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http://www.ideaonline.com.br/conteudo/14-seminario-sobre-controle-de-pragas-da-cana.html
http://bit.ly/2ktdMMm
http://www.globalagribusinessforum.com/pt-br/
http://https://www.fmcagricola.com.br/index.aspx

Água, um bem precioso e finito

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Meio Ambiente

05/03/2018

Por: Fernanda Clariano

As mudanças climáticas e a escassez de água potável são grandes ameaças à humanidade. A quantidade de água disponível para a atividade humana é finita e os grandes setores que a utilizam precisam trabalhar em conjunto. Há uma falta de compreensão sobre a utilização da água na agricultura e o impacto econômico da agricultura irrigada no país, e como tal precisa ser melhor entendida. Em março próximo, a cidade de Brasília sediará o 8º Fórum Mundial da Água, onde governantes, empresários e representantes de organizações não governamentais apresentarão o que pensam e fazem em prol da água. A Revista Canavieiros aproveitou a oportunidade e conversou com o presidente da CSEI (Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação), da Abimaq, Marcus Tessler, para falar sobre esse bem precioso que é a água. Confira a entrevista!

Revista Canavieiros:Qual a disponibilidade de água no Brasil?
Marcus Tessler:Segundo dados internacionais, o Brasil possui em torno de 12% dos recursos hídricos (água doce) do planeta. Talvez seja o país com a maior disponibilidade de recursos hídricos do mundo.
 
Revista Canavieiros:Onde está a água doce brasileira?  
Tessler:O problema é que no Brasil, assim como em muitos países, a água não está necessariamente onde o consumo é maior. Nesse caso, grande parte da água doce do Brasil está na região amazônica, longe, portanto, dos grandes centros urbanos.  
 
Revista Canavieiros:Como melhorar a gestão do uso da água e quais cuidados devem ser tomados para evitar desperdício e reduzir o consumo? 
Tessler:A gestão da água é um tema complexo, multidisciplinar, que envolve vários setores da sociedade. A redução do consumo passa por agregar novas tecnologias para redução do desperdício, maior controle da distribuição de água nos grandes centros urbanos, medições mais apuradas, e uma conscientização geral da sociedade no sentido de que a água é um recurso escasso e tem que ser preservado. 

Revista Canavieiros:Em se tratando de desperdício de água, quais tecnologias podem reduzir esse problema?
Tessler:São muitas as possibilidades, devemos enfrentar o problema onde ele é mais agudo. A distribuição de água nos grandes centros urbanos leva a perdas muito grandes, chegando em alguns casos a até 40%-50% (estima-se que na cidade de SP as perdas de água tratada chegam a 35% do total fornecido). Existem tecnologias desenvolvidas para detectar essas perdas, inclusive “prevendo” onde as perdas ocorrerão. Torneiras e lavatórios automáticos reduzem o consumo de forma significativa, deveriam ser utilizados de forma mais extensiva.  

Revista Canavieiros:A agricultura é o setor que mais usa água no mundo?
Tessler:Existe um mal-entendido muito grande no que diz respeito à utilização de água na agricultura. A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura)estima que a agricultura consome 70% do total de água disponível, mas não explica que grande parte dessa água, uma vez utilizada pelas plantas, retorna ao sistema (rios, lagos, reservatórios) em forma de chuva, e filtrada. O processo pelo qual as plantas consomem água é conhecido como evapotranspiração; a água passa através das plantas, que utilizam parte desse total para seus processos fisiológicos (crescimento, produção de frutos, etc.) e a maior parte retorna à atmosfera. O que é efetivamente consumido se transforma em alimentos, grãos, frutos e hortaliças.
 
