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Ponto de Vista: Perspectivas da oferta de etanol e demanda do Ciclo Otto: uma visão até 2030

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Agronegócio

10/05/2018

Por: José Mauro Ferreira Coelho1; Angela Oliveira da Costa2; Rafael Barros Araujo3; Marina Damião Besteti Ribeiro4; Rachel Martins Henriques4.
1 Diretor de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis; 2 Consultora Técnica I; 3 Consultor Técnico II; 4 Analista de Pesquisa Energética.
 
A promulgação do RenovaBio(Política Nacional de Biocombustíveis), por intermédio da Lei nº 13.576, de 26 de dezembro de 2017, descortina grandes oportunidades para o Brasil.

Nosso país possui vasta disponibilidade de recursos energéticos. Por um lado, possui condições edafoclimáticas bastante favoráveis e extensa disponibilidade de terra, o que favorece o aproveitamento das fontes renováveis, por outro, dispõe da gigantesca província petrolífera do Pré-Sal, além de deter uma das maiores reservas de urânio do mundo e dominar o ciclo do combustível nuclear.

A matriz energética brasileira destaca-se mundialmente pela expressiva participação das fontes renováveis, com elevado grau de aproveitamento de biomassa, recursos hidráulicos e, mais recentemente, energia eólica.

Tratando-se da matriz veicular, a participação de fontes renováveis de energia é, particularmente,bastante elevada, para o que contribuíram diversos mecanismos governamentais de incentivo aos biocombustíveis. Por obrigatoriedade legal, toda a gasolina automotiva atualmente comercializada contém 27% de etanol anidro, assim como a todo diesel consumido, adiciona-se 10% de biodiesel. Além disso, considerável parcela da demanda de Ciclo Otto é suprida por etanol hidratado (20% em 2016).

É nesse contexto que vem se estruturando o RenovaBio, trazendo entre seus objetivos o de promover a adequada expansão da produção e do uso de biocombustíveis na matriz energética nacional, com ênfase na regularidade do abastecimento de combustíveis, e também o de contribuir com previsibilidade para a participação competitiva dos diversos biocombustíveis no mercado nacional de combustíveis. A Política Nacional de Biocombustíveis visa ainda contribuir para o atendimento aos compromissos brasileiros no âmbito do Acordo de Paris sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

É importante ressaltar que, desde 2009,a EPE(Empresa de Pesquisa Energética) vem tendo uma participação direta na elaboração do compromisso brasileiro para as Conferências das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, contribuindo com informações associadas à produção e uso da energia para o Acordo de Copenhague, neste ano. Nesse sentido, o Decreto 7.390/2010, que regulamenta a Política Nacional sobre Mudança do Clima (Lei12.187/2009), estabeleceu o Plano Decenal de Expansão de Energia, publicado anualmente pela EPE,como um dos planos setoriais a serem considerados no âmbito de adaptação às mudanças climáticas, sendo a referência para as informações relacionadas ao setor de energia, incluindo as relacionadas aos biocombustíveis.
Sempre buscando subsidiar o MME (Ministério de Minas e Energia)na elaboração do RenovaBio, a EPE vem desenvolvendo uma série de trabalhos, desde a fase inicial do Programa até a formulação de modelos matemáticos de suporte à decisão sobre as metas de descarbonização, seja no âmbito do Comitê RenovaBio, como no Conselho Nacional de Política Energética, possibilitando a análise dos impactos econômicos, sociais e ambientais associados.

Ainda com o propósito de subsidiar o MME, a EPE, desde 2016, publica estudos que apresentam três cenários de oferta de etanol e demanda do Ciclo Otto, contemplando o horizonte até 2030. Com maior previsibilidade da demanda de biocombustíveis a ser proporcionada pelo RenovaBio, o estudo considerou, em seu cenário de referência da edição de 2018, que o setor sucroenergético buscará implementação de boas práticas e tecnologias, refletindo em aumento de produtividade e de investimentos.Neste sentido, projeta-se que a capacidade nominal instalada irá aumentar cerca de 20% até 2030.

A área de colheita de cana-de-açúcar crescerá a uma taxa de 1,1% a.a., saindo de 8,7 milhões de hectares (ha), em 2017, alcançando10,1 milhões de ha em 2030, enquanto que a produtividade atingirá 87,2tc/ha.Com isso, estima-se que a cana processada será de 880 milhões de toneladas em 2030. Em relação ao rendimento, ao final do período de estudo,projeta-se o valor de cerca de 139kg ATR/tc. Importante ressaltar que as projeções consideram a inserção da cana-energia, que ocorrerá de forma gradativa ao longo do período e representará cerca de 260 mil ha plantados em 2030.
A produção nacional de açúcar, destinada a suprir tanto o mercado doméstico como o internacional, alcançará 46 milhões de toneladas em 2030. A evolução do consumo per capita brasileiro foi projetada com base na renda, envelhecimento da população e a mudança de hábitos alimentares. Já a participação do Brasil no fluxo de comércio mundial foi estimada na faixa de 43% em todo o período.

