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Coluna Caipirinha: As esperanças estão no hidratado

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Agronegócio

07/03/2018
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- Na economia e política os destaques do mês são bons. O mais recente Relatório Focus do Banco Central estima o PIB (Produto Interno Bruto) em 2018 crescendo 2,80% e em 2019 outros 3,00%. A inflação seria de 3,84% em 2018 e 4,25% em 2019. Em relação à taxa de juros, estima-se 6,75% em dezembro deste ano e 8,00% no final de 2019 e para o câmbio têm-se R$/US$ 3,30 (dez/2018) e R$/US$ 3,39 (dez/2019). Além desta melhora na confiança, tivemos um surpreendente crescimento do PIB de mais de 1% em 2017. Resta torcer que a postergação da fundamental votação da reforma da Previdência não freie este ânimo, sendo nosso maior risco neste momento, graças à necessária operação no Rio de Janeiro, que tem minha torcida, para depois se espalhar pelo Brasil.

- Outro importante ponto é que vem caindo no esquecimento muito mais rápido que eu previa na imprensa e nos debates das pessoas o nome de Lula da Silva, e as contundentes declarações de importantes membros do Judiciário que as regras não vão mudar me trazem a convicção que as eleições de outubro não terão seu nome, e ainda sem Luciano Huck, que anunciou desistência, as peças começam a ficar mais claras no tabuleiro, caso não apareçam mais surpresas.

- No agro, deste janeiro as exportações foram de US$ 6,1 bilhões (5% acima de janeiro de 2017) e retirando-se as importações de US$ 1,23 bilhões, ficou um superávit 7% maior, de US$ 4,9 bilhões. Trouxemos US$ 1,23 bilhão no complexo soja, recorde para o mês, seguido pelos produtos florestais com US$ 1,15 bilhão (também recorde) e US$ 1,1 bilhão em carnes com grande destaque para a carne bovina, que aumentou quase 25%. A China aumentou em janeiro suas compras do agro brasileiro em quase 30%, importando US$ 1,16 bilhão e atingindo 19% do total. Bom início de ano ao agroexportador.

- Em relação aos preços dos principais produtos, o índice das commodities alimentares (índice da FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) ficou estável em 169,5 pontos. Cereais subiram um pouco (2,5%), lácteos (2,4%) e açúcares (1,6%) caíram e estabilidade em preços de óleos vegetais e carnes. Mas quando comparado a janeiro do ano passado, os preços caíram 3%.A soja deu alguma recuperada, milho andando meio de lado. Muitas incertezas ainda, pois as chuvas estão maiores que as esperadas em diversas regiões, atrasando a colheita e colocando riscos maiores para a segunda safra. Mas até então não podemos reclamar, o caminhar da safra 2017/18 tem surpreendido e a Agroconsult, com o consagrado Rally da Safra, já acredita ser possível superar na soja as 114,1 milhões de toneladas da safra anterior, mesmo com atrasos de plantios em alguns locais. Como este ano com atrasos de plantio a situação do transporte para exportação deve ficar mais delicada, trabalhos preventivos do Governo nas principais rodovias, principalmente a BR 163 devem ser feitos. Fica o alerta para a prevenção.

- A CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) não tem o mesmo otimismo e revisou a estimativa para baixo em 1,1%. Produziremos agora de grãos 225,57 milho?es de toneladas (5,1% menor que a anterior). A a?rea plantada é de 61,01 milho?es de hectares, apenas 0,2% maior que a anterior. No milho estão as maiores perdas, cairemos de quase 98 para 88 milhões de toneladas, com menor área e produtividade. Já na soja teríamos 111,5 milhões de toneladas, contra 114 milhões da safra anterior, e em 3,3% a mais de área, portanto com produtividade menor, mas a estimativa atual é maior que a de janeiro. Isto posto, o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) também reduziu a expectativa de renda agropecuária de 2018, para R$ 516,5 bilhões, mais de 1% abaixo da estimativa de janeiro e 5% menor que a última safra, dividida em R$ 343,8 bilhões para a renda agrícola (6,3% menor) e R$ 172,6 bilhões para a renda da pecuária (2,3% menor que 2017).