Revista Canavieiros:Além do uso de tecnologia, como os produtores podem contribuir com a economia de água no campo? 
Tessler:Se aprimorando nos temas relativos ao manejo correto da água, ou seja, aplicando nos cultivos apenas o necessário, nem mais nem menos água. Existem alternativas para ajudar o agricultor, desde a utilização de sensores simples no campo (tensiômetros) que medem a umidade solo e ajudam a determinar quando e quanto irrigar, até estações meteorológicas indicando a evapotranspiração do cultivo naquele momento. A utilização de medidores de água (hidrômetros) é fundamental nos projetos de irrigação, para que o agricultor possa medir o consumo de água de seus cultivos, otimizando os recursos hídricos da propriedade.    
 
Revista Canavieiros:Qual a importância da irrigação para a agricultura e quais os métodos de irrigação mais utilizados? 
Tessler:Dados mundiais indicam que do total da área agriculturável no mundo, em torno de 20% é irrigado. No entanto, esses 20% são responsáveis por 40% da produção total de alimentos. Essa relação explica de certa forma a importância da irrigação na agricultura. Embora não tenhamos dados estatísticos sobre o Brasil, sabe-se que a produção irrigada, na grande maioria dos cultivos, aumenta a produção em torno de 40%-50%, reduzindo os riscos de secas e problemas climáticos. Os métodos de irrigação mais utilizados são:
-Inundação/sulcos – arroz, cereais, cana de açúcar;
-Aspersão convencional – hortaliças, feijão, cana-de-açúcar;
-Sistemas autopropelidos – cana-de-açúcar (vinhaça), feijão, cereais;
-Aspersão por pivôs centrais – cereais (soja/milho), cana-de-açúcar, café,
-Gotejamento – frutas, hortaliças, cana-de-açúcar, citrus, café, cereais.
 
Revista Canavieiros:Qual a visão do senhor sobre a irrigação e a sua inserção na gestão de recursos hídricos? 
Tessler:A questão da irrigação tem que ser mais bem compreendida no contexto geral dos recursos hídricos. Há uma falta de compreensão sobre a utilização da água na agricultura e o impacto econômico da agricultura irrigada no país, e como tal precisa ser melhor entendida. A quantidade de água disponível para a atividade humana é finita e os grandes setores que a atualizam precisam trabalhar em conjunto. No Brasil, a água é utilizada para consumo humano, industrial, mineração, agricultura e geração de energia elétrica, atividades importantes no processo produtivo do país.
 
Revista Canavieiros:Como o senhor vê o futuro da irrigação? E quais os desafios? 
Tessler:A irrigação no Brasil vem crescendo de forma constante e sustentável nos últimos anos. Estima-se um crescimento da área irrigada em torno de 200.000 hectares novos por ano, acompanhando de certa forma o bom momento da agricultura no Brasil. Essa informação coincide com a previsão da ANA (Agência Nacional de Águas) de incorporar três milhões de hectares irrigados até 2030. Os principais desafios para que a agricultura irrigada possa se expandir de uma maneira ainda mais rápida dependem, entre outras, de uma agilidade maior na liberação das outorgas de água, que em algumas regiões chegam com mais de um ano de demora. Outro tema muito relevante é a questão relacionada à armazenagem de água, cujo processo de autorização é extremamente lento e que muitas vezes inviabiliza os projetos. É necessário agilizar e simplificar esses processos e sem dúvidas as questões ligadas ao financiamento geral dos sistemas de irrigação, uma vez que se tratam de investimentos altos. Apesar das dificuldades, o cenário futuro da irrigação no Brasil é muito positivo, uma vez que o país vai se tornando a cada dia que um dos maiores produtores de alimentos no mundo. A irrigação é uma das ferramentas mais poderosas à disposição dos agricultores para garantir um crescimento sustentável da agricultura brasileira.  

