http:// http://bit.ly/2C9S3Bp
http://site.orplana.com.br/pages/caminhos-da-cana-2017/
http://bit.ly/2C9S3Bp
http://www.rossam.com.br/index.html
http://www.fmcagricola.com.br/index.aspx

Uma mudança de paradigma na matriz energética do Brasil

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Combustível

02/01/2019
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Por: Fernanda Clariano


O Brasil tem enorme potencial para o aproveitamento conjunto da produção de biogás e biometano e de tecnologias automotivas que viabilizem o seu aproveitamento. Além de veículos de passeio modernos e eficientes, ela já se aplica também a equipamentos agrícolas e industriais que estão prontos para serem utilizados como tratores, caminhões e colheitadeiras. Considerado o país com o maior potencial de produção de biogás no mundo, o Brasil hoje tem matéria-prima para suprir, por meio do biogás e do biometano (biogás purificado), 70% do consumo nacional de diesel, ou 36% do consumo de energia elétrica.

O setor sucroenergético é a grande promessa para o biogás, com potencial para gerar 41 bilhões de m3/na. Em seguida, a agroindústria com 38 bilhões de metros cúbicos e saneamento com 4 bilhões de metros cúbicos. De acordo com a Abiogás (Associação Brasileira de Biogás e de Biometano), a meta do setor é oferecer 10,7 milhões de Nm3/dia de biometano no mercado brasileiro até 2025, chegando a 32 milhões de Nm3/dia até 2030. Isso significa combustível suficiente para abastecer 1,6 milhão de veículos leves ou substituir quase 20% do consumo de óleo diesel, muito mais poluente, caro e em grande parte importado.

Processo inovador
Após dez anos de pesquisa, a Geo Energética, empresa 100% brasileira, desenvolveu um processo inovador para a produção de biogás a partir do reaproveitamento de resíduos da agroindústria. O biogás produzido pela empresa pode ser usado na geração de energia elétrica de fonte renovável ou na produção de biometano para substituição de óleo diesel.

“O uso do biometano como substituto do diesel é o passo que faltava para completar a economia circular no setor sucroenergético do nosso país”, disse o diretor da Geo Energética e presidente do Conselho Administrativo da Abiogás, Alessandro Gardemann.

A primeira planta da Geo Energética em parceria com a Acesa Bioenergia foi instalada no município de Paraíso do Norte, no Noroeste do Paraná, em uma área de 10 hectares, ao lado da Coopcana (Cooperativa Agrícola Regional de Produtores de Cana), formada por 127 produtores rurais e que mantém uma usina de açúcar e etanol. 
A fábrica de biogás funciona 24 horas, durante todos os dias do ano, e diariamente recebe da Coopcana cerca de 200 toneladas de matéria-prima (torta de filtro e palha de cana), que são submetidas à biodigestão e se transforma em biogás. O biogás produzido pela Geo a partir de resíduos da cana-de-açúcar é purificado pela Acesa e transformado em biometano que já está sendo utilizado em motores de veículos como gás natural veicular. Para o desenvolvimento da unidade, considerada um marco para a empresa, foram investidos R$ 35 milhões e a expectativa para os próximos anos é de que seja aplicado mais R$ 40 milhões.

De acordo com o diretor da Geo Energética, Edvaldo Medina Fabian, a planta está operando com capacidade de produção de 4 megawatts/hora, o suficiente para fornecer energia a cerca de 10 mil habitantes, e a expectativa é ampliar a geração de energia para 16 megawatts no curto prazo. Fabian ainda destacou que estão sendo utilizados mais de 30 tipos diferentes de resíduos orgânicos, visando à obtenção do biogás.  “No processo industrial, a Geo aproveita de tudo, desde a torta de filtro da cana-de-açúcar, até refrigerantes vencidos e derivados da suinocultura e da avicultura. Aqui, tudo vira biogás”, disse.

O diretor da Acesa Bioenergia e vice-presidente do Conselho Administrativo da Abiogás, Gabriel Kropsch, destacou que o projeto tem muita relevância, pois, no Brasil, a rede de distribuição de gás canalizado basicamente está instalada na costa do Atlântico ou penetra muito pouco pelo território brasileiro. Com o biometano, surge uma oportunidade para que o gás natural se interiorize de forma rápida e descentralizada, o que representa uma mudança de paradigma na matriz energética brasileira”. Kropschainda argumentou “Não tenho dúvida que dentro de pouco tempo poderemos ver todos os caminhões a diesel das usinas convertidos para o biometano”.

