http://www.ideaonline.com.br/conteudo/12-grande-encontro-sobre-variedades-de-cana-de-acucar.html
http://www.premiomulheresdoagro.com.br/
http://www.rgis.com.br
http://site.orplana.com.br/pages/caminhos-da-cana-2017/
http://https://www.fmcagricola.com.br/index.aspx

Variedades: jogador antiquado, time perdendo. Por que não mexer?

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Agronegócio

16/04/2018
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Imagine um produtor de cana como um técnico de futebol. Esse treinador é um daqueles cabeças dura, que quando gosta de um determinado jogador não abre mão dele no time, mesmo se estiver no final de carreira.O seu clube investiu de maneira forte nas categorias de base, o seu banco está repleto de jovens atletas querendo mostrar valor, mas o treinador insiste em judiar do lateral que passou dos 35 anos e tem que correr o campo inteiro, ou do centroavante que não consegue mais carregar a fama de trombador do passado devido à falta de robustez física se comparado com os zagueiros adversários.
 
O resultado todo mundo já sabe! É impossível um time com um comandante desses almejar qualquer título e com certeza, o chefão carrancudo, vai ter que contar muito com a sorte para não cair de divisão.

O exemplo acima é a melhor maneira de ilustrar o que se passa com muita gente que planta cana. Tem um plantel de variedades fantástico “no banco” e continua persistindo com variedades como a RB867515 ou a RB966928 e a RB855156, que diga-se de passagem, já fez golaços, mas para quem quer títulos (aumentar ATR) é preciso pensar na substituição.

No final do mês de fevereiro, a equipe técnica do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), formada na ocasião por Bruno Silvestrin, Felipe Andrade e Tiago Salioni; ao lado da fornecedora de cana e presidente da Assocapi (Associação dos Fornecedores de Cana de Capivari), Maria Christina Pacheco, realizou um dia de campo, onde foram apresentadas as quatro variedades da família 9 mil (CTC9005HP, CTC9001, CTC9003 e CTC9002) que estão sendo usadas comercialmente na propriedade da agricultora.
Então vamos às características de cada prata da casa.

CTC9005HP – Energicamente doce
Dois motivos levam hoje uma usina a iniciar a safra na primeira quinzena de março, ou aproveitar preços atraentes, principalmente do etanol, que tem uma curva para cima interessante no período que as moendas estão paradas, ou então a necessidade de movimentar as caldeiras para a produção de energia elétrica, muitas vezes em decorrência de compromissos assumidos em contrato.

O segundo motivo fez até surgir um burburinho no setor onde se ventilou a possiblidade de se plantar a cana-energia (variedade com baixos índices de açúcar e que gera bastante bagaço) usada apenas para alimentar as famintas caldeiras. Porém, acredito que isso acabou parando em alguns experimentos, pois dificilmente toda a operação agrícola se pagaria para produzir apenas eletricidade, em um período em que a mesma está com preços baixos, devido às chuvas, caso exista a necessidade de cumprir compromissos a compra de cavaco de madeira ou outro combustívelcom certeza fica muito mais em conta.

Deixando na gaveta essa história de cana-energia, voltemos para a tradicional cana-de-açúcar e a noção de hiperprecocidade.Na realidade varietal que temos hoje é impossível imaginar a execução de uma colheita, com ponto ótimo de ATR, no início de março, com ajuda de maturadores dá até para colher, mas é perigoso a conta de custos x açúcar ficar bem amarga.
Portanto, o termo hiperprecocidade é para plantas recomendadas que se faça a colheita a partir da primeira semana de abril, dá até para colher na segunda quinzena de março, mas vai precisar de maturadores e renderá bem, embora não terá o seu ápice de ATR.

No caso da CTC9005HP, quando plantadas em ambientes A, B e C possui elevado teor de açúcar no início da safra, podendo ser colhida até mesmo antes de abril com a ajuda dos aceleradores de maturação, sendo a única hiperprecoce com alto teor de fibra, ou seja, a indústria que pretende começar a moer antes precisa olhar com carinho para essa variedade, pois como sendo a única energicamente doce, dá a opção de aproveitar preços atraentes de etanol e açúcar e ainda cumprir os contratos de cogeração.