Revista Canavieiros:A gestão da água em Israel é um exemplo para o Brasil?
Tessler:O exemplo de Israel quanto à gestão de água ensina muitas lições ao Brasil. Ainda que as realidades sejam tão distintas, muito se pode aprender, em especial na utilização de tecnologias sofisticadas e na conscientização da população.
-O consumo de água na agricultura israelense é de 53%, em contrapartida aos 70% indicados pela FAO. Isso se deve ao fato de que a agricultura israelense utiliza em sua grande maioria os sistemas de irrigação por gotejamento.
-Israel recicla mais de 80% do esgoto produzido no país e essa água volta ao sistema para o abastecimento dos sistemas de irrigação, parques e jardins.
-Dessalinização de água é uma realidade no país, com grandes usinas em funcionamento. Essa é uma realidade que grandes cidades do Nordeste brasileiro, em especial Fortaleza, já deveriam estar implementando. Isso não só garantiria o abastecimento urbano e industrial da cidade, mas liberaria recursos hídricos para a irrigação no semiárido do Ceará.
-As perdas de água no abastecimento das grandes cidades de Israel não chegam a 9%.
-Conscientização da população - O que se pode aprender da experiência israelense é de que existem várias soluções para os problemas de recursos hídricos, desde os mais simples como a instalação de medidores de água nos projetos agrícolas para um manejo correto da água, até a instalação de grandes usinas dessanilizadoras no país. As alternativas existem e o Brasil tem condições de adaptar algumas dessas soluções para nossos problemas, guardadas as devidas proporções entre as diferenças enormes entre os dois países (culturais, tamanho, disponibilidade hídrica).

Revista Canavieiros: Entre os dias 18 e 23 de março, acontece em Brasília o 8º Fórum Mundial da Água, o que o senhor espera desse evento?
Tessler: Esperamos que o evento ajude na conscientização da utilização racional da água, em todas as suas diversas aplicações. A sociedade brasileira deve entender que apesar de vivermos em um país onde os recursos hídricos ainda são abundantes, esse processo vem mudando com o tempo e a água pode se tornar escassa à medida em que o Brasil vai se desenvolvendo. No que diz respeito à agricultura, nossa expectativa é a de que, durante o fórum, a discussão sobre o consumo de água para irrigação deixe de ter um viés ideológico, concentrando as informações em dados técnicos e científicos, baseado nas melhores práticas agrícolas disponíveis.  

Fonte: Revista Canavieiros

Água, um bem precioso e finito

05/03/2018

Por: Fernanda Clariano

As mudanças climáticas e a escassez de água potável são grandes ameaças à humanidade. A quantidade de água disponível para a atividade humana é finita e os grandes setores que a utilizam precisam trabalhar em conjunto. Há uma falta de compreensão sobre a utilização da água na agricultura e o impacto econômico da agricultura irrigada no país, e como tal precisa ser melhor entendida. Em março próximo, a cidade de Brasília sediará o 8º Fórum Mundial da Água, onde governantes, empresários e representantes de organizações não governamentais apresentarão o que pensam e fazem em prol da água. A Revista Canavieiros aproveitou a oportunidade e conversou com o presidente da CSEI (Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação), da Abimaq, Marcus Tessler, para falar sobre esse bem precioso que é a água. Confira a entrevista!

Revista Canavieiros:Qual a disponibilidade de água no Brasil?
Marcus Tessler:Segundo dados internacionais, o Brasil possui em torno de 12% dos recursos hídricos (água doce) do planeta. Talvez seja o país com a maior disponibilidade de recursos hídricos do mundo.
 
Revista Canavieiros:Onde está a água doce brasileira?  
Tessler:O problema é que no Brasil, assim como em muitos países, a água não está necessariamente onde o consumo é maior. Nesse caso, grande parte da água doce do Brasil está na região amazônica, longe, portanto, dos grandes centros urbanos.  
 
Revista Canavieiros:Como melhorar a gestão do uso da água e quais cuidados devem ser tomados para evitar desperdício e reduzir o consumo? 
Tessler:A gestão da água é um tema complexo, multidisciplinar, que envolve vários setores da sociedade. A redução do consumo passa por agregar novas tecnologias para redução do desperdício, maior controle da distribuição de água nos grandes centros urbanos, medições mais apuradas, e uma conscientização geral da sociedade no sentido de que a água é um recurso escasso e tem que ser preservado. 

