, moral e o que mais for, da sociedade brasileira. Quem me acompanha sabe que falo isto há pelo menos 10 anos, e naquela época, era meio solitário na fala. Hoje encontro um estádio lotado de vozes uníssonas, como o da foto abaixo. Ponto para mim pelo pioneirismo e coragem! 
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires. 

Uma das maiores incertezas já vistas neste país

07/10/2015

O que acontece com nosso agro?
 Em agosto, as exportações do agro caíram 17,4% em valor em relação ao mesmo período do ano passado. Preços menores das commodities exportadas não compensaram em alguns casos o aumento de volumes exportados e os incentivos do novo patamar cambial. De janeiro até agosto deste ano exportamos US$ 59,7 bilhões, quase 12% a menos que no ano anterior, porém, se pensarmos este valor em reais, significa grande acréscimo na renda local das exportações. 
 A queda no valor exportado não tira o brilho da safra 2014/15. Nossos produtores entregaram um recorde de 210 milhões de toneladas de grãos, produção pura para abastecer o Brasil que anda de marcha a ré. Em termos de área, estamos ocupando 57,6 milhões de hectares, quase 2% a mais que em 2014. E as perspectivas de plantio são promissoras para 2015/16. Se os preços mundiais em US$ menores refletirem em menor produção global, e houver alguma recuperação nos patamares de preços, podemos ter uma safra de boa rentabilidade aos nossos produtores
O que acontece com nossa cana?
 DATAGRO reviu sua projeção para esta safra (Centro-Sul) de 591 milhões de toneladas para quase 605 milhões de toneladas. Segundo a DATAGRO, a produção de açúcar passou de 30,7 para 31,4 milhões de toneladas e de etanol de 27,8 para 28,2 bilhões de litros. FCStone projeta 592,2 mi ton. Efeitos do clima, no geral, favorável.
 A projeção mais recente da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) indica que a safra brasileira de cana será de 655 milhões de toneladas, 3,2% acima das quase 635 milhões da safra anterior. Já o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indica uma safra total de 705 milhões de toneladas.  Interessante discrepância, típica de um país com estruturas duplicadas para fazerem a mesma coisa.
 Lamentavelmente o ProRenova e o programa de financiamento para estocagem de etanol estão com recursos atrasados, devendo comprometer seu uso nesta safra.
 Até o final de agosto, a moagem no Centro-Sul foi de 374,25 milhões de toneladas, enquanto que em 2014/15 estava em 372,69 mt. A UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) acredita, porém, que em São Paulo a moagem está 10 milhões de toneladas atrasada. Fica a questão que se as chuvas vierem em maior volume e frequência, se conseguiremos processar esta cana toda...
O que acontece com nosso açúcar?
 OIA (Organização Internacional do Açúcar) estima que a safra 2015/16 trará deficit de 2,49 milhões de toneladas. A princípio não impactam preços devido aos estoques elevados, mas é o primeiro deficit em cinco anos, o que nos mostra um sinal diferente, finalmente!!!
 Preços do açúcar em agosto foram os mais baixos dos últimos 7 anos... 10,5 cents por libra peso. Porém, houve ligeira recuperação em setembro, devido às chuvas no Brasil e a safra mais “etanoleira” (58,5% da cana até o momento).
 Até o final de agosto, a produção de açúcar no Centro-Sul estava 8,31% menor que a da safra anterior. A FCStone já reviu para baixo a produção 2,5% (acredita em 31,3 milhões de toneladas).  
 Para o CEPEA, na última semana de agosto, os preços de exportação estavam mais remuneradores (R$ 49,27) que os do mercado interno (R$ 47,07) por saca de 50 kg. O açúcar remunerou 24% a mais que o etanol anidro, e 31% a mais do que o hidratado nesta semana analisada. O problema aí é o baixo preço do hidratado. 
