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2050 – A Odisseia do agronegócio

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Agronegócio

29/12/2017

Por: Marino Guerra

Não há dúvida que chegar em 2050 com o nível de produtividade e sustentabilidade que o mundo espera do agro brasileiro já é uma odisseia com desafios tão gigantescos como os vividos por Ulisses, em poema escrito por Homero no século VIII, antes de Cristo, no qual ele passa dez anos no mar, depois da Guerra de Troia, em uma viagem de volta para casa onde enfrentou a animosidade de alguns deuses, tempestades que o desviaram de sua rota e o encontro com perigosos seres, como Circe (feiticeira que transformou muitos dos companheiros do herói em repelentes seres), ou o Ciclope (gigante de um olho só) e o “Canto da Sereia” (o qual para enfrentar, o personagem ordenou aos marinheiros taparem os ouvidos com cera enquanto que ele fosse amarrado ao mastro para conseguir ouvir sedutora melodia sem cair na armadilha e levar sua embarcação até as pedras).

A viagem do agronegócio vai ainda levar 32 anos, tempo suficiente para membros de uma terceira geração, netos dos que estão à frente dos negócios hoje, em alguns casos, ainda nem tenham nascido, serem os “Ulisses” de algo muito maior que uma fazenda, mas uma operação complexa e integrada na qual deverá atingir níveis máximos de produtividade e sustentabilidade, cada metro quadrado terá influência significativa para garantir números positivos no resultado final.

Antes mesmo de iniciar a sua odisseia, assim como Ulisses venceu os troianos tendo como principal fato a criação do “Cavalo de Troia”, o campo também precisou vencer a sua guerra particular, que foi a de tornar a zona rural em uma grande e produtiva fábrica de alimentos e energia. Hoje os recordes batidos constantemente em quase todas as culturas mostram que essa batalha foi vencida, no entanto, o caminho para encontrar a sua Penélope (esposa do mito grego, a qual esperou o amado por todos os anos, negando diversas ofertas de casamento onde os pretendentes alegavam que o seu marido havia morrido) só está no começo. 

Animosidade dos Deuses


A maior animosidade que o setor pode enfrentar deverá se concretizar, ou não, nas eleições de 2018, na qual é a volta do estado gordo e faminto, onde segundo a definição do Presidente da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, na abertura do “Desafio 2050” (evento realizado no final de novembro, em São Paulo-SP, pela Andef, FAO-ONU (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), Abag e Embrapa)), o mundo e o Brasil vivem uma espécie de pêndulo político, que se aproxima perigosamente dos protecionistas, os quais necessitam de medidas populistas, em detrimento das atitudes de mercado, para respirar. 

Ainda nas apresentações de abertura do evento, o representante do Governo do Estado de São Paulo, Alberto Amorim, lembrou de uma frase do ministro de Portugal, Augusto dos Santos Silva: “Cuidado com o populismo, ele é o caminho para o autoritarismo”. 

Dependendo do grau de radicalização do líder populista e autoritário, até fome ele pode trazer para sua nação, esse foi um dos principais fatores que contribuiu para o aumento de 10,6 para 11 na porcentagem da população mundial ser considerada, de forma simples e objetiva, esfomeada, segundo a ONU, o outro principal problema são os países em conflito armado.

Se um extraterrestre chega à terra e analisa ela somente pelo aspecto do nível dos “deuses” (governos) que a ocupam, com certeza ele aborta a missão. Caso tome o Brasil como referência então, é capaz de oferecer alguma ajuda à população.

Talvez se pegar uma agroindústria nacional como referência, o habitante do outro planeta mude de ideia, no entanto, se der um zoom maior e ver que mesmo através de uma política de crédito agrícola atrasada no mínimo em 50 anos e os níveis altíssimos de perdas em decorrência da falta de infraestrutura logística, onde tanto o solo como a população urbana são ácidos para qualquer tipo de cultura, vão passar a considerar os homens do campo como representantes do poder divino em todo universo. 

Desvios de rota


A mudança de rota é o que mais assusta um comandante, principalmente pelo fato da embarcação ficar longe demais do seu ponto de chegada e com isso correr o risco de ficar sem mantimentos ou combustível.

No caso do desafio de erradicar a fome até 2050, é preciso se atentar para criação de modas e conceitos mentirosos, que muitas vezes sobrevivem através da divulgação de notícias falsas ou distorcidas, podendo levar cadeias de negócio inteiras a perder o seu norte, vide o exemplo do desastre que foi a operação “carne fraca” para a pecuária, suinocultura e avicultura nacional. 

