http://https://www.fmcagricola.com.br/index.aspx
http://www.globalagribusinessforum.com/pt-br/
http://bit.ly/2ktdMMm
http://www.fenasucro.com.br/Expor/Quero-Expor/Beneficios/?utm_source=mediapartner&utm_campaign=vendas&utm_medium=banner&utm_content=canavieiros_vendas&utm_term=761x73_201803271729&preload[13935947]=mediapartner
http://www.ideaonline.com.br/conteudo/14-seminario-sobre-controle-de-pragas-da-cana.html
http://site.orplana.com.br/pages/caminhos-da-cana-2017/

Ponto de Vista: Uma rota a ser quebrada

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Agronegócio

21/05/2018

*Luiz Carlos Corrêa Carvalho
 
Anos a fio vamos aprendendo e ensinando e reaprendendo com o ensino, deixando as marcas da nossa passagem e levando as cicatrizes do que fizemos. De uma forma mágica, Cora Coralina disse que “o saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes”.
 
Os profissionais sérios de um setor procuram melhorá-lo como meta de sua vida. Apesar de todos os percalços a vencer, sua rotina é a busca de resultados, seja na educação, saúde ou engenharia. Para um profissional que percebe a piora dos indicadores do setor que atua, nada mais frustrante e gerador de ansiedade.
 
Disse Santo Agostinho que “a angústia de ter perdido não supera a alegria de um dia ter possuído”.
 
Já há alguns anos ou safras, o setor canavieiro vive uma estagnação de oferta de produtos e clara queda de produtividade. Diriam alguns que se trata de um período de ciclo negativo de preços, o que não é resposta, pois o fato é que se trata de commodities com volatilidade elevada dos preços; diriam outros que se está colhendo os erros da expansão em áreas novas e com aprendizado a fazer, o que não conforta; muitos atestam com dados a barra forçada do Governo do PSDB com o fim das queimadas e o processo de mecanização de cana crua, ou, na mesma linha, com a mecanização do plantio, que, em ambos os casos veio requerendo uma curva de aprendizado. Estes e outros argumentos estão contidos nos textos e nos discursos setoriais.
 
O fato, nos números, é que o setor canavieiro se desencontrou do seu caminho e a sua rota pegou um trecho de volta. Nos últimos 10 anos perdeu-se, em média, 17% da produtividade duramente conquistada nas décadas anteriores.
 
Desde 2010, a oferta dos produtos setoriais não rompe o teto dos 80 milhões de toneladas de ATRs, unidades industriais são fechadas e os países asiáticos subsidiam seus produtores de forma a estimular o aumento da oferta de açúcar, gerando excedentes que pressionam para baixo os preços do produto no mercado internacional. Essa é uma rota conhecida há centenas de anos e que, via de regra, leva sempre a resultados globais ruins.
 
O Brasil, anos atrás, questionou juntamente com a Austrália e a Tailândia essa política europeia, vencendo a questão na OMC, que gerou impactos positivos aos preços do açúcar. Hoje, a Tailândia faz algo parecido e o Brasil a questiona na OMC. A Índia faz o mesmo principalmente em anos eleitorais, como 2018, gerando enorme pressão de excedentes no mercado.
 
Esses comentários sobre o mercado internacional também explicam parte do processo de queda de renda setorial no Brasil, que não consegue fazer frente ao endividamento gerado com a citada expansão da cana-de-açúcar entre 2004 e 2010.
 
Se voltarmos os nossos olhos aos outros setores da economia, algo próximo a isso aconteceu. O Brasil foi usurpado por aventureiros vestidos de esquerda e que são, na verdade, ladrões de esperança. Nada pior que isso! Para isso, uma frase de Cazuza é clara: ‘’alguém entra em sua vida, rouba seu tempo, destrói sua confiança, agride a sua autoestima, estilhaça o pouco que resta da sua esperança...”
 
O período pós-2006, até 2016, mostrou as mais diversas estratégias no setor sucroenergético, desde leve crescimento orgânico, até expansões fortes com grupos empresariais montando greenfields, duplicando a capacidade industrial. Era um momento de maré a favor globalmente (preços de energia e valorização das renováveis) e com o suporte de política pública no Brasil (2002, com a criação da CIDE), mas sob a gestão do PT!
 
Mas as marés apagam as pegadas, as espumas fazem lembrar dos movimentos das marés e as tempestades, em alto mar, se acalmam com os raios. Assim é a todo momento e a toda manhã em algum lugar.
 
A rota por mais sinuosa ou mais arriscada permite alterações e as mudanças não significam a desistência do caminho. É o momento da reflexão, no calor do meio-dia....
 