No dia 26 de novembro, a reportagem da Revista Canavieiros juntamente com jornalistas de vários estados do país acompanhou a visita técnica à planta da Geo Energética e na oportunidade conheceu o mais novo modelo da família Audi – o A5 Sportback g-tron que está no Brasil para testes com o gás produzido no país.

O automóvel é movido a GNV (gás natural veicular), biometano, e-gás ou gasolina e alimentado por um motor 2.0 TSFI com sistema duplo de injeção e potência de 170 cv (no GNV) e 190 cv (na gasolina). Com apenas 1 kg de biometano o automóvel faz até 26 km – com emissões de CO² de 102 g/km (ciclo NEDC Europeu combinado). No funcionamento com gasolina, o motor faz até 17 km com 1 litro do combustível, correspondendo às emissões de CO² de 126 g/km (ciclo NEDC Europeu combinado).

As mudanças estão embaixo do chassi onde ficam dois tanques de combustíveis. Um de 19 kg (22 metros cúbicos) de gás natural com quatro cilindros, feitos de fibras de vidro e carbono no eixo traseiro. E outro para 25 litros de gasolina. O bocal de abastecimento tem entradas individuais para cada tipo de combustível. Com os tanques acoplados na parte debaixo do automóvel não perde espaço no porta-malas.

Em conjunto com a transmissão automática de sete velocidades, o A5 Sportback g-tron acelera de 0 a 100 km/h em apenas 8,4 segundos. Sua velocidade máxima é de 224 km/h (limitado eletronicamente).

No painel do motorista, há informações sobre quantidade de combustíveis e a qualidade do gás consumido. O sistema de computador de bordo faz uma leitura dos componentes do combustível quase em tempo real.

Conforme o engenheiro da Audi, Gabriel Amabile, ainda não há definição de quando o modelo chegará às concessionárias brasileiras. “Um grupo de trabalho está avaliando quais adaptações teriam que ser feitas em relação às especificações técnicas do GNV utilizado no Brasil e também as questões de aceitação de mercado e de Governo”.
 

Fonte: Revista Canavieiros

Uma mudança de paradigma na matriz energética do Brasil

02/01/2019

Por: Fernanda Clariano


O Brasil tem enorme potencial para o aproveitamento conjunto da produção de biogás e biometano e de tecnologias automotivas que viabilizem o seu aproveitamento. Além de veículos de passeio modernos e eficientes, ela já se aplica também a equipamentos agrícolas e industriais que estão prontos para serem utilizados como tratores, caminhões e colheitadeiras. Considerado o país com o maior potencial de produção de biogás no mundo, o Brasil hoje tem matéria-prima para suprir, por meio do biogás e do biometano (biogás purificado), 70% do consumo nacional de diesel, ou 36% do consumo de energia elétrica.

O setor sucroenergético é a grande promessa para o biogás, com potencial para gerar 41 bilhões de m3/na. Em seguida, a agroindústria com 38 bilhões de metros cúbicos e saneamento com 4 bilhões de metros cúbicos. De acordo com a Abiogás (Associação Brasileira de Biogás e de Biometano), a meta do setor é oferecer 10,7 milhões de Nm3/dia de biometano no mercado brasileiro até 2025, chegando a 32 milhões de Nm3/dia até 2030. Isso significa combustível suficiente para abastecer 1,6 milhão de veículos leves ou substituir quase 20% do consumo de óleo diesel, muito mais poluente, caro e em grande parte importado.

Processo inovador
Após dez anos de pesquisa, a Geo Energética, empresa 100% brasileira, desenvolveu um processo inovador para a produção de biogás a partir do reaproveitamento de resíduos da agroindústria. O biogás produzido pela empresa pode ser usado na geração de energia elétrica de fonte renovável ou na produção de biometano para substituição de óleo diesel.

“O uso do biometano como substituto do diesel é o passo que faltava para completar a economia circular no setor sucroenergético do nosso país”, disse o diretor da Geo Energética e presidente do Conselho Administrativo da Abiogás, Alessandro Gardemann.

A primeira planta da Geo Energética em parceria com a Acesa Bioenergia foi instalada no município de Paraíso do Norte, no Noroeste do Paraná, em uma área de 10 hectares, ao lado da Coopcana (Cooperativa Agrícola Regional de Produtores de Cana), formada por 127 produtores rurais e que mantém uma usina de açúcar e etanol. 
A fábrica de biogás funciona 24 horas, durante todos os dias do ano, e diariamente recebe da Coopcana cerca de 200 toneladas de matéria-prima (torta de filtro e palha de cana), que são submetidas à biodigestão e se transforma em biogás. O biogás produzido pela Geo a partir de resíduos da cana-de-açúcar é purificado pela Acesa e transformado em biometano que já está sendo utilizado em motores de veículos como gás natural veicular. Para o desenvolvimento da unidade, considerada um marco para a empresa, foram investidos R$ 35 milhões e a expectativa para os próximos anos é de que seja aplicado mais R$ 40 milhões.

De acordo com o diretor da Geo Energética, Edvaldo Medina Fabian, a planta está operando com capacidade de produção de 4 megawatts/hora, o suficiente para fornecer energia a cerca de 10 mil habitantes, e a expectativa é ampliar a geração de energia para 16 megawatts no curto prazo. Fabian ainda destacou que estão sendo utilizados mais de 30 tipos diferentes de resíduos orgânicos, visando à obtenção do biogás.  “No processo industrial, a Geo aproveita de tudo, desde a torta de filtro da cana-de-açúcar, até refrigerantes vencidos e derivados da suinocultura e da avicultura. Aqui, tudo vira biogás”, disse.

O diretor da Acesa Bioenergia e vice-presidente do Conselho Administrativo da Abiogás, Gabriel Kropsch, destacou que o projeto tem muita relevância, pois, no Brasil, a rede de distribuição de gás canalizado basicamente está instalada na costa do Atlântico ou penetra muito pouco pelo território brasileiro. Com o biometano, surge uma oportunidade para que o gás natural se interiorize de forma rápida e descentralizada, o que representa uma mudança de paradigma na matriz energética brasileira”. Kropschainda argumentou “Não tenho dúvida que dentro de pouco tempo poderemos ver todos os caminhões a diesel das usinas convertidos para o biometano”.

No dia 26 de novembro, a reportagem da Revista Canavieiros juntamente com jornalistas de vários estados do país acompanhou a visita técnica à planta da Geo Energética e na oportunidade conheceu o mais novo modelo da família Audi – o A5 Sportback g-tron que está no Brasil para testes com o gás produzido no país.

O automóvel é movido a GNV (gás natural veicular), biometano, e-gás ou gasolina e alimentado por um motor 2.0 TSFI com sistema duplo de injeção e potência de 170 cv (no GNV) e 190 cv (na gasolina). Com apenas 1 kg de biometano o automóvel faz até 26 km – com emissões de CO² de 102 g/km (ciclo NEDC Europeu combinado). No funcionamento com gasolina, o motor faz até 17 km com 1 litro do combustível, correspondendo às emissões de CO² de 126 g/km (ciclo NEDC Europeu combinado).

As mudanças estão embaixo do chassi onde ficam dois tanques de combustíveis. Um de 19 kg (22 metros cúbicos) de gás natural com quatro cilindros, feitos de fibras de vidro e carbono no eixo traseiro. E outro para 25 litros de gasolina. O bocal de abastecimento tem entradas individuais para cada tipo de combustível. Com os tanques acoplados na parte debaixo do automóvel não perde espaço no porta-malas.

Em conjunto com a transmissão automática de sete velocidades, o A5 Sportback g-tron acelera de 0 a 100 km/h em apenas 8,4 segundos. Sua velocidade máxima é de 224 km/h (limitado eletronicamente).

No painel do motorista, há informações sobre quantidade de combustíveis e a qualidade do gás consumido. O sistema de computador de bordo faz uma leitura dos componentes do combustível quase em tempo real.

Conforme o engenheiro da Audi, Gabriel Amabile, ainda não há definição de quando o modelo chegará às concessionárias brasileiras. “Um grupo de trabalho está avaliando quais adaptações teriam que ser feitas em relação às especificações técnicas do GNV utilizado no Brasil e também as questões de aceitação de mercado e de Governo”.