Revista Canavieiros:Em se tratando de desperdício de água, quais tecnologias podem reduzir esse problema?
Tessler:São muitas as possibilidades, devemos enfrentar o problema onde ele é mais agudo. A distribuição de água nos grandes centros urbanos leva a perdas muito grandes, chegando em alguns casos a até 40%-50% (estima-se que na cidade de SP as perdas de água tratada chegam a 35% do total fornecido). Existem tecnologias desenvolvidas para detectar essas perdas, inclusive “prevendo” onde as perdas ocorrerão. Torneiras e lavatórios automáticos reduzem o consumo de forma significativa, deveriam ser utilizados de forma mais extensiva.  

Revista Canavieiros:A agricultura é o setor que mais usa água no mundo?
Tessler:Existe um mal-entendido muito grande no que diz respeito à utilização de água na agricultura. A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura)estima que a agricultura consome 70% do total de água disponível, mas não explica que grande parte dessa água, uma vez utilizada pelas plantas, retorna ao sistema (rios, lagos, reservatórios) em forma de chuva, e filtrada. O processo pelo qual as plantas consomem água é conhecido como evapotranspiração; a água passa através das plantas, que utilizam parte desse total para seus processos fisiológicos (crescimento, produção de frutos, etc.) e a maior parte retorna à atmosfera. O que é efetivamente consumido se transforma em alimentos, grãos, frutos e hortaliças.
 
Revista Canavieiros:Além do uso de tecnologia, como os produtores podem contribuir com a economia de água no campo? 
Tessler:Se aprimorando nos temas relativos ao manejo correto da água, ou seja, aplicando nos cultivos apenas o necessário, nem mais nem menos água. Existem alternativas para ajudar o agricultor, desde a utilização de sensores simples no campo (tensiômetros) que medem a umidade solo e ajudam a determinar quando e quanto irrigar, até estações meteorológicas indicando a evapotranspiração do cultivo naquele momento. A utilização de medidores de água (hidrômetros) é fundamental nos projetos de irrigação, para que o agricultor possa medir o consumo de água de seus cultivos, otimizando os recursos hídricos da propriedade.    
 
Revista Canavieiros:Qual a importância da irrigação para a agricultura e quais os métodos de irrigação mais utilizados? 
Tessler:Dados mundiais indicam que do total da área agriculturável no mundo, em torno de 20% é irrigado. No entanto, esses 20% são responsáveis por 40% da produção total de alimentos. Essa relação explica de certa forma a importância da irrigação na agricultura. Embora não tenhamos dados estatísticos sobre o Brasil, sabe-se que a produção irrigada, na grande maioria dos cultivos, aumenta a produção em torno de 40%-50%, reduzindo os riscos de secas e problemas climáticos. Os métodos de irrigação mais utilizados são:
-Inundação/sulcos – arroz, cereais, cana de açúcar;
-Aspersão convencional – hortaliças, feijão, cana-de-açúcar;
-Sistemas autopropelidos – cana-de-açúcar (vinhaça), feijão, cereais;
-Aspersão por pivôs centrais – cereais (soja/milho), cana-de-açúcar, café,
-Gotejamento – frutas, hortaliças, cana-de-açúcar, citrus, café, cereais.
 
Revista Canavieiros:Qual a visão do senhor sobre a irrigação e a sua inserção na gestão de recursos hídricos? 
Tessler:A questão da irrigação tem que ser mais bem compreendida no contexto geral dos recursos hídricos. Há uma falta de compreensão sobre a utilização da água na agricultura e o impacto econômico da agricultura irrigada no país, e como tal precisa ser melhor entendida. A quantidade de água disponível para a atividade humana é finita e os grandes setores que a atualizam precisam trabalhar em conjunto. No Brasil, a água é utilizada para consumo humano, industrial, mineração, agricultura e geração de energia elétrica, atividades importantes no processo produtivo do país.
 
