http://www.ideaonline.com.br/conteudo/12-grande-encontro-sobre-variedades-de-cana-de-acucar.html
http://site.orplana.com.br/pages/caminhos-da-cana-2017/
http://https://www.fmcagricola.com.br/index.aspx

Pesquisas que movem o setor

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Agronegócio

15/05/2018

Por: Diana Nascimento
 
Realizado no dia 15 de março, no auditório do Centro de Cana do IAC, em Ribeirão Preto, o Simpósio Integração da Pesquisa Pública com cana-de-açúcar no Brasil,reuniu instituições públicas e privadas, produtores, empresários, especialistas, gestores e interessados no tema para tratar sobre as novas tecnologias, tendências e desafios para o setor sucroenergético.

Durante a abertura, o diretor técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues, comentou que o setor possui um potencial ainda muito grande para dar um salto em produtividade. “O encontro acontece em momento propício na busca de produtividade e da redução de custos. Temos muito a fazer”, afirmou.

Para o presidente da Orplana, Eduardo Romão, a tecnologia está disponível e a extensão rural é fundamental para a mudança de comportamento e aderência às pesquisas.
Celso Moretti, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, destacou que investir em ciência, tecnologia e formação de conhecimento é essencial para que a cadeia produtiva da cana siga pujante em todo o Brasil.

O então secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, salientou que a inovação e integração fazem toda a diferença. “Temos o desafio da produtividade, novos modelos e definição de financiamento e fomento à pesquisa agropecuária. O evento de hoje é um ótimo início para que essa jornada se inicie”, disse.
Durante o primeiro painel que abordou a situação atual e perspectivas do setor, o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, comentou que são necessários investimentos na área de pesquisa.

“Tem muita unidade que não acredita em inovação e pesquisa, já outras estão à frente. Precisamos de um trabalho de conscientização sobre isso, aumentar os dias de campo, networking, trocar ideias, discutir mais sobre a sistematização, o que o vizinho está fazendo. Por outro lado, a grande questão é a falta de recurso. Investimos pouco em pesquisa e inovação. O setor precisa colocar um pouco de recurso nisso”, ressaltou Rocha.

Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Abag e diretor da Canaplan, apontou para a química verde através de processos inovadores com uso integral de biomassa e sinergia. Ele também elencou algumas questões setoriais como eleições, regulação do RenovaBio, Rota 2030, Reforma Tributária, proteção do açúcar, terra para estrangeiro, pressões ambientais e clima global.

“O processo de descarbonização é fundamental, assim como a pesquisa, o desenvolvimento e recursos humanos. É preciso recuperar a produtividade agroindustrial”, alegou Carvalho.

O professor da FEA/USP, Marcos Fava Neves, apresentou propostas para uma agenda estratégica em cana-de-açúcar. Entre elas estão gestão por metro quadrado do canavial; gestão pela economia do compartilhamento; gestão pela economia circular individual ou integrada regional e diversificação de atividades; busca da eficiência industrial; fortalecimento do diálogo e associativismo no setor;implementação do Consecana Pro Int; integração total da pesquisa e desenvolvimento público e alianças com o setor privado, melhorar a comunicação do setor e criação de uma estrutura de distribuição de varejo de etanol pelas cooperativas integradas e utilização dos postos como embaixada do eco.

Hugo Molinari, pesquisador no Laboratório de Genética e Biotecnologia da Embrapa Agroenergia, apresentou as contribuições e impactos da Rede Pluricana para o setor sucroenergético que engloba 22 instituições com expertise (7 UDs da Embrapa, 10 universidades Ridesa, 3 universidades e 2 institutos estaduais de pesquisa).

A rede possui estações de cruzamento e trabalha no melhoramento genético e biotecnologia, fixação biológica de nitrogênio, fitossanidade, cogeração e produção de biomoléculas.

“Esta rede de competências e instituições públicas, iniciada pelo projeto Pluricana/Finep, é um embrião que visa alavancar as pesquisas necessárias – atuais e futuras para o setor sucroenergético, mas para isso é necessária a alocação de recursos de forma contínua e estável. Tais recursos são fundamentais para a manutenção e ampliação desta rede, visando atender a demanda do setor sucroenergético”, comentou Molinari.

