http://www.ideaonline.com.br/conteudo/12-grande-encontro-sobre-variedades-de-cana-de-acucar.html
http://www.premiomulheresdoagro.com.br/
http://site.orplana.com.br/pages/caminhos-da-cana-2017/
http://https://www.fmcagricola.com.br/index.aspx
http://www.rgis.com.br

Aumenta fortemente o consumo de etanol

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13/12/2017
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O que aconteceu com nosso agro?

b (Companhia Nacional de Abastecimento) para a safra 2017/18, estima-se uma produção entre 223,3 a 227,5 milhões de toneladas, sendo 4,4 a 6,2% menor que a atual safra recorde. A área deve seguir crescendo quase 2%, atingindo entre 61 a 62 milhões de hectares. É esperada uma perda de produtividade entre 5 a 10%, principalmente por questões climáticas favoráveis que podem não se repetir nesta próxima safra. A safra de soja está estimada entre 106,4 e 108,6 milhões de toneladas, numa área cerca de 3% maior (entre 34,6 e 35,3 milhões de hectares) e a de milho entre 91,6 e 93,1 milhões, produzidos numa área de 7,5 a 11,5% menor, representando as duas culturas quase 90% da nossa produção de grãos. 
As exportações de outubro foram de US$ 8 bilhões, praticamente 40% acima de outubro de 2016, deixando um superavit de US$ 6,9 bilhões, impressionante salto. No acumulado de janeiro a outubro o agro trouxe US$ 82 bilhões, quase 12,2% acima de 2016. O superavit deixado pelo agro, quando se tira as importações, já esta em US$ 63,3 bilhões (9,9% acima). A soja trouxe US$ 1,5 bilhão no mês, as carnes trouxeram US$ 1,4 bilhão e açúcar/etanol algo próximo a US$ 1,1 bilhão.  Vale destacar o milho, que junto com outros cereais trouxeram US$ 824 milhões. No acumulado do ano, as carnes estão 8,8% acima trazendo quase US$ 13 bilhões, superando qualquer crise ligada à operação carne fraca e o complexo soja já nos trouxe desde janeiro praticamente US$ 30 bilhões.
Quando comparamos os preços atuais das commodities mais exportadas pelo Brasil com exatamente um ano atrás, o tombo é grande. No açúcar, é de quase 36%, no suco 22% e no café 18%. A soja está praticamente com o mesmo preço e o milho cerca de 1% acima. Pelo menos tivemos neste mês uma inexplicável, na minha opinião, desvalorização do real, o que significa mais reais pela mesma quantidade vendida. Não acreditava neste movimento do câmbio. 
O índice mensal de preços de commodities alimentares da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) chegou a 176,4 pontos, 1,3% abaixo de setembro e 4% acima de outubro de 2016. Cereais ficaram estáveis enquanto os óleos vegetais cairam 1,1%, os lácteos 4,2%, carnes 0,9% e o açúcar 0,7%. A FAO estima que a produção de grãos em 2017 vai atingir recorde de 2,612 bilhões de toneladas e utilizar 2,589 bilhões, jogando também os estoques para valores recordes de 720 milhões de toneladas (27% do consumo, o maior valor em 15 anos). Esta megaprodução tem mantido os preços, principalmente de soja e milho, estáveis e são boas as chances de permanecerem neste patamar.
Os preços da soja e do milho também permaneceram estáveis em outubro e início de novembro, nenhum fato marcante para alterá-los. A produção brasileira vem sendo semeada em bom ritmo, a produção dos EUA chegando à fase final da colheita, e a última estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) pouco variou com a soja permanecendo em 120,5 milhões de toneladas (3,5 milhões a mais que o ciclo 2016/17) e o milho em 370 milhões de toneladas, 8 milhões acima da última previsão e 14,5 milhões abaixo da última safra). Acredito que continuam estáveis. 
Estudo da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) chegou a um impressionante dado, que nossos produtores pagam 86% mais por insumos agrícolas que os produtores do Mercosul. Isto se deve a impostos e dificuldades para a importação destes insumos (máquinas, fertilizantes, defensivos). Somente a isenção de impostos em adubos e defensivos poderia derrubar seus preços em 20%. Isto nos leva a custos de produção maiores que os do Uruguai e Argentina. 
Boa notícia ao agro veio do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) que antecipou em um ano a obrigatoriedade de passar de 8 a 10% de mistura de biodiesel no diesel. A nova mistura tem que ser atingida em março de 2018. Como a soja representa 80% do biodiesel, estes dois pontos percentuais representarão o processamento de mais 1,5 milhão de toneladas de soja e 20 mil empregos, de acordo com a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais). Passaremos a alocar 43 milhões de toneladas para esta finalidade. Medida que vem em boa hora para reduzirmos importações de diesel (em cerca de US$ 2,2 bilhões) e empoderarmos o interior do país. 
A EPA (Agência Ambiental Americana) deve manter em 2018 os volumes obrigatórios para biocombustíveis, cuja data de divulgação é 30/11. Os convencionais, onde o milho é o principal, ficam em 15 bilhões de galões e os avançados, onde está a cana, ficariam em 4,24 bilhões de galões. O setor reivindica o aumento da mistura de 10 para 15% de etanol de milho na gasolina, o que para o agronegócio brasileiro seria excelente notícia.
É constante o repensar da função das tradings. Com safras grandes, melhoria da capacidade de armazenagem nas propriedades e cooperativas, informação amplamente disponível e de graça e menor volatilidade, seu espaço comercial vem diminuindo e estas vêm passando por processos de reestruturação e cortes de pessoal. Fora isto, na minha leitura o setor passará a ter cada vez mais grandes empresas chineses em 5 a 10 anos, afinal, para lá irão boa parte dos grãos.
