A utilização da soja na rotação de cultura dos canaviais é um dos manejos de destaque da Fazenda Santa Fé. Com um trabalho pautado em processos, a equipe gerenciada por Donizeti Balbino implantou diversas ações.
O trabalho começa em meados de junho, com todo canavial da fazenda é colhido no início de safra, os talhões que vão entrar para reforma são semeados com um mix de planta de cobertura com o objetivo de não deixar a terra exposta por um longo período e ao mesmo tempo trabalhar a saúde biológica e a descompactação do solo.
Nas primeiras chuvas de outubro, o mix é dessecado, então são feitas as linhas-mães da meiosi de cana. No final do mês é realizado o plantio da soja de maneira direta na palhada das plantas de cobertura.
Uma decisão que é tomada praticamente na safra anterior é quanto à variedade a ser escolhida: “Até o ano passado a variedade que predominava aqui era a M6410, nesse ciclo diminuímos ela para 20% da área e passamos a priorizar a NEO610, pois percebemos que ela teve melhor desempenho frente ao intenso stress climático da lavoura de 23/24.
VARIEDADE APROVADA – Plantando a NEO610 em 80% da área os produtores aprovaram a tecnologia observando pontos como a resistência aos veranicos do ciclo, arquitetura moderna: grãos próximos (formando vagens curtas), alto engalhamento com porte médio (o que evita o acamamento) e grande fixação biológica de nitrogênio (importante para o canvial que virá).
Não nos arrependemos da decisão, pois no veranico de uns dez dias que tivemos em janeiro vimos que ela segurou bem o rojão, estávamos apreensivos, pois ele veio na época de enchimento de grãos, quando a planta precisa de muita água, mas quando as chuvas voltaram, ela se estabilizou, as vagens granaram e as ruas fecharam”, explicou Balbino.
Quanto ao uso de insumos, tudo é bem planejado, pois a margem vem das melhores escolhas, que nem sempre são os lançamentos de última geração, como comenta o RTV da Copercana, Augusto Segatto Strini Paixão: “Aqui na Santa Fé trabalhamos com custo baixo, não somos uma região graneleira, nossa realidade é a lavoura em rotação com a cana, então a pressão de doenças é bem menor, as pragas são menores, isso porque o próprio canavial que está em volta dos talhões de soja, que geralmente estão grandes no verão, forma uma barreira natural para a disseminação dos fungos e insetos.
Assim, levamos muito em consideração o preço para a escolha dos defensivos, nada de moléculas e formulações de última geração, fazemos três aplicações preventivas. Utilizamos os micros de maneira controlada, nada de pacote completo, não vemos tanto as marcas, mas sua eficiência, comprovada por nós no campo. Assim, estamos na terceira safra e acredito que todas com resultados positivos”.
Com esse método, mesmo em ciclos desafiadores como o do ano passado, quando a fazenda colheu em média 54 sacos por hectares, resultado melhor que muitas lavouras na região que entregaram menos de 40 sacos, ainda tiveram margem, mediante um custo de 35 sacos em áreas próprias, como é na Fazenda Santa Fé.
É válido ressaltar que quando é falado de um trabalho pés no chão, não significa que os produtores simplesmente plantam e esperam a soja crescer sozinha para colher. O processo é minucioso, até porque não é apenas o sucesso na empreitada da soja que está em jogo, mas também o preparo da área para receber o novo canavial.
O trabalho tem início em conhecer seu estado através da realização de análises de solo. Perante as informações e com a consultoria do agrônomo da Copercana, é definida a estratégia de correção.
Ainda sob a recomendação do Augusto, no plantio são definidas a adubação, a utilização das ferramentas biológicas e a quantidade de sementes que serão utilizadas. Nesse manejo, Babino destaca mais um motivo para ter investido a maior parte de sua área na NEO610: “Percebemos que com a M6410 plantávamos 16 sementes por metro linear, com a nova variedade foram 14”.
Para ter a eficiência no plantio, a fazenda adota ainda alguns padrões: “Como ter uma equipe que acompanha todo o processo e abre cinco metros para ver quantas sementes estão caindo em média. Outra regra é quanto o estabelecimento de uma velocidade mínima, na qual não passamos dos cinco quilômetros por hora, porque se passar disso com certeza vai atropelar e aí começa a encontrar sementes caindo junto, então tem que ser padrão”, comentou Balbino.
O controle do mato também é um processo pensado com muito cuidado, até mesmo anos antes da formação da lavoura, isso porque a fazenda adota que o canavial após o sétimo corte pode ser reformado em qualquer entressafra. Mediante a esse marco de idade, eles tomam todos os cuidados para não terem problemas de carryover, o que invibializaria a rotação de cultura comercial.
É também padrão a realização do PPI (Plantio Pré-Incorporado) três dias antes do início do plantio da soja, sendo as ferramentas de controle decididas perante o resultado da matologia que indica as espécies e a pressão em cada talhão.
Nas três aplicações preventivas, além de considerar o custo, sempre há a rotação de moléculas de herbicidas e fungicidas, pensando não somente na possibilidade de alguma praga ou doença apresentar resistência, mas também pensando na maior eficiência perante cada fase da soja e da lavoura no momento da pulverização.
O convívio do uso de glifosato na soja e a linha--mãe da meiosi é outro manejo de destaque da operação, como explica Balbino: “Tomamos o cuidado de usarmos a barra bem baixa, aplicamos somente entre às 15 horas e às 10:30 da manhã e acompanhamos constantemente o vento, se ele ultrapassar o limite, paramos na hora.
Outro ponto é que temos apenas um autopropelido. Com isso, ao longo do período das águas temos que dividir a máquina entre a cana e a soja. Toda vez que mudamos de cultura lavamos todo o sistema de pulverização utilizando o Serqlimp que colocamos no tanque com um pouco de água, deixamos bater, tiramos as duas extremidades da barra, deixamos vazar, abrimos os bicos. Esse processo demora cerca de duas horas”.
Tanto o Sr. Ricardo (proprietário da fazenda) quanto o Donizete fazem questão de ressaltar que todos os manejos descritos acima tiveram a participação fundamental da Copercana através do trabalho de seu agrônomo: “O Augusto é muito bom, você precisou ele está aí, o atendimento dele é na cana e na soja, que ele também conhece muito. Quanto cheguei à fazenda, tive o meu primeiro contato com a cultura, pois antes eu trabalhei em usinas e lá as funções são setorizadas.
Trabalhando ao lado do Augusto fui aprendendo ao longo do tempo, fui entendendo melhor como observar cada variedade ao longo do seu ciclo e assim vamos moldando a forma de trabalhar, como por exemplo as plantas que não têm muita canela (espaço entre o solo e o início dos grãos e folhas), não nos interessa, pois perdemos demais devido ao tipo de colheita que fazemos.
Outro destaque de seu trabalho é a quantidade de novas informações que ele nos traz, o que é fundamental para nossa forma detalhada de planejarmos cada ação, no caso da soja, como ele vê lavouras em diversos locais, sabe nos dizer o que pode dar certo ou errado.
FITO 0 - Adepto da meiosi, pensando nas vantagens logísticas do plantio da cana, o produtor precisa pensar bem sua estratégia de aplicação de herbicidas, principalmente do glifosato. Outro trabalho padrão é a limpeza completa do autopropelido quando muda a cultura que será pulverizada