O painel finalizou com a uma proposta de criação de um fundo para P&D em cana-de-açúcar para o setor, apresentada pela pesquisadora da Embrapa Nilza Patrícia Ramos.
Segundo Patrícia, há falta de desenvolvimento em temas com menor apelo comercial como sistemas de produção, por exemplo.

Para potencializar os poucos recursos públicos e privados, ela sugere que os mesmos sejam geridos pelo próprio setor. O incentivo à cooperação entre instituições públicas e privadas para canalizar e complementar esforços e a cooperação entre produtores para definir e financiar pesquisas de interesse, de forma voluntária, também são as apostas da pesquisadora.

Sobre a proposta, ela explica que o objetivo é criar um fundo de Pesquisa e Desenvolvimento em cana, sinalizando as pesquisas necessárias. “Seria composto por um conselho de representantes dos produtores de cana e representantes de instituições de pesquisa e o valor do recurso seria discutido pelo setor”, diz Nilza.

O fundo teria uma série de vantagens como parceria público/privada, democratização da contribuição e do resultado da pesquisa, melhor definição de prioridades, canalização de esforços e potencialização de especialidades. “A iniciativa não é nenhuma novidade. Já existe em outros setores e países e um exemplo é o SRA (Sugar Research Austrália)”, exemplifica Nilza.

Melhoramento genético e biotecnologia
O pesquisador e diretor do Centro de Cana do IAC, Marcos Landell, apresentou as ações de pesquisa em melhoramento, biotecnologia e fitotecnologias do Programa Cana IAC.

“O programa inclui o fitomelhoramento, fisiologia, controle de pragas, matologia, nutrição e adubação de cana. Outros programas realizados são o Ambicana, Procana e o Censo Varietal”, elencou Landell.

Como apoio na área de biotecnologia é realizado fingerprinting de DNA em programas de melhoramento, controle de qualidade em biofábrica e viveiro de mudas, e marcadores moleculares.

“O programa possui ainda outras linhas temáticas como Cana GM, que envolve vários parceiros públicos e privados e a produção de mudas em biofábrica, por exemplo. Os trabalhos realizados em qualidade de mudas e os cursos de MPB também têm gerado impacto e mudanças em usinas”, salientou o pesquisador.

O coordenador do PMGCA/Ufal (Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar da Universidade Federal de Alagoas), Geraldo Veríssimo, falou sobre as várias cultivares da Ridesa que são destaques nos canaviais do Brasil.

Ele conta que em 2015, 68% eram variedades RB. “No censo 16/17, das seis primeiras variedades mais utilizadas, cinco eram RB. São variedades com características de produtividade, longevidade, rusticidade, sanidade e outras. Durante os 48 anos de variedades RB, tivemos um aumento anual de 155,7 kg de ATR nas últimas quatro décadas (4% ao ano). Atualmente, as variedades RB representam 63% dos canaviais plantados”, contabiliza Veríssimo.

 William Burnquist, diretor de Melhoramento Genético do CTC, abordou a chegada da biotecnologia na cana-de-açúcar.

De acordo com o pesquisador, a produtividade da cana está estável ou levemente declinante. Diferente do milho, por exemplo, que avançou muito com a biotecnologia.
Ele também destaca a broca como a praga mais relevante em cana, já que causa um prejuízo de R$ 5 bilhões em 2 milhões de hectares.“São grandes perdas econômicas e industriais como enraizamento aéreo, coração morto, tombamento e outros. O controle de broca é difícil e nem sempre é satisfatório”, afirmou Burnquist, que apresentou a variedade CTC20BT como exemplo de biotecnologia que traz proteção e tranquilidade para a produção de cana.

A variedade irá mudar o negócio, segundo Burnquist. Entre os seus benefícios estão o controle 24x7, sucessivas infestações, manejo simples e flexível, controle pró-ativo antes do dano e simplificação da gestão operacional.

“Com a CTC20BT será possível um controle de mais de 98%, representando 10% de produtividade a mais. Precisamos mudar o conceito de infestação de broca. Essa variedade apresenta um tamanho adicional de mais de 3 entrenós/colmo”, comemora o executivo.

Uso de tecnologias e parcerias
O simpósio abordou ainda a agricultura de precisão, irrigação, manejo da nutrição, principais gargalos da mecanização em cana e fitossanidade.