Enfim, as notícias de outubro foram novamente boas ao agro, com desvalorização do real, exportações firmes e as chuvas que finalmente chegaram e possibilitaram os plantios em estados que nos preocupavam bastante. E mais espaço para colocar grãos nos combustíveis. Preços devem ficar como estão. 
Na segunda projeção da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento)para a safra 2017/18, estima-se uma produção entre 223,3 a 227,5 milhões de toneladas, sendo 4,4 a 6,2% menor que a atual safra recorde. A área deve seguir crescendo quase 2%, atingindo entre 61 a 62 milhões de hectares. É esperada uma perda de produtividade entre 5 a 10%, principalmente por questões climáticas favoráveis que podem não se repetir nesta próxima safra. A safra de soja está estimada entre 106,4 e 108,6 milhões de toneladas, numa área cerca de 3% maior (entre 34,6 e 35,3 milhões de hectares) e a de milho entre 91,6 e 93,1 milhões, produzidos numa área de 7,5 a 11,5% menor, representando as duas culturas quase 90% da nossa produção de grãos. 
As exportações de outubro foram de US$ 8 bilhões, praticamente 40% acima de outubro de 2016, deixando um superavit de US$ 6,9 bilhões, impressionante salto. No acumulado de janeiro a outubro o agro trouxe US$ 82 bilhões, quase 12,2% acima de 2016. O superavit deixado pelo agro, quando se tira as importações, já esta em US$ 63,3 bilhões (9,9% acima). A soja trouxe US$ 1,5 bilhão no mês, as carnes trouxeram US$ 1,4 bilhão e açúcar/etanol algo próximo a US$ 1,1 bilhão.  Vale destacar o milho, que junto com outros cereais trouxeram US$ 824 milhões. No acumulado do ano, as carnes estão 8,8% acima trazendo quase US$ 13 bilhões, superando qualquer crise ligada à operação carne fraca e o complexo soja já nos trouxe desde janeiro praticamente US$ 30 bilhões.
Quando comparamos os preços atuais das commodities mais exportadas pelo Brasil com exatamente um ano atrás, o tombo é grande. No açúcar, é de quase 36%, no suco 22% e no café 18%. A soja está praticamente com o mesmo preço e o milho cerca de 1% acima. Pelo menos tivemos neste mês uma inexplicável, na minha opinião, desvalorização do real, o que significa mais reais pela mesma quantidade vendida. Não acreditava neste movimento do câmbio. 
O índice mensal de preços de commodities alimentares da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) chegou a 176,4 pontos, 1,3% abaixo de setembro e 4% acima de outubro de 2016. Cereais ficaram estáveis enquanto os óleos vegetais cairam 1,1%, os lácteos 4,2%, carnes 0,9% e o açúcar 0,7%. A FAO estima que a produção de grãos em 2017 vai atingir recorde de 2,612 bilhões de toneladas e utilizar 2,589 bilhões, jogando também os estoques para valores recordes de 720 milhões de toneladas (27% do consumo, o maior valor em 15 anos). Esta megaprodução tem mantido os preços, principalmente de soja e milho, estáveis e são boas as chances de permanecerem neste patamar.
Os preços da soja e do milho também permaneceram estáveis em outubro e início de novembro, nenhum fato marcante para alterá-los. A produção brasileira vem sendo semeada em bom ritmo, a produção dos EUA chegando à fase final da colheita, e a última estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) pouco variou com a soja permanecendo em 120,5 milhões de toneladas (3,5 milhões a mais que o ciclo 2016/17) e o milho em 370 milhões de toneladas, 8 milhões acima da última previsão e 14,5 milhões abaixo da última safra). Acredito que continuam estáveis. 
Estudo da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) chegou a um impressionante dado, que nossos produtores pagam 86% mais por insumos agrícolas que os produtores do Mercosul. Isto se deve a impostos e dificuldades para a importação destes insumos (máquinas, fertilizantes, defensivos). Somente a isenção de impostos em adubos e defensivos poderia derrubar seus preços em 20%. Isto nos leva a custos de produção maiores que os do Uruguai e Argentina. 
Boa notícia ao agro veio do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) que antecipou em um ano a obrigatoriedade de passar de 8 a 10% de mistura de biodiesel no diesel. A nova mistura tem que ser atingida em março de 2018. Como a soja representa 80% do biodiesel, estes dois pontos percentuais representarão o processamento de mais 1,5 milhão de toneladas de soja e 20 mil empregos, de acordo com a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais). Passaremos a alocar 43 milhões de toneladas para esta finalidade. Medida que vem em boa hora para reduzirmos importações de diesel (em cerca de US$ 2,2 bilhões) e empoderarmos o interior do país. 
A EPA (Agência Ambiental Americana) deve manter em 2018 os volumes obrigatórios para biocombustíveis, cuja data de divulgação é 30/11. Os convencionais, onde o milho é o principal, ficam em 15 bilhões de galões e os avançados, onde está a cana, ficariam em 4,24 bilhões de galões. O setor reivindica o aumento da mistura de 10 para 15% de etanol de milho na gasolina, o que para o agronegócio brasileiro seria excelente notícia.
É constante o repensar da função das tradings. Com safras grandes, melhoria da capacidade de armazenagem nas propriedades e cooperativas, informação amplamente disponível e de graça e menor volatilidade, seu espaço comercial vem diminuindo e estas vêm passando por processos de reestruturação e cortes de pessoal. Fora isto, na minha leitura o setor passará a ter cada vez mais grandes empresas chineses em 5 a 10 anos, afinal, para lá irão boa parte dos grãos.
Enfim, as notícias de outubro foram novamente boas ao agro, com desvalorização do real, exportações firmes e as chuvas que finalmente chegaram e possibilitaram os plantios em estados que nos preocupavam bastante. E mais espaço para colocar grãos nos combustíveis. Preços devem ficar como estão. 