Outro exemplo é a fama do Brasil ser o maior consumidor mundial de agroquímicos, o professor e doutor da Unesp de Botucatu-SP, Caio Carbonari, durante a sua apresentação mostra que a liderança no ranking no número absoluto de agroquímicos utilizados é mesmo brasileira, no entanto, na relação do consumo de produtos pela área, é sétimo, e comparado por toneladas de produção, a posição cai para 11º, nesses dois últimos quesitos o Japão é um dos países que lidera a lista.

Os defensores da utópica ideia de uma economia orgânica e sem indústria alimentícia será capaz de cumprir a demanda mundial por comida, também não divulgam que o consumo de agroquímicos no Brasil está estabilizado desde 2004, se relacionado com a área produtiva. O professor ainda divulgou dados prévios de um estudo sobre o EIQ (Consciente de Impacto de Consumo de Agroquímicos), onde o Brasil ficou no mesmo nível dos maiores produtores mundiais, mas a eficiência da agricultura nacional é superior pois a pressão de pragas, doenças e plantas daninhas é muito maior em países tropicais se comparado aos outros grandes produtores que estão na região temperada do globo.

Durante o evento “Desafio 2050”, o diretor geral do Ital (Instituto de Tecnologia de Alimentos), Luis Madi, tratou de quebrar uma verdade que está praticamente consolidada entre os orgânicos radicais da internet Ele provou através de dados científicos que, do ponto de vista sensorial (paladar e textura) e nutricional, não há superioridade alguma dos alimentos orgânicos.

A conclusão dos dois pesquisadores vem perfeitamente de encontro com o pensamento da professora de Toxicologia da USP, Elizabeth Nascimento, onde ela apresenta tranquilidade sobre o uso dos produtos químicos na agricultura brasileira, isso porque a ciência já estabeleceu instrumentos para saber quais os limites permitidos de cada produto vão afetar as pessoas, e o corpo de profissionais que receitam esses produtos (engenheiros agrônomos) são constantemente reciclados e atualizados com as novidades do mercado.

A professora ainda argumenta sobre o custo dos produtos, onde somente um louco jogaria fora, exagerando na dose recomendada, correndo o risco de sofrer prejuízo tanto no desperdício como na queda de produtividade da cultura em decorrência da ação de resíduos.

Perigosos seres


Assim como Ciclope na mitologia grega, as áreas de pastagem degradadas no Brasil são gigantes, feias e a sua permanência dificilmente fará com que a odisseia da agricultura tenha sucesso.
 
No poema, Ulisses vence o monstro que ameaçava comer ele e toda a sua tripulação mais uma vez mostrando planejamento e inteligência, ele embebeda o gigante de vinho e quando esse pega no sono, fura o seu único olho, como durante a conversa anterior entre os dois ele se identificava como “ninguém”, seus companheiros (outros Ciclopes) acharam que ele havia enlouquecido, com isso os navegantes conseguiram escapar e seguir viagem.

O presidente da Cocamar, Luiz Lourenço, também mostrou astúcia ao combater as pastagens degradadas na área de sua cooperativa através da adoção de um programa onde é plantada soja e depois realizar pecuária de inverno, técnica que originou o case da “Fazenda Santa Brígida” na qual o faturamento da área degradada era em torno de R$ 200,00 o hectare, depois do programa pulou para R$ 8,5 mil o hectare. Isso sem contar o benefício ambiental, através de sequestro de carbono com a utilização da braquiária, planta que possui a raiz funda, para a época de pastagem.

No entanto, o maior adversário que o herói grego precisou vencer não era um grande exército ou monstros extremamente fortes e violentos, mas as sereias, um inimigo no qual o seu poder atingia os instintos ocultos de suas vítimas, levando elas para armadilhar para serem devorados.
No Brasil o grande gargalo de perdas está na parte logística, o escoamento da produção é muito precário, os portos são deficitários conforme a demanda, além de toda a burocracia para executar um processo de exportação, isso tudo vira uma reação em cadeia onde quanto maior é a safra, maiores serão as dores de cabeça de transporte. 

Telémaco


As apresentações do “Desafio 2050” foram de substancial importância, mas para fechar a história da odisseia da agroindústria brasileira até 2050 era necessário encontrar uma visão mais jovem, uma opinião de quem vai comandar esse navio até o seu objetivo, e infelizmente na programação do evento não havia essa fonte.
Entretanto, no mesmo dia, a Sociedade Rural Brasileira realizou a entrega do sexto Prêmio Rural Jovem. Era a oportunidade ideal para encontrar o Telémaco (filho de Ulisses) da reportagem.