A experiência com o uso de tecnologias e de manejo varietal foi apresentada pelo produtor Victor Campanelli, da Agro Pastoral Paschoal Campanelli.
O produtor conta que faz uso de variedades precoces e também de variedades antigas, mas que entregam resultado.

“Em 2013 dissemos chega para o plantio mecanizado, pois vimos poucas vantagens e desde então realizamos o plantio manual. Também fazemos uso da sistematização com o plantio de milho na reforma de cana. Para a adubação, realizamos análises anuais de solo em 100% da área, além de realizar a adubação com vinhaça concentrada em taxa variável”, contou Campanelli.

O produtor de cana Paulo de Araújo Rodrigues, do condomínio agrícola Santa Izabel, também comentou sobre sua experiência com as tecnologias de precisão da nova agricultura.

Segundo Rodrigues, as práticas de tratos culturais, que incluem manejo integrado de pragas e doenças, controle de plantas daninhas, adubação, rotação/ sucessão/ consórcio de culturas e controle biológico, devem estar suportados por sistemas integrados para que os dados sejam interpretados e geradas as informações.
No entanto, para isso, Rodrigues admite que há desafios como o investimento em novas tecnologias, sistemas e equipamentos, mão de obra capacitada, pesquisa e desenvolvimento.

Por último, o diretor de operações da Jalles Machado, Joel Soares Alves, citou a importância da tecnologia agrícola para o aumento da produtividade da cana em ambiente restritivo.

“Acredito na tecnologia agrícola como forma de manejo, incluindo a sistematização das áreas, aplicação de herbicida e corretivo em taxa variada, utilização de drone, uso de computadores de bordo na colheita, plantio 1000% mecanizado e controlador de vazão”, enumera Alves.

Ele destacou as parcerias com o IAC, CTC e Ridesa para o desenvolvimento de variedades para as condições do Cerrado, assim como a parceria com a Embrapa Cerrados para melhores práticas de manejo e experimento de irrigação. “Isso resultou em ganhos de 16 a 44 toneladas de açúcar em quatro anos, dependendo da variedade utilizada, além de estratégia ótima sobre quanto irrigar, uso de variedades mais modernas e competitivas”, finalizou.
 
 

Fonte: Revista Canavieiros

Pesquisas que movem o setor

15/05/2018

Por: Diana Nascimento
 
Realizado no dia 15 de março, no auditório do Centro de Cana do IAC, em Ribeirão Preto, o Simpósio Integração da Pesquisa Pública com cana-de-açúcar no Brasil,reuniu instituições públicas e privadas, produtores, empresários, especialistas, gestores e interessados no tema para tratar sobre as novas tecnologias, tendências e desafios para o setor sucroenergético.

Durante a abertura, o diretor técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues, comentou que o setor possui um potencial ainda muito grande para dar um salto em produtividade. “O encontro acontece em momento propício na busca de produtividade e da redução de custos. Temos muito a fazer”, afirmou.

Para o presidente da Orplana, Eduardo Romão, a tecnologia está disponível e a extensão rural é fundamental para a mudança de comportamento e aderência às pesquisas.
Celso Moretti, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, destacou que investir em ciência, tecnologia e formação de conhecimento é essencial para que a cadeia produtiva da cana siga pujante em todo o Brasil.

O então secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, salientou que a inovação e integração fazem toda a diferença. “Temos o desafio da produtividade, novos modelos e definição de financiamento e fomento à pesquisa agropecuária. O evento de hoje é um ótimo início para que essa jornada se inicie”, disse.
Durante o primeiro painel que abordou a situação atual e perspectivas do setor, o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, comentou que são necessários investimentos na área de pesquisa.

“Tem muita unidade que não acredita em inovação e pesquisa, já outras estão à frente. Precisamos de um trabalho de conscientização sobre isso, aumentar os dias de campo, networking, trocar ideias, discutir mais sobre a sistematização, o que o vizinho está fazendo. Por outro lado, a grande questão é a falta de recurso. Investimos pouco em pesquisa e inovação. O setor precisa colocar um pouco de recurso nisso”, ressaltou Rocha.

Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Abag e diretor da Canaplan, apontou para a química verde através de processos inovadores com uso integral de biomassa e sinergia. Ele também elencou algumas questões setoriais como eleições, regulação do RenovaBio, Rota 2030, Reforma Tributária, proteção do açúcar, terra para estrangeiro, pressões ambientais e clima global.

“O processo de descarbonização é fundamental, assim como a pesquisa, o desenvolvimento e recursos humanos. É preciso recuperar a produtividade agroindustrial”, alegou Carvalho.

O professor da FEA/USP, Marcos Fava Neves, apresentou propostas para uma agenda estratégica em cana-de-açúcar. Entre elas estão gestão por metro quadrado do canavial; gestão pela economia do compartilhamento; gestão pela economia circular individual ou integrada regional e diversificação de atividades; busca da eficiência industrial; fortalecimento do diálogo e associativismo no setor;implementação do Consecana Pro Int; integração total da pesquisa e desenvolvimento público e alianças com o setor privado, melhorar a comunicação do setor e criação de uma estrutura de distribuição de varejo de etanol pelas cooperativas integradas e utilização dos postos como embaixada do eco.

Hugo Molinari, pesquisador no Laboratório de Genética e Biotecnologia da Embrapa Agroenergia, apresentou as contribuições e impactos da Rede Pluricana para o setor sucroenergético que engloba 22 instituições com expertise (7 UDs da Embrapa, 10 universidades Ridesa, 3 universidades e 2 institutos estaduais de pesquisa).

A rede possui estações de cruzamento e trabalha no melhoramento genético e biotecnologia, fixação biológica de nitrogênio, fitossanidade, cogeração e produção de biomoléculas.

“Esta rede de competências e instituições públicas, iniciada pelo projeto Pluricana/Finep, é um embrião que visa alavancar as pesquisas necessárias – atuais e futuras para o setor sucroenergético, mas para isso é necessária a alocação de recursos de forma contínua e estável. Tais recursos são fundamentais para a manutenção e ampliação desta rede, visando atender a demanda do setor sucroenergético”, comentou Molinari.

O painel finalizou com a uma proposta de criação de um fundo para P&D em cana-de-açúcar para o setor, apresentada pela pesquisadora da Embrapa Nilza Patrícia Ramos.
Segundo Patrícia, há falta de desenvolvimento em temas com menor apelo comercial como sistemas de produção, por exemplo.

Para potencializar os poucos recursos públicos e privados, ela sugere que os mesmos sejam geridos pelo próprio setor. O incentivo à cooperação entre instituições públicas e privadas para canalizar e complementar esforços e a cooperação entre produtores para definir e financiar pesquisas de interesse, de forma voluntária, também são as apostas da pesquisadora.

Sobre a proposta, ela explica que o objetivo é criar um fundo de Pesquisa e Desenvolvimento em cana, sinalizando as pesquisas necessárias. “Seria composto por um conselho de representantes dos produtores de cana e representantes de instituições de pesquisa e o valor do recurso seria discutido pelo setor”, diz Nilza.

O fundo teria uma série de vantagens como parceria público/privada, democratização da contribuição e do resultado da pesquisa, melhor definição de prioridades, canalização de esforços e potencialização de especialidades. “A iniciativa não é nenhuma novidade. Já existe em outros setores e países e um exemplo é o SRA (Sugar Research Austrália)”, exemplifica Nilza.

Melhoramento genético e biotecnologia
O pesquisador e diretor do Centro de Cana do IAC, Marcos Landell, apresentou as ações de pesquisa em melhoramento, biotecnologia e fitotecnologias do Programa Cana IAC.

“O programa inclui o fitomelhoramento, fisiologia, controle de pragas, matologia, nutrição e adubação de cana. Outros programas realizados são o Ambicana, Procana e o Censo Varietal”, elencou Landell.

Como apoio na área de biotecnologia é realizado fingerprinting de DNA em programas de melhoramento, controle de qualidade em biofábrica e viveiro de mudas, e marcadores moleculares.

“O programa possui ainda outras linhas temáticas como Cana GM, que envolve vários parceiros públicos e privados e a produção de mudas em biofábrica, por exemplo. Os trabalhos realizados em qualidade de mudas e os cursos de MPB também têm gerado impacto e mudanças em usinas”, salientou o pesquisador.