O que acontece com a nossa cana?
De acordo com a Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar), a moagem acumulada desta safra até o dia 1º de novembro foi de 529,6 milhões de toneladas, 1,97% menor que no mesmo período anterior. Já foram produzidos 33,10 milhões de toneladas de açúcar (2,8% a mais), e no etanol 22,60 bilhões de litros (-0,42%). O hidratado caiu 2,15%, para 12,86 bilhões de litros e o anidro subiu 1,97%, para 9,7 bilhões de litros. Como já observamos no último mês, o etanol está buscando os números do ano passado e pode ultrapassar neste mês, pois o mix ficou bem mais alcooleiro, alcançando 57,15% na quinzena, derrubando a produção de açúcar em 8,7%. Precisaria ser maior, mas é um bom caminho. 
No ATR houve boa melhoria, chegando a 137,80 kg/ton, contra 134 na safra anterior. 
A amostra do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) estima em 77,53 toneladas/ha desde o início desta safra, 1,58% menor.
O Brasil deve produzir menos açúcar em 2017/18 graças ao maior uso da cana para etanol. Preços do petróleo mais altos (perto de US$ 60 por barril) tem ajudado neste escoamento. A Biosev acredita em queda de 4,1 milhões de toneladas na proxima safra (de 36,2 milhões de toneladas para 32,1 milhões de toneladas) e a Datagro queda de 3,8 milhões de toneladas (de 36,4 milhões de toneladas em 2017-2018 para 32,6 milhões de toneladas na safra 2018-2019). Com isto, acredita que o superavit fique em apenas 430 mil toneladas na safra 2017/18, contra uma expectativa anterior de quase 3 milhões. É a empresa mais otimista, sendo que as demais ainda acreditam em superavit maior. A Copersucar acredita em queda de apenas 1,5 milhão de toneladas. 
Já a FCStone crê em produção de açúcar 5,5% menor, caindo para 33,3 milhões de toneladas e de etanol 5,1% maior, chegando a 26,1 bilhões de litros (10,7 bilhões de anidro e 15,4 bilhões hidratado, representando quase 9% a mais. O mix para etanol pularia de 53,4% para 56% e o superavit mundial de açúcar seria de 2,8 milhões de toneladas, puxado por ganhos na União Europeia, India e Paquistão. 
Nossa fixação também está baixa. Pela FCStone até o final de outubro apenas 18% haviam sido fixados, contra 28,5% nesta mesma época do ano anterior.
A Datagro acredita em processamento de apenas 580 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul em 2018/19 contra uma expectativa de 601 milhões de toneladas nesta safra. Devemos cair 3,5%, produzindo 25,3 bilhões de litros de etanol (1,2% a mais) e queda maior no açúcar que comentei acima. Entre os fatores que ajudarão o etanol estão os preços do petróleo e a tarifa aplicada na produção dos EUA, em 20%, do que exceder 600 milhões de litros. 
Bom o resultado da Biosev no segundo trimestre da safra. A empresa teve um lucro líquido de R$ 33 milhões. Foi impactante para este a desvalorização do real. A receita foi menor em 20%, devido à queda dos preços dos produtos, e também as despesas caíram bastante, contribuindo para este resultado. A empresa decidiu paralisar as operações da Usina Maracajú, triste notícia resultando na perda de 500 empregos, mas a cana consegue ser processada em unidades vizinhas, com ganho de eficiência.
Mesma análise para a São Martinho, que teve lucro de R$ 53 milhões no período. O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 391 milhões, com margem de 53%. Tal como parte importante do setor, a empresa está acumulando estoques para vender em momentos futuros de preços melhores. 
Outra empresa que anunciou resultados neste mês foi a Raizen Energia. Apresentou lucro líquido de R$ 390,8 milhões no segundo trimestre da atual safra, quase 30% superior que o da safra anterior. O da Cosan foi de R$ 393 milhões no período, alta de 43%, fruto da moagem de 28,3 milhões de toneladas de cana. O EBITDA foi de R$ 1,4 bilhão (50% superior) fruto das vendas de açúcar, etanol e energia elétrica. A Raizen deve fechar a safra com moagem entre 59 e 63 milhões de toneladas, produção de 4,3 milhões a 4,7 milhões de toneladas de açúcar) e o etanol ficando entre 2 bilhões e 2,3 bilhões de litros.
O endividamento das usinas no Centro-Sul aumentou 138% nos últimos 5 anos, de acordo com o Itau-BBA. 
A Pedra Angular, capitaneada por Winston Fritsch, ofereceu R$ 890 milhões para comprar a São Fernando, em Dourados (MS), a serem pagos em 20 anos, bem como desejam participar do leilão da Revati (Renuka). O valor presente seria de R$ 450 milhões (R$ 100 por tonelada). 
Começam a convergir as opiniões que a safra 2018/19 será menor que esta. Como teremos crescimento econômico e aumento de consumo de combustíveis, se os preços do Petróleo se mantiverem ao redor de US$ 60, alocaremos mais cana para etanol, contribuindo para recuperar os preços do açúcar e hoje analisando o conjunto de fatos na mesa, aposto que a safra 2018/19 terá um valor de ATR maior que esta. 