 Mesmo assim, nosso desempenho em agosto deixou a desejar. Exportamos 1,81 milhão de toneladas de açúcar, 23% a menos que julho e 21,5% a menos que o mesmo mês de 2014. As exportações foram de US$ 545 milhões, 25% a menos que julho e mais de 42% menores que os US$ 945 milhões que entraram em 2014.
 A Índia continua sem obedecer as regras de mercado e inunda o mundo com açúcar. Na safra 15/16, com quase 29 milhões de toneladas, a maior produção desde 2006. Fora isto, está com 10 milhões de toneladas de estoques. E terá mais apoio do Governo para exportar podendo pressionar os preços. 
 Não bastassem as inundações de açúcar no mundo, um analista de consultoria internacional coloca também o risco de Cuba, com a recuperação da indústria da cana, voltar a produzir e a exportar açúcar, podendo chegar a mais de 2 milhões de toneladas em 2020. 
 Interessante a paixão que o açúcar traz nestes países. Seguem aumentando a produção, com todo tipo de distorções.
O que acontece com nosso etanol?
 ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) acredita que o consumo de combustível cresce 0,1% em 2015. 
 Nos sete primeiros meses do ano o consumo chegou quase a 10 bilhões de litros, 40% acima de 2014
 Batemos o recorde mensal de consumo de hidratado em julho de 2015: 1,51 bilhão de litros (52,6% de crescimento em relação ao consumo de julho de 2014). O consumo de gasolina caiu 6,2%. 
 As usinas do Centro-Sul venderam em agosto 1,617 bilhão de litros de etanol hidratado, 43,8% acima de 2014. Já o anidro, segundo a UNICA, teve vendas de 862 milhões de litros (4,43% a mais que em 2014). 
 Preocupa a queda do consumo de diesel, de quase 5% em relação a julho de 2014.
 Minas Gerais apresenta crescimento de 118% em relação ao ano passado, graças à redução do ICMS (diferença de 15 pontos em relação à gasolina). De janeiro a julho consumiu-se quase 900 milhões de litros, contra 700 milhões do ano todo de 2014. Produz 1,8 bilhão de litros, e deve consumir toda sua produção neste ano, e até importar. 
 O etanol atingiu 24% do consumo dos carros de ciclo Otto, vejam o potencial existente!
 Em Goiás, as vendas de hidratado também estão aquecidas. Julho de 2015 teve crescimento de 37% em relação ao mesmo período de 2014. 
 Em 14/15 o Nordeste produziu 725 milhões de litros, e o consumo deve passar de 1 bilhão de litros neste ano, abrindo espaço no mercado. 
 Em julho exportamos 213 milhões de litros de etanol, e em agosto foram exportados 182 milhões de litros.  Podemos chegar a quase 1,5 bilhão de litros exportados nesta safra. Boa noticia são importações chinesas do etanol brasileiro, vindas das usinas da Noble/Cofco. Foram US$ 27 milhões no primeiro semestre, o que acende uma luz de esperança de um novo destino às exportações.
 Defasagem dos preços da gasolina no Brasil estava ao redor de 5%, o que diminui as chances de aumento de preços pela Petrobras. Já no caso do diesel, o preço no mercado interno está entre 20 a 30% acima do mercado internacional, justamente este combustível, que é usado fortemente pelas usinas na produção e pelo país, no transporte de cargas. 
 O elevado endividamento, aumento nas taxas de juros, redução de ratings e outras desgraças aumenta a necessidade das usinas em fazerem caixa e contamina, como sempre, o preço do etanol. Na primeira quinzena de agosto, a média do hidratado foi de R$ 1,17/l e do anidro R$ 1,33/l.
 O aumento do consumo de etanol ajudou a derrubar em 50% o valor de combustível importado pela Petrobras até julho, de US$ 12 bilhões. Mais um benefício do setor à sociedade.
 Falou-se muito numa volta da CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico) ao seu tamanho original, que elevaria os preços da gasolina em 50 a 60 centavos, dando ainda mais competitividade ao etanol, mas esta medida não foi encaminhada no pacote enviado ao Congresso. 
