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Aumento da produção de soja passa por desafios tecnológicos, diz Embrapa

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Geral

20/11/2018
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A demanda mundial por soja deverá atingir 700 milhões de toneladas em 2050, o dobro da atual. Assim como já ocorre atualmente, o Brasil será um dos principias fornecedores da oleaginosa no mundo.
 
A soja já é, de longe, o principal produto agrícola do país. Ela representa 36% do valor bruto de produção e 33% das exportações do agronegócio.
 
O aumento da produção não depende só de uma demanda externa maior, mas passa também por alguns desafios internos e avanços tecnológicos.
 
Entre os desafios internos estão transporte, armazenagem, política agrícola, estrutura tributária e incentivo à agregação de valor.
 
Um item importante nesse rol de desafios, contudo, é o da geração de tecnologia e apoio à sua transferência ao campo. Essas ponderações são de pesquisadores da Embrapa que estão lançando uma série de estudos de avaliação do agronegócio brasileiro.
 
Os desafios tecnológicos a serem vencidos na soja estão nas áreas fitossanitária, de manejo de solo e a obtenção de variedades de alta produtividade.
 
Rendimento estagnado próximo de 3,3 toneladas por hectare e custos em ascensão são os grandes gargalos do setor. Na área fitossanitária, o principal desafio vem da ferrugem asiática, doença que consome US$ 2,8 bilhões por ano dos produtores.
 
A perda da eficiência dos fungicidas no combate à doença reforça a necessidade das medidas legislativas --impondo o vazio sanitário no setor-- e a dependência da resistência genética da soja.
 
Outro grande fator de perda da produtividade nas lavouras são os percevejos. O desenvolvimento de cultivares tolerantes ao ataque deles é importante para o manejo dessa praga, segundo os pesquisadores da Embrapa.
 
Os nematoides, que causam atrofiamento da planta e inibem a produtividade da soja, também estão na lista das grandes preocupações.
 
Rotação de culturas, modificações do ambiente e da nutrição e utilização de cultivares resistentes podem reduzir a ação da praga.
 
Outro gargalo no setor são as plantas resistentes a herbicidas, que começam a elevar gastos e reduzir a produtividade. Para os pesquisadores, é necessário um desenvolvimento tecnológico de um sistema de controle dessas plantas daninhas.
 
A produtividade depende, ainda, do manejo do solo. As características físicas, mecânicas, químicas e biológicas do solo devem estar dentro de um equilíbrio ideal. O imediatismo da produção poderá trazer sérias consequências para a sustentabilidade do agronegócio, segundo os pesquisadores.
 
Outro desafio para a produtividade brasileira passa a ser as condições climáticas. De 2004 a 2014, apenas na região Sul, o país perdeu US$ 27 bilhões com efeitos climáticos. No futuro, será vital a disponibilidade de cultivares comerciais de soja tolerantes à seca.
 
O aumento da produção no Brasil terá de vir da elevação da produtividade, segundo a Embrapa. É preciso um esforço de transferência de tecnologia em grande escala e de forma permanente.
 
Para os pesquisadores, países que optarem por obter maior produtividade vão melhorar sensivelmente a posição no mercado internacional.
 
*Texto extraído da coluna Vaivém das Commodities

Fonte: Folha de S. Paulo

Aumento da produção de soja passa por desafios tecnológicos, diz Embrapa

20/11/2018

A demanda mundial por soja deverá atingir 700 milhões de toneladas em 2050, o dobro da atual. Assim como já ocorre atualmente, o Brasil será um dos principias fornecedores da oleaginosa no mundo.
 
A soja já é, de longe, o principal produto agrícola do país. Ela representa 36% do valor bruto de produção e 33% das exportações do agronegócio.
 
O aumento da produção não depende só de uma demanda externa maior, mas passa também por alguns desafios internos e avanços tecnológicos.
 
Entre os desafios internos estão transporte, armazenagem, política agrícola, estrutura tributária e incentivo à agregação de valor.
 
Um item importante nesse rol de desafios, contudo, é o da geração de tecnologia e apoio à sua transferência ao campo. Essas ponderações são de pesquisadores da Embrapa que estão lançando uma série de estudos de avaliação do agronegócio brasileiro.
 
Os desafios tecnológicos a serem vencidos na soja estão nas áreas fitossanitária, de manejo de solo e a obtenção de variedades de alta produtividade.
 
Rendimento estagnado próximo de 3,3 toneladas por hectare e custos em ascensão são os grandes gargalos do setor. Na área fitossanitária, o principal desafio vem da ferrugem asiática, doença que consome US$ 2,8 bilhões por ano dos produtores.
 
A perda da eficiência dos fungicidas no combate à doença reforça a necessidade das medidas legislativas --impondo o vazio sanitário no setor-- e a dependência da resistência genética da soja.
 
Outro grande fator de perda da produtividade nas lavouras são os percevejos. O desenvolvimento de cultivares tolerantes ao ataque deles é importante para o manejo dessa praga, segundo os pesquisadores da Embrapa.
 
Os nematoides, que causam atrofiamento da planta e inibem a produtividade da soja, também estão na lista das grandes preocupações.
 
Rotação de culturas, modificações do ambiente e da nutrição e utilização de cultivares resistentes podem reduzir a ação da praga.
 
Outro gargalo no setor são as plantas resistentes a herbicidas, que começam a elevar gastos e reduzir a produtividade. Para os pesquisadores, é necessário um desenvolvimento tecnológico de um sistema de controle dessas plantas daninhas.
 
A produtividade depende, ainda, do manejo do solo. As características físicas, mecânicas, químicas e biológicas do solo devem estar dentro de um equilíbrio ideal. O imediatismo da produção poderá trazer sérias consequências para a sustentabilidade do agronegócio, segundo os pesquisadores.
 
Outro desafio para a produtividade brasileira passa a ser as condições climáticas. De 2004 a 2014, apenas na região Sul, o país perdeu US$ 27 bilhões com efeitos climáticos. No futuro, será vital a disponibilidade de cultivares comerciais de soja tolerantes à seca.
 
O aumento da produção no Brasil terá de vir da elevação da produtividade, segundo a Embrapa. É preciso um esforço de transferência de tecnologia em grande escala e de forma permanente.
 
Para os pesquisadores, países que optarem por obter maior produtividade vão melhorar sensivelmente a posição no mercado internacional.
 
*Texto extraído da coluna Vaivém das Commodities