O que aconteceu com nosso açúcar?
Em outubro o Brasil exportou 2,88 milhões de toneladas de açúcar (2,47 milhões de toneladas de demerara e 412 mil toneladas de refinado), quase 17% a menos que setembro e 31% a mais que outubro de 2016. Este volume trouxe uma renda de US$ 1,030 bilhão (19,7% menor que setembro) e 18,4% a mais que outubro do ano passado. 
Até o momento em 2017 vendemos 24,587 milhões de toneladas (3,5% a mais que 2016), com renda de US$ 9,914 bilhões (mais 20,3%), fruto principalmente dos travamentos de preços feitos ano passado. Os dólares estão vindo ao setor.
Há expectativa de alguns melhores momentos de preços do açúcar até o início da safra, o que pode ajudar na fixação por parte das usinas, pelo maior uso de cana para etanol, perspectiva da safra brasileira terminar mais cedo e janela de safra do hemisfério norte. Mas até o momento, segundo a Archer, as nossas usinas haviam fixado até o final de outubro pouco menos de 20% da exportação esperada para o ciclo 2018/19 a um preço médio de 16,17 centavos de dólar por libra peso, sendo o menor número desde que a empresa faz este monitoramento.
Copersucar acredita que esta safra terminar em 595 milhões de toneladas, contra as 607 da safra anterior. 
A verdade é que o mundo está com muito açúcar. Nós fizemos mais do que devíamos, e ainda temos boas chances de boas produções e excedentes exportáveis na União Europeia, Índia, Tailândia, Ucrânia, Rússia e Paquistão. Resta saber a este preço médio, como fica a viabilidade produtiva em muitos destes países. Pode vir desestimulo pela frente e também aumentar o consumo, jogando pelo lado da subida dos preços. Ainda aposto que passamos de 16 centavos por libra peso antes da virada deste ano, algo que já venho dizendo aqui há 4 meses. 

O que acontece com nosso etanol?
Em setembro o volume vendido de hidratado foi de 1,34 bilhão de litros, de acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo). Desde o mês de julho aumentou o consumo graças ao aumento dos preços da gasolina em mais de 20%. Do início do ano até o final de setembro foram vendidos 9,431 bilhões de litros (16,1% abaixo deste mesmo período de 2016). Já para outubro as vendas de hidratado pelas Usinas do Centro-Sul cresceram 21%, num total de 1,5 bilhão de litros destinados às distribuidoras. 
Finalmente a chave foi virada para o lado do etanol, pena que muito tarde. A última quinzena de outubro já teve destino bem maior da cana para combustível, pulando de 51,3% para 57,15%. Na segunda quinzena de outubro, a produção foi quase 20% maior que o mesmo período do ano anterior, foram 1,57 bilha?o de litros (921,07 milho?es de litros de hidratado e 648,70 milho?es de anidro).
As exportac?o?es em outubro foram de 171,97 milho?es de litros, sendo praticamente 80% de anidro.
Analistas acreditam que mesmo com a tarifa de 20% existe grandes chances dos EUA mandarem muito etanol de milho ao Brasil. A Platts estima 1,7 bilhão de litros, chegando a tomar 40% do consumo no Nordeste, pois o Sudeste não conseguirá abastecer. É uma grande diferença quando comparamos com os 400 milhões de litros importados em 2014. Em isto acontecendo, vem mais polêmica por aí.
Aqui no Brasil também o etanol de milho já está na mesa. Produzimos neste ano 206,18 milhões de litros, contra pouco menos de 80 na safra passada. 
A São Martinho é uma das empresas que aguardou para vender e deve colher bons resultados. Segund a empresa, quase 64% do etanol desta safra está armazenado. 
A GraanBio adiou suas metas de produção de etanol de segunda geração. A usina em Alagoas está agora produzindo apenas energia, que está dando retorno muito maior.
Refinarias que forem mais eficientes que a média global em termos de emissões terão direito também aos benefícios do RenovaBio, que finalmente entrou no Congresso Nacional via projeto de lei. Agora é esperar para que tenha rápida tramitação e possamos entrar em nova fase de crescimento no Brasil. 
No fechamento da leitura o hidratado base Paulínia estava R$ 1,75 e o anidro R$ 1,90/litro. Acertei meu viés de alta para os preços que coloquei aqui há 4 meses, quem seguiu e estocou ganhou bastante e mantenho ainda que devem subir mais.

Haja Limão 
Que momento complicado estamos. Há duas candidaturas postas, mais radicais à esquerda e à direita e no centro ainda não surgiu um nome que possa enfrentar e vencer. Precisamos tomar muito cuidado, pois aparentemente os votos destas duas candidaturas estão se consolidando e já chegam a 55% do total. Com a soma dos brancos e nulos, fica difícil encaixar uma candidatura de centro que possa ir ao segundo turno. Isto no cenário do ex-presidente não ser condenado definitivamente até a eleição. O fato triste do mês foi a lamentável invasão e destruição da Fazenda Igarashi, ocorrida na Bahia, e uma carta com pontos sem nexo feita pelo Sr. Prefeito Municipal tentando encontrar justificativas para esta, como diz ele, “ocupação”. Fiquei contente, pois a postagem que fiz menos de dois dias depois da invasão denunciando esta atrocidade viralizou na web e pode ter contribuído para gerar alguma reação das autoridades e da mídia.

Quem é o homenageado do mês?