O homenageado da noite, João Francisco Adrien Fernandez, diretor executivo e cofundador do comitê de liderança e juventude da entidade quase centenária, economista, fornecedor de cana e pecuarista do município de Pratânia (região de Botucatu); tinha todos os requisitos para mostrar a sua visão de como a agropecuária vai caminhar rumo à excelência mundial.

O seu plano de viagem para chegar até 2050 é composto por uma complexa equação na qual o resultado precisa ser alimentar uma população mundial que hoje está próxima dos 10 bilhões de habitantes, que cresce em renda e consequentemente vai querer comer melhor, tendo uma cadeia produtiva amplamente sustentável, na qual a obsessão vai além da neutralidade sendo a única maneira possível de sequestrar carbono da atmosfera desenvolvendo uma atividade comercial. 

As variáveis para alcançar esse resultado são tão complexas quanto ele. A primeira, e mais óbvia, porém nada simples, são as inovações tecnológicas, desde sistemas que auxiliem o produtor na gestão de sua propriedade, passando por insumos e sementes com fórmulas mais modernas e a implantação e eficiência cada vez maior de soluções relacionadas ao conceito de digital farm. Esses avanços serão os grandes responsáveis pelo ganho de produtividade.

No entanto, não adiantará nada quebrar recordes de produção sem sustentabilidade, isso porque o mundo não vai querer apenas comida, mas vai exigir alimentos sustentáveis. Sendo esse o segundo símbolo matemático, o qual na opinião do economista e agropecuarista implica em fatores como a criação do código florestal, a formalização trabalhista no campo, a implantação da pecuária intensiva e também neutra na emissão de carbono e a produção e ampliação da produção de biocombustíveis e bioenergia, já colocam o agronegócio brasileiro em destaque perante qualquer outro grande produtor mundial, no entanto ele alerta dos diversos problemas em relação da percepção da eficiência ambiental dos diversos agentes exportadores espelhados no planeta.

“A responsabilidade não é somente do setor produtivo, mas da demanda, a demanda vai ter que ser qualificada se ela quiser uma produção qualificada, os consumidores vão ter que ter cada vez mais atenção naquilo que eles consomem, eles vão ter que escolher se vão querer consumir uma soja produzida em determinada região da Ásia com trabalho semiescravo, ou então uma brasileira que atende a um rigoroso código florestal, a lei trabalhista”, disse João Francisco. 

O último item do cálculo diz a respeito de quem vai coordenar cada barco dessa imensa esquadra, é sabido que as pessoas que estavam ou ainda estão à frente das fazendas no momento em que o Brasil deixou a condição de importador de comida para se transformar em um dos principais fornecedores mundiais, sempre tiveram o foco muito grande na produção, e não poderia ter sido diferente, pois para chegar no estágio atual, foi preciso se desenvolver em ambientes altamente restritivos para se praticar alguma prática agrícola. O alvo para as novas mentes, que estão tomando as rédeas das propriedades rurais, será um pouco mais amplo, agregando as questões de planejamento e gestão como sendo de importância contemporânea à produção.

O jovem líder setorial comunga da mesma opinião e enxerga que a conciliação entre as gerações onde o mais jovem não vai precisar escolher outra profissão para ser inovador e o pai terá que abrir mão de algumas verdades para dar continuidade ao seu trabalho, será de fundamental importância para ambos superarem o período de transição de modo que não prejudique a sua longevidade.

E a hora que chegar?


Em 2050 esse repórter estará com 70 anos e espera ter sanidade mental para escrever a reportagem de capa da Revista Canavieiros com o seguinte título “Chegamos”.

De tudo que vejo no meu dia-a-dia, contando histórias que vão desde a de pequenos produtores até as maiores lideranças do agronegócio nacional, me sinto tranquilo em enxergar que essa viagem terá um final, e embora ainda ocorrerão diversos obstáculos, será um final triunfante.

No entanto, minha ansiedade jornalística já me obriga a imaginar e tentar identificar de como será a vida depois que Ulisses chegar à Ítaca (ilha que governa). Na mitologia o aventureiro não consegue ficar parado muito tempo e parte para novas viagens, quem duvida que a história se repetirá com o agronegócio nacional?

