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As mudanças climáticas e a agricultura

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Agricultura

14/11/2017
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Atualmente as mudanças climáticas têm sido alvo
de diversas discussões e pesquisas científicas.
Especialistas verificaram que, nas últimas décadas,
ocorreu um significativo aumento da temperatura mundial e
uma das principais causas da atual tendência de aquecimento
global é a influência humana na expansão do efeito estufa.
Para falar sobre as mudanças climáticas e os seus impactos na
agricultura, a Revista Canavieiros entrevistou o professor do
Departamento de Engenharia de Biossistemas da ESALQ/
USP, Felipe Gustavo Pilau. Confira:
Revista Canavieiros: O que são as mudanças climáticas?
Felipe Gustavo Pilau: De forma simples e tradicionalmente
mencionada, a mudança climática se refere ao aumento
da temperatura média global. A principal causa seria
a alta taxa de emissão de gases de efeito estufa, que
amplificam a retenção de energia. Mas o que deve
ser mesmo considerado e o que de fato preocupa é a
variabilidade dos elementos do clima. O quanto mais frio
ou calor/seco ou úmido, etc. poderemos experimentar no
futuro.
Revista Canavieiros: Quais são os impactos da
mudança climática na agricultura?
Pilau: Podem, ou serão, muitos. Poderemos ter
impactos negativos, mas também positivos. Isso deve ser
analisado individualmente, pois envolve análise do clima
atual, das culturas e práticas executadas e das projeções
climáticas específicas para uma região. A título de
exemplo, podemos considerar a redução no número de
ocorrência de geadas nas regiões mais frias do Brasil.
Isso pode ser benéfico para os cereais de inverno, mas
prejudicar culturas que necessitam do frio para quebra
da dormência, como macieiras.
Revista Canavieiros: O aumento de temperatura e
concentração de CO2 (gás carbônico) atmosférico pode
interferir na produtividade no campo?
Pilau: Sim. O aumento da concentração de CO2 atmosférico
pode interferir positivamente na produtividade de algumas
espécies, principalmente as chamadas de C3 (mecanismo
fotossintético). Mas isso deve ser considerado conjuntamente
com a temperatura do ar. De nada adianta a planta ter mais
substrato (CO2), se a temperatura exceder o seu ótimo térmico.
Revista Canavieiros: O que nos espera em termos de
regime de chuva?
Pilau: Os modelos e projeções futuras ainda são
bastante incertos com relação a mudanças nos regimes
de chuva. Há muita divergência entre projeções de
diferentes centros de estudo.
10 Revista Canavieiros Outubro de 2017
Revista Canavieiros: O que está acontecendo com o
clima atualmente e o que poderá ocorrer daqui a 20 anos?
Pilau: Analisando algumas séries históricas de dados
meteorológicas, como a do Posto Meteorológico da ESALQ,
em Piracicaba-SP, percebe-se uma tendência de aumento
da temperatura ao longo do último século. Entretanto, é
difícil definirmos isso como mudança climática. Há 100
anos a cidade de Piracicaba era muito menor, distante do
ponto de observação meteorológica. Atualmente, a cidade se
aproximou muito desse local, e sua interferência é certa. Por
isso não podemos estabelecer que qualquer mudança local se
deve à condição global. Bem, mas isso também não pode ser
simplesmente ignorado, precisamos acompanhar e estudar.
Revista Canavieiros: A variabilidade, os extremos
são preocupantes? Por quê? Quais são os fatores
climáticos mais importantes para o crescimento e o
desenvolvimento de uma cultivar?
Pilau: Sim, isso é o que mais importa. Os principais
condicionantes meteorológicos da produtividade vegetal
são a temperatura do ar e chuva (disponibilidade hídrica).
Extremos desses elementos meteorológicos podem resultar
em muitos prejuízos. Ondas de frio e calor, excessos
hídricos ou longos períodos de estiagem, que extrapolem
a variabilidade já experimentada, deverão impactar não
apenas na agricultura, mas no nosso cotidiano. Basta
lembrar os reflexos da estiagem de 2014 sobre o Estado de
São Paulo.
Revista Canavieiros: Os sistemas integrados podem
driblar algum evento adverso?
Pilau: Não é para driblarmos as mudanças climáticas
que devemos pensar no sistema de produção, mas sim,
para vencermos as dificuldades atuais, que um clima
tropical impõe à agricultura. O agricultor não deveria
olhar individualmente para cada cultura/safra. Deveria
analisar sua produção continuamente, de forma integrada,
considerando a rotação de culturas como algo imprescindível
para a estabilidade e produtividade. Questões de nutrição
de plantas, sanitárias, meteorológicas, etc. são muito mais
facilmente contornadas quando a propriedade é manejada
dessa forma.
Revista Canavieiros: A pesquisa está trazendo
material genético capaz de resistir a momento de mais
chuva ou menos chuva?
Pilau: Há um bom tempo, as empresas consideram
essas questões em seus programas de melhoramento.
Com certeza, com o avanço das técnicas de manipulação
genética, e uso da biodiversidade brasileira, novas
variedades, mais adaptadas ou resistentes até mesmo às
condições meteorológicas adversas, irão surgir.
Revista Canavieiros: Ações propostas para reduzir
vulnerabilidade à mudança climática podem
ser insuficientes para tornar a agricultura mais
suscetível e resiliente aos impactos?
Pilau: As dificuldades atuais sejam meteorológicas,
sanitárias, etc., para se produzir alimento já são
grandes. Estamos vencendo-as e produzindo cada
vez mais. Acredito que seremos capazes de produzir
alimentos suficientes nas próximas décadas. Entretanto,
de nada adiantará todo o esforço no campo se outros
ramos de produção e a sociedade não colaborarem para
minimizar as mudanças do clima.
Revista Canavieiros: Que conselho o senhor daria
para ajudar o produtor rural a tomar decisões
diante dos cenários de mudanças climáticas?
Pilau: O desafio do produtor é o hoje. É preciso
melhorar os sistemas de produção, torná-los o mais
sustentável e produtivo possível. Assim estarão se
preparando.
Por: Fernanda Clariano