Todos os meses temos um grande homenageado aqui neste espaço e desta vez nossa singela homenagem vai ao Mario Campos Filho, do Siamig, jovem liderança do setor que tem feito excelente trabalho com diversas conquistas à cadeia produtiva.

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13/12/2017

O que aconteceu com nosso agro?

b (Companhia Nacional de Abastecimento) para a safra 2017/18, estima-se uma produção entre 223,3 a 227,5 milhões de toneladas, sendo 4,4 a 6,2% menor que a atual safra recorde. A área deve seguir crescendo quase 2%, atingindo entre 61 a 62 milhões de hectares. É esperada uma perda de produtividade entre 5 a 10%, principalmente por questões climáticas favoráveis que podem não se repetir nesta próxima safra. A safra de soja está estimada entre 106,4 e 108,6 milhões de toneladas, numa área cerca de 3% maior (entre 34,6 e 35,3 milhões de hectares) e a de milho entre 91,6 e 93,1 milhões, produzidos numa área de 7,5 a 11,5% menor, representando as duas culturas quase 90% da nossa produção de grãos. 
As exportações de outubro foram de US$ 8 bilhões, praticamente 40% acima de outubro de 2016, deixando um superavit de US$ 6,9 bilhões, impressionante salto. No acumulado de janeiro a outubro o agro trouxe US$ 82 bilhões, quase 12,2% acima de 2016. O superavit deixado pelo agro, quando se tira as importações, já esta em US$ 63,3 bilhões (9,9% acima). A soja trouxe US$ 1,5 bilhão no mês, as carnes trouxeram US$ 1,4 bilhão e açúcar/etanol algo próximo a US$ 1,1 bilhão.  Vale destacar o milho, que junto com outros cereais trouxeram US$ 824 milhões. No acumulado do ano, as carnes estão 8,8% acima trazendo quase US$ 13 bilhões, superando qualquer crise ligada à operação carne fraca e o complexo soja já nos trouxe desde janeiro praticamente US$ 30 bilhões.
Quando comparamos os preços atuais das commodities mais exportadas pelo Brasil com exatamente um ano atrás, o tombo é grande. No açúcar, é de quase 36%, no suco 22% e no café 18%. A soja está praticamente com o mesmo preço e o milho cerca de 1% acima. Pelo menos tivemos neste mês uma inexplicável, na minha opinião, desvalorização do real, o que significa mais reais pela mesma quantidade vendida. Não acreditava neste movimento do câmbio. 
O índice mensal de preços de commodities alimentares da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) chegou a 176,4 pontos, 1,3% abaixo de setembro e 4% acima de outubro de 2016. Cereais ficaram estáveis enquanto os óleos vegetais cairam 1,1%, os lácteos 4,2%, carnes 0,9% e o açúcar 0,7%. A FAO estima que a produção de grãos em 2017 vai atingir recorde de 2,612 bilhões de toneladas e utilizar 2,589 bilhões, jogando também os estoques para valores recordes de 720 milhões de toneladas (27% do consumo, o maior valor em 15 anos). Esta megaprodução tem mantido os preços, principalmente de soja e milho, estáveis e são boas as chances de permanecerem neste patamar.
Os preços da soja e do milho também permaneceram estáveis em outubro e início de novembro, nenhum fato marcante para alterá-los. A produção brasileira vem sendo semeada em bom ritmo, a produção dos EUA chegando à fase final da colheita, e a última estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) pouco variou com a soja permanecendo em 120,5 milhões de toneladas (3,5 milhões a mais que o ciclo 2016/17) e o milho em 370 milhões de toneladas, 8 milhões acima da última previsão e 14,5 milhões abaixo da última safra). Acredito que continuam estáveis. 
Estudo da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) chegou a um impressionante dado, que nossos produtores pagam 86% mais por insumos agrícolas que os produtores do Mercosul. Isto se deve a impostos e dificuldades para a importação destes insumos (máquinas, fertilizantes, defensivos). Somente a isenção de impostos em adubos e defensivos poderia derrubar seus preços em 20%. Isto nos leva a custos de produção maiores que os do Uruguai e Argentina. 
Boa notícia ao agro veio do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) que antecipou em um ano a obrigatoriedade de passar de 8 a 10% de mistura de biodiesel no diesel. A nova mistura tem que ser atingida em março de 2018. Como a soja representa 80% do biodiesel, estes dois pontos percentuais representarão o processamento de mais 1,5 milhão de toneladas de soja e 20 mil empregos, de acordo com a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais). Passaremos a alocar 43 milhões de toneladas para esta finalidade. Medida que vem em boa hora para reduzirmos importações de diesel (em cerca de US$ 2,2 bilhões) e empoderarmos o interior do país. 
A EPA (Agência Ambiental Americana) deve manter em 2018 os volumes obrigatórios para biocombustíveis, cuja data de divulgação é 30/11. Os convencionais, onde o milho é o principal, ficam em 15 bilhões de galões e os avançados, onde está a cana, ficariam em 4,24 bilhões de galões. O setor reivindica o aumento da mistura de 10 para 15% de etanol de milho na gasolina, o que para o agronegócio brasileiro seria excelente notícia.
É constante o repensar da função das tradings. Com safras grandes, melhoria da capacidade de armazenagem nas propriedades e cooperativas, informação amplamente disponível e de graça e menor volatilidade, seu espaço comercial vem diminuindo e estas vêm passando por processos de reestruturação e cortes de pessoal. Fora isto, na minha leitura o setor passará a ter cada vez mais grandes empresas chineses em 5 a 10 anos, afinal, para lá irão boa parte dos grãos.
Enfim, as notícias de outubro foram novamente boas ao agro, com desvalorização do real, exportações firmes e as chuvas que finalmente chegaram e possibilitaram os plantios em estados que nos preocupavam bastante. E mais espaço para colocar grãos nos combustíveis. Preços devem ficar como estão. 