Para se ter noção da quantidade de bagaço que ela é capaz de gerar, segundo dados do próprio CTC,a cana destina às caldeiras 23 toneladas por hectare, sua principal concorrente entre as variedades pré-início de safra, RB855156, produz 18.

Outro comparativo com os mesmos materiais é na quantidade de ATR, e o seu resultado é espantador, isso porque ela é simplesmente a campeã de produtividade e riqueza dentro dos 45 anos de existência do centro de pesquisa, batendo a CTC20 em comparativo realizado no Grupo São Martinho.

No dia do evento ficou muito evidente uma outra característica dela, seu perfilhamento exagerado, segundo dados de sua cuidadora na ocasião, com 136 metros lineares dela foi possível preencher um hectare, segundo os palestrantes, em uma meiose conseguiu fazer uma redobra que chegou a 29 linhas.

A título de curiosidade, a reportagem contou quantas canas e gemas ela tinha por metro no dia do evento, e o resultado para um canavial que havia sido cortado há apenas seis meses, foi de 22 plantas com 10 gemas cada. Características como essa faz com que o CTC afirme uma economia de pelo menos R$ 150,00 por hectare no custo total de plantio manual.

Outra característica que vale ressaltar, por ter uma quantidade alta de fibra, é que é uma cana difícil de quebrar, talvez aí esteja o segredo para o seu elevado grau de doçura, o que também acarreta gerando economia tanto para a sua colheita como no transporte. Essa sua resistência aliada ao fato de não florescer garante uma janela de colheita que chega até o mês de junho, e com possibilidades de conseguir bater recorde de açúcar.

No entanto todo esse mundo maravilhoso tem uma condicionante. A variedade foi desenvolvida para fatores climáticos extremamente positivos, ou seja, tudo isso só acontece se tiver muita água.

Todos sabemos que tem muito fornecedor de cana que arrepia quando se fala de variedade precoce, lógico que principalmente para quem não tem uma operação de colheita própria, é preciso ficar de olho para evitar pisoteio, pois em abril ou até mesmo em maio podem ter ocasiões onde o solo esteja molhado. Porém, com uma boa gestão da operação, para aqueles localizados em solos ricos, a variedade se torna demasiadamente interessante, principalmente se pensarmos no sentido de começar a trabalhar com a precocidade planejando a entrega ao longo de toda safra.

CTC9001 – Uma boa concorrência à RB867515
Por muito tempo era, e ainda é em muitas regiões, uma regra de mercado já que em solos mais fracos, para uma colheita precoce, podia plantar a RB867515, que embora ela não tivesse sido criada para essa situação, seu rendimento acabava contentando a expectativa dos agricultores.

Muito desse paradigma está caindo por terra depois que o CTC colocou no mercado a variedade 9001, que é hoje a cana com lançamento nessa década mais plantada do Brasil e está no Top 10 entre todos os plantios executados na região Centro-Sul.
Sua maior característica é com certeza a precocidade aliada a uma grande janela de utilização industrial. Em estudo realizado pelo centro de pesquisa, em 50 regiões diferentes, mostrou superioridade na produtividade tanto em solos desfavoráveis como em terrenos amigáveis em relação a RB867515.

Com relação ao seu grande período de maturação, em ambientes melhores (B e C) é possível colher ela com o seu ápice de açúcar até o mês de agosto, mostrando desempenho superior no comparativo com a RB966928, isso em decorrência de dois motivos: pelo fato de não florescer e por ter sido desenvolvida no estado de Goiás, o que a fez ser casca grossa em relação a seca.

Outro ponto de destaque é sua estabilidade ao plantio mecanizado e índice interessante de fibra. Com isso variedades e torna bastante diversa em suas principais características, proporcionando para quem a planta bastante flexibilidade no planejamento de colheita. O exemplo que mostra esse bom desempenho em ambientes e épocas diferentes foi nos apresentado ao vivo, durante o dia de campo, onde esse material, em um ambiente favorável, já tendo sofrido dois cortes no mês de setembro, apresentou média superior a 150 kg de ATR por tonelada de cana.

CTC9003 – Um touro reprodutor
Quando a produtora disse que com apenas 123 metros lineares conseguiu encher um hectare com a CTC9003, indo além dos dados do próprio CTC, ficou claro que essa cana é uma das principais candidatas a fazer parte do plantel de muito fornecedor, isso por se tratar de uma planta para ser colhida no meio da safra, aguenta bem até setembro e, segundo o centro de pesquisa, em Goiás, ela produziu bons índices de açúcar até o sétimo corte.

Isso é uma boa moda de viola principalmente para os pequenos e médios produtores, porque além de proporcionar economia no plantio, com boa produção, remunerar bem com sete cortes eliminaria pelo menos uma reforma a cada quinze anos.

A característica que proporciona o fato dela ser uma grande reprodutora é o seu vigoroso perfilhamento com grande número de gemas.

Mesmo sendo recomendada para ambientes restritivos(até o C), assim como suas irmãs, não floresce e também aguenta bem a seca, motivo pelo qual está entre as dez mais plantadas do Centro-Sul, com destaque para as regiões de Assis-SP e São José do Rio Preto, locais em que aparece em terceiro lugar no censo varietal de 2017.


CTC9002 – A eclética
Uma forma de planejamento de colheita com o objetivo de ganho de produtividade é sem dúvida nenhuma o conceito de terceiro eixo, ou seja, quando passa a se colher primeiro as canas plantas, passando para as de segundo corte, terceiro e por aí adiante. Nesse conceito se leva em conta que a cada corte a planta vai aumentando o seu sistema radicular. Com raízes mais profundas passa a ser mais resistente ao período de seca e com isso colhendo as mais novas(que tem produtividade mais elevada, porém raízes mais sensíveis), se aproveita todo o potencial dela.

Na descrição das outras plantas apresentadas no evento pode-se perceber que todas já têm como característica a flexibilidade alta para o período de colheita. No entanto a CTC9002 leva esse item bastante a sério, podendo ser colhida desde junho até outubro, sendo recomendada no final da safra em ambientes A e B e mais para o meio nas regiões C e D.

Outro ponto forte dessa cana é o seu porte ereto, exclusivo entre as de final de safra, característica que lhe traz maior colheitabilidade pelo fato de não deitar. Segundo os representantes do CTC, suportar bem os ventos dos meses de agosto e setembro, ficando ereta e até ganhando o apelido entre o pessoal do CTT, como a melhor amiga dos operadores e não só deles, mas também dos relatórios de custos.

Assim como as outras de sua família, essa variedade não floresce e também não sofre chochamento, tendo performance produtiva superior à RB867515 em todos os meses do meio até o final da safra.


Novidades CTC
A consolidação da família 9000 parece resolvida ao analisar os dados de plantio e também as lacunas que suas representantes ocupam a cada safra. Essa noção ganha mais força pelo fato de ser o conjunto de materiais que teve o maior crescimento em menos tempo da história (foram lançadas em 2012), desbancando a série 85 da Ridesa, a qual conta com a sua maior representante a RB855156.

No entanto, uma empresa igual ao CTC, onde grande parte do seu faturamento é destinado para pesquisa e desenvolvimento, não pode se confortar em um sucesso e precisa sempre olhar para frente para proporcionar aos canaviais evoluções ainda intangíveis.

Em conversa com o gerente de produtos do centro de tecnologia, Luiz Antonio Dias Paes, dá para concluir que a estratégia do programa de melhoramento genético é o lançamento de materiais extremos (precoces e tardios) que consigam segurar a produtividade por um bom período ao longo da safra, eliminando assim a necessidade de busca por variedades médias.

Seguindo esse raciocínio, no final do ano passado houve o pré-lançamento de duas variedades focadas para ambientes definidos (uma Goiás e outra para a região de Araçatuba), as quais já foram entregues aos clientes realizarem seus primeiros plantios.

Assim fica evidente que os próximos lançamentos devam ser de canas que possuam interessantes diferenciais que ainda não são encontrados na prateleira do melhoramento genético.

Com relação ao programa de transgenia(a empresa fez no ano passado o lançamento da primeira cana geneticamente modificada da história), este ano possivelmente serão lançados mais dois materiais, que deverão ter dentre outras características, a resistência à broca como o seu carro-chefe.

Com relação à CTC20BT, os plantios para a produção dos primeiros lotes de mudas foram realizados até dezembro de 2017. Até abril desse ano, vai haver uma segunda fase de propagação. Vale lembrar que essa primeira parte foi realizada em todas as regiões canavieiras do Centro-Sul. 

Mudas, o problema para a disseminação
Para quem não conhece o setor a fundo às vezes não compreende que embora tenha tanta opção genética, as variedades são relativamente poucas se comparado com o que é ofertado. Parte desse problema é referente ao processo de disseminação de mudas, já que uma variedade mais recente ainda é pouco cultivada e a disponibilidade de reprodução em áreas de reforma também é, diferente de uma já consolidada, onde os viveiros estão repletos delas.

O sistema de meiose desponta hoje como um dos principais para acelerar esse processo. Se imaginávamos o modelo tradicional, a taxa é de para cada hectare de mudas, se consegue plantar 4 unidades comerciais. Utilizando a técnica aliada com o plantio manual, esse número pode chegar a 1 para 10 hectares, com isso, além de conseguir formar rapidamente um plantel da variedade desejada, a redução no custo do plantio também será facilmente percebida.


Perdendo o medo dos royalties
Ainda existe muito receio por partes de produtores de cana-de-açúcar em relação a assumir o compromisso com uma variedade que tenha que ser pago royalties por ela, como o caso das CTC.

Antes de entortar a boca, é preciso entender como funciona a dinâmica e porque o valor é cobrado. Primeiro partindo do princípio que o maior insumo que possa existir em uma lavoura é a sua variedade, isso principalmente porque bons materiais proporcionam boas produções demandando menos produtos auxiliares.

Se o modelo de negócios do centro de tecnologia for observado de perto, é possível notar que boa parte de sua arrecadação é investido novamente no desenvolvimento de novos materiais. Isso porque eles são bonzinhos? Não, isso porque eles vivem disso. O CTC será cada vez mais forte ao passo que seu portfólio for ficando mais recheado.
Outro ponto importante sobre a cobrança de royalties está na assertividade que o programa genético precisa ter em seus lançamentos, pois lançar materiais mais do mesmo significará grande desperdício de esforço porque simplesmente o mercado vai optar pela similar que não tem cobrança de custos adicionais.

É preciso sempre ter material de ponta. Os clientes vão começar com pequenas áreas plantadas para comprovar a sua real eficiência e satisfeito com os resultados, se sentirá mais confiante em utilizar em extensões maiores. Nessa visão a cobrança nada mais é que uma parte da receita adicional provocada por aquela cana.

Para o produtor conhecer como funciona a dinâmica de contratação dessa tecnologia, o processo funciona no sistema “pay per use” ou seja, ele só pagará pela quantidade de área que estiver utilizando o material. De praxe a grande maioria começa com pequenas áreas e se em algum momento perceber que não vale a pena o investimento, é só tirar a cana e então seu compromisso se encerrará.

Sendo assim, com um bom planejamento, não adianta nada colocar uma variedade tardia para ser colhida em abril, e controle das atividades a geração de valor ou não será nítida. Risco grande mesmo só em canavial sem gestão.


Qual a sua desculpa de hoje?
Muitos analistas do agronegócio dizem que falta para o produtor de cana-de-açúcar ter a mesma ganância por produtividade do empresário rural do setor de grãos (soja e milho).

É inegável dizer que sob o ponto de vista da eficiência produtiva aliada a utilização de tecnologias eles estão pelo menos uns dez passos na nossa frente.

Claro que também é preciso ressaltar que eles não passaram nem no chinelo a quantidade de problemas que a canavicultura viveu na última década.
Uma vez, assistindo a uma prova de triathlon, vi uma atleta paraplégica que com apenas os braços, nadou, pedalou e correu (esses dois em equipamentos distintos adaptados) e então meu treinador de corrida chegou ao lado e perguntou: - E aí Marino, qual será sua desculpa para não ir treinar segunda-feira?

E então eu repasso essa pergunta para você, caro leitor que persiste em manter as mesmas variedades da década de oitenta. Qual será sua desculpa?

Fonte: Revista Canavieiros

Variedades: jogador antiquado, time perdendo. Por que não mexer?

16/04/2018

Imagine um produtor de cana como um técnico de futebol. Esse treinador é um daqueles cabeças dura, que quando gosta de um determinado jogador não abre mão dele no time, mesmo se estiver no final de carreira.O seu clube investiu de maneira forte nas categorias de base, o seu banco está repleto de jovens atletas querendo mostrar valor, mas o treinador insiste em judiar do lateral que passou dos 35 anos e tem que correr o campo inteiro, ou do centroavante que não consegue mais carregar a fama de trombador do passado devido à falta de robustez física se comparado com os zagueiros adversários.
 
O resultado todo mundo já sabe! É impossível um time com um comandante desses almejar qualquer título e com certeza, o chefão carrancudo, vai ter que contar muito com a sorte para não cair de divisão.

O exemplo acima é a melhor maneira de ilustrar o que se passa com muita gente que planta cana. Tem um plantel de variedades fantástico “no banco” e continua persistindo com variedades como a RB867515 ou a RB966928 e a RB855156, que diga-se de passagem, já fez golaços, mas para quem quer títulos (aumentar ATR) é preciso pensar na substituição.

No final do mês de fevereiro, a equipe técnica do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), formada na ocasião por Bruno Silvestrin, Felipe Andrade e Tiago Salioni; ao lado da fornecedora de cana e presidente da Assocapi (Associação dos Fornecedores de Cana de Capivari), Maria Christina Pacheco, realizou um dia de campo, onde foram apresentadas as quatro variedades da família 9 mil (CTC9005HP, CTC9001, CTC9003 e CTC9002) que estão sendo usadas comercialmente na propriedade da agricultora.
Então vamos às características de cada prata da casa.

CTC9005HP – Energicamente doce
Dois motivos levam hoje uma usina a iniciar a safra na primeira quinzena de março, ou aproveitar preços atraentes, principalmente do etanol, que tem uma curva para cima interessante no período que as moendas estão paradas, ou então a necessidade de movimentar as caldeiras para a produção de energia elétrica, muitas vezes em decorrência de compromissos assumidos em contrato.

O segundo motivo fez até surgir um burburinho no setor onde se ventilou a possiblidade de se plantar a cana-energia (variedade com baixos índices de açúcar e que gera bastante bagaço) usada apenas para alimentar as famintas caldeiras. Porém, acredito que isso acabou parando em alguns experimentos, pois dificilmente toda a operação agrícola se pagaria para produzir apenas eletricidade, em um período em que a mesma está com preços baixos, devido às chuvas, caso exista a necessidade de cumprir compromissos a compra de cavaco de madeira ou outro combustívelcom certeza fica muito mais em conta.

Deixando na gaveta essa história de cana-energia, voltemos para a tradicional cana-de-açúcar e a noção de hiperprecocidade.Na realidade varietal que temos hoje é impossível imaginar a execução de uma colheita, com ponto ótimo de ATR, no início de março, com ajuda de maturadores dá até para colher, mas é perigoso a conta de custos x açúcar ficar bem amarga.
Portanto, o termo hiperprecocidade é para plantas recomendadas que se faça a colheita a partir da primeira semana de abril, dá até para colher na segunda quinzena de março, mas vai precisar de maturadores e renderá bem, embora não terá o seu ápice de ATR.

No caso da CTC9005HP, quando plantadas em ambientes A, B e C possui elevado teor de açúcar no início da safra, podendo ser colhida até mesmo antes de abril com a ajuda dos aceleradores de maturação, sendo a única hiperprecoce com alto teor de fibra, ou seja, a indústria que pretende começar a moer antes precisa olhar com carinho para essa variedade, pois como sendo a única energicamente doce, dá a opção de aproveitar preços atraentes de etanol e açúcar e ainda cumprir os contratos de cogeração.

Para se ter noção da quantidade de bagaço que ela é capaz de gerar, segundo dados do próprio CTC,a cana destina às caldeiras 23 toneladas por hectare, sua principal concorrente entre as variedades pré-início de safra, RB855156, produz 18.

Outro comparativo com os mesmos materiais é na quantidade de ATR, e o seu resultado é espantador, isso porque ela é simplesmente a campeã de produtividade e riqueza dentro dos 45 anos de existência do centro de pesquisa, batendo a CTC20 em comparativo realizado no Grupo São Martinho.

No dia do evento ficou muito evidente uma outra característica dela, seu perfilhamento exagerado, segundo dados de sua cuidadora na ocasião, com 136 metros lineares dela foi possível preencher um hectare, segundo os palestrantes, em uma meiose conseguiu fazer uma redobra que chegou a 29 linhas.

A título de curiosidade, a reportagem contou quantas canas e gemas ela tinha por metro no dia do evento, e o resultado para um canavial que havia sido cortado há apenas seis meses, foi de 22 plantas com 10 gemas cada. Características como essa faz com que o CTC afirme uma economia de pelo menos R$ 150,00 por hectare no custo total de plantio manual.

Outra característica que vale ressaltar, por ter uma quantidade alta de fibra, é que é uma cana difícil de quebrar, talvez aí esteja o segredo para o seu elevado grau de doçura, o que também acarreta gerando economia tanto para a sua colheita como no transporte. Essa sua resistência aliada ao fato de não florescer garante uma janela de colheita que chega até o mês de junho, e com possibilidades de conseguir bater recorde de açúcar.

No entanto todo esse mundo maravilhoso tem uma condicionante. A variedade foi desenvolvida para fatores climáticos extremamente positivos, ou seja, tudo isso só acontece se tiver muita água.

Todos sabemos que tem muito fornecedor de cana que arrepia quando se fala de variedade precoce, lógico que principalmente para quem não tem uma operação de colheita própria, é preciso ficar de olho para evitar pisoteio, pois em abril ou até mesmo em maio podem ter ocasiões onde o solo esteja molhado. Porém, com uma boa gestão da operação, para aqueles localizados em solos ricos, a variedade se torna demasiadamente interessante, principalmente se pensarmos no sentido de começar a trabalhar com a precocidade planejando a entrega ao longo de toda safra.

CTC9001 – Uma boa concorrência à RB867515
Por muito tempo era, e ainda é em muitas regiões, uma regra de mercado já que em solos mais fracos, para uma colheita precoce, podia plantar a RB867515, que embora ela não tivesse sido criada para essa situação, seu rendimento acabava contentando a expectativa dos agricultores.

Muito desse paradigma está caindo por terra depois que o CTC colocou no mercado a variedade 9001, que é hoje a cana com lançamento nessa década mais plantada do Brasil e está no Top 10 entre todos os plantios executados na região Centro-Sul.
Sua maior característica é com certeza a precocidade aliada a uma grande janela de utilização industrial. Em estudo realizado pelo centro de pesquisa, em 50 regiões diferentes, mostrou superioridade na produtividade tanto em solos desfavoráveis como em terrenos amigáveis em relação a RB867515.

Com relação ao seu grande período de maturação, em ambientes melhores (B e C) é possível colher ela com o seu ápice de açúcar até o mês de agosto, mostrando desempenho superior no comparativo com a RB966928, isso em decorrência de dois motivos: pelo fato de não florescer e por ter sido desenvolvida no estado de Goiás, o que a fez ser casca grossa em relação a seca.

Outro ponto de destaque é sua estabilidade ao plantio mecanizado e índice interessante de fibra. Com isso variedades e torna bastante diversa em suas principais características, proporcionando para quem a planta bastante flexibilidade no planejamento de colheita. O exemplo que mostra esse bom desempenho em ambientes e épocas diferentes foi nos apresentado ao vivo, durante o dia de campo, onde esse material, em um ambiente favorável, já tendo sofrido dois cortes no mês de setembro, apresentou média superior a 150 kg de ATR por tonelada de cana.

CTC9003 – Um touro reprodutor
Quando a produtora disse que com apenas 123 metros lineares conseguiu encher um hectare com a CTC9003, indo além dos dados do próprio CTC, ficou claro que essa cana é uma das principais candidatas a fazer parte do plantel de muito fornecedor, isso por se tratar de uma planta para ser colhida no meio da safra, aguenta bem até setembro e, segundo o centro de pesquisa, em Goiás, ela produziu bons índices de açúcar até o sétimo corte.

Isso é uma boa moda de viola principalmente para os pequenos e médios produtores, porque além de proporcionar economia no plantio, com boa produção, remunerar bem com sete cortes eliminaria pelo menos uma reforma a cada quinze anos.

A característica que proporciona o fato dela ser uma grande reprodutora é o seu vigoroso perfilhamento com grande número de gemas.

Mesmo sendo recomendada para ambientes restritivos(até o C), assim como suas irmãs, não floresce e também aguenta bem a seca, motivo pelo qual está entre as dez mais plantadas do Centro-Sul, com destaque para as regiões de Assis-SP e São José do Rio Preto, locais em que aparece em terceiro lugar no censo varietal de 2017.


CTC9002 – A eclética
Uma forma de planejamento de colheita com o objetivo de ganho de produtividade é sem dúvida nenhuma o conceito de terceiro eixo, ou seja, quando passa a se colher primeiro as canas plantas, passando para as de segundo corte, terceiro e por aí adiante. Nesse conceito se leva em conta que a cada corte a planta vai aumentando o seu sistema radicular. Com raízes mais profundas passa a ser mais resistente ao período de seca e com isso colhendo as mais novas(que tem produtividade mais elevada, porém raízes mais sensíveis), se aproveita todo o potencial dela.

Na descrição das outras plantas apresentadas no evento pode-se perceber que todas já têm como característica a flexibilidade alta para o período de colheita. No entanto a CTC9002 leva esse item bastante a sério, podendo ser colhida desde junho até outubro, sendo recomendada no final da safra em ambientes A e B e mais para o meio nas regiões C e D.

Outro ponto forte dessa cana é o seu porte ereto, exclusivo entre as de final de safra, característica que lhe traz maior colheitabilidade pelo fato de não deitar. Segundo os representantes do CTC, suportar bem os ventos dos meses de agosto e setembro, ficando ereta e até ganhando o apelido entre o pessoal do CTT, como a melhor amiga dos operadores e não só deles, mas também dos relatórios de custos.

Assim como as outras de sua família, essa variedade não floresce e também não sofre chochamento, tendo performance produtiva superior à RB867515 em todos os meses do meio até o final da safra.


Novidades CTC
A consolidação da família 9000 parece resolvida ao analisar os dados de plantio e também as lacunas que suas representantes ocupam a cada safra. Essa noção ganha mais força pelo fato de ser o conjunto de materiais que teve o maior crescimento em menos tempo da história (foram lançadas em 2012), desbancando a série 85 da Ridesa, a qual conta com a sua maior representante a RB855156.

No entanto, uma empresa igual ao CTC, onde grande parte do seu faturamento é destinado para pesquisa e desenvolvimento, não pode se confortar em um sucesso e precisa sempre olhar para frente para proporcionar aos canaviais evoluções ainda intangíveis.

Em conversa com o gerente de produtos do centro de tecnologia, Luiz Antonio Dias Paes, dá para concluir que a estratégia do programa de melhoramento genético é o lançamento de materiais extremos (precoces e tardios) que consigam segurar a produtividade por um bom período ao longo da safra, eliminando assim a necessidade de busca por variedades médias.

Seguindo esse raciocínio, no final do ano passado houve o pré-lançamento de duas variedades focadas para ambientes definidos (uma Goiás e outra para a região de Araçatuba), as quais já foram entregues aos clientes realizarem seus primeiros plantios.

Assim fica evidente que os próximos lançamentos devam ser de canas que possuam interessantes diferenciais que ainda não são encontrados na prateleira do melhoramento genético.

Com relação ao programa de transgenia(a empresa fez no ano passado o lançamento da primeira cana geneticamente modificada da história), este ano possivelmente serão lançados mais dois materiais, que deverão ter dentre outras características, a resistência à broca como o seu carro-chefe.

Com relação à CTC20BT, os plantios para a produção dos primeiros lotes de mudas foram realizados até dezembro de 2017. Até abril desse ano, vai haver uma segunda fase de propagação. Vale lembrar que essa primeira parte foi realizada em todas as regiões canavieiras do Centro-Sul. 

Mudas, o problema para a disseminação
Para quem não conhece o setor a fundo às vezes não compreende que embora tenha tanta opção genética, as variedades são relativamente poucas se comparado com o que é ofertado. Parte desse problema é referente ao processo de disseminação de mudas, já que uma variedade mais recente ainda é pouco cultivada e a disponibilidade de reprodução em áreas de reforma também é, diferente de uma já consolidada, onde os viveiros estão repletos delas.

O sistema de meiose desponta hoje como um dos principais para acelerar esse processo. Se imaginávamos o modelo tradicional, a taxa é de para cada hectare de mudas, se consegue plantar 4 unidades comerciais. Utilizando a técnica aliada com o plantio manual, esse número pode chegar a 1 para 10 hectares, com isso, além de conseguir formar rapidamente um plantel da variedade desejada, a redução no custo do plantio também será facilmente percebida.


Perdendo o medo dos royalties
Ainda existe muito receio por partes de produtores de cana-de-açúcar em relação a assumir o compromisso com uma variedade que tenha que ser pago royalties por ela, como o caso das CTC.

Antes de entortar a boca, é preciso entender como funciona a dinâmica e porque o valor é cobrado. Primeiro partindo do princípio que o maior insumo que possa existir em uma lavoura é a sua variedade, isso principalmente porque bons materiais proporcionam boas produções demandando menos produtos auxiliares.

Se o modelo de negócios do centro de tecnologia for observado de perto, é possível notar que boa parte de sua arrecadação é investido novamente no desenvolvimento de novos materiais. Isso porque eles são bonzinhos? Não, isso porque eles vivem disso. O CTC será cada vez mais forte ao passo que seu portfólio for ficando mais recheado.
Outro ponto importante sobre a cobrança de royalties está na assertividade que o programa genético precisa ter em seus lançamentos, pois lançar materiais mais do mesmo significará grande desperdício de esforço porque simplesmente o mercado vai optar pela similar que não tem cobrança de custos adicionais.

É preciso sempre ter material de ponta. Os clientes vão começar com pequenas áreas plantadas para comprovar a sua real eficiência e satisfeito com os resultados, se sentirá mais confiante em utilizar em extensões maiores. Nessa visão a cobrança nada mais é que uma parte da receita adicional provocada por aquela cana.

Para o produtor conhecer como funciona a dinâmica de contratação dessa tecnologia, o processo funciona no sistema “pay per use” ou seja, ele só pagará pela quantidade de área que estiver utilizando o material. De praxe a grande maioria começa com pequenas áreas e se em algum momento perceber que não vale a pena o investimento, é só tirar a cana e então seu compromisso se encerrará.

Sendo assim, com um bom planejamento, não adianta nada colocar uma variedade tardia para ser colhida em abril, e controle das atividades a geração de valor ou não será nítida. Risco grande mesmo só em canavial sem gestão.


Qual a sua desculpa de hoje?
Muitos analistas do agronegócio dizem que falta para o produtor de cana-de-açúcar ter a mesma ganância por produtividade do empresário rural do setor de grãos (soja e milho).

É inegável dizer que sob o ponto de vista da eficiência produtiva aliada a utilização de tecnologias eles estão pelo menos uns dez passos na nossa frente.

Claro que também é preciso ressaltar que eles não passaram nem no chinelo a quantidade de problemas que a canavicultura viveu na última década.
Uma vez, assistindo a uma prova de triathlon, vi uma atleta paraplégica que com apenas os braços, nadou, pedalou e correu (esses dois em equipamentos distintos adaptados) e então meu treinador de corrida chegou ao lado e perguntou: - E aí Marino, qual será sua desculpa para não ir treinar segunda-feira?

E então eu repasso essa pergunta para você, caro leitor que persiste em manter as mesmas variedades da década de oitenta. Qual será sua desculpa?