Um olhar a um passado de dificuldades, mas com muitos frutos, revela ganhos de produtividade excepcionais mesmo, como sempre, com grande volatilidade política e de preços setoriais. Revela mudanças profundas no modelo setorial (de intervenção total a mercado) e alguns aspectos que merecem citação: Desde a década de 1980, é o meio ambiente e suas cobranças que mantêm o caminho setorial.
 
Não fosse isso, o Brasil seria açucareiro e até venderia melaço, como todo o resto do mundo faz! Isso nos levaria ao período antes do IAA ou a lutar por intervenção de Governo, num ciclo vicioso que se vê nos países emergentes.
 
O caminho setorial passa, necessariamente, pelo retorno aos ganhos de produtividade, assim como de todo o agronegócio brasileiro. Afinal, o país optou por democracia, capitalismo e, apesar de um país fechado, pelos valores da globalização.
 
Isso pressupõe uma organização setorial que dê suporte aos ganhos fundamentais de produtividade, que transfira conhecimento ao setor produtivo e que busque os seus objetivos.
 
Qual o estado da arte do setor quanto aos seus objetivos de ser produtivo e competitivo?
a)      P&D: faltam recursos, maior integração, maior participação dos setores públicos e privados;
b)      RH: críticas dos próprios produtores sobre maior e melhor vivência dos técnicos no campo (afinal, é a arquitetura foliar, colmos e o enraizamento os responsáveis pela produção);
c)      Preços internos: graças à nova política de preços da Petrobras, atrelada à realidade dos preços internacionais do petróleo, o etanol tem recebido o suporte necessário para competir com a gasolina;
d)     RenovaBio: o nome da política pública aos setores de energia da biomassa e de seus produtos e subprodutos, o RenovaBio, como lei, está sendo regulamentado, e é essa a grande esperança de se premiar os produtos energéticos com menores emissões de carbono, estimulando o processo de descarbonização como fato da ratificação, pelo Governo brasileiro, do Acordo de Paris;
e)      Operações agrícolas e o uso de insumos modernos: há que se mudar, do lado do investimento, a forma de definir os insumos modernos, com foco em redução de custos, não de despesas!  De buscar um preparo do solo que dê espaço às raízes, corretamente alimentadas; de um plantio bem-feito e de controle de pragas e doenças; de buscar a biodinâmica nos solos, potencializando os insumos colocados; de reduzir perdas, consumo em demasia de diesel e emissões de carbono; de melhorar muito o processo de mecanização da colheita com a redução de impurezas.
 
A rota é a de perseguir isso e, na fase de Gandhi, efetivar isso: “temos de nos tornar a mudança que queremos ver”.
 
*Diretor da Canaplan Consultoria Técnica
 

Fonte: Revista Canavieiros

Ponto de Vista: Uma rota a ser quebrada

21/05/2018

*Luiz Carlos Corrêa Carvalho
 
Anos a fio vamos aprendendo e ensinando e reaprendendo com o ensino, deixando as marcas da nossa passagem e levando as cicatrizes do que fizemos. De uma forma mágica, Cora Coralina disse que “o saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes”.
 
Os profissionais sérios de um setor procuram melhorá-lo como meta de sua vida. Apesar de todos os percalços a vencer, sua rotina é a busca de resultados, seja na educação, saúde ou engenharia. Para um profissional que percebe a piora dos indicadores do setor que atua, nada mais frustrante e gerador de ansiedade.
 
Disse Santo Agostinho que “a angústia de ter perdido não supera a alegria de um dia ter possuído”.
 
Já há alguns anos ou safras, o setor canavieiro vive uma estagnação de oferta de produtos e clara queda de produtividade. Diriam alguns que se trata de um período de ciclo negativo de preços, o que não é resposta, pois o fato é que se trata de commodities com volatilidade elevada dos preços; diriam outros que se está colhendo os erros da expansão em áreas novas e com aprendizado a fazer, o que não conforta; muitos atestam com dados a barra forçada do Governo do PSDB com o fim das queimadas e o processo de mecanização de cana crua, ou, na mesma linha, com a mecanização do plantio, que, em ambos os casos veio requerendo uma curva de aprendizado. Estes e outros argumentos estão contidos nos textos e nos discursos setoriais.
 
O fato, nos números, é que o setor canavieiro se desencontrou do seu caminho e a sua rota pegou um trecho de volta. Nos últimos 10 anos perdeu-se, em média, 17% da produtividade duramente conquistada nas décadas anteriores.
 
Desde 2010, a oferta dos produtos setoriais não rompe o teto dos 80 milhões de toneladas de ATRs, unidades industriais são fechadas e os países asiáticos subsidiam seus produtores de forma a estimular o aumento da oferta de açúcar, gerando excedentes que pressionam para baixo os preços do produto no mercado internacional. Essa é uma rota conhecida há centenas de anos e que, via de regra, leva sempre a resultados globais ruins.
 
O Brasil, anos atrás, questionou juntamente com a Austrália e a Tailândia essa política europeia, vencendo a questão na OMC, que gerou impactos positivos aos preços do açúcar. Hoje, a Tailândia faz algo parecido e o Brasil a questiona na OMC. A Índia faz o mesmo principalmente em anos eleitorais, como 2018, gerando enorme pressão de excedentes no mercado.
 
Esses comentários sobre o mercado internacional também explicam parte do processo de queda de renda setorial no Brasil, que não consegue fazer frente ao endividamento gerado com a citada expansão da cana-de-açúcar entre 2004 e 2010.
 
Se voltarmos os nossos olhos aos outros setores da economia, algo próximo a isso aconteceu. O Brasil foi usurpado por aventureiros vestidos de esquerda e que são, na verdade, ladrões de esperança. Nada pior que isso! Para isso, uma frase de Cazuza é clara: ‘’alguém entra em sua vida, rouba seu tempo, destrói sua confiança, agride a sua autoestima, estilhaça o pouco que resta da sua esperança...”
 
O período pós-2006, até 2016, mostrou as mais diversas estratégias no setor sucroenergético, desde leve crescimento orgânico, até expansões fortes com grupos empresariais montando greenfields, duplicando a capacidade industrial. Era um momento de maré a favor globalmente (preços de energia e valorização das renováveis) e com o suporte de política pública no Brasil (2002, com a criação da CIDE), mas sob a gestão do PT!
 
Mas as marés apagam as pegadas, as espumas fazem lembrar dos movimentos das marés e as tempestades, em alto mar, se acalmam com os raios. Assim é a todo momento e a toda manhã em algum lugar.
 
A rota por mais sinuosa ou mais arriscada permite alterações e as mudanças não significam a desistência do caminho. É o momento da reflexão, no calor do meio-dia....
 
Um olhar a um passado de dificuldades, mas com muitos frutos, revela ganhos de produtividade excepcionais mesmo, como sempre, com grande volatilidade política e de preços setoriais. Revela mudanças profundas no modelo setorial (de intervenção total a mercado) e alguns aspectos que merecem citação: Desde a década de 1980, é o meio ambiente e suas cobranças que mantêm o caminho setorial.
 
Não fosse isso, o Brasil seria açucareiro e até venderia melaço, como todo o resto do mundo faz! Isso nos levaria ao período antes do IAA ou a lutar por intervenção de Governo, num ciclo vicioso que se vê nos países emergentes.
 
O caminho setorial passa, necessariamente, pelo retorno aos ganhos de produtividade, assim como de todo o agronegócio brasileiro. Afinal, o país optou por democracia, capitalismo e, apesar de um país fechado, pelos valores da globalização.
 
Isso pressupõe uma organização setorial que dê suporte aos ganhos fundamentais de produtividade, que transfira conhecimento ao setor produtivo e que busque os seus objetivos.
 
Qual o estado da arte do setor quanto aos seus objetivos de ser produtivo e competitivo?
a)      P&D: faltam recursos, maior integração, maior participação dos setores públicos e privados;
b)      RH: críticas dos próprios produtores sobre maior e melhor vivência dos técnicos no campo (afinal, é a arquitetura foliar, colmos e o enraizamento os responsáveis pela produção);
c)      Preços internos: graças à nova política de preços da Petrobras, atrelada à realidade dos preços internacionais do petróleo, o etanol tem recebido o suporte necessário para competir com a gasolina;
d)     RenovaBio: o nome da política pública aos setores de energia da biomassa e de seus produtos e subprodutos, o RenovaBio, como lei, está sendo regulamentado, e é essa a grande esperança de se premiar os produtos energéticos com menores emissões de carbono, estimulando o processo de descarbonização como fato da ratificação, pelo Governo brasileiro, do Acordo de Paris;
e)      Operações agrícolas e o uso de insumos modernos: há que se mudar, do lado do investimento, a forma de definir os insumos modernos, com foco em redução de custos, não de despesas!  De buscar um preparo do solo que dê espaço às raízes, corretamente alimentadas; de um plantio bem-feito e de controle de pragas e doenças; de buscar a biodinâmica nos solos, potencializando os insumos colocados; de reduzir perdas, consumo em demasia de diesel e emissões de carbono; de melhorar muito o processo de mecanização da colheita com a redução de impurezas.
 
A rota é a de perseguir isso e, na fase de Gandhi, efetivar isso: “temos de nos tornar a mudança que queremos ver”.
 
*Diretor da Canaplan Consultoria Técnica