- Destaco também duas notícias no âmbito das organizações. A primeira, da Bunge,que anunciou prejuízo no quarto trimestre de 2016, de US$ 60 milhões, afetado em parte pelas operações com açúcar e etanol, onde a receita caiu 14,2%. Também caíram as margens tanto para industrializar grãos como comercializar no Brasil, refletindo os tempos mais difíceis para as tradings, tema que trabalhei ano passado. Saíram matérias na imprensa de uma possível fusão com a ADM, criando empresa do tamanho da Cargill. A ADM é forte nos EUA e a Bunge no Brasil, e uma nova organização já teria mais equilíbrio. Em 2017,das exportações brasileiras de soja em grãos, a Cargill foi responsável por 9,6 milhões de toneladas, seguida pela Bunge com 9,4 milhões e a ADM com 7,6 milhões. Para complicar ainda mais a vida das tradings, a reforma fiscal recente dos EUA abre mais espaço para cooperativas, e pode levar empresas a atuarem desta forma. É o Artigo 199A, que reza aos agricultores a dedução de 20% de receitas nas tributações de rendimentos pelo Imposto de Renda Federal. Para outras empresas também se abate 20%, mas do lucro líquido, estando aí a diferença contra as tradings. Mas esperam que o Congresso possa alterar esta diferença. Porém, até que se mude, se é que vai mudar, ficam alterações de canais de vendas já sendo feitas pelos produtores e muitas empresas já começam a se transformar em cooperativas.

- Finalizando o mês, a produção está vindo bem, confiança voltando, economia melhor em breve reage o consumo e neste momento para os preços devemos observar o clima no Brasil e na Argentina, mesmo com boas produções e bons estoques, estes fatos são os destaques. Não podemos atrasar muito a segunda safra e colocar em risco a produção.

Confira matéria completa na página 22 da edição de fevereiro. Clique AQUI.

Fonte: Revista Canavieiros

Coluna Caipirinha: As esperanças estão no hidratado

07/03/2018

 
- Na economia e política os destaques do mês são bons. O mais recente Relatório Focus do Banco Central estima o PIB (Produto Interno Bruto) em 2018 crescendo 2,80% e em 2019 outros 3,00%. A inflação seria de 3,84% em 2018 e 4,25% em 2019. Em relação à taxa de juros, estima-se 6,75% em dezembro deste ano e 8,00% no final de 2019 e para o câmbio têm-se R$/US$ 3,30 (dez/2018) e R$/US$ 3,39 (dez/2019). Além desta melhora na confiança, tivemos um surpreendente crescimento do PIB de mais de 1% em 2017. Resta torcer que a postergação da fundamental votação da reforma da Previdência não freie este ânimo, sendo nosso maior risco neste momento, graças à necessária operação no Rio de Janeiro, que tem minha torcida, para depois se espalhar pelo Brasil.

- Outro importante ponto é que vem caindo no esquecimento muito mais rápido que eu previa na imprensa e nos debates das pessoas o nome de Lula da Silva, e as contundentes declarações de importantes membros do Judiciário que as regras não vão mudar me trazem a convicção que as eleições de outubro não terão seu nome, e ainda sem Luciano Huck, que anunciou desistência, as peças começam a ficar mais claras no tabuleiro, caso não apareçam mais surpresas.

- No agro, deste janeiro as exportações foram de US$ 6,1 bilhões (5% acima de janeiro de 2017) e retirando-se as importações de US$ 1,23 bilhões, ficou um superávit 7% maior, de US$ 4,9 bilhões. Trouxemos US$ 1,23 bilhão no complexo soja, recorde para o mês, seguido pelos produtos florestais com US$ 1,15 bilhão (também recorde) e US$ 1,1 bilhão em carnes com grande destaque para a carne bovina, que aumentou quase 25%. A China aumentou em janeiro suas compras do agro brasileiro em quase 30%, importando US$ 1,16 bilhão e atingindo 19% do total. Bom início de ano ao agroexportador.

