http://site.orplana.com.br/pages/caminhos-da-cana-2017/
http://bit.ly/2ktdMMm
http://https://www.fmcagricola.com.br/index.aspx
http://www.ideaonline.com.br/conteudo/2-inovacana.html
http://www.fenasucro.com.br/Expor/Quero-Expor/Beneficios/?utm_source=mediapartner&utm_campaign=vendas&utm_medium=banner&utm_content=canavieiros_vendas&utm_term=761x73_201803271729&preload[13935947]=mediapartner

Venha forte hidratado, nas 100 milhões de toneladas restantes

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Colunista

07/11/2017

O que acontece com nosso agro?
Com os números quase finais da supersafra brasileira de 2016/17 ao redor de 238,8 milhões de toneladas, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) soltou a primeira projeção para 2017/18. Devemos ficar entre 224 a 228 milhões de toneladas, uma redução entre 4 a 6%. A área deve seguir crescendo quase 2%, atingindo entre 61 a 62 milhões de hectares. Espera-se um pouco de perda de produtividade, principalmente por questões climáticas. Vem sendo incrível o ganho para a sociedade brasileira desta safra com a derrubada dos índices de inflação. Nas carnes, tivemos deflação de 4,2% neste ano, graças aos menores preços dos grãos e em diversos outros produtos, portanto, o agro promoveu bem-estar; 
As exportações de setembro foram de US$ 8,6 bilhões, praticamente 23,7% acima de setembro de 2016, deixando um superavit de US$ 7,4 bilhões, impressionante salto. No acumulado de janeiro a setembro, o agro trouxe US$ 74 bilhões, quase 9,8% acima de 2016. O superavit deixado já está em US$ 63,3 bilhões (9,9% acima). As exportações de açúcar e etanol aumentaram 50% em relação ao mesmo mês e as de milho cresceram ao redor de 80%. Segue firme o “aspirador chinês”, que somente em setembro comprou quase US$ 2 bilhões, mais que o dobro observado em setembro de 2016 e puxou 30% das nossas exportações neste ano. Soja já trouxe US$ 27,8 bilhões (18,2% a mais); carnes US$ 11,5 bilhões (7,2% a mais); açúcar e etanol US$ 9,5 bilhões (16,3% a mais) e produtos florestais US$ 8,4 bilhões (11% a mais). Estes seriam os principais destaques;
O índice de preços de commodities alimentares da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) chegou a 178,4 pontos, 1,4% acima de agosto e 7,4% acima de setembro de 2016. Cereais (1,6% de queda) ajudaram a derrubar o índice, enquanto que açúcar e carnes permaneceram com os mesmos preços e os óleos vegetais (2,5%) e os lácteos (2,1%) ajudaram a subir. A FAO estima que a produção de grãos em 2017 vai atingir recorde de 2,612 bilhões de toneladas e utilizar 2,589 bilhões, jogando também os estoques para valores recordes de 720 milhões de toneladas (2% acima). Esta megaprodução tem mantido os preços, principalmente de soja e milho, estáveis e são boas as chances de permanecerem neste patamar; 
Enfim, as notícias de final de setembro e outubro foram boas, exportações firmes, produção firme, expectativa de boa safra 2017/18, crescimento de área, mas há alguma preocupação com a seca neste momento atrasando plantio no Brasil. Torcer para que as águas venham! 
O que acontece com a nossa cana?
De acordo com a Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar), a moagem acumulada desta safra até o dia 1º de setembro foi de 467,17 milhões de toneladas, contra 476,24 no mesmo período anterior. Estamos atrasados em cerca de 2% em relação à safra anterior. Já foram produzidos 29,23 milhões de toneladas de açúcar (27,88 milhões em 2016), e no etanol 19,42 bilhões de litros (-2,75%). O hidratado caiu 5,7% para 11,04 bilhões de litros e o anidro subiu 1,43% para 8,37 bilhões de litros. Como já observamos no último mês, o etanol está buscando os números do ano passado e pode ultrapassar neste mês;
No ATR houve boa melhoria, chegando a 136,18 kg/ton (2,57% acima). Fizemos nesta última quinzena um mix de 53,4% para etanol, o que ajudou na estratégia geral de construção de valor. Está quase 4 pontos acima do mesmo período do ano passado. Com isto produzimos 11,5% a mais de etanol; 
O tempo seco já traz reflexos na produtividade desta safra e deve afetar a próxima. A amostra do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) estima em 79,6 toneladas/ha desde o início desta safra, contra 80,9 do mesmo período de 2016;
No mês de setembro foram vendidos pelas usinas (não significa consumo) 2,15 bilhões de litros para o mercado interno e quase 158 milhões de litros para exportação. De hidratado foi 1,38 bilhões de litros. Enfim, moemos cerca de 5% a menos de cana na quinzena, com 10% a mais de sacarose;
Estudo da RPA Consultoria indica 52 unidades em recuperação judicial e 27 em falência num total de 444 unidades. Acreditam que existem 25 prestes a solicitar recuperação judicial. O estudo indica que 45 usinas não serão reativadas, pois foram desmontadas;
A CerradinhoBio vem expandindo investimentos em cogeração, dobrando sua capacidade para agora 850 gigawatt-hora (GWh). Em 2016/17, a receita foi de R$ 811 milhões na última safra, inaugura hoje a expansão das operações de cogeração em sua usina em Chapadão do Céu, no sudoeste de Goiás. A moagem subiu de 4,8 milhões em 2015/16 para 5,4 milhões, pulando para 5,7 milhões em 2018/19 e chegando a 6,3 milhões em 2021. Nas caldeiras estão testando sorgo, braquiária e cavaco de eucalipto. Também está nos planos avaliar o processamento do milho. As metas são de chegar a R$ 880 milhões nesta safra e EBITDA de R$ 440 milhões;
Para o Nordeste, uma boa notícia: o Sindaçúcar/PE espera uma produção de 44 milhões de toneladas (4,7% a mais);
Pouca renovação de cana, pouca chuva, um pouco mais de investimentos em fertilizantes... safra do ano que vem pode ser ainda menor que esta. São bastante divergentes ainda as opiniões de produção esperadas. No caso do açúcar, de 33 a 36 milhões de toneladas, 26 a 28 bilhões de litros de etanol, e no caso da cana, de 560 a 625 milhões de toneladas. Ou seja, na melhor das hipóteses, mais um ano onde o agrícola andará de lado. 