Na segunda projeção da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento)para a safra 2017/18, estima-se uma produção entre 223,3 a 227,5 milhões de toneladas, sendo 4,4 a 6,2% menor que a atual safra recorde. A área deve seguir crescendo quase 2%, atingindo entre 61 a 62 milhões de hectares. É esperada uma perda de produtividade entre 5 a 10%, principalmente por questões climáticas favoráveis que podem não se repetir nesta próxima safra. A safra de soja está estimada entre 106,4 e 108,6 milhões de toneladas, numa área cerca de 3% maior (entre 34,6 e 35,3 milhões de hectares) e a de milho entre 91,6 e 93,1 milhões, produzidos numa área de 7,5 a 11,5% menor, representando as duas culturas quase 90% da nossa produção de grãos. 
As exportações de outubro foram de US$ 8 bilhões, praticamente 40% acima de outubro de 2016, deixando um superavit de US$ 6,9 bilhões, impressionante salto. No acumulado de janeiro a outubro o agro trouxe US$ 82 bilhões, quase 12,2% acima de 2016. O superavit deixado pelo agro, quando se tira as importações, já esta em US$ 63,3 bilhões (9,9% acima). A soja trouxe US$ 1,5 bilhão no mês, as carnes trouxeram US$ 1,4 bilhão e açúcar/etanol algo próximo a US$ 1,1 bilhão.  Vale destacar o milho, que junto com outros cereais trouxeram US$ 824 milhões. No acumulado do ano, as carnes estão 8,8% acima trazendo quase US$ 13 bilhões, superando qualquer crise ligada à operação carne fraca e o complexo soja já nos trouxe desde janeiro praticamente US$ 30 bilhões.
Quando comparamos os preços atuais das commodities mais exportadas pelo Brasil com exatamente um ano atrás, o tombo é grande. No açúcar, é de quase 36%, no suco 22% e no café 18%. A soja está praticamente com o mesmo preço e o milho cerca de 1% acima. Pelo menos tivemos neste mês uma inexplicável, na minha opinião, desvalorização do real, o que significa mais reais pela mesma quantidade vendida. Não acreditava neste movimento do câmbio. 
O índice mensal de preços de commodities alimentares da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) chegou a 176,4 pontos, 1,3% abaixo de setembro e 4% acima de outubro de 2016. Cereais ficaram estáveis enquanto os óleos vegetais cairam 1,1%, os lácteos 4,2%, carnes 0,9% e o açúcar 0,7%. A FAO estima que a produção de grãos em 2017 vai atingir recorde de 2,612 bilhões de toneladas e utilizar 2,589 bilhões, jogando também os estoques para valores recordes de 720 milhões de toneladas (27% do consumo, o maior valor em 15 anos). Esta megaprodução tem mantido os preços, principalmente de soja e milho, estáveis e são boas as chances de permanecerem neste patamar.
Os preços da soja e do milho também permaneceram estáveis em outubro e início de novembro, nenhum fato marcante para alterá-los. A produção brasileira vem sendo semeada em bom ritmo, a produção dos EUA chegando à fase final da colheita, e a última estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) pouco variou com a soja permanecendo em 120,5 milhões de toneladas (3,5 milhões a mais que o ciclo 2016/17) e o milho em 370 milhões de toneladas, 8 milhões acima da última previsão e 14,5 milhões abaixo da última safra). Acredito que continuam estáveis. 
Estudo da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) chegou a um impressionante dado, que nossos produtores pagam 86% mais por insumos agrícolas que os produtores do Mercosul. Isto se deve a impostos e dificuldades para a importação destes insumos (máquinas, fertilizantes, defensivos). Somente a isenção de impostos em adubos e defensivos poderia derrubar seus preços em 20%. Isto nos leva a custos de produção maiores que os do Uruguai e Argentina. 
Boa notícia ao agro veio do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) que antecipou em um ano a obrigatoriedade de passar de 8 a 10% de mistura de biodiesel no diesel. A nova mistura tem que ser atingida em março de 2018. Como a soja representa 80% do biodiesel, estes dois pontos percentuais representarão o processamento de mais 1,5 milhão de toneladas de soja e 20 mil empregos, de acordo com a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais). Passaremos a alocar 43 milhões de toneladas para esta finalidade. Medida que vem em boa hora para reduzirmos importações de diesel (em cerca de US$ 2,2 bilhões) e empoderarmos o interior do país. 
A EPA (Agência Ambiental Americana) deve manter em 2018 os volumes obrigatórios para biocombustíveis, cuja data de divulgação é 30/11. Os convencionais, onde o milho é o principal, ficam em 15 bilhões de galões e os avançados, onde está a cana, ficariam em 4,24 bilhões de galões. O setor reivindica o aumento da mistura de 10 para 15% de etanol de milho na gasolina, o que para o agronegócio brasileiro seria excelente notícia.
É constante o repensar da função das tradings. Com safras grandes, melhoria da capacidade de armazenagem nas propriedades e cooperativas, informação amplamente disponível e de graça e menor volatilidade, seu espaço comercial vem diminuindo e estas vêm passando por processos de reestruturação e cortes de pessoal. Fora isto, na minha leitura o setor passará a ter cada vez mais grandes empresas chineses em 5 a 10 anos, afinal, para lá irão boa parte dos grãos.
Enfim, as notícias de outubro foram novamente boas ao agro, com desvalorização do real, exportações firmes e as chuvas que finalmente chegaram e possibilitaram os plantios em estados que nos preocupavam bastante. E mais espaço para colocar grãos nos combustíveis. Preços devem ficar como estão. 