Fonte: Revista Canavieiros

2050 – A Odisseia do agronegócio

29/12/2017

Por: Marino Guerra

Não há dúvida que chegar em 2050 com o nível de produtividade e sustentabilidade que o mundo espera do agro brasileiro já é uma odisseia com desafios tão gigantescos como os vividos por Ulisses, em poema escrito por Homero no século VIII, antes de Cristo, no qual ele passa dez anos no mar, depois da Guerra de Troia, em uma viagem de volta para casa onde enfrentou a animosidade de alguns deuses, tempestades que o desviaram de sua rota e o encontro com perigosos seres, como Circe (feiticeira que transformou muitos dos companheiros do herói em repelentes seres), ou o Ciclope (gigante de um olho só) e o “Canto da Sereia” (o qual para enfrentar, o personagem ordenou aos marinheiros taparem os ouvidos com cera enquanto que ele fosse amarrado ao mastro para conseguir ouvir sedutora melodia sem cair na armadilha e levar sua embarcação até as pedras).

A viagem do agronegócio vai ainda levar 32 anos, tempo suficiente para membros de uma terceira geração, netos dos que estão à frente dos negócios hoje, em alguns casos, ainda nem tenham nascido, serem os “Ulisses” de algo muito maior que uma fazenda, mas uma operação complexa e integrada na qual deverá atingir níveis máximos de produtividade e sustentabilidade, cada metro quadrado terá influência significativa para garantir números positivos no resultado final.

Antes mesmo de iniciar a sua odisseia, assim como Ulisses venceu os troianos tendo como principal fato a criação do “Cavalo de Troia”, o campo também precisou vencer a sua guerra particular, que foi a de tornar a zona rural em uma grande e produtiva fábrica de alimentos e energia. Hoje os recordes batidos constantemente em quase todas as culturas mostram que essa batalha foi vencida, no entanto, o caminho para encontrar a sua Penélope (esposa do mito grego, a qual esperou o amado por todos os anos, negando diversas ofertas de casamento onde os pretendentes alegavam que o seu marido havia morrido) só está no começo. 

Animosidade dos Deuses


A maior animosidade que o setor pode enfrentar deverá se concretizar, ou não, nas eleições de 2018, na qual é a volta do estado gordo e faminto, onde segundo a definição do Presidente da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, na abertura do “Desafio 2050” (evento realizado no final de novembro, em São Paulo-SP, pela Andef, FAO-ONU (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), Abag e Embrapa)), o mundo e o Brasil vivem uma espécie de pêndulo político, que se aproxima perigosamente dos protecionistas, os quais necessitam de medidas populistas, em detrimento das atitudes de mercado, para respirar. 

Ainda nas apresentações de abertura do evento, o representante do Governo do Estado de São Paulo, Alberto Amorim, lembrou de uma frase do ministro de Portugal, Augusto dos Santos Silva: “Cuidado com o populismo, ele é o caminho para o autoritarismo”. 

Dependendo do grau de radicalização do líder populista e autoritário, até fome ele pode trazer para sua nação, esse foi um dos principais fatores que contribuiu para o aumento de 10,6 para 11 na porcentagem da população mundial ser considerada, de forma simples e objetiva, esfomeada, segundo a ONU, o outro principal problema são os países em conflito armado.

Se um extraterrestre chega à terra e analisa ela somente pelo aspecto do nível dos “deuses” (governos) que a ocupam, com certeza ele aborta a missão. Caso tome o Brasil como referência então, é capaz de oferecer alguma ajuda à população.

Talvez se pegar uma agroindústria nacional como referência, o habitante do outro planeta mude de ideia, no entanto, se der um zoom maior e ver que mesmo através de uma política de crédito agrícola atrasada no mínimo em 50 anos e os níveis altíssimos de perdas em decorrência da falta de infraestrutura logística, onde tanto o solo como a população urbana são ácidos para qualquer tipo de cultura, vão passar a considerar os homens do campo como representantes do poder divino em todo universo. 

Desvios de rota


A mudança de rota é o que mais assusta um comandante, principalmente pelo fato da embarcação ficar longe demais do seu ponto de chegada e com isso correr o risco de ficar sem mantimentos ou combustível.

No caso do desafio de erradicar a fome até 2050, é preciso se atentar para criação de modas e conceitos mentirosos, que muitas vezes sobrevivem através da divulgação de notícias falsas ou distorcidas, podendo levar cadeias de negócio inteiras a perder o seu norte, vide o exemplo do desastre que foi a operação “carne fraca” para a pecuária, suinocultura e avicultura nacional. 