O coordenador do PMGCA/Ufal (Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar da Universidade Federal de Alagoas), Geraldo Veríssimo, falou sobre as várias cultivares da Ridesa que são destaques nos canaviais do Brasil.

Ele conta que em 2015, 68% eram variedades RB. “No censo 16/17, das seis primeiras variedades mais utilizadas, cinco eram RB. São variedades com características de produtividade, longevidade, rusticidade, sanidade e outras. Durante os 48 anos de variedades RB, tivemos um aumento anual de 155,7 kg de ATR nas últimas quatro décadas (4% ao ano). Atualmente, as variedades RB representam 63% dos canaviais plantados”, contabiliza Veríssimo.

 William Burnquist, diretor de Melhoramento Genético do CTC, abordou a chegada da biotecnologia na cana-de-açúcar.

De acordo com o pesquisador, a produtividade da cana está estável ou levemente declinante. Diferente do milho, por exemplo, que avançou muito com a biotecnologia.
Ele também destaca a broca como a praga mais relevante em cana, já que causa um prejuízo de R$ 5 bilhões em 2 milhões de hectares.“São grandes perdas econômicas e industriais como enraizamento aéreo, coração morto, tombamento e outros. O controle de broca é difícil e nem sempre é satisfatório”, afirmou Burnquist, que apresentou a variedade CTC20BT como exemplo de biotecnologia que traz proteção e tranquilidade para a produção de cana.

A variedade irá mudar o negócio, segundo Burnquist. Entre os seus benefícios estão o controle 24x7, sucessivas infestações, manejo simples e flexível, controle pró-ativo antes do dano e simplificação da gestão operacional.

“Com a CTC20BT será possível um controle de mais de 98%, representando 10% de produtividade a mais. Precisamos mudar o conceito de infestação de broca. Essa variedade apresenta um tamanho adicional de mais de 3 entrenós/colmo”, comemora o executivo.

Uso de tecnologias e parcerias
O simpósio abordou ainda a agricultura de precisão, irrigação, manejo da nutrição, principais gargalos da mecanização em cana e fitossanidade.

A experiência com o uso de tecnologias e de manejo varietal foi apresentada pelo produtor Victor Campanelli, da Agro Pastoral Paschoal Campanelli.
O produtor conta que faz uso de variedades precoces e também de variedades antigas, mas que entregam resultado.

“Em 2013 dissemos chega para o plantio mecanizado, pois vimos poucas vantagens e desde então realizamos o plantio manual. Também fazemos uso da sistematização com o plantio de milho na reforma de cana. Para a adubação, realizamos análises anuais de solo em 100% da área, além de realizar a adubação com vinhaça concentrada em taxa variável”, contou Campanelli.

O produtor de cana Paulo de Araújo Rodrigues, do condomínio agrícola Santa Izabel, também comentou sobre sua experiência com as tecnologias de precisão da nova agricultura.

Segundo Rodrigues, as práticas de tratos culturais, que incluem manejo integrado de pragas e doenças, controle de plantas daninhas, adubação, rotação/ sucessão/ consórcio de culturas e controle biológico, devem estar suportados por sistemas integrados para que os dados sejam interpretados e geradas as informações.
No entanto, para isso, Rodrigues admite que há desafios como o investimento em novas tecnologias, sistemas e equipamentos, mão de obra capacitada, pesquisa e desenvolvimento.

Por último, o diretor de operações da Jalles Machado, Joel Soares Alves, citou a importância da tecnologia agrícola para o aumento da produtividade da cana em ambiente restritivo.

“Acredito na tecnologia agrícola como forma de manejo, incluindo a sistematização das áreas, aplicação de herbicida e corretivo em taxa variada, utilização de drone, uso de computadores de bordo na colheita, plantio 1000% mecanizado e controlador de vazão”, enumera Alves.

Ele destacou as parcerias com o IAC, CTC e Ridesa para o desenvolvimento de variedades para as condições do Cerrado, assim como a parceria com a Embrapa Cerrados para melhores práticas de manejo e experimento de irrigação. “Isso resultou em ganhos de 16 a 44 toneladas de açúcar em quatro anos, dependendo da variedade utilizada, além de estratégia ótima sobre quanto irrigar, uso de variedades mais modernas e competitivas”, finalizou.