O que acontece com a nossa cana?
De acordo com a Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar), a moagem acumulada desta safra até o dia 1º de novembro foi de 529,6 milhões de toneladas, 1,97% menor que no mesmo período anterior. Já foram produzidos 33,10 milhões de toneladas de açúcar (2,8% a mais), e no etanol 22,60 bilhões de litros (-0,42%). O hidratado caiu 2,15%, para 12,86 bilhões de litros e o anidro subiu 1,97%, para 9,7 bilhões de litros. Como já observamos no último mês, o etanol está buscando os números do ano passado e pode ultrapassar neste mês, pois o mix ficou bem mais alcooleiro, alcançando 57,15% na quinzena, derrubando a produção de açúcar em 8,7%. Precisaria ser maior, mas é um bom caminho. 
No ATR houve boa melhoria, chegando a 137,80 kg/ton, contra 134 na safra anterior. 
A amostra do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) estima em 77,53 toneladas/ha desde o início desta safra, 1,58% menor.
O Brasil deve produzir menos açúcar em 2017/18 graças ao maior uso da cana para etanol. Preços do petróleo mais altos (perto de US$ 60 por barril) tem ajudado neste escoamento. A Biosev acredita em queda de 4,1 milhões de toneladas na proxima safra (de 36,2 milhões de toneladas para 32,1 milhões de toneladas) e a Datagro queda de 3,8 milhões de toneladas (de 36,4 milhões de toneladas em 2017-2018 para 32,6 milhões de toneladas na safra 2018-2019). Com isto, acredita que o superavit fique em apenas 430 mil toneladas na safra 2017/18, contra uma expectativa anterior de quase 3 milhões. É a empresa mais otimista, sendo que as demais ainda acreditam em superavit maior. A Copersucar acredita em queda de apenas 1,5 milhão de toneladas. 
Já a FCStone crê em produção de açúcar 5,5% menor, caindo para 33,3 milhões de toneladas e de etanol 5,1% maior, chegando a 26,1 bilhões de litros (10,7 bilhões de anidro e 15,4 bilhões hidratado, representando quase 9% a mais. O mix para etanol pularia de 53,4% para 56% e o superavit mundial de açúcar seria de 2,8 milhões de toneladas, puxado por ganhos na União Europeia, India e Paquistão. 
Nossa fixação também está baixa. Pela FCStone até o final de outubro apenas 18% haviam sido fixados, contra 28,5% nesta mesma época do ano anterior.
A Datagro acredita em processamento de apenas 580 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul em 2018/19 contra uma expectativa de 601 milhões de toneladas nesta safra. Devemos cair 3,5%, produzindo 25,3 bilhões de litros de etanol (1,2% a mais) e queda maior no açúcar que comentei acima. Entre os fatores que ajudarão o etanol estão os preços do petróleo e a tarifa aplicada na produção dos EUA, em 20%, do que exceder 600 milhões de litros. 
Bom o resultado da Biosev no segundo trimestre da safra. A empresa teve um lucro líquido de R$ 33 milhões. Foi impactante para este a desvalorização do real. A receita foi menor em 20%, devido à queda dos preços dos produtos, e também as despesas caíram bastante, contribuindo para este resultado. A empresa decidiu paralisar as operações da Usina Maracajú, triste notícia resultando na perda de 500 empregos, mas a cana consegue ser processada em unidades vizinhas, com ganho de eficiência.
Mesma análise para a São Martinho, que teve lucro de R$ 53 milhões no período. O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 391 milhões, com margem de 53%. Tal como parte importante do setor, a empresa está acumulando estoques para vender em momentos futuros de preços melhores. 
Outra empresa que anunciou resultados neste mês foi a Raizen Energia. Apresentou lucro líquido de R$ 390,8 milhões no segundo trimestre da atual safra, quase 30% superior que o da safra anterior. O da Cosan foi de R$ 393 milhões no período, alta de 43%, fruto da moagem de 28,3 milhões de toneladas de cana. O EBITDA foi de R$ 1,4 bilhão (50% superior) fruto das vendas de açúcar, etanol e energia elétrica. A Raizen deve fechar a safra com moagem entre 59 e 63 milhões de toneladas, produção de 4,3 milhões a 4,7 milhões de toneladas de açúcar) e o etanol ficando entre 2 bilhões e 2,3 bilhões de litros.
O endividamento das usinas no Centro-Sul aumentou 138% nos últimos 5 anos, de acordo com o Itau-BBA. 
A Pedra Angular, capitaneada por Winston Fritsch, ofereceu R$ 890 milhões para comprar a São Fernando, em Dourados (MS), a serem pagos em 20 anos, bem como desejam participar do leilão da Revati (Renuka). O valor presente seria de R$ 450 milhões (R$ 100 por tonelada). 
Começam a convergir as opiniões que a safra 2018/19 será menor que esta. Como teremos crescimento econômico e aumento de consumo de combustíveis, se os preços do Petróleo se mantiverem ao redor de US$ 60, alocaremos mais cana para etanol, contribuindo para recuperar os preços do açúcar e hoje analisando o conjunto de fatos na mesa, aposto que a safra 2018/19 terá um valor de ATR maior que esta. 