Outro exemplo é a fama do Brasil ser o maior consumidor mundial de agroquímicos, o professor e doutor da Unesp de Botucatu-SP, Caio Carbonari, durante a sua apresentação mostra que a liderança no ranking no número absoluto de agroquímicos utilizados é mesmo brasileira, no entanto, na relação do consumo de produtos pela área, é sétimo, e comparado por toneladas de produção, a posição cai para 11º, nesses dois últimos quesitos o Japão é um dos países que lidera a lista.

Os defensores da utópica ideia de uma economia orgânica e sem indústria alimentícia será capaz de cumprir a demanda mundial por comida, também não divulgam que o consumo de agroquímicos no Brasil está estabilizado desde 2004, se relacionado com a área produtiva. O professor ainda divulgou dados prévios de um estudo sobre o EIQ (Consciente de Impacto de Consumo de Agroquímicos), onde o Brasil ficou no mesmo nível dos maiores produtores mundiais, mas a eficiência da agricultura nacional é superior pois a pressão de pragas, doenças e plantas daninhas é muito maior em países tropicais se comparado aos outros grandes produtores que estão na região temperada do globo.

Durante o evento “Desafio 2050”, o diretor geral do Ital (Instituto de Tecnologia de Alimentos), Luis Madi, tratou de quebrar uma verdade que está praticamente consolidada entre os orgânicos radicais da internet Ele provou através de dados científicos que, do ponto de vista sensorial (paladar e textura) e nutricional, não há superioridade alguma dos alimentos orgânicos.

A conclusão dos dois pesquisadores vem perfeitamente de encontro com o pensamento da professora de Toxicologia da USP, Elizabeth Nascimento, onde ela apresenta tranquilidade sobre o uso dos produtos químicos na agricultura brasileira, isso porque a ciência já estabeleceu instrumentos para saber quais os limites permitidos de cada produto vão afetar as pessoas, e o corpo de profissionais que receitam esses produtos (engenheiros agrônomos) são constantemente reciclados e atualizados com as novidades do mercado.

A professora ainda argumenta sobre o custo dos produtos, onde somente um louco jogaria fora, exagerando na dose recomendada, correndo o risco de sofrer prejuízo tanto no desperdício como na queda de produtividade da cultura em decorrência da ação de resíduos.

Perigosos seres


Assim como Ciclope na mitologia grega, as áreas de pastagem degradadas no Brasil são gigantes, feias e a sua permanência dificilmente fará com que a odisseia da agricultura tenha sucesso.
 
No poema, Ulisses vence o monstro que ameaçava comer ele e toda a sua tripulação mais uma vez mostrando planejamento e inteligência, ele embebeda o gigante de vinho e quando esse pega no sono, fura o seu único olho, como durante a conversa anterior entre os dois ele se identificava como “ninguém”, seus companheiros (outros Ciclopes) acharam que ele havia enlouquecido, com isso os navegantes conseguiram escapar e seguir viagem.

O presidente da Cocamar, Luiz Lourenço, também mostrou astúcia ao combater as pastagens degradadas na área de sua cooperativa através da adoção de um programa onde é plantada soja e depois realizar pecuária de inverno, técnica que originou o case da “Fazenda Santa Brígida” na qual o faturamento da área degradada era em torno de R$ 200,00 o hectare, depois do programa pulou para R$ 8,5 mil o hectare. Isso sem contar o benefício ambiental, através de sequestro de carbono com a utilização da braquiária, planta que possui a raiz funda, para a época de pastagem.

No entanto, o maior adversário que o herói grego precisou vencer não era um grande exército ou monstros extremamente fortes e violentos, mas as sereias, um inimigo no qual o seu poder atingia os instintos ocultos de suas vítimas, levando elas para armadilhar para serem devorados.
No Brasil o grande gargalo de perdas está na parte logística, o escoamento da produção é muito precário, os portos são deficitários conforme a demanda, além de toda a burocracia para executar um processo de exportação, isso tudo vira uma reação em cadeia onde quanto maior é a safra, maiores serão as dores de cabeça de transporte. 

Telémaco


As apresentações do “Desafio 2050” foram de substancial importância, mas para fechar a história da odisseia da agroindústria brasileira até 2050 era necessário encontrar uma visão mais jovem, uma opinião de quem vai comandar esse navio até o seu objetivo, e infelizmente na programação do evento não havia essa fonte.
Entretanto, no mesmo dia, a Sociedade Rural Brasileira realizou a entrega do sexto Prêmio Rural Jovem. Era a oportunidade ideal para encontrar o Telémaco (filho de Ulisses) da reportagem.