Em relação ao etanol estima-se que em 2030 cerca de 95% do volume ofertado será de primeira geração. Já para o etanol de segunda geração (E2G), projeta-se que sua produção atingirá2,0bilhões de litros. Atualmente,as unidades comerciais de E2G ainda operam abaixo da capacidade nominal devido a alguns problemas técnicos como,por exemplo,na etapa de pré-tratamento e de filtragem da lignina.Por outro lado, a produção de etanol de milho alcança 2,3 bilhões de litros no final do período do estudo. Considerou-se que as unidades produtivas serão majoritariamente do tipo flex. Diante desse contexto e, considerando que poderão ocorrer importações pontuais do biocombustível, a oferta total de etanol projetada para 2030 é de cerca de 49 bilhões de litros.

No que tange à frota de veículos leves (automóveis e comerciais leves), a trajetória de licenciamento considerada resulta em um incremento a uma taxa média anual de 3,1%, atingindo o valor de 54,4milhões de unidades ao fim do horizonte do estudo. Com isso, a demanda do Ciclo Otto (sem GNV) em 2030será de aproximadamente 69bilhões de litros (em gasolina equivalente). Neste cenário, o etanol carburante (anidro e hidratado) alcançará cerca de 45 bilhões de litros, enquanto que a gasolina A corresponderá a 34 bilhões de litros.

Já o volume de etanol destinado para outros usos será de 1,4 bilhão de litros no final do período e o mercado internacional manterá suas características atuais, com baixos volumes comercializados.
Por fim, nesta edição de 2018, a EPE incluiu em seu estudo “Cenários de Oferta de Etanol e Demanda do Ciclo Otto” também a oferta da bioeletricidade proveniente da cana-de-açúcar exportada ao Sistema Interligado Nacional. Estima-se que em 2030 as usinas sucroenergéticas contribuirão com a injeção de aproximadamente 5GWm na rede.

Desta forma, as expectativas da EPE são bastante promissoras com o RenovaBio, indicando no horizonte do estudo um aumento da oferta de etanol, bem como da demanda de etanol carburante, trazendo inúmeros benefícios para o país, tanto em relação à segurança do abastecimento como na redução das emissões de gases de efeito estufa.
 

Fonte: Revista Canavieiros

Ponto de Vista: Perspectivas da oferta de etanol e demanda do Ciclo Otto: uma visão até 2030

10/05/2018

Por: José Mauro Ferreira Coelho1; Angela Oliveira da Costa2; Rafael Barros Araujo3; Marina Damião Besteti Ribeiro4; Rachel Martins Henriques4.
1 Diretor de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis; 2 Consultora Técnica I; 3 Consultor Técnico II; 4 Analista de Pesquisa Energética.
 
A promulgação do RenovaBio(Política Nacional de Biocombustíveis), por intermédio da Lei nº 13.576, de 26 de dezembro de 2017, descortina grandes oportunidades para o Brasil.

Nosso país possui vasta disponibilidade de recursos energéticos. Por um lado, possui condições edafoclimáticas bastante favoráveis e extensa disponibilidade de terra, o que favorece o aproveitamento das fontes renováveis, por outro, dispõe da gigantesca província petrolífera do Pré-Sal, além de deter uma das maiores reservas de urânio do mundo e dominar o ciclo do combustível nuclear.

A matriz energética brasileira destaca-se mundialmente pela expressiva participação das fontes renováveis, com elevado grau de aproveitamento de biomassa, recursos hidráulicos e, mais recentemente, energia eólica.

Tratando-se da matriz veicular, a participação de fontes renováveis de energia é, particularmente,bastante elevada, para o que contribuíram diversos mecanismos governamentais de incentivo aos biocombustíveis. Por obrigatoriedade legal, toda a gasolina automotiva atualmente comercializada contém 27% de etanol anidro, assim como a todo diesel consumido, adiciona-se 10% de biodiesel. Além disso, considerável parcela da demanda de Ciclo Otto é suprida por etanol hidratado (20% em 2016).