 O BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) aprovou a renovação do programa PASS, para financiamento de estoques de etanol. Uma dotação de R$ 2 milhões, com diversas restrições e taxas de juro mais elevadas, por considerar na equação 75% de referenciais de mercado. Mas creio ser boa estratégia, pois a produção de etanol hidratado até o final de agosto está 15,22% maior que no ano anterior, um total de 10,55 bilhões de litros, e a de anidro recuou 12,7% (6,09 bilhões de litros). 
 Com o alto consumo atual, aposto em recuperação de preços e bons resultados na entressafra.
 
O que acontece com nossa cogeração?
 Está em estudo no governo uma proposta de alteração na cobrança de encargos sobre a energia de biomassa de cana, para permitir que quando uma usina passe da produção de 30 MW, não tenha perda do desconto para uso da rede de distribuição e transmissão, incidindo o aumento apenas no volume que passar. O ideal seria retirar esta barreira e não cobrar esta tarifa.
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses temos um homenageado pelos serviços prestados à cana. Esta edição homenageia o André Rocha, do SIFAEG (Goiás). André tem feito relevante trabalho pelo setor, presidindo o Fórum Sucroenergético e atuando sempre politicamente visando aos interesses da cadeia da cana.  
Haja Limão: 
 Me motiva muito no Brasil a criatividade de alguns conterrâneos. Temos que tirar o chapéu, às vezes estamos tristes e alguém vem com uma pérola. Na área de estratégia e marketing merece muito crédito quando alguém cria uma figura, uma imagem que diz tudo, que comunica uma mensagem clara às massas pela sua simplicidade e verdade. O criador do boneco Pixuleco foi sensacional. Uma imagem que caracteriza e traduz, ipsis literis, o maior responsável, o grande artífice da deterioração econômica, institucional, social, moral e o que mais for, da sociedade brasileira. Quem me acompanha sabe que falo isto há pelo menos 10 anos, e naquela época, era meio solitário na fala. Hoje encontro um estádio lotado de vozes uníssonas, como o da foto abaixo. Ponto para mim pelo pioneirismo e coragem! 
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires. 
O que acontece com nosso agro?
 Em agosto, as exportações do agro caíram 17,4% em valor em relação ao mesmo período do ano passado. Preços menores das commodities exportadas não compensaram em alguns casos o aumento de volumes exportados e os incentivos do novo patamar cambial. De janeiro até agosto deste ano exportamos US$ 59,7 bilhões, quase 12% a menos que no ano anterior, porém, se pensarmos este valor em reais, significa grande acréscimo na renda local das exportações. 
 A queda no valor exportado não tira o brilho da safra 2014/15. Nossos produtores entregaram um recorde de 210 milhões de toneladas de grãos, produção pura para abastecer o Brasil que anda de marcha a ré. Em termos de área, estamos ocupando 57,6 milhões de hectares, quase 2% a mais que em 2014. E as perspectivas de plantio são promissoras para 2015/16. Se os preços mundiais em US$ menores refletirem em menor produção global, e houver alguma recuperação nos patamares de preços, podemos ter uma safra de boa rentabilidade aos nossos produtores
O que acontece com nossa cana?
 DATAGRO reviu sua projeção para esta safra (Centro-Sul) de 591 milhões de toneladas para quase 605 milhões de toneladas. Segundo a DATAGRO, a produção de açúcar passou de 30,7 para 31,4 milhões de toneladas e de etanol de 27,8 para 28,2 bilhões de litros. FCStone projeta 592,2 mi ton. Efeitos do clima, no geral, favorável.
 A projeção mais recente da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) indica que a safra brasileira de cana será de 655 milhões de toneladas, 3,2% acima das quase 635 milhões da safra anterior. Já o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indica uma safra total de 705 milhões de toneladas.  Interessante discrepância, típica de um país com estruturas duplicadas para fazerem a mesma coisa.