O homenageado da noite, João Francisco Adrien Fernandez, diretor executivo e cofundador do comitê de liderança e juventude da entidade quase centenária, economista, fornecedor de cana e pecuarista do município de Pratânia (região de Botucatu); tinha todos os requisitos para mostrar a sua visão de como a agropecuária vai caminhar rumo à excelência mundial.

O seu plano de viagem para chegar até 2050 é composto por uma complexa equação na qual o resultado precisa ser alimentar uma população mundial que hoje está próxima dos 10 bilhões de habitantes, que cresce em renda e consequentemente vai querer comer melhor, tendo uma cadeia produtiva amplamente sustentável, na qual a obsessão vai além da neutralidade sendo a única maneira possível de sequestrar carbono da atmosfera desenvolvendo uma atividade comercial. 

As variáveis para alcançar esse resultado são tão complexas quanto ele. A primeira, e mais óbvia, porém nada simples, são as inovações tecnológicas, desde sistemas que auxiliem o produtor na gestão de sua propriedade, passando por insumos e sementes com fórmulas mais modernas e a implantação e eficiência cada vez maior de soluções relacionadas ao conceito de digital farm. Esses avanços serão os grandes responsáveis pelo ganho de produtividade.

No entanto, não adiantará nada quebrar recordes de produção sem sustentabilidade, isso porque o mundo não vai querer apenas comida, mas vai exigir alimentos sustentáveis. Sendo esse o segundo símbolo matemático, o qual na opinião do economista e agropecuarista implica em fatores como a criação do código florestal, a formalização trabalhista no campo, a implantação da pecuária intensiva e também neutra na emissão de carbono e a produção e ampliação da produção de biocombustíveis e bioenergia, já colocam o agronegócio brasileiro em destaque perante qualquer outro grande produtor mundial, no entanto ele alerta dos diversos problemas em relação da percepção da eficiência ambiental dos diversos agentes exportadores espelhados no planeta.

“A responsabilidade não é somente do setor produtivo, mas da demanda, a demanda vai ter que ser qualificada se ela quiser uma produção qualificada, os consumidores vão ter que ter cada vez mais atenção naquilo que eles consomem, eles vão ter que escolher se vão querer consumir uma soja produzida em determinada região da Ásia com trabalho semiescravo, ou então uma brasileira que atende a um rigoroso código florestal, a lei trabalhista”, disse João Francisco. 

O último item do cálculo diz a respeito de quem vai coordenar cada barco dessa imensa esquadra, é sabido que as pessoas que estavam ou ainda estão à frente das fazendas no momento em que o Brasil deixou a condição de importador de comida para se transformar em um dos principais fornecedores mundiais, sempre tiveram o foco muito grande na produção, e não poderia ter sido diferente, pois para chegar no estágio atual, foi preciso se desenvolver em ambientes altamente restritivos para se praticar alguma prática agrícola. O alvo para as novas mentes, que estão tomando as rédeas das propriedades rurais, será um pouco mais amplo, agregando as questões de planejamento e gestão como sendo de importância contemporânea à produção.

O jovem líder setorial comunga da mesma opinião e enxerga que a conciliação entre as gerações onde o mais jovem não vai precisar escolher outra profissão para ser inovador e o pai terá que abrir mão de algumas verdades para dar continuidade ao seu trabalho, será de fundamental importância para ambos superarem o período de transição de modo que não prejudique a sua longevidade.

E a hora que chegar?


Em 2050 esse repórter estará com 70 anos e espera ter sanidade mental para escrever a reportagem de capa da Revista Canavieiros com o seguinte título “Chegamos”.

De tudo que vejo no meu dia-a-dia, contando histórias que vão desde a de pequenos produtores até as maiores lideranças do agronegócio nacional, me sinto tranquilo em enxergar que essa viagem terá um final, e embora ainda ocorrerão diversos obstáculos, será um final triunfante.

No entanto, minha ansiedade jornalística já me obriga a imaginar e tentar identificar de como será a vida depois que Ulisses chegar à Ítaca (ilha que governa). Na mitologia o aventureiro não consegue ficar parado muito tempo e parte para novas viagens, quem duvida que a história se repetirá com o agronegócio nacional?