Atualmente as mudanças climáticas têm sido alvo de diversas discussões e pesquisas científicas. Especialistas verificaram que, nas últimas décadas, ocorreu um significativo aumento da temperatura mundial e uma das principais causas da atual tendência de aquecimento global é a influência humana na expansão do efeito estufa. Para falar sobre as mudanças climáticas e os seus impactos na agricultura, a Revista Canavieiros entrevistou o professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas da ESALQ/USP, Felipe Gustavo Pilau. Confira:

Revista Canavieiros:
O que são as mudanças climáticas?

Felipe Gustavo Pilau:
De forma simples e tradicionalmente mencionada, a mudança climática se refere ao aumento da temperatura média global. A principal causa seria a alta taxa de emissão de gases de efeito estufa, que amplificam a retenção de energia. Mas o que deve ser mesmo considerado e o que de fato preocupa é a variabilidade dos elementos do clima. O quanto mais frio ou calor/seco ou úmido, etc. poderemos experimentar no futuro.

Revista Canavieiros:
Quais são os impactos da mudança climática na agricultura?

Pilau:
Podem, ou serão, muitos. Poderemos ter impactos negativos, mas também positivos. Isso deve ser analisado individualmente, pois envolve análise do clima atual, das culturas e práticas executadas e das projeções climáticas específicas para uma região. A título de exemplo, podemos considerar a redução no número de ocorrência de geadas nas regiões mais frias do Brasil. Isso pode ser benéfico para os cereais de inverno, mas prejudicar culturas que necessitam do frio para quebra da dormência, como macieiras.

Revista Canavieiros:
O aumento de temperatura e concentração de CO2 (gás carbônico) atmosférico pode interferir na produtividade no campo?

Pilau:
Sim. O aumento da concentração de CO2 atmosférico pode interferir positivamente na produtividade de algumas espécies, principalmente as chamadas de C3 (mecanismo fotossintético). Mas isso deve ser considerado conjuntamente com a temperatura do ar. De nada adianta a planta ter mais substrato (CO2), se a temperatura exceder o seu ótimo térmico.

Revista Canavieiros:
O que nos espera em termos de regime de chuva?

Pilau:
Os modelos e projeções futuras ainda são bastante incertos com relação a mudanças nos regimes de chuva. Há muita divergência entre projeções de diferentes centros de estudo.

Revista Canavieiros:
O que está acontecendo com o clima atualmente e o que poderá ocorrer daqui a 20 anos?

Pilau:
Analisando algumas séries históricas de dados meteorológicas, como a do Posto Meteorológico da ESALQ, em Piracicaba-SP, percebe-se uma tendência de aumento da temperatura ao longo do último século. Entretanto, é difícil definirmos isso como mudança climática. Há 100 anos a cidade de Piracicaba era muito menor, distante do ponto de observação meteorológica. Atualmente, a cidade se aproximou muito desse local, e sua interferência é certa. Por isso não podemos estabelecer que qualquer mudança local se deve à condição global. Bem, mas isso também não pode ser simplesmente ignorado, precisamos acompanhar e estudar.

Revista Canavieiros:
A variabilidade, os extremos são preocupantes? Por quê? Quais são os fatores climáticos mais importantes para o crescimento e o desenvolvimento de uma cultivar?

Pilau:
Sim, isso é o que mais importa. Os principais condicionantes meteorológicos da produtividade vegetal são a temperatura do ar e chuva (disponibilidade hídrica). Extremos desses elementos meteorológicos podem resultar em muitos prejuízos. Ondas de frio e calor, excessos hídricos ou longos períodos de estiagem, que extrapolem a variabilidade já experimentada, deverão impactar não apenas na agricultura, mas no nosso cotidiano. Basta lembrar os reflexos da estiagem de 2014 sobre o Estado de São Paulo.

Revista Canavieiros:
Os sistemas integrados podem driblar algum evento adverso?

Pilau:
Não é para driblarmos as mudanças climáticas que devemos pensar no sistema de produção, mas sim, para vencermos as dificuldades atuais, que um clima tropical impõe à agricultura. O agricultor não deveria olhar individualmente para cada cultura/safra. Deveria analisar sua produção continuamente, de forma integrada, considerando a rotação de culturas como algo imprescindível para a estabilidade e produtividade. Questões de nutrição de plantas, sanitárias, meteorológicas, etc. são muito mais facilmente contornadas quando a propriedade é manejada dessa forma.

Revista Canavieiros:
A pesquisa está trazendo material genético capaz de resistir a momento de mais chuva ou menos chuva?

Pilau:
Há um bom tempo, as empresas consideram essas questões em seus programas de melhoramento. Com certeza, com o avanço das técnicas de manipulação genética, e uso da biodiversidade brasileira, novas variedades, mais adaptadas ou resistentes até mesmo às condições meteorológicas adversas, irão surgir.

Revista Canavieiros:
Ações propostas para reduzir vulnerabilidade à mudança climática podem ser insuficientes para tornar a agricultura mais suscetível e resiliente aos impactos?

Pilau:
As dificuldades atuais sejam meteorológicas, sanitárias, etc., para se produzir alimento já são grandes. Estamos vencendo-as e produzindo cada vez mais. Acredito que seremos capazes de produzir alimentos suficientes nas próximas décadas. Entretanto, de nada adiantará todo o esforço no campo se outros ramos de produção e a sociedade não colaborarem para minimizar as mudanças do clima.

Revista Canavieiros:
Que conselho o senhor daria para ajudar o produtor rural a tomar decisões diante dos cenários de mudanças climáticas?

Pilau:
O desafio do produtor é o hoje. É preciso melhorar os sistemas de produção, torná-los o mais sustentável e produtivo possível. Assim estarão se preparando.

Fonte: Revista Canavieiros

As mudanças climáticas e a agricultura

14/11/2017

Atualmente as mudanças climáticas têm sido alvo
de diversas discussões e pesquisas científicas.
Especialistas verificaram que, nas últimas décadas,
ocorreu um significativo aumento da temperatura mundial e
uma das principais causas da atual tendência de aquecimento
global é a influência humana na expansão do efeito estufa.
Para falar sobre as mudanças climáticas e os seus impactos na
agricultura, a Revista Canavieiros entrevistou o professor do
Departamento de Engenharia de Biossistemas da ESALQ/
USP, Felipe Gustavo Pilau. Confira:
Revista Canavieiros: O que são as mudanças climáticas?
Felipe Gustavo Pilau: De forma simples e tradicionalmente
mencionada, a mudança climática se refere ao aumento
da temperatura média global. A principal causa seria
a alta taxa de emissão de gases de efeito estufa, que
amplificam a retenção de energia. Mas o que deve
ser mesmo considerado e o que de fato preocupa é a
variabilidade dos elementos do clima. O quanto mais frio
ou calor/seco ou úmido, etc. poderemos experimentar no
futuro.
Revista Canavieiros: Quais são os impactos da
mudança climática na agricultura?
Pilau: Podem, ou serão, muitos. Poderemos ter
impactos negativos, mas também positivos. Isso deve ser
analisado individualmente, pois envolve análise do clima
atual, das culturas e práticas executadas e das projeções
climáticas específicas para uma região. A título de
exemplo, podemos considerar a redução no número de
ocorrência de geadas nas regiões mais frias do Brasil.
Isso pode ser benéfico para os cereais de inverno, mas
prejudicar culturas que necessitam do frio para quebra
da dormência, como macieiras.
Revista Canavieiros: O aumento de temperatura e
concentração de CO2 (gás carbônico) atmosférico pode
interferir na produtividade no campo?
Pilau: Sim. O aumento da concentração de CO2 atmosférico
pode interferir positivamente na produtividade de algumas
espécies, principalmente as chamadas de C3 (mecanismo
fotossintético). Mas isso deve ser considerado conjuntamente
com a temperatura do ar. De nada adianta a planta ter mais
substrato (CO2), se a temperatura exceder o seu ótimo térmico.
Revista Canavieiros: O que nos espera em termos de
regime de chuva?
Pilau: Os modelos e projeções futuras ainda são
bastante incertos com relação a mudanças nos regimes
de chuva. Há muita divergência entre projeções de
diferentes centros de estudo.
10 Revista Canavieiros Outubro de 2017
Revista Canavieiros: O que está acontecendo com o
clima atualmente e o que poderá ocorrer daqui a 20 anos?
Pilau: Analisando algumas séries históricas de dados
meteorológicas, como a do Posto Meteorológico da ESALQ,
em Piracicaba-SP, percebe-se uma tendência de aumento
da temperatura ao longo do último século. Entretanto, é
difícil definirmos isso como mudança climática. Há 100
anos a cidade de Piracicaba era muito menor, distante do
ponto de observação meteorológica. Atualmente, a cidade se
aproximou muito desse local, e sua interferência é certa. Por
isso não podemos estabelecer que qualquer mudança local se
deve à condição global. Bem, mas isso também não pode ser
simplesmente ignorado, precisamos acompanhar e estudar.
Revista Canavieiros: A variabilidade, os extremos
são preocupantes? Por quê? Quais são os fatores
climáticos mais importantes para o crescimento e o
desenvolvimento de uma cultivar?
Pilau: Sim, isso é o que mais importa. Os principais
condicionantes meteorológicos da produtividade vegetal
são a temperatura do ar e chuva (disponibilidade hídrica).
Extremos desses elementos meteorológicos podem resultar
em muitos prejuízos. Ondas de frio e calor, excessos
hídricos ou longos períodos de estiagem, que extrapolem
a variabilidade já experimentada, deverão impactar não
apenas na agricultura, mas no nosso cotidiano. Basta
lembrar os reflexos da estiagem de 2014 sobre o Estado de
São Paulo.
Revista Canavieiros: Os sistemas integrados podem
driblar algum evento adverso?
Pilau: Não é para driblarmos as mudanças climáticas
que devemos pensar no sistema de produção, mas sim,
para vencermos as dificuldades atuais, que um clima
tropical impõe à agricultura. O agricultor não deveria
olhar individualmente para cada cultura/safra. Deveria
analisar sua produção continuamente, de forma integrada,
considerando a rotação de culturas como algo imprescindível
para a estabilidade e produtividade. Questões de nutrição
de plantas, sanitárias, meteorológicas, etc. são muito mais
facilmente contornadas quando a propriedade é manejada
dessa forma.
Revista Canavieiros: A pesquisa está trazendo
material genético capaz de resistir a momento de mais
chuva ou menos chuva?
Pilau: Há um bom tempo, as empresas consideram
essas questões em seus programas de melhoramento.
Com certeza, com o avanço das técnicas de manipulação
genética, e uso da biodiversidade brasileira, novas
variedades, mais adaptadas ou resistentes até mesmo às
condições meteorológicas adversas, irão surgir.
Revista Canavieiros: Ações propostas para reduzir
vulnerabilidade à mudança climática podem
ser insuficientes para tornar a agricultura mais
suscetível e resiliente aos impactos?
Pilau: As dificuldades atuais sejam meteorológicas,
sanitárias, etc., para se produzir alimento já são
grandes. Estamos vencendo-as e produzindo cada
vez mais. Acredito que seremos capazes de produzir
alimentos suficientes nas próximas décadas. Entretanto,
de nada adiantará todo o esforço no campo se outros
ramos de produção e a sociedade não colaborarem para
minimizar as mudanças do clima.
Revista Canavieiros: Que conselho o senhor daria
para ajudar o produtor rural a tomar decisões
diante dos cenários de mudanças climáticas?
Pilau: O desafio do produtor é o hoje. É preciso
melhorar os sistemas de produção, torná-los o mais
sustentável e produtivo possível. Assim estarão se
preparando.
Por: Fernanda Clariano

Atualmente as mudanças climáticas têm sido alvo de diversas discussões e pesquisas científicas. Especialistas verificaram que, nas últimas décadas, ocorreu um significativo aumento da temperatura mundial e uma das principais causas da atual tendência de aquecimento global é a influência humana na expansão do efeito estufa. Para falar sobre as mudanças climáticas e os seus impactos na agricultura, a Revista Canavieiros entrevistou o professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas da ESALQ/USP, Felipe Gustavo Pilau. Confira:

Revista Canavieiros:
O que são as mudanças climáticas?

Felipe Gustavo Pilau:
De forma simples e tradicionalmente mencionada, a mudança climática se refere ao aumento da temperatura média global. A principal causa seria a alta taxa de emissão de gases de efeito estufa, que amplificam a retenção de energia. Mas o que deve ser mesmo considerado e o que de fato preocupa é a variabilidade dos elementos do clima. O quanto mais frio ou calor/seco ou úmido, etc. poderemos experimentar no futuro.

Revista Canavieiros:
Quais são os impactos da mudança climática na agricultura?

Pilau:
Podem, ou serão, muitos. Poderemos ter impactos negativos, mas também positivos. Isso deve ser analisado individualmente, pois envolve análise do clima atual, das culturas e práticas executadas e das projeções climáticas específicas para uma região. A título de exemplo, podemos considerar a redução no número de ocorrência de geadas nas regiões mais frias do Brasil. Isso pode ser benéfico para os cereais de inverno, mas prejudicar culturas que necessitam do frio para quebra da dormência, como macieiras.

Revista Canavieiros:
O aumento de temperatura e concentração de CO2 (gás carbônico) atmosférico pode interferir na produtividade no campo?

Pilau:
Sim. O aumento da concentração de CO2 atmosférico pode interferir positivamente na produtividade de algumas espécies, principalmente as chamadas de C3 (mecanismo fotossintético). Mas isso deve ser considerado conjuntamente com a temperatura do ar. De nada adianta a planta ter mais substrato (CO2), se a temperatura exceder o seu ótimo térmico.

Revista Canavieiros:
O que nos espera em termos de regime de chuva?

Pilau:
Os modelos e projeções futuras ainda são bastante incertos com relação a mudanças nos regimes de chuva. Há muita divergência entre projeções de diferentes centros de estudo.

Revista Canavieiros:
O que está acontecendo com o clima atualmente e o que poderá ocorrer daqui a 20 anos?

Pilau:
Analisando algumas séries históricas de dados meteorológicas, como a do Posto Meteorológico da ESALQ, em Piracicaba-SP, percebe-se uma tendência de aumento da temperatura ao longo do último século. Entretanto, é difícil definirmos isso como mudança climática. Há 100 anos a cidade de Piracicaba era muito menor, distante do ponto de observação meteorológica. Atualmente, a cidade se aproximou muito desse local, e sua interferência é certa. Por isso não podemos estabelecer que qualquer mudança local se deve à condição global. Bem, mas isso também não pode ser simplesmente ignorado, precisamos acompanhar e estudar.

Revista Canavieiros:
A variabilidade, os extremos são preocupantes? Por quê? Quais são os fatores climáticos mais importantes para o crescimento e o desenvolvimento de uma cultivar?

Pilau:
Sim, isso é o que mais importa. Os principais condicionantes meteorológicos da produtividade vegetal são a temperatura do ar e chuva (disponibilidade hídrica). Extremos desses elementos meteorológicos podem resultar em muitos prejuízos. Ondas de frio e calor, excessos hídricos ou longos períodos de estiagem, que extrapolem a variabilidade já experimentada, deverão impactar não apenas na agricultura, mas no nosso cotidiano. Basta lembrar os reflexos da estiagem de 2014 sobre o Estado de São Paulo.

Revista Canavieiros:
Os sistemas integrados podem driblar algum evento adverso?

Pilau:
Não é para driblarmos as mudanças climáticas que devemos pensar no sistema de produção, mas sim, para vencermos as dificuldades atuais, que um clima tropical impõe à agricultura. O agricultor não deveria olhar individualmente para cada cultura/safra. Deveria analisar sua produção continuamente, de forma integrada, considerando a rotação de culturas como algo imprescindível para a estabilidade e produtividade. Questões de nutrição de plantas, sanitárias, meteorológicas, etc. são muito mais facilmente contornadas quando a propriedade é manejada dessa forma.

Revista Canavieiros:
A pesquisa está trazendo material genético capaz de resistir a momento de mais chuva ou menos chuva?

Pilau:
Há um bom tempo, as empresas consideram essas questões em seus programas de melhoramento. Com certeza, com o avanço das técnicas de manipulação genética, e uso da biodiversidade brasileira, novas variedades, mais adaptadas ou resistentes até mesmo às condições meteorológicas adversas, irão surgir.

Revista Canavieiros:
Ações propostas para reduzir vulnerabilidade à mudança climática podem ser insuficientes para tornar a agricultura mais suscetível e resiliente aos impactos?

Pilau:
As dificuldades atuais sejam meteorológicas, sanitárias, etc., para se produzir alimento já são grandes. Estamos vencendo-as e produzindo cada vez mais. Acredito que seremos capazes de produzir alimentos suficientes nas próximas décadas. Entretanto, de nada adiantará todo o esforço no campo se outros ramos de produção e a sociedade não colaborarem para minimizar as mudanças do clima.

Revista Canavieiros:
Que conselho o senhor daria para ajudar o produtor rural a tomar decisões diante dos cenários de mudanças climáticas?

Pilau:
O desafio do produtor é o hoje. É preciso melhorar os sistemas de produção, torná-los o mais sustentável e produtivo possível. Assim estarão se preparando.