- Em relação aos preços dos principais produtos, o índice das commodities alimentares (índice da FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) ficou estável em 169,5 pontos. Cereais subiram um pouco (2,5%), lácteos (2,4%) e açúcares (1,6%) caíram e estabilidade em preços de óleos vegetais e carnes. Mas quando comparado a janeiro do ano passado, os preços caíram 3%.A soja deu alguma recuperada, milho andando meio de lado. Muitas incertezas ainda, pois as chuvas estão maiores que as esperadas em diversas regiões, atrasando a colheita e colocando riscos maiores para a segunda safra. Mas até então não podemos reclamar, o caminhar da safra 2017/18 tem surpreendido e a Agroconsult, com o consagrado Rally da Safra, já acredita ser possível superar na soja as 114,1 milhões de toneladas da safra anterior, mesmo com atrasos de plantios em alguns locais. Como este ano com atrasos de plantio a situação do transporte para exportação deve ficar mais delicada, trabalhos preventivos do Governo nas principais rodovias, principalmente a BR 163 devem ser feitos. Fica o alerta para a prevenção.

- A CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) não tem o mesmo otimismo e revisou a estimativa para baixo em 1,1%. Produziremos agora de grãos 225,57 milho?es de toneladas (5,1% menor que a anterior). A a?rea plantada é de 61,01 milho?es de hectares, apenas 0,2% maior que a anterior. No milho estão as maiores perdas, cairemos de quase 98 para 88 milhões de toneladas, com menor área e produtividade. Já na soja teríamos 111,5 milhões de toneladas, contra 114 milhões da safra anterior, e em 3,3% a mais de área, portanto com produtividade menor, mas a estimativa atual é maior que a de janeiro. Isto posto, o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) também reduziu a expectativa de renda agropecuária de 2018, para R$ 516,5 bilhões, mais de 1% abaixo da estimativa de janeiro e 5% menor que a última safra, dividida em R$ 343,8 bilhões para a renda agrícola (6,3% menor) e R$ 172,6 bilhões para a renda da pecuária (2,3% menor que 2017).

- Destaco também duas notícias no âmbito das organizações. A primeira, da Bunge,que anunciou prejuízo no quarto trimestre de 2016, de US$ 60 milhões, afetado em parte pelas operações com açúcar e etanol, onde a receita caiu 14,2%. Também caíram as margens tanto para industrializar grãos como comercializar no Brasil, refletindo os tempos mais difíceis para as tradings, tema que trabalhei ano passado. Saíram matérias na imprensa de uma possível fusão com a ADM, criando empresa do tamanho da Cargill. A ADM é forte nos EUA e a Bunge no Brasil, e uma nova organização já teria mais equilíbrio. Em 2017,das exportações brasileiras de soja em grãos, a Cargill foi responsável por 9,6 milhões de toneladas, seguida pela Bunge com 9,4 milhões e a ADM com 7,6 milhões. Para complicar ainda mais a vida das tradings, a reforma fiscal recente dos EUA abre mais espaço para cooperativas, e pode levar empresas a atuarem desta forma. É o Artigo 199A, que reza aos agricultores a dedução de 20% de receitas nas tributações de rendimentos pelo Imposto de Renda Federal. Para outras empresas também se abate 20%, mas do lucro líquido, estando aí a diferença contra as tradings. Mas esperam que o Congresso possa alterar esta diferença. Porém, até que se mude, se é que vai mudar, ficam alterações de canais de vendas já sendo feitas pelos produtores e muitas empresas já começam a se transformar em cooperativas.

- Finalizando o mês, a produção está vindo bem, confiança voltando, economia melhor em breve reage o consumo e neste momento para os preços devemos observar o clima no Brasil e na Argentina, mesmo com boas produções e bons estoques, estes fatos são os destaques. Não podemos atrasar muito a segunda safra e colocar em risco a produção.

Confira matéria completa na página 22 da edição de fevereiro. Clique AQUI.