É nesse contexto que vem se estruturando o RenovaBio, trazendo entre seus objetivos o de promover a adequada expansão da produção e do uso de biocombustíveis na matriz energética nacional, com ênfase na regularidade do abastecimento de combustíveis, e também o de contribuir com previsibilidade para a participação competitiva dos diversos biocombustíveis no mercado nacional de combustíveis. A Política Nacional de Biocombustíveis visa ainda contribuir para o atendimento aos compromissos brasileiros no âmbito do Acordo de Paris sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

É importante ressaltar que, desde 2009,a EPE(Empresa de Pesquisa Energética) vem tendo uma participação direta na elaboração do compromisso brasileiro para as Conferências das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, contribuindo com informações associadas à produção e uso da energia para o Acordo de Copenhague, neste ano. Nesse sentido, o Decreto 7.390/2010, que regulamenta a Política Nacional sobre Mudança do Clima (Lei12.187/2009), estabeleceu o Plano Decenal de Expansão de Energia, publicado anualmente pela EPE,como um dos planos setoriais a serem considerados no âmbito de adaptação às mudanças climáticas, sendo a referência para as informações relacionadas ao setor de energia, incluindo as relacionadas aos biocombustíveis.
Sempre buscando subsidiar o MME (Ministério de Minas e Energia)na elaboração do RenovaBio, a EPE vem desenvolvendo uma série de trabalhos, desde a fase inicial do Programa até a formulação de modelos matemáticos de suporte à decisão sobre as metas de descarbonização, seja no âmbito do Comitê RenovaBio, como no Conselho Nacional de Política Energética, possibilitando a análise dos impactos econômicos, sociais e ambientais associados.

Ainda com o propósito de subsidiar o MME, a EPE, desde 2016, publica estudos que apresentam três cenários de oferta de etanol e demanda do Ciclo Otto, contemplando o horizonte até 2030. Com maior previsibilidade da demanda de biocombustíveis a ser proporcionada pelo RenovaBio, o estudo considerou, em seu cenário de referência da edição de 2018, que o setor sucroenergético buscará implementação de boas práticas e tecnologias, refletindo em aumento de produtividade e de investimentos.Neste sentido, projeta-se que a capacidade nominal instalada irá aumentar cerca de 20% até 2030.

A área de colheita de cana-de-açúcar crescerá a uma taxa de 1,1% a.a., saindo de 8,7 milhões de hectares (ha), em 2017, alcançando10,1 milhões de ha em 2030, enquanto que a produtividade atingirá 87,2tc/ha.Com isso, estima-se que a cana processada será de 880 milhões de toneladas em 2030. Em relação ao rendimento, ao final do período de estudo,projeta-se o valor de cerca de 139kg ATR/tc. Importante ressaltar que as projeções consideram a inserção da cana-energia, que ocorrerá de forma gradativa ao longo do período e representará cerca de 260 mil ha plantados em 2030.
A produção nacional de açúcar, destinada a suprir tanto o mercado doméstico como o internacional, alcançará 46 milhões de toneladas em 2030. A evolução do consumo per capita brasileiro foi projetada com base na renda, envelhecimento da população e a mudança de hábitos alimentares. Já a participação do Brasil no fluxo de comércio mundial foi estimada na faixa de 43% em todo o período.

Em relação ao etanol estima-se que em 2030 cerca de 95% do volume ofertado será de primeira geração. Já para o etanol de segunda geração (E2G), projeta-se que sua produção atingirá2,0bilhões de litros. Atualmente,as unidades comerciais de E2G ainda operam abaixo da capacidade nominal devido a alguns problemas técnicos como,por exemplo,na etapa de pré-tratamento e de filtragem da lignina.Por outro lado, a produção de etanol de milho alcança 2,3 bilhões de litros no final do período do estudo. Considerou-se que as unidades produtivas serão majoritariamente do tipo flex. Diante desse contexto e, considerando que poderão ocorrer importações pontuais do biocombustível, a oferta total de etanol projetada para 2030 é de cerca de 49 bilhões de litros.

No que tange à frota de veículos leves (automóveis e comerciais leves), a trajetória de licenciamento considerada resulta em um incremento a uma taxa média anual de 3,1%, atingindo o valor de 54,4milhões de unidades ao fim do horizonte do estudo. Com isso, a demanda do Ciclo Otto (sem GNV) em 2030será de aproximadamente 69bilhões de litros (em gasolina equivalente). Neste cenário, o etanol carburante (anidro e hidratado) alcançará cerca de 45 bilhões de litros, enquanto que a gasolina A corresponderá a 34 bilhões de litros.

Já o volume de etanol destinado para outros usos será de 1,4 bilhão de litros no final do período e o mercado internacional manterá suas características atuais, com baixos volumes comercializados.
Por fim, nesta edição de 2018, a EPE incluiu em seu estudo “Cenários de Oferta de Etanol e Demanda do Ciclo Otto” também a oferta da bioeletricidade proveniente da cana-de-açúcar exportada ao Sistema Interligado Nacional. Estima-se que em 2030 as usinas sucroenergéticas contribuirão com a injeção de aproximadamente 5GWm na rede.

Desta forma, as expectativas da EPE são bastante promissoras com o RenovaBio, indicando no horizonte do estudo um aumento da oferta de etanol, bem como da demanda de etanol carburante, trazendo inúmeros benefícios para o país, tanto em relação à segurança do abastecimento como na redução das emissões de gases de efeito estufa.