Revista Canavieiros:Como o senhor vê o futuro da irrigação? E quais os desafios? 
Tessler:A irrigação no Brasil vem crescendo de forma constante e sustentável nos últimos anos. Estima-se um crescimento da área irrigada em torno de 200.000 hectares novos por ano, acompanhando de certa forma o bom momento da agricultura no Brasil. Essa informação coincide com a previsão da ANA (Agência Nacional de Águas) de incorporar três milhões de hectares irrigados até 2030. Os principais desafios para que a agricultura irrigada possa se expandir de uma maneira ainda mais rápida dependem, entre outras, de uma agilidade maior na liberação das outorgas de água, que em algumas regiões chegam com mais de um ano de demora. Outro tema muito relevante é a questão relacionada à armazenagem de água, cujo processo de autorização é extremamente lento e que muitas vezes inviabiliza os projetos. É necessário agilizar e simplificar esses processos e sem dúvidas as questões ligadas ao financiamento geral dos sistemas de irrigação, uma vez que se tratam de investimentos altos. Apesar das dificuldades, o cenário futuro da irrigação no Brasil é muito positivo, uma vez que o país vai se tornando a cada dia que um dos maiores produtores de alimentos no mundo. A irrigação é uma das ferramentas mais poderosas à disposição dos agricultores para garantir um crescimento sustentável da agricultura brasileira.  

Revista Canavieiros:A gestão da água em Israel é um exemplo para o Brasil?
Tessler:O exemplo de Israel quanto à gestão de água ensina muitas lições ao Brasil. Ainda que as realidades sejam tão distintas, muito se pode aprender, em especial na utilização de tecnologias sofisticadas e na conscientização da população.
-O consumo de água na agricultura israelense é de 53%, em contrapartida aos 70% indicados pela FAO. Isso se deve ao fato de que a agricultura israelense utiliza em sua grande maioria os sistemas de irrigação por gotejamento.
-Israel recicla mais de 80% do esgoto produzido no país e essa água volta ao sistema para o abastecimento dos sistemas de irrigação, parques e jardins.
-Dessalinização de água é uma realidade no país, com grandes usinas em funcionamento. Essa é uma realidade que grandes cidades do Nordeste brasileiro, em especial Fortaleza, já deveriam estar implementando. Isso não só garantiria o abastecimento urbano e industrial da cidade, mas liberaria recursos hídricos para a irrigação no semiárido do Ceará.
-As perdas de água no abastecimento das grandes cidades de Israel não chegam a 9%.
-Conscientização da população - O que se pode aprender da experiência israelense é de que existem várias soluções para os problemas de recursos hídricos, desde os mais simples como a instalação de medidores de água nos projetos agrícolas para um manejo correto da água, até a instalação de grandes usinas dessanilizadoras no país. As alternativas existem e o Brasil tem condições de adaptar algumas dessas soluções para nossos problemas, guardadas as devidas proporções entre as diferenças enormes entre os dois países (culturais, tamanho, disponibilidade hídrica).

Revista Canavieiros: Entre os dias 18 e 23 de março, acontece em Brasília o 8º Fórum Mundial da Água, o que o senhor espera desse evento?
Tessler: Esperamos que o evento ajude na conscientização da utilização racional da água, em todas as suas diversas aplicações. A sociedade brasileira deve entender que apesar de vivermos em um país onde os recursos hídricos ainda são abundantes, esse processo vem mudando com o tempo e a água pode se tornar escassa à medida em que o Brasil vai se desenvolvendo. No que diz respeito à agricultura, nossa expectativa é a de que, durante o fórum, a discussão sobre o consumo de água para irrigação deixe de ter um viés ideológico, concentrando as informações em dados técnicos e científicos, baseado nas melhores práticas agrícolas disponíveis.