 Lamentavelmente o ProRenova e o programa de financiamento para estocagem de etanol estão com recursos atrasados, devendo comprometer seu uso nesta safra.
 Até o final de agosto, a moagem no Centro-Sul foi de 374,25 milhões de toneladas, enquanto que em 2014/15 estava em 372,69 mt. A UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) acredita, porém, que em São Paulo a moagem está 10 milhões de toneladas atrasada. Fica a questão que se as chuvas vierem em maior volume e frequência, se conseguiremos processar esta cana toda...
O que acontece com nosso açúcar?
 OIA (Organização Internacional do Açúcar) estima que a safra 2015/16 trará deficit de 2,49 milhões de toneladas. A princípio não impactam preços devido aos estoques elevados, mas é o primeiro deficit em cinco anos, o que nos mostra um sinal diferente, finalmente!!!
 Preços do açúcar em agosto foram os mais baixos dos últimos 7 anos... 10,5 cents por libra peso. Porém, houve ligeira recuperação em setembro, devido às chuvas no Brasil e a safra mais “etanoleira” (58,5% da cana até o momento).
 Até o final de agosto, a produção de açúcar no Centro-Sul estava 8,31% menor que a da safra anterior. A FCStone já reviu para baixo a produção 2,5% (acredita em 31,3 milhões de toneladas).  
 Para o CEPEA, na última semana de agosto, os preços de exportação estavam mais remuneradores (R$ 49,27) que os do mercado interno (R$ 47,07) por saca de 50 kg. O açúcar remunerou 24% a mais que o etanol anidro, e 31% a mais do que o hidratado nesta semana analisada. O problema aí é o baixo preço do hidratado. 
 Mesmo assim, nosso desempenho em agosto deixou a desejar. Exportamos 1,81 milhão de toneladas de açúcar, 23% a menos que julho e 21,5% a menos que o mesmo mês de 2014. As exportações foram de US$ 545 milhões, 25% a menos que julho e mais de 42% menores que os US$ 945 milhões que entraram em 2014.
 A Índia continua sem obedecer as regras de mercado e inunda o mundo com açúcar. Na safra 15/16, com quase 29 milhões de toneladas, a maior produção desde 2006. Fora isto, está com 10 milhões de toneladas de estoques. E terá mais apoio do Governo para exportar podendo pressionar os preços. 
 Não bastassem as inundações de açúcar no mundo, um analista de consultoria internacional coloca também o risco de Cuba, com a recuperação da indústria da cana, voltar a produzir e a exportar açúcar, podendo chegar a mais de 2 milhões de toneladas em 2020. 
 Interessante a paixão que o açúcar traz nestes países. Seguem aumentando a produção, com todo tipo de distorções.
O que acontece com nosso etanol?
 ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) acredita que o consumo de combustível cresce 0,1% em 2015. 
 Nos sete primeiros meses do ano o consumo chegou quase a 10 bilhões de litros, 40% acima de 2014
 Batemos o recorde mensal de consumo de hidratado em julho de 2015: 1,51 bilhão de litros (52,6% de crescimento em relação ao consumo de julho de 2014). O consumo de gasolina caiu 6,2%. 
 As usinas do Centro-Sul venderam em agosto 1,617 bilhão de litros de etanol hidratado, 43,8% acima de 2014. Já o anidro, segundo a UNICA, teve vendas de 862 milhões de litros (4,43% a mais que em 2014). 
 Preocupa a queda do consumo de diesel, de quase 5% em relação a julho de 2014.
 Minas Gerais apresenta crescimento de 118% em relação ao ano passado, graças à redução do ICMS (diferença de 15 pontos em relação à gasolina). De janeiro a julho consumiu-se quase 900 milhões de litros, contra 700 milhões do ano todo de 2014. Produz 1,8 bilhão de litros, e deve consumir toda sua produção neste ano, e até importar. 
 O etanol atingiu 24% do consumo dos carros de ciclo Otto, vejam o potencial existente!