O que acontece com nosso açúcar?
Neste momento devemos mirar as produções de União Europeia, Índia, Tailândia e Paquistão, seus climas e a influência dos preços recebidos nos plantios futuros. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) prevê Índia com 27,7 milhões de toneladas, 25% a mais. Também deve ser visto qual o impacto dos preços menores na demanda mundial por açúcar;
Usinas estão demorando a fixar preços para 2018. Segundo a Archer Consulting, apenas 15,5% haviam sido fixados até o dia 30/09, um total de 4,2 milhões de toneladas a um preço médio de 16,31 centavos de dólar/libra-peso (R$ 1.223/ton, com dólar médio de 3,26). Na safra anterior eram 27%. Em 82% dos últimos 17 anos os preços mais altos foram encontrados entre outubro e fevereiro, o que, segundo a empresa, pode justificar este atraso;
Setembro foi excelente para as exportações de açúcar. Foram 3,5 milhões de toneladas (2,947 milhões de toneladas de demerara e 552,1 mil toneladas de refinado), quase 27% a mais que agosto e 10% a mais que setembro de 2016. Este volume trouxe uma renda de US$ 1,282 bilhão (22,3% a mais que agosto) e 26% a mais que setembro do ano passado. Até o momento, em 2017, vendemos 21,708 milhões de toneladas (mais 0,6% ante 2016), com renda de US$ 8,884 bilhões (mais 20,5%), fruto principalmente dos travamentos feitos ano passado. Os dólares estão vindo ao setor;
Segundo o USDA, a demanda dos EUA em 2017/18 será de 11,361 milhões de toneladas e a produção 8,1 milhões de toneladas. A demanda vem crescendo cerca de 1,5% ao ano. Terão que aumentar as importações, principalmente do México, devendo passar de 3 milhões de toneladas;
A Kingsman já reviu sua estimativa de excedente na safra 2017/18 para 3,87 milhões de toneladas, um milhão abaixo da anterior. Acreditam agora que usinas no Centro-Sul alocarão 47,6% da cana para açúcar, contra 48,3% da estimativa anterior, reduzindo em 300.000 toneladas a produção de açúcar.  Para o exercício 2018/19 estimam em menor ainda, caindo para 46,3% e colocam que a safra será menor em 2,9%, devido à seca, ficando em apenas 575 milhões de toneladas e produzindo com isto apenas 34 milhões de toneladas de açúcar. Ainda nas estimativas da Kingsman, a Tailândia produzirá 11,03 milhões de toneladas (10% a mais), a UE 20,5 milhões de toneladas (260 mil a mais) e a Índia produzirá para 25,5 milhões de toneladas;
Um alento para os preços começarem a se recuperar, pois caíram 24% neste ano. Uma das matérias-primas que mais perdeu valor;
A União Europeia, com a liberalização total da produção, deve passar a exportar de 2 a 2,5 milhões de toneladas por ano e reduzir as importações de 3,5 para 1,5 milhões de toneladas. De deficitária em 2016 (2 milhões de toneladas) até 2026 pode passar a ser superavitária em quase 4 milhões de toneladas. A tarifa de importação da UE (mais de 300 euros) protege o mercado local e impede que indústrias de alimentos e consumidores tenham acesso aos preços do mercado internacional de açúcar. Esta proteção precisaria cair para que a competição fosse adequada. O Brasil consegue vender a UE cerca de 700 mil toneladas com tarifa de 98 Euros/ton;
Outra má notícia na ponta do consumo é a queda nas vendas de refrigerantes no Brasil. Segundo a Mintel, o mercado caiu 6,1% em 2016 e deve cair 4,6% em 2017, apesar do faturamento crescente, graças aos reajustes de preços. A empresa acredita que este mercado continuará caindo entre 5 a 6% até 2021. Sucos, águas e chás, além de suas misturas, têm ganho espaço. Uma das razões da queda (para 36%) é o açúcar em excesso e a indústria vem reagindo aumentando os lançamentos de produtos sem calorias ou com menos calorias, que já são mais de um terço do total;
Precisamos torcer por moagens menores e mix bem mais alcooleiro para ver preços reagirem, e alguma má notícia climática no hemisfério norte. Ainda aposto em 16 cents/libra peso para dezembro contra os 13,54 no fechamento desta coluna. 
O que acontece com nosso etanol?
Segundo a Datagro, a importação de gasolina no primeiro semestre do ano cresceu 77%, chegando a 3,05 bilhões de litros. Uma triste notícia sabendo do potencial de expansão do etanol;
Em artigo no Estado de São Paulo, o prof. Plinio Nastari destaca algumas dificuldades do carro elétrico, a saber: nas baterias são usados lítio e cobalto e seu suprimento em grande escala é duvidoso. Existe o problema ambiental de descarte das mesmas, o problema do reabastecimento destas. Os carros a etanol no Brasil emitem menos que os carros elétricos europeus;
Esta em discussão Resolução 67/2011 (formação de estoques de etanol anidro), no sentido de dar mais rigor ao cumprimento da formação de estoques e considerar importadores de etanol também obrigados a cumprir esta regulação, carregando estoques de janeiro a março;
A FGV Energia (Centro de Estudos de Energia da Fundação Getulio Vargas) publicou estudo sobre carros elétricos. Segundo este a frota mundial de elétricos e híbridos era de 2 milhões de veículos de passeio em 2016, e deve chegar a 13 milhões até 2020 e 10% da frota total de carros em 2030. No Brasil, as vendas ainda estão abaixo de 0,5%. A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) estima que em 10 anos a frota nacional ainda será menor que 0,5%. 
Foi publicado estudo pelo Instituto Mauá de Tecnologia que contesta a referência de 70% para o desempenho do etanol em relação à gasolina. Em algumas condições testadas, a referência de empate ficou ao redor de 75%;
Em agosto, o consumo de hidratado foi de 1,16 bilhão de litros, longe dos 1,3 bilhão esperado. Resta esperar que setembro tenha sido bem menor e outubro prometa. De abril a agosto vendemos 1,14 bilhão de litros a menos;
No fechamento da coluna o hidratado estava R$ 1,67 e o anidro R$ 1,77/litro (spot Cepea). Meu viés para o etanol também é altista, pelos mesmos motivos antecipados na coluna anterior: aumento do consumo de combustíveis, agora, seca persistente, baixos preços do açúcar e o petróleo com ligeira alta. 
Haja Limão 
Para me manter calmo com os desmandos do Congresso e do Senado, e de parte dos nossos políticos, meu consolo principal é que faltam menos de 365 dias para as eleições. Faremos grande assepsia, tenho esperança.
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto. Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires e Membro do Conselho da Orplana.
O que acontece com nosso agro?
Com os números quase finais da supersafra brasileira de 2016/17 ao redor de 238,8 milhões de toneladas, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) soltou a primeira projeção para 2017/18. Devemos ficar entre 224 a 228 milhões de toneladas, uma redução entre 4 a 6%. A área deve seguir crescendo quase 2%, atingindo entre 61 a 62 milhões de hectares. Espera-se um pouco de perda de produtividade, principalmente por questões climáticas. Vem sendo incrível o ganho para a sociedade brasileira desta safra com a derrubada dos índices de inflação. Nas carnes, tivemos deflação de 4,2% neste ano, graças aos menores preços dos grãos e em diversos outros produtos, portanto, o agro promoveu bem-estar; 
As exportações de setembro foram de US$ 8,6 bilhões, praticamente 23,7% acima de setembro de 2016, deixando um superavit de US$ 7,4 bilhões, impressionante salto. No acumulado de janeiro a setembro, o agro trouxe US$ 74 bilhões, quase 9,8% acima de 2016. O superavit deixado já está em US$ 63,3 bilhões (9,9% acima). As exportações de açúcar e etanol aumentaram 50% em relação ao mesmo mês e as de milho cresceram ao redor de 80%. Segue firme o “aspirador chinês”, que somente em setembro comprou quase US$ 2 bilhões, mais que o dobro observado em setembro de 2016 e puxou 30% das nossas exportações neste ano. Soja já trouxe US$ 27,8 bilhões (18,2% a mais); carnes US$ 11,5 bilhões (7,2% a mais); açúcar e etanol US$ 9,5 bilhões (16,3% a mais) e produtos florestais US$ 8,4 bilhões (11% a mais). Estes seriam os principais destaques;
O índice de preços de commodities alimentares da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) chegou a 178,4 pontos, 1,4% acima de agosto e 7,4% acima de setembro de 2016. Cereais (1,6% de queda) ajudaram a derrubar o índice, enquanto que açúcar e carnes permaneceram com os mesmos preços e os óleos vegetais (2,5%) e os lácteos (2,1%) ajudaram a subir. A FAO estima que a produção de grãos em 2017 vai atingir recorde de 2,612 bilhões de toneladas e utilizar 2,589 bilhões, jogando também os estoques para valores recordes de 720 milhões de toneladas (2% acima). Esta megaprodução tem mantido os preços, principalmente de soja e milho, estáveis e são boas as chances de permanecerem neste patamar; 
Enfim, as notícias de final de setembro e outubro foram boas, exportações firmes, produção firme, expectativa de boa safra 2017/18, crescimento de área, mas há alguma preocupação com a seca neste momento atrasando plantio no Brasil. Torcer para que as águas venham! 
O que acontece com a nossa cana?
De acordo com a Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar), a moagem acumulada desta safra até o dia 1º de setembro foi de 467,17 milhões de toneladas, contra 476,24 no mesmo período anterior. Estamos atrasados em cerca de 2% em relação à safra anterior. Já foram produzidos 29,23 milhões de toneladas de açúcar (27,88 milhões em 2016), e no etanol 19,42 bilhões de litros (-2,75%). O hidratado caiu 5,7% para 11,04 bilhões de litros e o anidro subiu 1,43% para 8,37 bilhões de litros. Como já observamos no último mês, o etanol está buscando os números do ano passado e pode ultrapassar neste mês;
No ATR houve boa melhoria, chegando a 136,18 kg/ton (2,57% acima). Fizemos nesta última quinzena um mix de 53,4% para etanol, o que ajudou na estratégia geral de construção de valor. Está quase 4 pontos acima do mesmo período do ano passado. Com isto produzimos 11,5% a mais de etanol; 
O tempo seco já traz reflexos na produtividade desta safra e deve afetar a próxima. A amostra do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) estima em 79,6 toneladas/ha desde o início desta safra, contra 80,9 do mesmo período de 2016;
No mês de setembro foram vendidos pelas usinas (não significa consumo) 2,15 bilhões de litros para o mercado interno e quase 158 milhões de litros para exportação. De hidratado foi 1,38 bilhões de litros. Enfim, moemos cerca de 5% a menos de cana na quinzena, com 10% a mais de sacarose;
Estudo da RPA Consultoria indica 52 unidades em recuperação judicial e 27 em falência num total de 444 unidades. Acreditam que existem 25 prestes a solicitar recuperação judicial. O estudo indica que 45 usinas não serão reativadas, pois foram desmontadas;
A CerradinhoBio vem expandindo investimentos em cogeração, dobrando sua capacidade para agora 850 gigawatt-hora (GWh). Em 2016/17, a receita foi de R$ 811 milhões na última safra, inaugura hoje a expansão das operações de cogeração em sua usina em Chapadão do Céu, no sudoeste de Goiás. A moagem subiu de 4,8 milhões em 2015/16 para 5,4 milhões, pulando para 5,7 milhões em 2018/19 e chegando a 6,3 milhões em 2021. Nas caldeiras estão testando sorgo, braquiária e cavaco de eucalipto. Também está nos planos avaliar o processamento do milho. As metas são de chegar a R$ 880 milhões nesta safra e EBITDA de R$ 440 milhões;
Para o Nordeste, uma boa notícia: o Sindaçúcar/PE espera uma produção de 44 milhões de toneladas (4,7% a mais);
Pouca renovação de cana, pouca chuva, um pouco mais de investimentos em fertilizantes... safra do ano que vem pode ser ainda menor que esta. São bastante divergentes ainda as opiniões de produção esperadas. No caso do açúcar, de 33 a 36 milhões de toneladas, 26 a 28 bilhões de litros de etanol, e no caso da cana, de 560 a 625 milhões de toneladas. Ou seja, na melhor das hipóteses, mais um ano onde o agrícola andará de lado. 
O que acontece com nosso açúcar?
Neste momento devemos mirar as produções de União Europeia, Índia, Tailândia e Paquistão, seus climas e a influência dos preços recebidos nos plantios futuros. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) prevê Índia com 27,7 milhões de toneladas, 25% a mais. Também deve ser visto qual o impacto dos preços menores na demanda mundial por açúcar;
Usinas estão demorando a fixar preços para 2018. Segundo a Archer Consulting, apenas 15,5% haviam sido fixados até o dia 30/09, um total de 4,2 milhões de toneladas a um preço médio de 16,31 centavos de dólar/libra-peso (R$ 1.223/ton, com dólar médio de 3,26). Na safra anterior eram 27%. Em 82% dos últimos 17 anos os preços mais altos foram encontrados entre outubro e fevereiro, o que, segundo a empresa, pode justificar este atraso;
Setembro foi excelente para as exportações de açúcar. Foram 3,5 milhões de toneladas (2,947 milhões de toneladas de demerara e 552,1 mil toneladas de refinado), quase 27% a mais que agosto e 10% a mais que setembro de 2016. Este volume trouxe uma renda de US$ 1,282 bilhão (22,3% a mais que agosto) e 26% a mais que setembro do ano passado. Até o momento, em 2017, vendemos 21,708 milhões de toneladas (mais 0,6% ante 2016), com renda de US$ 8,884 bilhões (mais 20,5%), fruto principalmente dos travamentos feitos ano passado. Os dólares estão vindo ao setor;
Segundo o USDA, a demanda dos EUA em 2017/18 será de 11,361 milhões de toneladas e a produção 8,1 milhões de toneladas. A demanda vem crescendo cerca de 1,5% ao ano. Terão que aumentar as importações, principalmente do México, devendo passar de 3 milhões de toneladas;
A Kingsman já reviu sua estimativa de excedente na safra 2017/18 para 3,87 milhões de toneladas, um milhão abaixo da anterior. Acreditam agora que usinas no Centro-Sul alocarão 47,6% da cana para açúcar, contra 48,3% da estimativa anterior, reduzindo em 300.000 toneladas a produção de açúcar.  Para o exercício 2018/19 estimam em menor ainda, caindo para 46,3% e colocam que a safra será menor em 2,9%, devido à seca, ficando em apenas 575 milhões de toneladas e produzindo com isto apenas 34 milhões de toneladas de açúcar. Ainda nas estimativas da Kingsman, a Tailândia produzirá 11,03 milhões de toneladas (10% a mais), a UE 20,5 milhões de toneladas (260 mil a mais) e a Índia produzirá para 25,5 milhões de toneladas;
Um alento para os preços começarem a se recuperar, pois caíram 24% neste ano. Uma das matérias-primas que mais perdeu valor;
A União Europeia, com a liberalização total da produção, deve passar a exportar de 2 a 2,5 milhões de toneladas por ano e reduzir as importações de 3,5 para 1,5 milhões de toneladas. De deficitária em 2016 (2 milhões de toneladas) até 2026 pode passar a ser superavitária em quase 4 milhões de toneladas. A tarifa de importação da UE (mais de 300 euros) protege o mercado local e impede que indústrias de alimentos e consumidores tenham acesso aos preços do mercado internacional de açúcar. Esta proteção precisaria cair para que a competição fosse adequada. O Brasil consegue vender a UE cerca de 700 mil toneladas com tarifa de 98 Euros/ton;
Outra má notícia na ponta do consumo é a queda nas vendas de refrigerantes no Brasil. Segundo a Mintel, o mercado caiu 6,1% em 2016 e deve cair 4,6% em 2017, apesar do faturamento crescente, graças aos reajustes de preços. A empresa acredita que este mercado continuará caindo entre 5 a 6% até 2021. Sucos, águas e chás, além de suas misturas, têm ganho espaço. Uma das razões da queda (para 36%) é o açúcar em excesso e a indústria vem reagindo aumentando os lançamentos de produtos sem calorias ou com menos calorias, que já são mais de um terço do total;
Precisamos torcer por moagens menores e mix bem mais alcooleiro para ver preços reagirem, e alguma má notícia climática no hemisfério norte. Ainda aposto em 16 cents/libra peso para dezembro contra os 13,54 no fechamento desta coluna. 


O que acontece com nosso etanol?
Segundo a Datagro, a importação de gasolina no primeiro semestre do ano cresceu 77%, chegando a 3,05 bilhões de litros. Uma triste notícia sabendo do potencial de expansão do etanol;
Em artigo no Estado de São Paulo, o prof. Plinio Nastari destaca algumas dificuldades do carro elétrico, a saber: nas baterias são usados lítio e cobalto e seu suprimento em grande escala é duvidoso. Existe o problema ambiental de descarte das mesmas, o problema do reabastecimento destas. Os carros a etanol no Brasil emitem menos que os carros elétricos europeus;
Esta em discussão Resolução 67/2011 (formação de estoques de etanol anidro), no sentido de dar mais rigor ao cumprimento da formação de estoques e considerar importadores de etanol também obrigados a cumprir esta regulação, carregando estoques de janeiro a março;
A FGV Energia (Centro de Estudos de Energia da Fundação Getulio Vargas) publicou estudo sobre carros elétricos. Segundo este a frota mundial de elétricos e híbridos era de 2 milhões de veículos de passeio em 2016, e deve chegar a 13 milhões até 2020 e 10% da frota total de carros em 2030. No Brasil, as vendas ainda estão abaixo de 0,5%. A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) estima que em 10 anos a frota nacional ainda será menor que 0,5%. 
Foi publicado estudo pelo Instituto Mauá de Tecnologia que contesta a referência de 70% para o desempenho do etanol em relação à gasolina. Em algumas condições testadas, a referência de empate ficou ao redor de 75%;
Em agosto, o consumo de hidratado foi de 1,16 bilhão de litros, longe dos 1,3 bilhão esperado. Resta esperar que setembro tenha sido bem menor e outubro prometa. De abril a agosto vendemos 1,14 bilhão de litros a menos;
No fechamento da coluna o hidratado estava R$ 1,67 e o anidro R$ 1,77/litro (spot Cepea). Meu viés para o etanol também é altista, pelos mesmos motivos antecipados na coluna anterior: aumento do consumo de combustíveis, agora, seca persistente, baixos preços do açúcar e o petróleo com ligeira alta. 


Haja Limão 
Para me manter calmo com os desmandos do Congresso e do Senado, e de parte dos nossos políticos, meu consolo principal é que faltam menos de 365 dias para as eleições. Faremos grande assepsia, tenho esperança.
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto. Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires e Membro do Conselho da Orplana.


Quem é o homenageado do mês? 
Todos os meses temos um grande homenageado aqui neste espaço e desta vez nossa singela homenagem vai ao Eduardo Leão, da Unica, um grande lutador pelas questões nacionais e globais do etanol, com diversas conquistas à cadeia produtiva.

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Venha forte hidratado, nas 100 milhões de toneladas restantes

07/11/2017

O que acontece com nosso agro?
Com os números quase finais da supersafra brasileira de 2016/17 ao redor de 238,8 milhões de toneladas, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) soltou a primeira projeção para 2017/18. Devemos ficar entre 224 a 228 milhões de toneladas, uma redução entre 4 a 6%. A área deve seguir crescendo quase 2%, atingindo entre 61 a 62 milhões de hectares. Espera-se um pouco de perda de produtividade, principalmente por questões climáticas. Vem sendo incrível o ganho para a sociedade brasileira desta safra com a derrubada dos índices de inflação. Nas carnes, tivemos deflação de 4,2% neste ano, graças aos menores preços dos grãos e em diversos outros produtos, portanto, o agro promoveu bem-estar; 
As exportações de setembro foram de US$ 8,6 bilhões, praticamente 23,7% acima de setembro de 2016, deixando um superavit de US$ 7,4 bilhões, impressionante salto. No acumulado de janeiro a setembro, o agro trouxe US$ 74 bilhões, quase 9,8% acima de 2016. O superavit deixado já está em US$ 63,3 bilhões (9,9% acima). As exportações de açúcar e etanol aumentaram 50% em relação ao mesmo mês e as de milho cresceram ao redor de 80%. Segue firme o “aspirador chinês”, que somente em setembro comprou quase US$ 2 bilhões, mais que o dobro observado em setembro de 2016 e puxou 30% das nossas exportações neste ano. Soja já trouxe US$ 27,8 bilhões (18,2% a mais); carnes US$ 11,5 bilhões (7,2% a mais); açúcar e etanol US$ 9,5 bilhões (16,3% a mais) e produtos florestais US$ 8,4 bilhões (11% a mais). Estes seriam os principais destaques;
O índice de preços de commodities alimentares da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) chegou a 178,4 pontos, 1,4% acima de agosto e 7,4% acima de setembro de 2016. Cereais (1,6% de queda) ajudaram a derrubar o índice, enquanto que açúcar e carnes permaneceram com os mesmos preços e os óleos vegetais (2,5%) e os lácteos (2,1%) ajudaram a subir. A FAO estima que a produção de grãos em 2017 vai atingir recorde de 2,612 bilhões de toneladas e utilizar 2,589 bilhões, jogando também os estoques para valores recordes de 720 milhões de toneladas (2% acima). Esta megaprodução tem mantido os preços, principalmente de soja e milho, estáveis e são boas as chances de permanecerem neste patamar; 
Enfim, as notícias de final de setembro e outubro foram boas, exportações firmes, produção firme, expectativa de boa safra 2017/18, crescimento de área, mas há alguma preocupação com a seca neste momento atrasando plantio no Brasil. Torcer para que as águas venham! 
O que acontece com a nossa cana?
De acordo com a Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar), a moagem acumulada desta safra até o dia 1º de setembro foi de 467,17 milhões de toneladas, contra 476,24 no mesmo período anterior. Estamos atrasados em cerca de 2% em relação à safra anterior. Já foram produzidos 29,23 milhões de toneladas de açúcar (27,88 milhões em 2016), e no etanol 19,42 bilhões de litros (-2,75%). O hidratado caiu 5,7% para 11,04 bilhões de litros e o anidro subiu 1,43% para 8,37 bilhões de litros. Como já observamos no último mês, o etanol está buscando os números do ano passado e pode ultrapassar neste mês;
No ATR houve boa melhoria, chegando a 136,18 kg/ton (2,57% acima). Fizemos nesta última quinzena um mix de 53,4% para etanol, o que ajudou na estratégia geral de construção de valor. Está quase 4 pontos acima do mesmo período do ano passado. Com isto produzimos 11,5% a mais de etanol; 
O tempo seco já traz reflexos na produtividade desta safra e deve afetar a próxima. A amostra do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) estima em 79,6 toneladas/ha desde o início desta safra, contra 80,9 do mesmo período de 2016;
No mês de setembro foram vendidos pelas usinas (não significa consumo) 2,15 bilhões de litros para o mercado interno e quase 158 milhões de litros para exportação. De hidratado foi 1,38 bilhões de litros. Enfim, moemos cerca de 5% a menos de cana na quinzena, com 10% a mais de sacarose;
Estudo da RPA Consultoria indica 52 unidades em recuperação judicial e 27 em falência num total de 444 unidades. Acreditam que existem 25 prestes a solicitar recuperação judicial. O estudo indica que 45 usinas não serão reativadas, pois foram desmontadas;
A CerradinhoBio vem expandindo investimentos em cogeração, dobrando sua capacidade para agora 850 gigawatt-hora (GWh). Em 2016/17, a receita foi de R$ 811 milhões na última safra, inaugura hoje a expansão das operações de cogeração em sua usina em Chapadão do Céu, no sudoeste de Goiás. A moagem subiu de 4,8 milhões em 2015/16 para 5,4 milhões, pulando para 5,7 milhões em 2018/19 e chegando a 6,3 milhões em 2021. Nas caldeiras estão testando sorgo, braquiária e cavaco de eucalipto. Também está nos planos avaliar o processamento do milho. As metas são de chegar a R$ 880 milhões nesta safra e EBITDA de R$ 440 milhões;
Para o Nordeste, uma boa notícia: o Sindaçúcar/PE espera uma produção de 44 milhões de toneladas (4,7% a mais);
Pouca renovação de cana, pouca chuva, um pouco mais de investimentos em fertilizantes... safra do ano que vem pode ser ainda menor que esta. São bastante divergentes ainda as opiniões de produção esperadas. No caso do açúcar, de 33 a 36 milhões de toneladas, 26 a 28 bilhões de litros de etanol, e no caso da cana, de 560 a 625 milhões de toneladas. Ou seja, na melhor das hipóteses, mais um ano onde o agrícola andará de lado. 
O que acontece com nosso açúcar?
Neste momento devemos mirar as produções de União Europeia, Índia, Tailândia e Paquistão, seus climas e a influência dos preços recebidos nos plantios futuros. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) prevê Índia com 27,7 milhões de toneladas, 25% a mais. Também deve ser visto qual o impacto dos preços menores na demanda mundial por açúcar;
Usinas estão demorando a fixar preços para 2018. Segundo a Archer Consulting, apenas 15,5% haviam sido fixados até o dia 30/09, um total de 4,2 milhões de toneladas a um preço médio de 16,31 centavos de dólar/libra-peso (R$ 1.223/ton, com dólar médio de 3,26). Na safra anterior eram 27%. Em 82% dos últimos 17 anos os preços mais altos foram encontrados entre outubro e fevereiro, o que, segundo a empresa, pode justificar este atraso;
Setembro foi excelente para as exportações de açúcar. Foram 3,5 milhões de toneladas (2,947 milhões de toneladas de demerara e 552,1 mil toneladas de refinado), quase 27% a mais que agosto e 10% a mais que setembro de 2016. Este volume trouxe uma renda de US$ 1,282 bilhão (22,3% a mais que agosto) e 26% a mais que setembro do ano passado. Até o momento, em 2017, vendemos 21,708 milhões de toneladas (mais 0,6% ante 2016), com renda de US$ 8,884 bilhões (mais 20,5%), fruto principalmente dos travamentos feitos ano passado. Os dólares estão vindo ao setor;
Segundo o USDA, a demanda dos EUA em 2017/18 será de 11,361 milhões de toneladas e a produção 8,1 milhões de toneladas. A demanda vem crescendo cerca de 1,5% ao ano. Terão que aumentar as importações, principalmente do México, devendo passar de 3 milhões de toneladas;
A Kingsman já reviu sua estimativa de excedente na safra 2017/18 para 3,87 milhões de toneladas, um milhão abaixo da anterior. Acreditam agora que usinas no Centro-Sul alocarão 47,6% da cana para açúcar, contra 48,3% da estimativa anterior, reduzindo em 300.000 toneladas a produção de açúcar.  Para o exercício 2018/19 estimam em menor ainda, caindo para 46,3% e colocam que a safra será menor em 2,9%, devido à seca, ficando em apenas 575 milhões de toneladas e produzindo com isto apenas 34 milhões de toneladas de açúcar. Ainda nas estimativas da Kingsman, a Tailândia produzirá 11,03 milhões de toneladas (10% a mais), a UE 20,5 milhões de toneladas (260 mil a mais) e a Índia produzirá para 25,5 milhões de toneladas;
Um alento para os preços começarem a se recuperar, pois caíram 24% neste ano. Uma das matérias-primas que mais perdeu valor;
A União Europeia, com a liberalização total da produção, deve passar a exportar de 2 a 2,5 milhões de toneladas por ano e reduzir as importações de 3,5 para 1,5 milhões de toneladas. De deficitária em 2016 (2 milhões de toneladas) até 2026 pode passar a ser superavitária em quase 4 milhões de toneladas. A tarifa de importação da UE (mais de 300 euros) protege o mercado local e impede que indústrias de alimentos e consumidores tenham acesso aos preços do mercado internacional de açúcar. Esta proteção precisaria cair para que a competição fosse adequada. O Brasil consegue vender a UE cerca de 700 mil toneladas com tarifa de 98 Euros/ton;
Outra má notícia na ponta do consumo é a queda nas vendas de refrigerantes no Brasil. Segundo a Mintel, o mercado caiu 6,1% em 2016 e deve cair 4,6% em 2017, apesar do faturamento crescente, graças aos reajustes de preços. A empresa acredita que este mercado continuará caindo entre 5 a 6% até 2021. Sucos, águas e chás, além de suas misturas, têm ganho espaço. Uma das razões da queda (para 36%) é o açúcar em excesso e a indústria vem reagindo aumentando os lançamentos de produtos sem calorias ou com menos calorias, que já são mais de um terço do total;
Precisamos torcer por moagens menores e mix bem mais alcooleiro para ver preços reagirem, e alguma má notícia climática no hemisfério norte. Ainda aposto em 16 cents/libra peso para dezembro contra os 13,54 no fechamento desta coluna. 
O que acontece com nosso etanol?
Segundo a Datagro, a importação de gasolina no primeiro semestre do ano cresceu 77%, chegando a 3,05 bilhões de litros. Uma triste notícia sabendo do potencial de expansão do etanol;
Em artigo no Estado de São Paulo, o prof. Plinio Nastari destaca algumas dificuldades do carro elétrico, a saber: nas baterias são usados lítio e cobalto e seu suprimento em grande escala é duvidoso. Existe o problema ambiental de descarte das mesmas, o problema do reabastecimento destas. Os carros a etanol no Brasil emitem menos que os carros elétricos europeus;
Esta em discussão Resolução 67/2011 (formação de estoques de etanol anidro), no sentido de dar mais rigor ao cumprimento da formação de estoques e considerar importadores de etanol também obrigados a cumprir esta regulação, carregando estoques de janeiro a março;
A FGV Energia (Centro de Estudos de Energia da Fundação Getulio Vargas) publicou estudo sobre carros elétricos. Segundo este a frota mundial de elétricos e híbridos era de 2 milhões de veículos de passeio em 2016, e deve chegar a 13 milhões até 2020 e 10% da frota total de carros em 2030. No Brasil, as vendas ainda estão abaixo de 0,5%. A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) estima que em 10 anos a frota nacional ainda será menor que 0,5%. 
Foi publicado estudo pelo Instituto Mauá de Tecnologia que contesta a referência de 70% para o desempenho do etanol em relação à gasolina. Em algumas condições testadas, a referência de empate ficou ao redor de 75%;
Em agosto, o consumo de hidratado foi de 1,16 bilhão de litros, longe dos 1,3 bilhão esperado. Resta esperar que setembro tenha sido bem menor e outubro prometa. De abril a agosto vendemos 1,14 bilhão de litros a menos;
No fechamento da coluna o hidratado estava R$ 1,67 e o anidro R$ 1,77/litro (spot Cepea). Meu viés para o etanol também é altista, pelos mesmos motivos antecipados na coluna anterior: aumento do consumo de combustíveis, agora, seca persistente, baixos preços do açúcar e o petróleo com ligeira alta. 
Haja Limão 
Para me manter calmo com os desmandos do Congresso e do Senado, e de parte dos nossos políticos, meu consolo principal é que faltam menos de 365 dias para as eleições. Faremos grande assepsia, tenho esperança.
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto. Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires e Membro do Conselho da Orplana.
O que acontece com nosso agro?
Com os números quase finais da supersafra brasileira de 2016/17 ao redor de 238,8 milhões de toneladas, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) soltou a primeira projeção para 2017/18. Devemos ficar entre 224 a 228 milhões de toneladas, uma redução entre 4 a 6%. A área deve seguir crescendo quase 2%, atingindo entre 61 a 62 milhões de hectares. Espera-se um pouco de perda de produtividade, principalmente por questões climáticas. Vem sendo incrível o ganho para a sociedade brasileira desta safra com a derrubada dos índices de inflação. Nas carnes, tivemos deflação de 4,2% neste ano, graças aos menores preços dos grãos e em diversos outros produtos, portanto, o agro promoveu bem-estar; 
As exportações de setembro foram de US$ 8,6 bilhões, praticamente 23,7% acima de setembro de 2016, deixando um superavit de US$ 7,4 bilhões, impressionante salto. No acumulado de janeiro a setembro, o agro trouxe US$ 74 bilhões, quase 9,8% acima de 2016. O superavit deixado já está em US$ 63,3 bilhões (9,9% acima). As exportações de açúcar e etanol aumentaram 50% em relação ao mesmo mês e as de milho cresceram ao redor de 80%. Segue firme o “aspirador chinês”, que somente em setembro comprou quase US$ 2 bilhões, mais que o dobro observado em setembro de 2016 e puxou 30% das nossas exportações neste ano. Soja já trouxe US$ 27,8 bilhões (18,2% a mais); carnes US$ 11,5 bilhões (7,2% a mais); açúcar e etanol US$ 9,5 bilhões (16,3% a mais) e produtos florestais US$ 8,4 bilhões (11% a mais). Estes seriam os principais destaques;
O índice de preços de commodities alimentares da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) chegou a 178,4 pontos, 1,4% acima de agosto e 7,4% acima de setembro de 2016. Cereais (1,6% de queda) ajudaram a derrubar o índice, enquanto que açúcar e carnes permaneceram com os mesmos preços e os óleos vegetais (2,5%) e os lácteos (2,1%) ajudaram a subir. A FAO estima que a produção de grãos em 2017 vai atingir recorde de 2,612 bilhões de toneladas e utilizar 2,589 bilhões, jogando também os estoques para valores recordes de 720 milhões de toneladas (2% acima). Esta megaprodução tem mantido os preços, principalmente de soja e milho, estáveis e são boas as chances de permanecerem neste patamar; 
Enfim, as notícias de final de setembro e outubro foram boas, exportações firmes, produção firme, expectativa de boa safra 2017/18, crescimento de área, mas há alguma preocupação com a seca neste momento atrasando plantio no Brasil. Torcer para que as águas venham! 
O que acontece com a nossa cana?
De acordo com a Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar), a moagem acumulada desta safra até o dia 1º de setembro foi de 467,17 milhões de toneladas, contra 476,24 no mesmo período anterior. Estamos atrasados em cerca de 2% em relação à safra anterior. Já foram produzidos 29,23 milhões de toneladas de açúcar (27,88 milhões em 2016), e no etanol 19,42 bilhões de litros (-2,75%). O hidratado caiu 5,7% para 11,04 bilhões de litros e o anidro subiu 1,43% para 8,37 bilhões de litros. Como já observamos no último mês, o etanol está buscando os números do ano passado e pode ultrapassar neste mês;
No ATR houve boa melhoria, chegando a 136,18 kg/ton (2,57% acima). Fizemos nesta última quinzena um mix de 53,4% para etanol, o que ajudou na estratégia geral de construção de valor. Está quase 4 pontos acima do mesmo período do ano passado. Com isto produzimos 11,5% a mais de etanol; 
O tempo seco já traz reflexos na produtividade desta safra e deve afetar a próxima. A amostra do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) estima em 79,6 toneladas/ha desde o início desta safra, contra 80,9 do mesmo período de 2016;
No mês de setembro foram vendidos pelas usinas (não significa consumo) 2,15 bilhões de litros para o mercado interno e quase 158 milhões de litros para exportação. De hidratado foi 1,38 bilhões de litros. Enfim, moemos cerca de 5% a menos de cana na quinzena, com 10% a mais de sacarose;
Estudo da RPA Consultoria indica 52 unidades em recuperação judicial e 27 em falência num total de 444 unidades. Acreditam que existem 25 prestes a solicitar recuperação judicial. O estudo indica que 45 usinas não serão reativadas, pois foram desmontadas;
A CerradinhoBio vem expandindo investimentos em cogeração, dobrando sua capacidade para agora 850 gigawatt-hora (GWh). Em 2016/17, a receita foi de R$ 811 milhões na última safra, inaugura hoje a expansão das operações de cogeração em sua usina em Chapadão do Céu, no sudoeste de Goiás. A moagem subiu de 4,8 milhões em 2015/16 para 5,4 milhões, pulando para 5,7 milhões em 2018/19 e chegando a 6,3 milhões em 2021. Nas caldeiras estão testando sorgo, braquiária e cavaco de eucalipto. Também está nos planos avaliar o processamento do milho. As metas são de chegar a R$ 880 milhões nesta safra e EBITDA de R$ 440 milhões;
Para o Nordeste, uma boa notícia: o Sindaçúcar/PE espera uma produção de 44 milhões de toneladas (4,7% a mais);
Pouca renovação de cana, pouca chuva, um pouco mais de investimentos em fertilizantes... safra do ano que vem pode ser ainda menor que esta. São bastante divergentes ainda as opiniões de produção esperadas. No caso do açúcar, de 33 a 36 milhões de toneladas, 26 a 28 bilhões de litros de etanol, e no caso da cana, de 560 a 625 milhões de toneladas. Ou seja, na melhor das hipóteses, mais um ano onde o agrícola andará de lado. 
O que acontece com nosso açúcar?
Neste momento devemos mirar as produções de União Europeia, Índia, Tailândia e Paquistão, seus climas e a influência dos preços recebidos nos plantios futuros. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) prevê Índia com 27,7 milhões de toneladas, 25% a mais. Também deve ser visto qual o impacto dos preços menores na demanda mundial por açúcar;
Usinas estão demorando a fixar preços para 2018. Segundo a Archer Consulting, apenas 15,5% haviam sido fixados até o dia 30/09, um total de 4,2 milhões de toneladas a um preço médio de 16,31 centavos de dólar/libra-peso (R$ 1.223/ton, com dólar médio de 3,26). Na safra anterior eram 27%. Em 82% dos últimos 17 anos os preços mais altos foram encontrados entre outubro e fevereiro, o que, segundo a empresa, pode justificar este atraso;
Setembro foi excelente para as exportações de açúcar. Foram 3,5 milhões de toneladas (2,947 milhões de toneladas de demerara e 552,1 mil toneladas de refinado), quase 27% a mais que agosto e 10% a mais que setembro de 2016. Este volume trouxe uma renda de US$ 1,282 bilhão (22,3% a mais que agosto) e 26% a mais que setembro do ano passado. Até o momento, em 2017, vendemos 21,708 milhões de toneladas (mais 0,6% ante 2016), com renda de US$ 8,884 bilhões (mais 20,5%), fruto principalmente dos travamentos feitos ano passado. Os dólares estão vindo ao setor;
Segundo o USDA, a demanda dos EUA em 2017/18 será de 11,361 milhões de toneladas e a produção 8,1 milhões de toneladas. A demanda vem crescendo cerca de 1,5% ao ano. Terão que aumentar as importações, principalmente do México, devendo passar de 3 milhões de toneladas;
A Kingsman já reviu sua estimativa de excedente na safra 2017/18 para 3,87 milhões de toneladas, um milhão abaixo da anterior. Acreditam agora que usinas no Centro-Sul alocarão 47,6% da cana para açúcar, contra 48,3% da estimativa anterior, reduzindo em 300.000 toneladas a produção de açúcar.  Para o exercício 2018/19 estimam em menor ainda, caindo para 46,3% e colocam que a safra será menor em 2,9%, devido à seca, ficando em apenas 575 milhões de toneladas e produzindo com isto apenas 34 milhões de toneladas de açúcar. Ainda nas estimativas da Kingsman, a Tailândia produzirá 11,03 milhões de toneladas (10% a mais), a UE 20,5 milhões de toneladas (260 mil a mais) e a Índia produzirá para 25,5 milhões de toneladas;
Um alento para os preços começarem a se recuperar, pois caíram 24% neste ano. Uma das matérias-primas que mais perdeu valor;
A União Europeia, com a liberalização total da produção, deve passar a exportar de 2 a 2,5 milhões de toneladas por ano e reduzir as importações de 3,5 para 1,5 milhões de toneladas. De deficitária em 2016 (2 milhões de toneladas) até 2026 pode passar a ser superavitária em quase 4 milhões de toneladas. A tarifa de importação da UE (mais de 300 euros) protege o mercado local e impede que indústrias de alimentos e consumidores tenham acesso aos preços do mercado internacional de açúcar. Esta proteção precisaria cair para que a competição fosse adequada. O Brasil consegue vender a UE cerca de 700 mil toneladas com tarifa de 98 Euros/ton;
Outra má notícia na ponta do consumo é a queda nas vendas de refrigerantes no Brasil. Segundo a Mintel, o mercado caiu 6,1% em 2016 e deve cair 4,6% em 2017, apesar do faturamento crescente, graças aos reajustes de preços. A empresa acredita que este mercado continuará caindo entre 5 a 6% até 2021. Sucos, águas e chás, além de suas misturas, têm ganho espaço. Uma das razões da queda (para 36%) é o açúcar em excesso e a indústria vem reagindo aumentando os lançamentos de produtos sem calorias ou com menos calorias, que já são mais de um terço do total;
Precisamos torcer por moagens menores e mix bem mais alcooleiro para ver preços reagirem, e alguma má notícia climática no hemisfério norte. Ainda aposto em 16 cents/libra peso para dezembro contra os 13,54 no fechamento desta coluna. 


O que acontece com nosso etanol?
Segundo a Datagro, a importação de gasolina no primeiro semestre do ano cresceu 77%, chegando a 3,05 bilhões de litros. Uma triste notícia sabendo do potencial de expansão do etanol;
Em artigo no Estado de São Paulo, o prof. Plinio Nastari destaca algumas dificuldades do carro elétrico, a saber: nas baterias são usados lítio e cobalto e seu suprimento em grande escala é duvidoso. Existe o problema ambiental de descarte das mesmas, o problema do reabastecimento destas. Os carros a etanol no Brasil emitem menos que os carros elétricos europeus;
Esta em discussão Resolução 67/2011 (formação de estoques de etanol anidro), no sentido de dar mais rigor ao cumprimento da formação de estoques e considerar importadores de etanol também obrigados a cumprir esta regulação, carregando estoques de janeiro a março;
A FGV Energia (Centro de Estudos de Energia da Fundação Getulio Vargas) publicou estudo sobre carros elétricos. Segundo este a frota mundial de elétricos e híbridos era de 2 milhões de veículos de passeio em 2016, e deve chegar a 13 milhões até 2020 e 10% da frota total de carros em 2030. No Brasil, as vendas ainda estão abaixo de 0,5%. A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) estima que em 10 anos a frota nacional ainda será menor que 0,5%. 
Foi publicado estudo pelo Instituto Mauá de Tecnologia que contesta a referência de 70% para o desempenho do etanol em relação à gasolina. Em algumas condições testadas, a referência de empate ficou ao redor de 75%;
Em agosto, o consumo de hidratado foi de 1,16 bilhão de litros, longe dos 1,3 bilhão esperado. Resta esperar que setembro tenha sido bem menor e outubro prometa. De abril a agosto vendemos 1,14 bilhão de litros a menos;
No fechamento da coluna o hidratado estava R$ 1,67 e o anidro R$ 1,77/litro (spot Cepea). Meu viés para o etanol também é altista, pelos mesmos motivos antecipados na coluna anterior: aumento do consumo de combustíveis, agora, seca persistente, baixos preços do açúcar e o petróleo com ligeira alta. 


Haja Limão 
Para me manter calmo com os desmandos do Congresso e do Senado, e de parte dos nossos políticos, meu consolo principal é que faltam menos de 365 dias para as eleições. Faremos grande assepsia, tenho esperança.
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto. Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA) e desde 2006 é Professor Visitante Internacional da Universidade de Buenos Aires e Membro do Conselho da Orplana.


Quem é o homenageado do mês? 
Todos os meses temos um grande homenageado aqui neste espaço e desta vez nossa singela homenagem vai ao Eduardo Leão, da Unica, um grande lutador pelas questões nacionais e globais do etanol, com diversas conquistas à cadeia produtiva.