O que aconteceu com nosso açúcar?
Em outubro o Brasil exportou 2,88 milhões de toneladas de açúcar (2,47 milhões de toneladas de demerara e 412 mil toneladas de refinado), quase 17% a menos que setembro e 31% a mais que outubro de 2016. Este volume trouxe uma renda de US$ 1,030 bilhão (19,7% menor que setembro) e 18,4% a mais que outubro do ano passado. 
Até o momento em 2017 vendemos 24,587 milhões de toneladas (3,5% a mais que 2016), com renda de US$ 9,914 bilhões (mais 20,3%), fruto principalmente dos travamentos de preços feitos ano passado. Os dólares estão vindo ao setor.
Há expectativa de alguns melhores momentos de preços do açúcar até o início da safra, o que pode ajudar na fixação por parte das usinas, pelo maior uso de cana para etanol, perspectiva da safra brasileira terminar mais cedo e janela de safra do hemisfério norte. Mas até o momento, segundo a Archer, as nossas usinas haviam fixado até o final de outubro pouco menos de 20% da exportação esperada para o ciclo 2018/19 a um preço médio de 16,17 centavos de dólar por libra peso, sendo o menor número desde que a empresa faz este monitoramento.
Copersucar acredita que esta safra terminar em 595 milhões de toneladas, contra as 607 da safra anterior. 
A verdade é que o mundo está com muito açúcar. Nós fizemos mais do que devíamos, e ainda temos boas chances de boas produções e excedentes exportáveis na União Europeia, Índia, Tailândia, Ucrânia, Rússia e Paquistão. Resta saber a este preço médio, como fica a viabilidade produtiva em muitos destes países. Pode vir desestimulo pela frente e também aumentar o consumo, jogando pelo lado da subida dos preços. Ainda aposto que passamos de 16 centavos por libra peso antes da virada deste ano, algo que já venho dizendo aqui há 4 meses. 

O que acontece com nosso etanol?
Em setembro o volume vendido de hidratado foi de 1,34 bilhão de litros, de acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo). Desde o mês de julho aumentou o consumo graças ao aumento dos preços da gasolina em mais de 20%. Do início do ano até o final de setembro foram vendidos 9,431 bilhões de litros (16,1% abaixo deste mesmo período de 2016). Já para outubro as vendas de hidratado pelas Usinas do Centro-Sul cresceram 21%, num total de 1,5 bilhão de litros destinados às distribuidoras. 
Finalmente a chave foi virada para o lado do etanol, pena que muito tarde. A última quinzena de outubro já teve destino bem maior da cana para combustível, pulando de 51,3% para 57,15%. Na segunda quinzena de outubro, a produção foi quase 20% maior que o mesmo período do ano anterior, foram 1,57 bilha?o de litros (921,07 milho?es de litros de hidratado e 648,70 milho?es de anidro).
As exportac?o?es em outubro foram de 171,97 milho?es de litros, sendo praticamente 80% de anidro.
Analistas acreditam que mesmo com a tarifa de 20% existe grandes chances dos EUA mandarem muito etanol de milho ao Brasil. A Platts estima 1,7 bilhão de litros, chegando a tomar 40% do consumo no Nordeste, pois o Sudeste não conseguirá abastecer. É uma grande diferença quando comparamos com os 400 milhões de litros importados em 2014. Em isto acontecendo, vem mais polêmica por aí.
Aqui no Brasil também o etanol de milho já está na mesa. Produzimos neste ano 206,18 milhões de litros, contra pouco menos de 80 na safra passada. 
A São Martinho é uma das empresas que aguardou para vender e deve colher bons resultados. Segund a empresa, quase 64% do etanol desta safra está armazenado. 
A GraanBio adiou suas metas de produção de etanol de segunda geração. A usina em Alagoas está agora produzindo apenas energia, que está dando retorno muito maior.
Refinarias que forem mais eficientes que a média global em termos de emissões terão direito também aos benefícios do RenovaBio, que finalmente entrou no Congresso Nacional via projeto de lei. Agora é esperar para que tenha rápida tramitação e possamos entrar em nova fase de crescimento no Brasil. 
No fechamento da leitura o hidratado base Paulínia estava R$ 1,75 e o anidro R$ 1,90/litro. Acertei meu viés de alta para os preços que coloquei aqui há 4 meses, quem seguiu e estocou ganhou bastante e mantenho ainda que devem subir mais.

Haja Limão 
Que momento complicado estamos. Há duas candidaturas postas, mais radicais à esquerda e à direita e no centro ainda não surgiu um nome que possa enfrentar e vencer. Precisamos tomar muito cuidado, pois aparentemente os votos destas duas candidaturas estão se consolidando e já chegam a 55% do total. Com a soma dos brancos e nulos, fica difícil encaixar uma candidatura de centro que possa ir ao segundo turno. Isto no cenário do ex-presidente não ser condenado definitivamente até a eleição. O fato triste do mês foi a lamentável invasão e destruição da Fazenda Igarashi, ocorrida na Bahia, e uma carta com pontos sem nexo feita pelo Sr. Prefeito Municipal tentando encontrar justificativas para esta, como diz ele, “ocupação”. Fiquei contente, pois a postagem que fiz menos de dois dias depois da invasão denunciando esta atrocidade viralizou na web e pode ter contribuído para gerar alguma reação das autoridades e da mídia.

Quem é o homenageado do mês?

Todos os meses temos um grande homenageado aqui neste espaço e desta vez nossa singela homenagem vai ao Mario Campos Filho, do Siamig, jovem liderança do setor que tem feito excelente trabalho com diversas conquistas à cadeia produtiva.