 Em Goiás, as vendas de hidratado também estão aquecidas. Julho de 2015 teve crescimento de 37% em relação ao mesmo período de 2014. 
 Em 14/15 o Nordeste produziu 725 milhões de litros, e o consumo deve passar de 1 bilhão de litros neste ano, abrindo espaço no mercado. 
 Em julho exportamos 213 milhões de litros de etanol, e em agosto foram exportados 182 milhões de litros.  Podemos chegar a quase 1,5 bilhão de litros exportados nesta safra. Boa noticia são importações chinesas do etanol brasileiro, vindas das usinas da Noble/Cofco. Foram US$ 27 milhões no primeiro semestre, o que acende uma luz de esperança de um novo destino às exportações.
 Defasagem dos preços da gasolina no Brasil estava ao redor de 5%, o que diminui as chances de aumento de preços pela Petrobras. Já no caso do diesel, o preço no mercado interno está entre 20 a 30% acima do mercado internacional, justamente este combustível, que é usado fortemente pelas usinas na produção e pelo país, no transporte de cargas. 
 O elevado endividamento, aumento nas taxas de juros, redução de ratings e outras desgraças aumenta a necessidade das usinas em fazerem caixa e contamina, como sempre, o preço do etanol. Na primeira quinzena de agosto, a média do hidratado foi de R$ 1,17/l e do anidro R$ 1,33/l.
 O aumento do consumo de etanol ajudou a derrubar em 50% o valor de combustível importado pela Petrobras até julho, de US$ 12 bilhões. Mais um benefício do setor à sociedade.
 Falou-se muito numa volta da CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico) ao seu tamanho original, que elevaria os preços da gasolina em 50 a 60 centavos, dando ainda mais competitividade ao etanol, mas esta medida não foi encaminhada no pacote enviado ao Congresso. 
 O BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) aprovou a renovação do programa PASS, para financiamento de estoques de etanol. Uma dotação de R$ 2 milhões, com diversas restrições e taxas de juro mais elevadas, por considerar na equação 75% de referenciais de mercado. Mas creio ser boa estratégia, pois a produção de etanol hidratado até o final de agosto está 15,22% maior que no ano anterior, um total de 10,55 bilhões de litros, e a de anidro recuou 12,7% (6,09 bilhões de litros). 
 Com o alto consumo atual, aposto em recuperação de preços e bons resultados na entressafra.
 
O que acontece com nossa cogeração?
 Está em estudo no governo uma proposta de alteração na cobrança de encargos sobre a energia de biomassa de cana, para permitir que quando uma usina passe da produção de 30 MW, não tenha perda do desconto para uso da rede de distribuição e transmissão, incidindo o aumento apenas no volume que passar. O ideal seria retirar esta barreira e não cobrar esta tarifa.
Quem é o homenageado do mês? 
 Todos os meses temos um homenageado pelos serviços prestados à cana. Esta edição homenageia o André Rocha, do SIFAEG (Goiás). André tem feito relevante trabalho pelo setor, presidindo o Fórum Sucroenergético e atuando sempre politicamente visando aos interesses da cadeia da cana.  

Haja Limão: 
 Me motiva muito no Brasil a criatividade de alguns conterrâneos. Temos que tirar o chapéu, às vezes estamos tristes e alguém vem com uma pérola. Na área de estratégia e marketing merece muito crédito quando alguém cria uma figura, uma imagem que diz tudo, que comunica uma mensagem clara às massas pela sua simplicidade e verdade. O criador do boneco Pixuleco foi sensacional. Uma imagem que caracteriza e traduz, ipsis literis, o maior responsável, o grande artífice da deterioração econômica, institucional, social, moral e o que mais for, da sociedade brasileira. Quem me acompanha sabe que falo isto há pelo menos 10 anos, e naquela época, era meio solitário na fala. Hoje encontro um estádio lotado de vozes uníssonas, como o da foto abaixo. Ponto para mim pelo pioneirismo e coragem! 
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires.